O cinema é uma fábrica de sonhos. A criação de mundos de fantasia. Viagens ao futuro e ao passado. Histórias fantásticas que só existem na imaginação dos artistas. Sim, o cinema é tudo isso. Mas também pode ser um retrato de uma realidade nua e crua. Isso porque alguns dos grandes filmes da sétima não saíram somente da cabeça dos roteiristas, mas também de algumas das histórias reais mais inacreditáveis de nosso mundo.
Sabe aquela história do “isso é coisa de filme, só acontece no cinema”? Pois bem, a realidade nos entrega situações tão absurdamente incríveis quanto a sétima arte. Muitas vezes até mais fantásticas. E caso não soubéssemos se tratar de uma história real, diríamos que tal situação jamais aconteceria. O cinema vira e mexe se mistura com a vida real, reflete e inspira a nossa realidade. Afinal, hoje temos drones voadores, robôs inteligentes e computadores pensantes. O que mais virá? Enquanto isso, ficamos com os acontecimentos mais inacreditáveis do cinema, que são baseados em histórias reais. Confira.
Na Natureza Selvagem (2007)

Já imaginou largar tudo, deixar sua vida confortável para trás, e se aventurar pelo mundo, “sem lenço e sem documento”? É uma ideia que parece loucura para a maioria, mas que uma parcela chamaria de liberdade, viver sem as amarras e obrigações sociais. Foi exatamente o que o jovem Christopher McCandless fez. Insatisfeito com sua vida, em especial junto à família, o rapaz decidiu sair em viagem pelo coração dos EUA, onde conheceu vidas e histórias, e nunca parou em um lugar. O problema foi o objetivo de chegar ao Alasca, local inóspito. E nessa luta do homem contra a natureza, o homem sempre perderá, ainda mais quando não conta com os artifícios necessários para a vida em um local tão selvagem e frio. O destino do jovem foi a morte. No cinema, Sean Penn nos entregou uma verdadeira obra-prima, que deveria ter recebido muito mais amor no Oscar.
127 Horas (2010)

Ainda na seara de “o homem testando seus limites perante a natureza”, temos mais uma história de humildade obrigatória perante forças que o homem jamais conseguirá domar. Assim como o protagonista do filme acima, Aaron Ralston (interpretado por James Franco) é um aventureiro independente. O jovem saía para trilhas e caminhadas, em lugares remotos, e sequer avisava a família, sem que ninguém soubesse de seu paradeiro. Numa dessas aventuras, ele terminou com a mão presa em uma enorme rocha, no cânion Blue John, em Utah. Durante cinco dias, as chamadas 127 horas do título, o rapaz quase pereceu, sem ajuda. Ele precisou salvar sua própria vida, e para conseguir isso, teve que tomar a decisão mais difícil: cortar a própria mão para se livrar da situação. Uma incrível história de superação.
Titanic (1997)

Tudo bem que o filme de James Cameron não é uma biografia específica de nenhum sobrevivente do Titanic, mas sim uma história fictícia que usa como pano de fundo uma das maiores e mais famosas tragédias relatadas na história dos EUA. Ocorrido em 1912, o navio de luxo, tido como “inafundável”, nem mesmo por Deus, provou que o egocentrismo do homem nunca deve ficar acima de sua capacidade intelectual. Ao colidir com um iceberg, o casco do navio foi cortado e a embarcação foi afundando gradativamente, matando 1.500 (a maioria) dos passageiros, e deixando vivos apenas 705 pessoas, que conseguiram escapar. É claro que Hollywood transformou tudo em um grande espetáculo visual, que se tornou um dos maiores filmes da história do cinema.
Sully – O Herói do Rio Hudson (2016)

Do mar, passamos para o ar. Muitas pessoas possuem um incrível medo de voar. Estar dentro de uma estrutura de metal a muitos metros do chão, sem ter o menor controle desta situação, pode ser algo realmente desafiador para nosso pânico interno. Seja como for, voar ainda é o método mais seguro e rápido de se viajar. Algumas pessoas podem possuir suas próprias histórias de pavor dentro de um avião, mas poucas passaram pelo que os passageiros do voo 1549 da US Airways passaram no dia 15 de janeiro de 2009. Esse era o voo pilotado pelo comandante Chesley “Sulley” Sullenberger, notoriamente conhecido como um herói. Ao decolar em Nova York, o avião se chocou contra um bando de gansos e perdeu todos os motores. A solução encontrada pelo piloto foi fazer um pouso forçado no rio Hudson. A história inspirou o filme ‘O Voo’, com Denzel Washington, de 2012, mas depois ganharia sua biografia oficial comandada por Clint Eastwood, e estrelada por Tom Hanks.
Capitão Phillips (2013)

Do ar, voltamos novamente para o mar, mas seguimos em um filme estrelado por Tom Hanks. São tantos grandes filmes que esse verdadeiro astro de Hollywood protagonizou, que daria várias listas falando só deles. Aqui, Hanks estrela em outra história real, desta vez como o Capitão de uma embarcação cargueira, que termina sequestrada por piratas somalianos em águas internacionais no Oceano Índico, no Golfo de Aden. O local é conhecido por ser uma zona perigosa de pirataria. Curiosamente, a incrível história também ocorreu em 2009, mesmo ano da história do filme acima, também estrelado por Hanks. Este longa tenso tem assinatura de Paul Greengrass.
O Terminal (2004)

Esse é o último filme de Tom Hanks na lista, eu prometo. Mas quem mandou o ator estrelar diversos ótimos filmes baseados em histórias reais. Certamente sua filmografia ainda possui outros. Aqui, ele interpreta um imigrante fugindo da guerra em seu país, o fictício Cracóvia, porém, impedido de adentrar nos EUA. O sujeito termina passando um tempo no “limbo” entre o país de onde fugiu e seu futuro local de moradia, até que a parte burocrática da imigração se ajeite, nesta comédia dramática de Steven Spielberg. Embora morar em um aeroporto possa parecer algo totalmente fora da realidade, o longa foi inspirado por uma história real, de um imigrante iraniano que terminou morando nada menos que 18 anos no aeroporto Charles de Gaulle, na França, por ter perdido seus documentos.
A Sociedade da Neve (2023)

O filme mais recente em nossa lista é baseado em mais uma história incrível, esta ocorrida na década de 1970, em 13 de outubro de 1972 para ser mais preciso, que já havia virado um filme de Hollywood em 1993 – chamado ‘Vivos’. Esta versão, no entanto, dirigida por J.A. Bayona para a Netflix, é mais fiel aos acontecimentos e em especial à nacionalidade das pessoas envolvidas. Novamente o tema aqui é a queda de um avião, porém, o local da queda foi bem mais inóspito, na Cordilheira dos Andes. O avião da força aérea Uruguaia de número 571 ainda hoje é marcado na história do país, com um museu dedicado à tragédia. 45 pessoas estavam no voo uruguaio, entre elas uma equipe de rúgbi. O caso se tornou notório porque para sobreviverem, os passageiros tiveram que recorrer ao canibalismo, e comer os mortos. Algo verdadeiramente perturbador.
O Impossível (2012)

Por falar em situações verdadeiramente perturbadoras, temos agora um filme que fala sobre uma das maiores tragédias naturais ocorridas em tempos recentes: o tsunami que devastou a Tailândia em 2004. Uma família de férias em um resort no local enfrentou toda a fúria da natureza, em uma tragédia que resultou em algo em torno de 230 mil pessoas mortas, em 14 países diferentes. Só na Tailândia, foram 8 mil mortos. No cinema, tivemos uma troca de nacionalidades, o que muitos chamariam de “white-washing”, já que no filme temos uma família branca britânica. Porém, a família original era espanhola. Na direção, temos novamente o espanhol J.A. Bayona, que comandou também o filme acima.
O Homem Elefante (1980)

Nem só de tragédias naturais e acidentes vive uma lista de histórias incríveis. Ela também pode falar sobre questões sociais. Nesse clássico absoluto, indicado ao Oscar, e dirigido pelo saudoso David Lynch, temos retratada a história real de Joseph Merrick, nascido com uma incrível deformidade em seu rosto e corpo, conhecido como síndrome de Proteus. Merrick nasceu em 1862, uma época em que ainda não se tinha muito conhecimento sobre esta tal condição. Justamente por isso, ele foi tratado como um animal, como uma aberração de circo, sendo renegado pela sociedade da época. Até finalmente conhecer a compaixão e ser acolhido por um hospital londrino e fazer amizade com um médico, no filme interpretado por Anthony Hopkins. Merrick é vivido por John Hurt, debaixo de uma impressionante maquiagem.
A Mula (2018)

Finalizando a matéria, temos agora um filme estrelado pelo lendário Clint Eastwood, que aparece aqui pela segunda vez, após ‘Sully’. Na trama, Eastwood interpreta um nonagenário com dificuldades financeiras que termina concordando em se tornar mula para um cartel de drogas mexicano – justamente por ser a última pessoa de quem a polícia iria desconfiar. Porém, sua nova carreira não ocorrerá de forma tão tranquila quanto ele imagina. Na vida real, Leo Sharp foi um veterano da Segunda Guerra Mundial e horticultor, que se tornou mula para o cartel de Sinaloa, aos 87 anos. Mais uma vez, o cineasta entrega um drama envolvente, que consegue criar empatia com a figura errática principal.



