“Well, I’m not the kind to kiss and tell, but I’ve been seen with Farah, I’ve never been with anything less than a nine, so fine…”;

Com a canção “The Unknown Stuntman” começavam os episódios da clássica série The Fall Guy – no Brasil saudosamente conhecida como Duro na Queda. Clássico das reprises da TV aberta, em especial na rede Globo durante as décadas de 1980 e 1990, Duro na Queda estreava no dia 4 de Novembro de 1981 nos EUA, indo ao ar no canal ABC – mas bancado pela 20th Century Fox Television. Ou seja, o seriado de ação e aventura acaba de completar seu quadragésimo aniversário de lançamento em 2021.

Há muito tempo visado para se tornar uma superprodução em longa-metragem nas telonas, a série nunca conseguiu sair do papel para se tornar de fato um filme; mas agora está mais perto do que nunca com nomes como o diretor David Leitch e o ator Ryan Gosling vinculados para uma nova versão. Confira abaixo uma homenagem do CinePOP relembrando a querida e nostálgica produção clássica, como também informações sobre a vindoura nova versão.



Como dito, Duro na Queda (The Fall Guy) estreava em 1981. O programa faria tanto sucesso que permaneceria no ar por cinco temporadas, até 1986. Protagonizando, tínhamos um verdadeiro ícone da TV norte-americana. Lee Majors marcou seu nome nos anais da teledramaturgia e da cultura pop no papel do Coronel Steve Austin no programa igualmente clássico O Homem de Seis Milhões de Dólares – outro projeto que Hollywood vive tentando tirar do chão na forma de um filme, sem resultado. Com essa série, Majors se tornava um astro da TV, no papel de um militar que após um acidente recebe componentes cibernéticos em seu corpo, se tornando meio máquina, meio homem. Febre na década de 1970 como um dos programas mais populares, a série durou de 1974 a 1978, e inclusive gerou um spin-off (derivado): A Mulher Biônica (1976-1978).

Majors voltaria logo três anos depois, mas já na década seguinte para estrelar um novo seriado de imensa popularidade, embora à princípio estivesse reticente de protagonizar uma série sobre um dublê que nas horas vagas trabalha como caçador de recompensas. O que vendeu de uma vez por todas a ideia para o astro foi a presença do tarimbado produtor Glen A. Larson, o criador do conceito. Veterano na indústria, Larson estava por trás de sucessos como Battlestar Galactica (o original de 1978), A Supermáquina (1982-1986) e Magnum (1980-1988). Ou seja, era uma oferta irrecusável para Lee Majors. E deu muito certo, marcando outro “golaço” para a dupla.

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Em Duro na Queda, Lee Majors é Colt Seavers, um dublê de cinema, dos filmes de Hollywood. Daí o título original Fall Guy, algo como “o cara que cai”, resumindo de forma grossa a função dos dublês. O título em português também pode ser associado à função do protagonista e também ao seu segundo trabalho. Além de seu emprego diurno nos sets de filmagens, onde realiza o “trabalho sujo” dos astros, Colt nas horas vagas ganha a vida como caçador de recompensas, indo atrás de criminosos que a justiça não consegue pegar, por conta própria. Seu trabalho “burlando” a morte nos bastidores o faz o sujeito certo para façanhas perigosas e inacreditáveis. Outro fator que ajudou Majors com o papel foi que seu início de carreira aconteceu justamente neste meio. O ator conhecia muitos dublês e eventualmente começou a trabalhar como um. Em Duro na Queda, Lee Majors fez questão de colocar em cena o maior número possível de dublês que conhecia, dando emprego a todos.



O personagem Colt Seavers contava ainda com seu sidekick Howie (Douglas Barr) – o cérebro das operações – e a loira bonitona Jody Banks, uma colega dublê que era um atrativo a mais nas suas operações. Jody era interpretada pela bela Heather Thomas, que após a estreia da série, logo no ano seguinte estrelaria a comédia Uma Mistura Especial (Zapped!, 1982) – que igualmente marcaria sua carreira.

O trio protagonista: Colt (Lee Majors) no centro, o ajudante Howie (Douglas Barr) e a colega dublê Jody (Heather Thomas).

A canção tema citada logo no início da matéria, que servia de abertura para o programa, aliás, era cantada pelo próprio Lee Majors. Igualmente ideia do mega produtor. Majors não se achava apto para a empreitada, mas resolveu topar. A letra da música, inclusive, traça um paralelo forte entre o personagem Colt Seavers e o próprio Lee Majors, como se ambos fossem um só. Um exemplo disso é a parte que diz “I’ve been seen with Farah” (eu já fui visto com Farah), se referindo à Farah Fawcett, estrela do seriado As Panteras (1976-1980), que havia sido casada com Majors. A atriz chegou até mesmo a fazer uma participação especial no episódio piloto, a fim de demonstrar ao público que o divórcio entre eles acontecia de forma amigável, ao contrário do que noticiavam os inúmeros tabloides da época.

Os dublês de cinema voltaram a ser legais de novo e populares com o público. A prova disso são filmes como a franquia John Wick, verdadeiro paraíso para profissionais como estes, filmes criados inteiramente com coreografias. Fora isso, em seu mais recente trabalho Era uma Vez em Hollywood (2019), Quentin Tarantino fez brilhar o personagem de Brad Pitt, um dublê, o colocando para estregar os planos dos psicopatas da família Manson e inclusive descer o cacete em Bruce Lee. Esse é o momento mais que apropriado para a volta de Colt Seavers e de Duro na Queda. E parece que isso está mais perto do que nunca de ocorrer.

Musa dos anos 80, Heather Thomas estava no auge de sua beleza em Duro na Queda (1981-1986).

Por anos, como dito, Hollywood tenta tirar esse projeto da gaveta. A primeira tentativa ocorreu com produtores levando o projeto até a Dreamworks, onde Martin Campbell (Cassino Royale) iria dirigir. Depois disso, em 2013, Dwayne Johnson era o nome que tentava filmar uma versão a ser dirigida por McG (O Exterminador do Futuro: A Salvação), que teria os roteiristas de X-Men: Primeira Classe (2011). Mas igualmente, nada feito.

Agora, ao que tudo indica, o projeto encontrou uma casa na Universal Pictures. O estúdio teria ganhado numa disputa de lances os direitos de uma adaptação, levando a melhor sobre gigantes de Hollywood como a MGM, a Lionsgate e a Sony. Segundo fontes, os números atingiram a quantia de US$125 milhões pelo projeto. Nenhuma plataforma de streaming entrou na disputa, já que uma das exigências era por um lançamento nas telonas para esta produção. Nesse âmbito, a Universal já teria colado dois nomes ao vindouro filme: Ryan Gosling e David Leitch. Curiosamente, ambos possuem experiência no universo dos dublês.

Isso acontecia muito. Por ser uma série sobre dublês, carros voavam e eram destruídos constantemente.

O diretor David Leitch surgiu justamente deste segmento, trabalhando por anos em Hollywood como dublê e coordenador de dublês em filmes como Matrix (1999) e a franquia Bourne. Leitch realizou uma transição para lá de satisfatória para a cadeira de direção, tendo realizado filmes como John Wick – De Volta ao Jogo (2014), Atômica (2017), Deadpool 2 (2018) e Hobbs & Shaw (2019). Ou seja, é um especialista em ação e blockbusters. Ryan Gosling, cotado para protagonizar Duro na Queda, igualmente realizou um trabalho anterior onde interpretou um dublê de cinema: o cult Drive (2011). A união da dupla para a versão cinematográfica da série já desperta grande interesse, e não apenas dos saudosistas. Por outro lado, a série apesar de se encontrar nos gêneros da ação e aventura, também usava muito do humor “canastrão” tipicamente notório na década de 1980. Já a versão cinematográfica, ao que tudo indica, pretende ser levada um pouco mais a sério, descrita como um drama de ação sobre dublês.

Ryan Gosling está vinculado para protagonizar uma adaptação cinematográfica da série Duro na Queda.

O astro Lee Majors segue ativo, trabalhando no auge de seus gloriosos 82 anos. O ator foi visto recentemente na série cult Ash vs. Evil Dead, que continuou nas telinhas a saga dos filmes Evil Dead, de Sam Raimi, onde interpretou Brock, o pai do protagonista de Bruce Campbell, na segunda e terceira temporadas – em 2016 e 2018.



Duro na Queda, embora um pouco menos conhecida, faz parte do panteão dos programas “macho” de aventura que permearam os anos 80 e serve de companhia para clássicos atemporais como Esquadrão Classe A, Miami Vice, MacGyver, Anjos da Lei e os citados A Supermáquina e Magnum.

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