Lançado nos cinemas norte-americanos no dia 21 de maio de 1980 (ganhando circuito mais amplo a partir de 20 de junho do mesmo ano), O Império Contra-Ataca é considerado pela maioria dos fãs como o melhor filme da franquia bilionária Star Wars. O filme chegou aos cinemas brasileiros no dia 21 de julho do mesmo ano. Além disso, o Episódio V (como é conhecido na cronologia) foi o terceiro blockbuster da história do cinema – depois de Tubarão (1975) e do primeiro Star Wars (ou Guerra nas Estrelas, para os mais veteranos), sendo o terceiro longa-metragem a ultrapassar a absurda quantia de US$200 milhões nas bilheterias.

Importantíssimo para a história da sétima arte e para a indústria do entretenimento, O Império Contra-Ataca – ainda uma das continuações mais celebradas do cinema – faturou mais de US$290 milhões nos EUA e mais de US$547 milhões mundialmente (ficando abaixo em questão de bilheteria de seu antecessor, mas ainda assim realizando um feito impressionante). Considerado o episódio mais sombrio da saga, repleto de reviravoltas e novos personagens, a superprodução completou 40 anos em 2020.

Como forma de homenagem, o CinePOP separou algumas curiosidades interessantíssimas sobre esta produção icônica e inesquecível, que talvez nem todos saibam. Vem conhecer.

George Lucas – Muito Além de um Diretor

O cineasta George Lucas é o criador do universo Star Wars, como todos sabem. O diretor não poderia imaginar o sucesso que o primeiro filme (lançado em 1977) faria e se tornou um dos nomes mais proeminentes da sétima arte na época. O dinheiro não parava de entrar para ele, e todo tipo de merchandising foi vendido estampando as imagens de Guerra nas Estrelas. Completamente tudo. Assim, Lucas prontamente confeccionou uma continuação para seu mega sucesso, expandindo ainda mais as possibilidades e logo obteve um novo fenômeno em mãos.

No entanto, um dos principais motivos para Lucas criar uma continuação era o objetivo de se tornar independente de Hollywood e seu sistema que privilegiava os estúdios e seus executivos. Por que ele deveria dar mais dinheiro para terceiros de algo que saiu totalmente de sua cabeça? Assim, o cineasta evitou ligações com grandes estúdios na hora do lançamento, justamente para não dividir sua criação com mais ninguém. E para isso financiou a sequência do próprio bolso com o lucro que havia ganho do filme original. Se mostrando ainda um profissional justo e generoso, Lucas dividiu parte dos lucros, dando para seus funcionários quase US$5 milhões em bônus.

Depois de O Império Contra-Ataca, Lucas se tornava um grande empresário do ramo do entretenimento, função que sobressaiu seu trabalho como diretor de cinema e o fez um dos talentos mais ricos a ter passado por Hollywood.

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Obi-wan Kenobi, rico de espírito

Apesar de ter morrido no primeiro filme, a intenção de George Lucas era utilizar novamente o personagem Obi-wan Kenobi nesta sequência. Interpretado pelo veterano vencedor do Oscar Sir Alec Guinness (o nome mais famoso e consagrado do elenco então, e que foi indicado ao Oscar de coadjuvante no primeiro Star Wars), Obi-wan é o mestre Jedi que inicia o treinamento de Luke Skywalker (Mark Hamill).

Devido a uma cirurgia no olho, os produtores não sabiam se Guinness retornaria para a sequência. Ele de fato voltou, e seu personagem agora era um espírito – que continuava aconselhando o protagonista. Guinness, que de bobo não tinha nada, fechou um acordo para uma porcentagem da bilheteria em seu contrato e acabou ganhando milhões – contrato parecido faria Jack Nicholson em Batman (1989) nove anos depois.

Harrison Ford Vs. Han Solo

Sabemos o destino que o pirata espacial Han Solo teve em O Despertar da Força (2015). Mas a morte de Han Solo era algo discutido por Harrison Ford e George Lucas desde o início. Dizem as más línguas que Ford topou voltar para o papel nesta sequência desde que Solo morresse no final, pois o ator achava que sua missão e arco dramático já haviam sido cumpridos. E convenhamos, não resta nada de muito interessante para o personagem em O Retorno de Jedi, a não ser o seu resgate no início do filme.

Entendemos que matar um dos heróis não era a intenção de Lucas e poderia ter traumatizado gerações. Assim, ao invés de um fim mais cruel para Solo, Lucas optou por congelá-lo em carbonite ao fim de O Império Contra-Ataca, caso Harrison Ford decidisse retornar para o terceiro filme da franquia.

Luke, eu… NÃO sou seu pai

Enquanto o primeiro Star Wars foi escrito e dirigido por George Lucas, O Império Contra-Ataca teve apenas o esboço do cineasta, sendo o filme da franquia (contando apenas os seis primeiros) com menos envolvimento de Lucas. O roteiro foi escrito por Lawrence Kasdan e Leigh Brackett (sendo esta última, a roteirista que teve mais ideias descartadas), e a direção ficou com Irvin Kershner. No roteiro original de Brackett, Darth Vader não seria o pai de Luke. Já imaginou o filme sem uma das maiores revelações da história do cinema?

No texto de Brackett, Anakin Skywalker e Darth Vader seriam dois personagens distintos, o primeiro sendo um homem bom, pai de Luke, morto por Vader – como insinuado no primeiro filme por Obi-wan. Anakin apareceria na forma de espírito para continuar o treinamento de seu filho Luke. Com as alterações, o personagem foi dividido em dois, e o pequeno Yoda foi criado como o mestre Jedi de Luke, enquanto Obi-wan pôde retornar como espírito de força.

A inocência da Voz de Vader

Como todos sabem, ou deveriam saber, o ator James Earl Jones cede seu vozeirão para o vilão Darth Vader no som original da franquia Star Wars. O intérprete revelou achar que Vader estava mentindo ao afirmar ser o pai de Luke, e sua ficha só caiu quando leu o roteiro para O Retorno de Jedi (1983). Até mesmo os grandes vilões possuem limite nas mentiras sobre paternidade.

Princesa Baixinha

A atriz Carrie Fisher fez sua carreira com o papel da lendária Princesa Leia, líder da rebelião contra o império. E apesar de grande em talento e poder, Fisher era pequena de estatura, com 1,55m de altura. Seu par romântico no filme, Harrison Ford, por outro lado, é bem alto, com 1,85m de altura. Assim, Fisher, na maioria de suas cenas com Ford, precisou subir num caixote para que tais momentos ficassem mais esteticamente eficientes.

Boba Fett, o personagem cult

Poucos personagens na história do cinema fizeram tão pouco e se tornaram tão queridos quanto Boba Fett, o caçador de recompensa que faz seu debute na saga neste filme. Para começar, ele só tem cinco falas. Ele é contratado pelo império para capturar os rebeldes e até mesmo Vader sabe de sua fama e ameça, precisando dizer: “nada de desintegrações”.

Continuando, ele nunca é citado por nome aqui, os personagens se referem a ele como “o caçador de recompensas”. Uma cena excluída, contida numa edição em Bluray, no entanto, mostra Leia dizendo a Luke que “um caçador de recompensas chamado Boba Fett levou Han”.

Lando, o clone

Como dito, O Império Contra-Ataca expandiu a mitologia e adicionou novos personagens que logo se tornariam icônicos para a franquia igualmente – em especial Boba Fett, Yoda e Lando Calrissian, o salafrário preferido de todos. Vivido por Billy Dee Williams, Lando seria inicialmente um clone, que teria sobrevivido às guerras clônicas (citada no filme anterior). Ele seria também o líder de diversos outros clones, que teriam fugido para povoar seu próprio planeta.

Outra ideia teria Lando como um descendente de clones das guerras clônicas, membro de uma família que se reproduziria unicamente através de clonagens. Seu nome seria Lando Kadar.

Já o intérprete do personagem, Dee Williams, disse que sempre que ia buscar sua filha na escola primária, as crianças do local queriam discutir com ele. Elas o acusavam de ter traído Han Solo.

Yoda, indicado ao Oscar

Yoda virou um dos personagens mais adorados da saga Star Wars – ele só perde para sua versão bebê do programa The Mandalorian. E pensar que o pequeno mestre Jedi verde só foi introduzido ao mundo da franquia nesta continuação. O criador de sua forma física, o artista britânico Stuart Freeborn, se baseou na mistura de seu próprio rosto com o do cientista Albert Einstein, com seus olhos tendo inspiração no segundo.

No entanto, o intérprete mais associado ao personagem é o ator e diretor Frank Oz – responsável por dar vida a bonecos como os Muppets. Ele empresta sua voz e faz os movimentos do pequeno ser aqui.

O trabalho de Oz impressionou tanto o criador George Lucas, que o cineasta gastou milhares de dólares em uma campanha de anúncios para sua indicação ao Oscar como ator coadjuvante. No entanto, a Academia chegou à conclusão que uma atuação de titereiro e trabalho de voz não se enquadra como performance de um ator, deixando a campanha de Lucas a ver navios. E você achando que a injustiça havia começado com Scarlett Johansson em Ela (2013).

Quebrando barreiras na tecnologia

O Império Contra-Ataca avançou no quesito técnico o que havia sido criado de forma impressionante e revolucionária para seu predecessor. Isso era de se esperar, já que George Lucas não daria um passo para trás, e só toparia uma sequência que pudesse elevar ainda mais tudo quanto era efeito e técnica de cinema. Dito e feito. O resultado foram duas estatuetas do Oscar – uma por efeitos especiais e outra pelo som. E não para por aí, Império foi o primeiro filme da história a utilizar o sistema de som 5.1 surround sound mix.

Como dito, inicialmente, O Império Contra-Ataca foi lançado em um número restrito de salas. Tudo isso porque a princípio suas cópias eram todas no majestoso formato de 70mm, e somente os melhores e mais luxuosos cinemas possuíam projetores sofisticados como estes. Depois de algumas semanas o filme era lançado no formato padrão de 35mm para o resto das salas no país e para o mundo.

A irmã perdida de Luke

Assim como Darth Vader não seria o pai do herói Luke, a Princesa Leia não era sua irmã nos primeiros rascunhos de Leigh Brackett. Bem, podemos afirmar que esta não estava em qualquer lugar do roteiro final também, sendo implementada somente para O Retorno de Jedi (1983) – afinal não justificaria a cena de incesto (quando Leia beija Luke na boca de forma sexual) mais comentada do cinema.

Seja como for, Luke teria sim uma irmã, chamada Nellith Skywalker. Esta revelação seria feita pelo fantasma de Anakin Skywalker – tendo em mente o roteiro abandonado, anteriormente citado. Seria revelado que Anakin é quem os teria separado por medo de Darth Vader, e que ela também teria sido treinada na arte Jedi em outra parte da galáxia, à espera de ser reunida um dia com Luke, para juntos derrotarem os Sith.

Em seguida, Anakin saía de jogada, já substituído por Obi-wan e Yoda – no entanto, uma cena mostraria os dois debatendo sobre a possível falha de Luke, e que precisariam encontrar outro aprendiz de Jedi para derrotar Vader. Este momento também terminou apagado e o que vemos na versão final é o comentário ambíguo entre os dois sobre a existência de “outro” possível candidato (e agora sabemos que se tratava de candidata).

Em Lucas… não confiamos

Curiosamente, George Lucas, o criador de tudo, afirmou que este era o pior filme de Star Wars e se desculpou por sua existência. Algo como as críticas negativas que o filme recebeu em seu lançamento. Bom, somos todos humanos e falhos. Quem sabe a afirmação de Lucas teve a ver com o fato deste ser o filme da trilogia clássica com menos envolvimento seu. Porém, um tempo depois ele começou a perceber que muitos o consideravam o melhor filme de Star Wars e mudou de ideia.

A derrota de Vader

No popular “cenas que gostaríamos de ver” incluídas no filme, um erro de gravação mostrava o intérprete de Darth Vader tropeçando e caindo de cara ao adentrar a base dos rebeldes no planeta gelado Hoth. A verdade é que devia ser muito difícil conseguir enxergar qualquer coisa naquela máscara e se locomover com aquelas vestimentas. Não deixa de ser engraçado pensar no todo ameaçador Vader caindo sozinho a caminho de confrontar seus inimigos. É para baixar qualquer moral, e essa vergonha o Lorde do Mal não poderia passar.

Here is… King

Dois clássicos absolutos do cinema, O Império Contra-Ataca e O Iluminado, de Stanley Kubrick, foram lançados no mesmo ano – estreando nas telonas em datas muito próximas. A proximidade, no entanto, estava além da estreia, com as grandes produções filmadas no mesmo complexo de estúdios. Assim, o autor Stephen King não demorou para visitar o set da superprodução espacial de Lucas – já que estava sempre nos arredores de sua adaptação gravada na porta vizinha.

King ficou muito impressionado com o que viu nos bastidores do segundo Star Wars. Segundo o próprio, a experiência serviu para que o autor tivesse ideias para um vindouro livro, nenhum outro senão o famoso It, que King lançaria em 1985. O escritor ainda homenageia o diretor Irvin Kershner, apelidado de Kersh pela equipe, incluindo em seu livro uma personagem chamada Sra. Kersh, que soa como Yoda.

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