‘O Mandaloriano e Grogu’ | O que foi exibido no Fan Event oficial de ‘Star Wars’ no Brasil?

Celebrado internacionalmente no dia 4 de maio, o Dia Mundial de Star Wars ganhou um peso extra no calendário da Cultura Pop depois da compra da franquia pela Disney. O que antes era uma comemoração dos fãs, na última década, passou a ser uma grande data para a empresa detentora dos direitos da saga, que começou a aproveitar a empolgação dos apaixonados para usar o 4 de maio como um grande evento para anúncios de novidades da franquia, como confirmações de elencos de filmes, listas de novos produtos e afins.

No exterior, a realização de grandes eventos se tornou padrão. No Brasil, apenas alguns eventos foram realizados, principalmente durante a época em que os novos capítulos da saga principal estavam sendo lançados nas telonas. Este ano, porém, com o lançamento de Star Wars: O Mandaloriano e Grogu, a Lucasfilm voltou com tudo ao Brasil e escolheu um cinema na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro, como seu representante oficial na grade mundial do evento, que reuniu fãs e convidados para a celebração da data com uma estrutura gigantesca e a exibição de 25 minutos exclusivos do novo filme, que chega aos cinemas no final deste mês.

No Rio, a Disney montou uma estrutura digna de grandes pré-estreias no saguão do cinema. Banners que ocupavam paredes inteiras, entrada que simulava a arquitetura das edificações clássicas da franquia e uma máquina de pegar prêmios foram alguns dos elementos que chamaram a atenção de quem passava pelo cinema. Mas quem roubou a cena mesmo foram os cosplays. A galera caprichou nos figurinos, com direito a recriações perfeitas de personagens da franquia, mas também abertos a liberdades criativas, como na armadura que misturou a estética mandaloriana com as cores clássicas do traje do piloto de Fórmula 1, Ayrton Senna, nos tempos de McLaren.

E aconteceu algo curioso, porque, neste momento, o Brasil vem comprando a trend de O Diabo Veste Prada 2, em que apaixonadas pela franquia – que brinca com o mundo da moda – estão indo assistir o filme com roupas extravagantes. Então, houve uma fila com gente vestida como personagens de Star Wars se encontrando com outra fila enorme de gente superproduzida para O Diabo Veste Prada 2, mostrando que, nos cinemas, há espaço para todos.

Foto: Francois Duhamel. © 2025 Lucasfilm Ltd™. All Rights Reserved.

Após um pequeno coquetel realizado no saguão, onde os cosplays brincaram e posaram para fotos, os convidados foram chamados para a sala IMAX, onde foram exibidos aproximadamente 25 minutos do filme. O material trazido com exclusividade mostrou que o diretor Jon Favreau está mesmo disposto a resgatar aquele espírito clássico de Star Wars nos cinemas, a começar pela volta de cards de texto na introdução, que situam o público na linha do tempo de acontecimentos, ajudando o espectador a se localizar na cronologia da saga. Como é um filme que se passa entre O Retorno de Jedi e O Despertar da Força, é falado que a história se passa em uma época de vácuo no poder intergaláctico, após a queda do Império.

Sem a forças imperiais, poderes paralelos surgiram, geralmente comandados por antigos Lordes Imperiais que passaram a atuar como mafiosos ou milicianos. Grande parte do material exibido foi dedicado a mostrar Din Djarin (Pedro Pascal) e o pequeno Grogu em uma missão para invadir e caçar uma base restante, em que um Lorde maligno esconde uma milícia espacial que cobra caro pela falsa segurança dos planetas ao seu redor. As lideranças estão reunidas e claramente descontentes com o serviço prestado. O vilão chega a matar um dos representantes, que traz as reclamações para a mesa. É interessante como eles retratam a imagem do Império pela ótica da decadência e do desconforto. Ninguém ali gosta deles, mas eles se recusam a ‘largar o osso’ e seguem explorando o máximo de pessoas possíveis.

Foto: Francois Duhamel. © 2026 Lucasfilm Ltd™. All Rights Reserved.

O Lorde Imperial perde toda a pose de bandido no momento exato em que chega a notícia de que o Mandaloriano está no local. Ele sai correndo em direção à saída, enquanto Din e Grogu trucidam uma sala cheinha de Snowtroopers. É uma sequência de ação muito interessante, que explora as habilidades do protagonista, como o uso de armas, lança-chamas e afins, além das artes marciais. Ele é retratado como um cowboy espacial treinado para descer porrada nos imperiais. Após acabar com os capangas, a dupla parte atrás da ameaça principal, dando início a uma sequência de perseguição de tirar o fôlego.

O bandido embarca em um comboio de três AT-AT, levando o Mando a roubar um AT-ST. Apesar de serem feitos em CGI, os veículos robóticos tentam recriar a movimentação desse maquinário mostrada em Star Wars – Episodio V: O Império Contra-Ataca (1980). Então, ele consegue resgatar a sensação retrô, mas com toda a estética moderna da computação gráfica, e funciona muito bem em cena. O Mando e o Grogu vão derrubando um AT-AT por vez, até chegarem ao último, onde o vilão está. Por lá, eles se deparam com um pod sendo lançado no último momento, enquanto o local está carregado de bombas armadas. Grogu fica doidinho, batendo no capacete do pai para irem embora, mas o Mandaloriano se recusa a sair enquanto não concluir sua missão. Ele usa os canhões do próprio AT-AT para derrubar a nave de fuga do Lorde e foge com o garoto no segundo exato da explosão das bombas.

Foto: Justin Lubin. © 2026 Lucasfilm Ltd™. All Rights Reserved.

Os protagonistas são resgatados por Zeb, de Star Wars Rebels, que dá uma bronca neles por terem matado o lorde, em vez de levarem o rapaz como refém para extraírem mais informações deles. Ele conduza a duplinha até a Coronel Ward (Sigourney Weaver), que está cuidando de assuntos inacabados imperiais para a Nova República. Ela procura ex-agentes do Império que estejam foragidos e passa suas informações para que caçadores de recompensas tentem capturá-los para o novo governo galáctico. Ela dá uma chamada no Mando, que tem matado seus alvos em vez de levá-los sob custódia, mas diz que gosta de seu serviço. Enquanto passa informações sobre sua próxima missão, ela fica tirando os biscoitos do Grogu, que tenta comer uma badeja sozinho. É muito bonitinho. O pequeno, por sinal, roubou a cena em todos os momentos que apareceu. O auge da fofura cinematográfica.

Ward oferece ao Mando um pagamento muito acima do combinado: ela dá a ele uma Razor Crest novinha, sua nave “de estimação”. Ele estranha e pergunta o motivo desse ‘presente’. Ela diz que ele deve considerar aquilo como um adiantamento para sua próxima missão, que envolve a família dos Hutt. Mando diz que não se envolve mais com mafiosos porque quer dar um bom exemplo para o Grogu, mostrando a ele o caminho correto. Mas a Coronel explica que é uma missão de resgate, já que o Rotta, o Hutt, está desaparecido, e a família está disposta a oferecer informações privilegiadas sobre agentes imperiais para quem trouxer o garoto de volta. Para quem não se lembra, Rotta é o bebê Hutt que rendeu um dos arcos mais legais de Star Wars: Clone Wars, em que Anakin Skywalker e Ahsoka Tano tiveram de resgatar e proteger o bebê das garras de Dookan.

Divulgação/ Lucasfilm. © 2026 Lucasfilm Ltd™. All Rights Reserved.

Din hesita, mas fica encantado pela nave e entende que uma missão de resgate pode ensinar algo de positivo ao Grogu. Ele parte com Zeb para falar com os representantes dos Hutt, que concordam em ajudá-lo caso ele traga Rotta de volta. O cartel manda as informações de onde poderão encontrar o garoto, levando o Mandaloriano e o Grogu a um planeta arena com estética meio cyberpunk, onde o protagonista começa sua investigação comprando um sanduíche de carne para o Grogu em uma barraquinha. O atendente é um alienígena com jeitão de macaco-aranha, interpretado por Martin Scorsese. Ele fica surpreso ao ver o Mandaloriano querendo pagar o lanche com moedas da Nova República, e pergunta o que ele faz ali com tanto dinheiro.

Mando responde que está em uma missão em nome dos Hutt, o que aterroriza o vendedor, que tenta dispensar o rapaz o quanto antes para evitar atrair problemas para si. Din até oferece mais dinheiro pela informação, mas o alien não quer arriscar, até que Mando fala o nome Rotta. O vendedor solta um grande riso, aceita as moedas e aponta para um cartaz atrás do protagonista: Rotta não está sequestrado, ele é uma das maiores celebridades do planeta, atuando como gladiador na arena de luta. E ele aparenta se divertir bastante trucidando os adversários. E então, quando o Mandaloriano decide agir… Nosso preview chegou ao fim, deixando um gostinho de quero mais em toda a sala.

Foto: Divulgação/ Lucasfilm. © 2026 Lucasfilm Ltd™. All Rights Reserved.

Esses 25 minutos deixaram uma excelente impressão, principalmente pelo uso de cenários. A fotografia é muito próxima da utilizada na série, que tinha uma qualidade excelente para TV e aparentemente soube se adaptar para os cinemas. Só que essa disponibilidade de cenários mais ousados – e reais – em vez de contar apenas com as projeções de cenários do telão de LED do ‘The Volume‘, deu ao longa muito mais riqueza visual. A composição dos cenários está incrível e tudo mostrado conseguiu mesclar essa sensação de estar vendo um Star Wars clássico feito com tecnologia moderna. Foi muito interessante.

Star Wars: O Mandaloriano e Grogu estreia nos cinemas em 21 de maio de 2026.

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Pedro Sobreiro
Pedro Sobreirohttps://cinepop.com.br/
Jornalista apaixonado por entretenimento, com passagens por sites, revistas e emissoras como repórter, crítico e produtor.