Futuro filme pode, enfim, dar mais visibilidade ao famoso império

Recentemente foi anunciado que Matt Shakman será o diretor do próximo filme de Star Trek, com este sendo uma sequência direta de Star Trek – Sem Fronteiras lançado em 2016. Outra confirmação é o retorno de quase todo o elenco que compõe a tripulação da USS Enterprise desde o reboot de 2009; sendo a única ausência a do ator Anton Yelchin, como Pavel Chekov, falecido em junho de 2016.

Originalmente proposta como um recomeço por J.J. Abrams a nova franquia surgiu com a premissa de que um determinado incidente desencadeado por romulanos (uma das muitas raças alienígenas desse universo) mudou o curso da história e, por consequente, modificando personagens consagrados na série de 1966 como o capitão Kirk e Spock. Por um lado essa decisão permitiu redesenhar esse elenco para um público bem mais jovem, que nunca teve contato com quaisquer séries da marca.

No entanto, fãs mais tradicionais exibiram recusa imediata pela nova interpretação, sendo o argumento mais utilizado o de que Star Trek sempre foi sobre exploração espacial e os dilemas morais, espirituais e sociais que advém dessa prática. Sem dúvida, a nova franquia opta pelo caminho já conhecido de cenas de ação para justamente conquistar um público mais jovem e deixa de lado a profundidade da saga.



O reboot da franquia trouxe novos fãs ao mesmo tempo que gerou críticas por parte dos mais antigos.

Já a sequência em 2013 tentou elevar o nível de ameaça ao introduzir (ou reintroduzir) o vilão Khan, realizando assim um quase reboot de Jornada nas Estrelas II: A Ira de Khan. Ao final, o filme também não foi um sucesso unânime e os fãs permaneceram divididos no que foi o último projeto, até o momento, em que J.J. Abrams esteve no comando. Ainda assim, a sequência introduziu na nova saga a tão idolatrada raça Klingon.  

O império alienígena apareceu pela primeira vez no episódio vinte e seis da primeira temporada, em 1967, intitulado Misericórdia. Nesse momento eles são introduzidos como uma das forças que tentam controlar politicamente o planeta Organia, sendo a outra a Federação dos Planetas Unidos representada pela Enterprise. 

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Essa primeira aparição, desde logo, estabelece características importantes desse grupo como sua postura expansionista; culto ao militarismo; desprezo por qualquer tipo de fraqueza. Isso os coloca em um papel de antítese à Federação no universo Star Trek, uma vez que a mesma é um órgão cooperativo que, mesmo tendo à disposição uma frota militar, visa sempre agir por caminhos diplomáticos.

Os Klingons em sua primeira aparição eram, esteticamente, muito diferentes do que viriam a se tornar.

Diante dessa dicotomia é quase automática a comparação dos Klingons com a União Soviética, que à época de 1967 ainda dividia com os EUA a culpa pela Crise dos Mísseis de Cuba em 1962, além de ser teorizada como responsável por atiçar o Egito a atacar Israel na Guerra dos Seis Dias. Outra possível fonte de inspiração para a raça alienígena é a cultura japonesa da primeira parte do século XX, caracterizada principalmente por um forte orgulho militar e políticas de expansão que a levaram a integrar o Eixo na Segunda Guerra.



Nas décadas seguintes os Klingons sofreram um redesign maciço e um melhor aprofundamento. Os filmes ligados à série clássica entregaram uma mudança de visual positiva para o núcleo que se tornou a estética definitiva dos mesmos para produtos seguintes. Foi somente a partir do seriado Next Generation, ambientado cem anos após a série original, que um Klingon (o tenente comandante Worf) passou a fazer parte da tripulação fixa da Enterprise.

Worf é o Klingon mais amado dentre os fãs.

Isso possibilitou a entrega de episódios focados exclusivamente em Worf que desenvolvem muito mais a cultura de seu povo, além de seu jeito amigável com os outros tripulantes terem feito muitos espectadores gostarem dos Klingons de uma maneira geral. Mais recentemente em Star Trek: Discovery os aliens conquistadores desempenharam papel central como antagonistas na primeira temporada.

Uma revisita ao famoso império poderia facilmente servir como uma nova representação do mundo atual, não mais gerido pelo pavor da guerra Rússia\EUA mas pela insegurança digital entre países. Não seria difícil reaproveitar a tradicional relação hostil entre a Federação e o império, porém sem apelar para cenas de confrontos em larga escala (algo que no passado também não era comumente apresentado) mas sim para um confronto nas sombras da espionagem.

Agora com a promessa de um novo capítulo da franquia iniciada em 2009 pairando no horizonte, é mais do que o momento deles ganharem espaço em um universo bastante diferente daquele iniciado por Gene Roddenberry nos anos 60.

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