Antes de chegar ao Brasil, a HBO Max já chamava atenção nos EUA devido a uma decisão audaciosa e que gerou bastante polêmica. Aproveitando o clima pesado da pandemia – que esvaziou as salas de cinema do mundo – e visando impulsionar sua plataforma de streaming (que surgia adentrando uma área de gigantes, vide a Netflix, a Amazon e a Disney+), a HBO Max revelou que lançaria todos os seus filmes (ou seja, as produções da Warner para o ano de 2021 – embora a proposta tenha começado ainda em 2020) vindouros de forma simultânea nos cinemas e na plataforma de streaming. Nem precisa ser dito que a decisão comprou briga com grandes redes de cinema norte-americanos e o mercado exibidor de forma geral.

No Brasil o acordo foi diferente. Por aqui a promessa não foi de um lançamento simultâneo, mas de uma janela de tempo muito curta entre a estreia nas telonas e na plataforma. Assim, num piscar de olhos, em menos de dois meses depois da estreia de uma superprodução nos cinemas, já poderemos estar assistindo a ela na plataforma da casa também. Assim, em tempos ainda pandêmicos, em que muitos não estão prestando atenção aos lançamentos nos cinemas como antes, quando nos damos conta aquele filme que queríamos ver já estará na plataforma, prontinha para ser assistido no conforto de nosso lar, sem custos adicionais para além da assinatura.

Pensando nisso, bolamos esta nova matéria com alguns dos maiores filmes de 2021 (e também do ano passado) que chegaram recentemente à HBO Max causando estrago nas rivais e mostrando que a plataforma não está de brincadeira na hora de arrebanhar seus fiéis seguidores. A disputa na guerra dos streamings fica cada vez mais acirrada e quem sai ganhando somos nós. Confira abaixo os chamarizes recentes da HBO Max.

Tenet



O mais recente trabalho do prestigiadíssimo Christopher Nolan foi um dos mais polêmicos durante a pandemia. O filme deu o que falar porque Nolan se pronunciou fortemente contra uma estreia do longa na plataforma. Os filmes do diretor costumam ser “eventos”, experiências únicas no cinema, que mesclam com muita harmonia o espetáculo dos maiores blockbusters (sempre quebrando alguma barreira técnica), com histórias complexas e bons personagens. Por isso termina sempre atraindo a nata da atuação em Hollywood. Justamente pelos motivos citados, Nolan insistia para que Tenet fosse exibido na maior tela possível, nas salas de cinema. Nem mesmo a pandemia fez o cineasta mudar de ideia. Assim, o estúdio (a Warner) fez a vontade de seu menino de ouro, mas terminou constatando não ser viável, após o filme faturar o valor mais baixo da carreira do diretor estrela. E alguém duvidava disso? Assim, Tenet também ajudou a HBO Max a levar a proposta de lançamentos simultâneos à frente. Agora o longa chega à plataforma no Brasil, onde os fãs poderão conferir a história de espionagem estilo 007 criada pelo cineasta, é claro, com doses fortes de ficção científica.

Em um Bairro em Nova York

Aproveite para assistir:

A superprodução mais bem avaliada pela imprensa nesta primeira metade de 2021, o longa estreou mês passado nos cinemas brasileiros e também pelo mundo, e já encontra-se disponível na HBO Max para todos conferirem. Trata-se de uma adaptação de um musical dos palcos da Broadway criado por… sim, você acertou, Lin-Manuel Miranda, o grande nome do segmento na atualmente, responsável pelo fenômeno Hamilton (disponível na plataforma Disney+). Na trama, em uma vizinhança latina de Manhattan, personagens muito vivos residem. O protagonista é um jovem dono de bodega, que é apaixonado por uma bela funcionária de salão de beleza do local, e sonha em fazer dinheiro para poder voltar ao seu país, a República Dominicana. Deu para ver que as obras de Miranda sempre abordam as questões dos imigrantes nos EUA.

Godzilla vs Kong



Um dos maiores sucessos de bilheteria deste ano, este é um blockbuster que pegou a todos de surpresa. Quando ficamos sabendo aqui no CinePOP o hype que o longa estava gerando nas redes sociais fomos pegos completamente desprevinidos. Isso demonstra a força das redes e como os fãs abraçam determinados filmes de forma totalmente inesperada. Ninguém deu muita atenção para os filmes anteriores dentro deste universo, ou seja, Godzilla (2014), Kong: Ilha da Caveira (2017) e Godzilla: Rei dos Monstros (2019); mas foi só anunciarem o primeiro filme americano do duelo destas duas verdadeiras “lendas” da ficção e aventura da sétima arte, que o público veio à loucura. E agora, todo esse hype poderá ser conferido pelos que ainda não assistiram. O que podemos dizer é que não irão se desapontar. E terão justamente o que esperam.

Invocação do Mal 3 – A Ordem do Demônio

Uma das franquias de terror mais queridas dos fãs, Invocação do Mal parece agradar os dois tipos de fãs de terror: os que curtem um “terror de arte” (filmes mais cabeça e conceituais, mais focados em atmosfera e personagens) e os que adoram “terror de shopping” (um filme mais comercial e repleto de sustos – que funciona mais como um brinquedo de parque). Invocação do Mal existe numa interseção, sendo elogiado pelos dois tipos de público. Mas algo preocupava neste terceiro capítulo, que demorou quatro anos para sair do papel. James Wan não estaria mais na direção, abrindo espaço para um cineasta que não havia feito bonito com seu trabalho anterior (A Maldição da Chorona). Fora isso, o chamado “invocaverso” estava gerando alguns exemplares que, digamos, estavam “queimando” o universo compartilhado da franquia – além da aparição do casal Warren em Annabelle 3 (2019). Agora você pode conferir por si mesmo e tirar a conclusão sobre o terceiro Invocação do Mal – que novamente aborda uma “história real”.

Os Pequenos Vestígios

Um dos filmes mais interessantes de 2021 é este suspense subestimado que passou fora de todos os radares no início do ano. Com muito talento envolvido, o longa é protagonizado pelo duas vezes vencedor do Oscar Denzel Washington (considerado um dos melhores atores em atividade). Washington chegou a um ponto de sua carreira onde não se envolve em qualquer tipo de projeto, ele precisa ter gostado muito do que leu. E aqui, o astro interpreta o tipo de personagem sofrido e repleto de camadas que encanta grandes artistas. O herói trágico é um policial caído em desgraça, tendo uma nova chance de redenção ao se deparar com o caso que não conseguiu desvendar anos atrás: sequestros e assassinatos de jovens mulheres em cidades vizinhas. Agora, um novo agente sensação está à frente do caso (papel de Rami Malek), e após o atrito obrigatório, a dupla irá se unir. Tudo aponta para o maluco de plantão, vivido por Jared Leto (ótimo, roubando cenas). É nesta espiral de insanidade, extremamente psicológico, que os três homens irão adentrar e colidir. Sutil e muito eficiente, não vá esperando o típico suspense rotineiro. Este é mais sobre ações e reações.

Mulher-Maravilha 1984

Quando estreou no Brasil, a HBO Max trouxe algo especial para os fãs. Afinal, não podia faltar um agrado para angariar os brasileiros também. E esse presente atende pelo título Mulher-Maravilha 1984. A superprodução foi outra que permaneceu um tempo no limbo cinematográfico, sem saber quando e onde estrear. Seu lançamento original era planejado para o meio de 2020, a época do verão norte-americano, onde os grandes estúdios sempre fizeram colidir seus maiores lançamentos. Com a pandemia, o filme foi empurrado para o fim do ano, e assim como Tenet, optou por uma estreia nas telonas. À época da estreia da HBO Max no Brasil, a plataforma trouxe como agrado para os fãs a superprodução citada, usada como carro-chefe para as assinaturas dos espectadores daqui. O longa, é claro, continua as aventuras da maior heroína da DC Comics, protagonizada pela israelense Gal Gadot. Desta vez, saída da Primeira Guerra Mundial, ela se encontra nos anos 80, onde precisa lidar com a perda e retorno de seu único amor Steve Trevor, e o surgimento de dois vilões, o ambicioso Max Lord e a atrapalhada e ciumenta Barbara (a Mulher-Leopardo), ambos ligados a uma pedra mágica capaz de tornar desejos realidade.



Bônus 1 – Friends: The Reunion

Bem, Mulher-Maravilha 1984 não foi o único agrado que a HBO Max trouxe assim que chegou ao Brasil. A plataforma trouxe à tiracolo uma das produções mais esperadas pelos fãs e que gerava muitos memes e clamor nas redes sociais. Friends é uma das séries de comédia mais adoradas de todos os tempos, e que tem a capacidade de ser passada de geração em geração, desde que estreou em 1994. Tanto os que assistiram o programa de forma inédita na Sony Chanel (sim amiguinhos, ela passou lá antes do canal da Warner) na década de 90, os que viram quando os DVDs foram lançados nos anos 2000, ou os que vêm descobrindo através dos streamings, sua ressonância já dura quase três décadas. Friends chegou ao fim em 2004, e os envolvidos seguiram com suas vidas. Mas agora, vivemos numa era de redes sociais e do envolvimento direto do público com quem faz a arte. Assim, a geração atual vinha gerando comoção para um possível filme baseado na série, ou quem sabe uma nova temporada. Porém, Friends acabou e os criadores não achavam válido continuar a história. Sendo assim, o tão sonhado reencontro dos Amigos ocorreu da mesma forma que Will Smith promoveu seu reencontro com o elenco de Um Maluco no Pedaço. Ou seja, um encontro dos atores e envolvidos na frente das telas, numa produção documental, sem que precisem voltar a interpretar seus personagens. Pode não ter sido o plano original, mas não teria sido muito legal ver isso nas telonas?

Bônus 2 – Liga da Justiça de Zack Snyder

Finalizando a lista, não poderíamos deixar este item de fora. Se no Brasil, a HBO Max usou como carro-chefe de sua estreia o blockbuster Mulher-Maravilha 1984, nos EUA, um dos fortes impulsos para os assinantes era a promessa da versão do diretor Zack Snyder para a Liga da Justiça. Lançado no início de 2021, os brasileiros tiveram que esperar a estreia do streaming no país meses depois para conferir a superprodução de 4 horas de duração. Nos EUA, a plataforma já estava em atividade e a nova versão de Liga da Justiça foi o pontapé perfeito para começar o novo ano. Outra produção que não foi planejada para os cinemas, os executivos da Warner ouviram um movimento que ganhou muita força e cresceu nas redes sociais para que liberassem a visão do cineasta Snyder quatro anos depois da que ganhamos nos cinemas. Uma coisa é certa, não existe ninguém que tenha visto as duas versões e tenha preferido a que foi aos cinemas.

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