Vivemos ainda em tempos pandêmicos. Assim, as salas de cinema seguem ensaiando um retorno para fazer as pazes com o grande público. Para se ter uma ideia, antes da pandemia, as superproduções batiam o valor de US$1 bilhão em bilheterias. Hoje, a maioria luta para conseguir romper a barreira dos US$100 milhões. Filmes evento como Homem-Aranha: Sem Volta para Casa, 007 – Sem Tempo para Morrer e Velozes e Furiosos 9 (os três mais rentáveis de 2021) sem dúvidas ajudaram bastante nessa retomada para as salas de exibição. Em especial Homem-Aranha se tornou o primeiro filme a romper a barreira do bilhão de dólares em bilheterias desde o início da pandemia.

A verdade é que os inúmeros canais de streaming disponíveis ao toque de nossos dedos facilitaram bastante a debandada do espectador casual do cinema. A janela diminuta entre um lançamento nas telonas e para ser assistido em casa fez com que muitos optassem pelo conforto do lar. Seja como for, tudo serve de aprendizado. Se por um lado pensaríamos que os estúdios iriam enxugar os orçamentos de suas grandes produções em tempos pandêmicos, por outro lado espera-se espetáculos cada vez maiores, do nível do citado Homem-Aranha, para arrebanhar todo e qualquer espectador aos cinemas. Aqui, porém, temos outra proposta. Por mais que saibamos que as coisas mudaram, ainda assim os fracassos financeiros seguem os mesmos. Levando em conta todas as arestas, como a pandemia e os streamings, separamos para você alguns blockbusters que eram planejados para fazer o mesmo sucesso que Homem-Aranha (um deles conta até mesmo com o próprio ator), mas terminaram sem teias para se balançar e sequer conseguiram pagar o valor investido em seus orçamentos. Confira abaixo.

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10 | Noite Passada em Soho / Espíritos Obscuros


2021 foi um bom ano para os filmes de terror. Tivemos muitas produções criativas e originais. E em décima posição de nosso ranking, infelizmente, trazemos logo de cara não um, mas dois destes longas autorais. Ambos contam com a direção de cineastas talentosos, Edgar Wright (Noite Passada em Soho) e Scott Cooper (Espíritos Obscuros), e ambos custaram mais ou menos o mesmo, por volta de US$40 milhões. Ambos foram lançados também na época do dia das bruxas, bem propício para seus temas. Noite Passada em Soho é esteticamente belo e chamativo, e fala sobre viagem no tempo e alucinações tipicamente saída dos Giallo italianos; já Espíritos Obscuros segue mais a cartilha Scott Cooper, e é sombrio, sujo e pesado. Apesar de ambos terem recebido avaliações positivas dos críticos (em especial o primeiro), estes filmes autorais não conseguiram se pagar nas bilheterias (Soho faturou US$22 milhões e Espíritos ficou com US$18 milhões). Para termos uma ideia, obras rechaçadas do gênero, vide Espiral – O Legado de Jogos Mortais, Resident Evil – Bem-Vindo a Raccoon City e o risível Rogai por Nós, terminaram arrecadando mais. Vai entender…

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09 | Mundo em Caos

Nos últimos anos, talvez nenhum outro filme tenha um título tão propício quanto esse para definir os seus bastidores. Baseado num livro de ficção científica complexo, escrito por Patrick Ness, a versão para o cinema gerava bastante hype e era um dos filmes mais esperados e comentados pelos fãs. Fora isso, conta com dois jovens astros talentosos e bastante promissores: Tom Holland (saído do sucesso dos novos filmes do Homem-Aranha) e Daisy Ridley (saída do sucesso dos novos filmes de Star Wars). A história fala sobre uma realidade pós-apocalítica onde só existem homens no mundo. Com a chegada da primeira mulher, a coisas começam a sair do controle enquanto ocorre uma disputa por ela. A ideia era lançar Mundo em Caos no início de 2019, mas aí o longa precisou passar por refilmagens, que o adiaram até 2021. O orçamento estimado é por volta de US$125 milhões (não sabemos se já incluindo os US$15 milhões das refilmagens). Mas o pretenso blockbuster viu retorno de menos de US$30 milhões ao redor do mundo. Para sentir o drama, até o filme de futebol americano com Zachary Levi, American Underdog – A História de Kurt Warner, fez mais dinheiro.

08 | O Último Duelo


Essa virou até piada no Oscar, com as apresentadoras distribuindo cópias para que as pessoas assistissem ao filme. Os críticos adoraram O Último Duelo, tanto nos EUA, quanto no Brasil. Mas o fato é: simplesmente ninguém assistiu a este drama de época estrelado por Matt Damon, Adam Driver e Ben Affleck. Os cinemas ficaram às moscas, o que é sempre uma pena, ainda mais quando o filme é bom. Casa Gucci, por outro lado, dirigido pelo mesmo Ridley Scott e tido como uma fanfarra melodramática e pouco aprazível, conquistou bem mais o público e obteve uma bilheteria mais gorda. Talvez pela presença de Lady Gaga exageradamente caricata à frente do elenco. O Último Duelo custou US$100 milhões e arrecadou apenas US$30 milhões ao redor do mundo, sem conseguir se pagar.

07 | King Richard – Criando Campeãs

O “cancelamento” de Will Smith já começou a afetar suas produções. Brincadeiras à parte, King Richard, é claro, foi lançado antes do escandaloso tapa do astro em Chris Rock na última cerimônia do Oscar. De qualquer forma, Smith já sentiu no passado o gostinho do fracasso, quando alguns de seus projetos ambiciosos não atingiram o esperado, seja junto aos críticos ou às bilheterias, vide As Loucas Aventuras de James West, Esquadrão Suicida e mais recentemente Projeto Gemini. King Richard, no entanto, é um bom filme, e obteve bastante prestígio ao receber algumas indicações ao Oscar. No entanto, no que diz respeito à parte financeira, com um orçamento de US$50 milhões, viu o retorno de menos de US$40 milhões. Por comparação, o alternativo A Crônica Francesa, de Wes Anderson, conseguiu fazer mais dinheiro pelo mundo.

06 | O Beco do Pesadelo

Em sexto lugar na lista temos o ambicioso remake do diretor mexicano Guillermo del Toro. O Nightmare Alley original é um filme da década de 1940, intitulado por aqui O Beco das Almas Perdidas. Em comparação ao original, é como se del Toro tivesse injetado esteroides no conto, baseado no livro de William Lindsay Gresham. Tudo na nova versão é belíssimo, da direção de arte que pula aos olhos, da fotografia hipnotizante, os figurinos, até o desfile de atores talentosos dando tudo de si, desde Bradley Cooper, Willem Dafoe e Toni Collette, até a reunião de Cate Blanchett e Rooney Mara. E o longa chegou até o Oscar, descolando algumas indicações, incluindo melhor filme. A história narra a trajetória de ascensão e queda de um golpista, papel de Cooper. Apesar da imensa pompa, o filme parece não ter dito ao que veio, e com orçamento de US$60 milhões, faturou um pouco menos de US$40 milhões. Por comparação, os descartáveis Escape Room 2 e Uma Noite de Crime – A Fronteira ainda fizeram mais dinheiro nas bilheterias.


05 | G.I. Joe Origens: Snake Eyes

A franquia G.I. Joe (ou Comandos em Ação) no cinema tentou ser o novo Transformers, mas errou feio. Os filmes cambaleantes de 2009 e 2013 nos trouxeram até aqui, nesta espécie de primeiro derivado que: A – ninguém pediu, e B – ninguém quis ver. Pior para a Paramount, que tentou criar seu próprio filme de super-heróis, escalando o diretor Robert Schwentke para o comando – dos medianos para fracos Red – Aposentados e Perigosos e RIPD – Agentes do Além. Talvez a falta de interesse do público tenha a ver com a ausência de rostos famosos impulsionando o longa – que conta com os nomes de Henry Golding, Samara Weaving e Úrsula Corberó como os maiores pesos. Com um orçamento de US$88 milhões, Snake Eyes recuperou menos da metade, com uma bilheteria de US$40 milhões, ficando atrás de continuações como Dupla Explosiva 2 – E a Primeira-Dama do Crime e King’s Man – A Origem.

04 | Luca

Sim, temos um filme família na lista dos fracassos recentes. Luca, animação com pegada italiana, passada na Riviera do país europeu, o qual os críticos e o público carinhosamente apelidaram de “Me Chame Pelo Seu Nome versão animada”, conquistou um recorde – mas este sendo um recorde negativo. Luca se tornou a pior arrecadação de um filme da Pixar na história do estúdio. E antes que digam que o motivo foi a pandemia, vale frisar que longas lançados no auge do Covid, como Dois Irmãos – Uma Jornada Fantástica e Soul, ainda fizeram mais dinheiro. Fora isso, este ano tivemos outras animações da Disney – sem a Pixar – que se tornaram mais bem sucedidas financeiramente, como Encanto (em especial) e Raya e o Último Dragão. Na trama de Luca, somos apresentados a uma amizade entre dois meninos, que escondem um grande segredo. Não, não é isso que vocês estão pensando. Ou talvez seja. O orçamento de Luca não é divulgado, mas levando em conta que Encanto custou US$50 milhões, deduzimos que seja daí para cima. Luca fez apenas US$49 milhões mundiais, ficando abaixo de animações de estúdios rivais, vide Ron Bugado, A Família Addams 2 – Pé na Estrada e O Poderoso Chefinho 2 – De Volta aos Negócios.

03 | Amor, Sublime Amor


Quando o mestre Steven Spielberg anunciou que seu próximo projeto seria uma nova versão do musical clássico West Side Story, o que muitos pensaram foi: para que? Por que? Bem, depois do produto pronto, todos os mesmos responderam: para isso! A versão de Spielberg, embora de certa forma desnecessária, consegue ser tecnicamente como produção tão boa quanto ou ainda melhor do que o vencedor do Oscar de 1961. A história de Romeo e Julieta moderna, contada através de música, danças e duelos de faca entre duas gangues rivais, uma de imigrantes latinos e outra de americanos, ganha contornos atualíssimos de intolerância nestes tempos difíceis que vivemos. Fora isso, serviu para revelar os talentos de Rachel Zegler e Ariana DeBose (que ganhou o Oscar de atriz coadjuvante esse ano). Apesar de tamanha tarimba, a versão de Spielberg para Amor, Sublime Amor não conseguiu se pagar, com um orçamento de US$100 milhões, arrecadou US$75 milhões, ficando abaixo de filmes família com o novo Tom & Jerry e Clifford – O Gigante Cão Vermelho.

02 | Matrix Resurrections

Existiu uma época em que Matrix dominava as bilheterias. As gerações mais novas talvez não conheçam esta época. Após o sucesso do original em 1999 (no que é considerado um dos anos mais criativos da história do cinema), ninguém falava de outra coisa a não ser Matrix em 2003, há quase 20 anos atrás. Isso porque não uma continuação, mas duas, chegavam aos cinemas seguindo a história de Neo, Trinity e Morpheus. O segundo saiu no meio do ano e o terceiro saiu no fim – fora isso ainda ganhávamos a animação Animatrix, lançada direto nas locadoras, que os fãs, é claro, não perderam (servindo de complemento àquele universo). Agora, quase 20 anos passados desde a última investida, a pergunta que ficou foi: o mundo estava preparado para a volta de Matrix? E a resposta foi: um sonoro NÃO! Um dos problemas é que o quarto Matrix foi muito ousado, arriscando e alienando os fãs antigos e os novos com uma trama metalinguística que tenta ser espertinha demais para o seu próprio bem. Como resultado, com orçamento de quase US$200 milhões, Matrix Resurrections fez uma bilheteria de US$156 milhões, sendo atropelado pelo fenômeno Homem-Aranha: Sem Volta para Casa – ambos foram lançados na mesma época.

01 | O Esquadrão Suicida

Mais uma vez repito que a qualidade de tais filmes não dizem respeito ao fato de serem ou não fracassos financeiros. Muitos itens desta lista foram sucesso de crítica, ou adorados pelos fãs. Mas a matemática e os números não são questões subjetivas, e no fim das contas a matéria fala sobre orçamento x arrecadação em bilheteira. Esse novo O Esquadrão Suicida, por exemplo, dirigido por James Gunn, se tornou um dos blockbusters mais elogiados de tempos recentes, conquistando 90% de aprovação dos críticos, e sendo enaltecido pelo público. Sem dúvida, ninguém em sã consciência não dirá que é melhor que o antecessor. Mas acontece que o longa custou US$185 milhões, sendo um dos maiores orçamentos do ano, e viu o retorno de US$167 milhões, falhando (mesmo que por pouco) em se pagar. Por comparação, O Esquadrão Suicida ficou abaixo de produções como Ghostbusters – Mais Além, Invocação do Mal 3, Jungle Cruise e Cruella; isso sem contar todas as produções da rival Marvel (Eternos, Shang-Chi, Viúva Negra e, claro, Homem-Aranha).


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