Os mais clássicos da sua filmografia foram feitos em seu período hollywoodiano, porém Hitch fez muito mais

Foi em 1980 que o cineasta Alfred Hitchcock veio a falecer de causas naturais. Ele, que na época já era considerado um dos diretores mais influentes do cinema e que nos anos seguintes só viu essa imponência crescer, se popularizou por seus suspenses que equilibram a ansiedade de uma tragédia com um ritmo facilmente absorvível pela público. Mesmo jamais tendo recebido um Oscar de melhor diretor, em 1941 ele conseguiu vencer o prêmio de melhor filme com Rebecca, a Mulher Inesquecível.

Enquanto que sua fase mais celebrada é a hollywoodiana, que começou justamente com Rebecca (mas é infinitamente mais reconhecida por filmes como Psicose e Janela Indiscreta), esta começou apenas em 1940 e a essa altura o britânico já era um nome conhecido. Para tanto ele precisou primeiro crescer nos cinemas ingleses. A seguir vem cinco dos melhores, ou pelo menos alguns dos mais interessantes, filmes de Hitchcock em seus anos na terra da rainha.

5) O Homem que Sabia Demais (1934)



A trama sobre um homem, ou casal, comum que subitamente é tragado para dentro de uma intrincada trama criminal soa como o tipo de narrativa que Hitchcock mais gostava de se debruçar. Em O Homem que Sabia Demais o espectador é apresentado a uma família que está passando as férias de verão na Suíça. A confortável situação muda quando um amigo da família é assassinado e, em seu leito de morte, confia a eles a chave do seu quarto, onde por sua vez tem um objeto importante.

A presença de Peter Lorre é uma força considerável no filme

As apostas aumentam quando os assassinos decidem que a família está envolvida e sequestram a filha do casal, forçando assim que a dupla encontre um meio de salvá-la. O filme é bastante lembrado principalmente pela presença de Peter Lorre (Casablanca, M – O Vampiro de Dusseldorf) nele como o vilão Abbott mas constantemente esquecido na filmografia de Hitchcock. Tanto é que em 1953 o diretor conduziu uma refilmagem estrelada por James Stewart e Doris Day, essa versão é muito mais consagrada.

4) Sabotagem (1936)

Um outro elemento que Hitchcock sempre gostou de brincar era a suspeita familiar; quando o protagonista não tem certeza se a pessoa próxima é perigosa ou não. Sombra de uma Dúvida e Disque M para Matar são exemplos mais famosos, porém Sabotagem ganha destaque por ter sido executado em um período prévio em sua carreira.



Hitchcock sabia como representar na telonas ambientes em que confiança era algo escasso

Uma ação criminosa acaba por comprometer o fornecimento de energia em Londres, ao mesmo tempo um agente da Scotland Yard investiga um casal de perto suspeitando que ambos possam estar envolvidos na sabotagem. Dessa forma a narrativa começa a caminhar para que a esposa suspeite de seu marido, ao passo que a figura do próprio é conduzida de maneira a levantar suspeitas.

3) Chantagem e Confissão (1929)

Este é um caso em que não apenas o filme é lembrado por sua história instigante como também tecnicamente ele avançou a indústria cinematográfica inglesa para uma nova era. Primeiramente, o enredo de Chantagem e Confissão acompanha a protagonista Alice que, para se defender de uma tentativa de estupro, mata seu agressor com uma faca. Tomada pelo medo, ela tenta apagar quaisquer rastros de sua presença no local; no entanto um conhecido recolhe uma luva deixada acidentalmente por ela na cena e passa a chantageá-la.

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O primeiro filme sonoro da história britânica não poderia ser outro senão um suspense

Como dito, o filme é famoso por não só colocar sua protagonista em uma situação de desespero facilmente relacionável como também pelo quesito técnico. Inicialmente o filme havia sido pensado para o formato do cinema mudo porém o estúdio resolveu arriscar e bancou uma mudança no resto da produção para torná-lo um filme sonoro. Dessa forma, Chantagem e Confissão se tornou o primeiro filme falado da Grã-Bretanha.

2) 39 Degraus (1935)

Espionagem, o terceiro tema mais adorado por Hitchcock; dominou suas produções durante os anos 30\40 e nos anos 50 inspirou a obra máxima do diretor nessa área: Intriga Internacional. Da mesma forma que seu irmão mais famoso faria em 1959, 39 Degraus coloca seu protagonista, um turista canadense comum, no meio de uma caçada humana após uma espiã ser assassinada em seu apartamento e ele ser considerado culpado pela polícia e jornais. Ao mesmo tempo, ele precisa entender o que são os misteriosos “39 degraus” e porque um grupo criminoso está atrás disso.

Um mal entendido dá início a uma grande caçada a um inocente

Há uma trama bem movimentada aqui, Hitchcock não se reprime em mudar o protagonista de cenário em pouco tempo ou até mesmo lançar mão de tomadas bastante tensas (como a perseguição dentro do trem enquanto o protagonista se segura no lado externo do vagão ou a fuga pelos rios e planícies abertas na Escócia, no qual personagens ao longe se destacam visualmente no terreno aberto). 



1) O Pensionista (1927)

Ele é considerado o Mestre do Suspense e por muito tempo sua ambientação foram as cidades grandes ou pequenas da Grã-Bretanha, logo seria inevitável que em algum momento sua filmografia contasse com a presença de um assassino em série. Mais especificamente um que remetesse a Jack, O Estripador. Em O Pensionista a cidade de Londres é ameaçada por um assassino misterioso que estrangula suas vítimas pela madrugada; ao mesmo tempo uma família que administra uma pensão recebe um novo inquilino no meio da noite, este que de imediato levanta suspeitas.

O Pensionista condensa uma série de elementos para criar um filme instigante

Pode se dizer que esse filme tem muitas coisas acontecendo juntas, não apenas os assassinatos mas também um triângulo amoroso envolvendo o inquilino, a filha do casal proprietário e seu namorado – bem como uma informação pessoal relacionada a um dos personagens que surge próximo ao fim da película. Ele tem essas subtramas acontecendo e ainda assim a direção de Hitchcock encontra um meio de desenvolver um romance no meio, chegando a um clímax que lembra bastante o linchamento público que Fritz Lang gravou para M – O Vampiro de Dusseldorf. É um suspense bastante interessante que capta uma visão sombria e expressionista de Londres sem fugir jamais do estilo estilístico do diretor.

 

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