Só quem cresceu nos anos 1980 e 1990 curtiu de perto a enxurrada dos filmes de terror adolescente, carinhosamente chamados de slashers. Filmes sobre assassinos mascarados ou escondidos que espreitavam e massacravam jovens incautos chegavam aos montes, encabeçados por produções como Sexta-Feira 13, A Hora do Pesadelo, Halloween e Brinquedo Assassino – que seguiam pelas décadas citadas com suas intermináveis franquias. De fato, os anos 1980 foram o auge dos slasher – obras constantemente repudiadas pelos críticos e a maioria dos adultos. Para o público jovem, por outro lado, significava diversão no estilo trem fantasma, entretenimento descompromissado e para muitos o primeiro contato com o terror.

Com Pânico (1996), o gênero teve um breve sopro de ressurreição, que durou somente até o fim de tal década, com algo em torno de uns dez filmes (mais ou menos) que foram representantes desta retomada. Agora os filmes do subgênero haviam mudado, no entanto, estavam mais autoconscientes e recheados de humor e tiradas envoltas em cultura pop – aproximando assim os personagens dentro do filme aos jovens na plateia. Nesta nova tendência, franquias como Halloween e Brinquedo Assassino voltavam à tona remodeladas pela nova estrutura. Uma pena foi justamente as maiores, Sexta-Feira 13 e A Hora do Pesadelo, terem ficado de fora do filão (com exemplares lançados alguns anos antes, em 1993 e 1994).

Toda esta introdução apenas para nos trazer a uma nova matéria, que pretende desvendar o paradeiro das jovens estrelas de tais filmes. Algumas vingaram e se tornaram atrizes renomadas na fase adulta. Outras tomaram um verdadeiro chá de sumiço sem que saibamos de seu paradeiro. Portanto, aqui trazemos uma nova edição da coluna “por onde andam”, com as Scream Queens (Rainhas do Grito) dos filmes de terror adolescente do fim dos anos 1990. Vem conhecer.

Neve Campbell



Não tinha como começar a lista de outra forma, já que Campbell é a protagonista do filme que deu o pontapé inicial nesta reformulação e se tornou a franquia mais bem sucedida do bando – com quatro filmes, uma série e um quinta longa prometido para 2022 . A maioria das atrizes protagonistas de tais obras vinham de séries de TV, o que mostrava uma boa ponte de transição entre as mídias (televisão-cinema). Na época em que estrelou Pânico (1996), Neve estava em cartaz com o seriado dramático O Quinteto (Party of Five, 1994-2000), sobre cinco jovens irmãos que perdem os pais em um acidente e precisam se criar sozinhos.

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Porém, o que talvez nem todos lembrem é que no mesmo ano de Pânico, alguns meses antes, a atriz já havia participado como coadjuvante de Jovens Bruxas – também um terror adolescente. Mas foi com Pânico que ela ganhou o estrelato, e seguiu para filmes como Garotas Selvagens e Studio 54 – ambos de 1998. A atriz andou meio sumida, com trabalhos menores, mas reapareceu com uma personagem recorrente na série da Netflix, House of Cards (2016-2017) e no blocksbuster Arranha-Céu (2018) ao lado de Dwayne Johnson. Ela está programada para interpretar Sidney Prescott pela quinta vez em 2022.

Jennifer Love Hewitt

Se Neve Campbell foi a principal Rainha do Grito da retomada nos 90’s, a voluptuosa Jennifer Love Hewitt chega logo atrás – como a protagonista da segunda franquia mais lembrada do período: Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado (1997/1998). E as semelhanças não param por aí, já que o primeiro filme foi escrito por Kevin Williamson, mesmo roteirista de Pânico. Quer mais? Hewitt, na época, era colega de cena de Campbell e fazia parte do elenco do mesmo Party of Five. Sua personagem no seriado chegou inclusive a ganhar um derivado próprio para estrelar, intitulado Time of Your Life (1999) – que só durou uma temporada.

Nesse ínterim, a atriz protagonizou o terror teen de nome longo na pele de Julie James, e voltou logo no ano seguinte, numa continuação de título ainda maior. No período ela estrelou também a comédia adolescente Mal Posso Esperar (1998). Hewitt seguiu na TV em séries como Ghost Whisperer (2005-2010) e The Client List (2012-2013). Atualmente, ela faz parte do elenco do seriado 9-1-1, que vai para sua quarta temporada. Seu último filme foi a comédia romântica Jewtopia (2012).



Sarah Michelle Gellar

Muitos podem argumentar que o nome de Sarah Michelle Gellar deveria ser o primeiro desta lista. E seria um bom ponto. Tudo, é claro, porque além de suas participações em filmes de terror no cinema, Gellar estrelava também na TV um programa de temática levemente voltada ao terror – embora com muita ação e humor na mistura. É claro que estamos falando do favorito cult Buffy: A Caça-Vampiros (1997-2003), que fez a alegria de toda uma geração na época. Criado por Joss Whedon, Buffy, na verdade começou sua trajetória no audiovisual como um filme fracassado de 1992, onde a protagonista era interpretada por Kristy Swanson.

Alguns anos depois, ainda não domínio na FOX, a loirinha matadora finalmente encontraria o sucesso, mas na TV. Mas a verdade é que no cinema, as participações de Gellar no terror foram menores. Ela dividiu as telas com Hewitt e teve importância em Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado (1997). No mesmo ano fez uma participação quase no estilo piscou perdeu em Pânico 2. Ganhou destaque em Segundas Intenções (1999) – e voltou a interpretar Kathryn em um episódio piloto que iria continuar o longa, em 2016, mas foi cancelado antes de ir ao ar e se tornou uma lenda urbana.

Gellar tentou retornar à TV outras vezes com Ringer e The Crazy Ones. No cinema, seus últimos trabalhos famosos foram como Daphne nos dois live action de Scooby-Doo (2002 /2004), e o remake americano de O Grito (2004) – antes do reboot deste ano. Seu último filme foi o terror dramático Sombras do Desejo (2009). Em breve poderá ser vista, ou melhor, ouvida como Teela, na nova animação de He-Man na Netflix, intitulada Masters of the Universe: Revelation – a ser lançada ainda este ano.



Katie Holmes

O que Katie Holmes faz nesta lista, você pergunta. Bem, é verdade que muitos podem não lembrar de ter visto a jovem atriz em filmes de terror adolescente dos anos 1990 – mas nem por isso eles não existiram. Acontece é que ambos se tornaram fracasso de crítica e bilheteria, recaindo na obscuridade. É verdade também que Holmes tem a carreira mais bem sucedida das demais colegas acima. E como elas, era uma jovem estrela da época, surgida em um seriado – este em questão sendo Dawson’s Creek (1998-2003), no qual viveu a moleca Joey.

Aproveitando sua popularidade, Katie buscou logo protagonizar o terror Comportamento Suspeito (1998) – que tem fortes ecos de ficção científica, e fala sobre uma pequena cidade optando por “reprogramar” os jovens rebeldes do local, a fim que se encaixem melhor no que os adultos esperam deles. É claro que o experimento não dá certo e as coisas saem rapidamente dos trilhos. O que também não deu certo foi o filme, o que fez com que sequer fosse lançado em nossos cinemas, sendo redescoberto em vídeo pelo público-alvo. Comportamento Suspeito foi o segundo filme da carreira de Holmes.

No ano seguinte, ela tentava de novo, desta vez numa produção escrita e dirigida pelo Midas da época, Kevin Williamson. Tentação Fatal (Teaching Mrs. Tingle, 1999) não era um slasher e trazia o terror nas formas de uma professora abusiva, vivida por Helen Mirren. O filme viveu para se tornar um fracasso e sofreu com as tragédias da vida real envolvendo professores e alunos, o que trouxe muita polêmica ao longa. É claro que depois disso, Katie deu a volta por cima, trabalhou com grandes diretores (como Christopher Nolan e Sam Raimi), casou com Tom Cruise (e teve uma filha com ele) e se tornou diretora. Seus últimos trabalhos foram a continuação do trash e divertido Brahms: Boneco do Mal II e O Segredo: Ouse Sonhar, ambos lançados este ano.



Rebecca Gayheart

Rebecca Gayheart começou a carreira em séries como Barrados no Baile (o original), Loving e a ficção Earth 2. Mas se formos levantar a ficha da moça, o primeiro trabalho que pula em sua filmografia é mesmo a participação como Brenda Bates no terror teen da Sony, Lenda Urbana (1998). Essa foi mais uma investida do estúdio num slasher criado nos moldes do sucesso Pânico, após a primeira incursão com Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado. A atriz, no entanto, já havia aparecido numa micro participação justamente em Pânico 2, no ano anterior.

Mas é inegável que seu papel aumentou consideravelmente para Lenda Urbana, no qual interpretou uma das protagonistas. No ano seguinte, fez parte do trio (também formado por Rose McGowan e Julie Benz) no “terrir” Um Crime entre Amigas (Jawbreaker, 1999). No mesmo ano, teve destaque em Um Drink no Inferno 3: A Filha do Carrasco – que embora lançado direto em vídeo, a aproximou num primeiro contato com o diretor Quentin Tarantino, produtor do filme. O longa conta com a presença de nossa estrela Sônia Braga.



Os destinos de Gayheart e Tarantino voltariam a se encontrar 20 anos depois na obra-prima Era uma Vez em Hollywood, no qual a atriz interpretou a esposa do personagem de Brad Pitt, possivelmente (e provavelmente) assassinada por ele num barco. Voltando para a franquia que fez seu nome, Gayheart repareceu numa ponta como Brenda em Lenda Urbana 2 (2000), mas não apenas isso, ela está programada para atuar pela terceira vez como a personagem no vindouro reboot da franquia, atualmente em fase de pré-produção.

Katherine Heigl

Tida como uma das artistas mais difíceis de se trabalhar em Hollywood, Katherine Heigl começou como atriz mirim em filmes como Meu Pai Herói (1994) e A Força em Alerta 2 (1995). Um de seus primeiros trabalhos no cinema, então com vinte aninhos, foi como a personagem Jade no revival de Brinquedo Assassino, intitulado A Noiva de Chucky (1998). Embora seja o quarto filme da franquia, o longa não pôde se utilizar do título Brinquedo Assassino (Child’s Play no original) devido a uma briga entre os criadores pelos direitos autorais.

Assim, o infame boneco voltava às telonas pegando o filão do momento – mas sem poder utilizar seu título corriqueiro, daí a mudança. Três anos depois, e ela seguia com um slasher, O Dia do Terror (2001), sobre um assassino atacando um grupo de amigas que o rejeitaram no dia dos namorados – este, no entanto, parecendo atrasado para a fila do pão.

Depois de ter ficado empacada em filmes produzidos para a TV no início da década de 2000, a sorte mudou para Heigl ao fazer parte do elenco de Grey’s Anatomy (2005-2010) e ser redescoberta como estrela de comédias românticas: Ligeiramente Grávidos (2007), Vestida para Casar (2008), A Verdade Nua e Crua (2009), Par Perfeito (2010), Juntos Pelo Acaso (2010) e Como Agarrar Meu Ex-Namorado (2012). Os próximos trabalhos da atriz são novamente na TV, nas séries Our House (sobre um casal tentando criar seus filhos sem a influência da família) – já completo – e Firefly Lane, drama sobre duas amigas de infância se encontrando na vida adulta – em fase de pós-produção.


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