O ano de 1981 é bastante conhecido pelos fãs de terror como um dos que abrigaram algumas das melhores e mais famosas produções do gênero durante a década de 1980. Para começar foi o ano do boom dos filmes slasher, onde Hollywood se tornou uma fábrica de longas do tipo, resultando em alguns dos mais icônicos e lembrados do período pelos aficionados. Segundo, por ter revitalizado os filmes de Lobisomem para “os novos tempos”, com duas produções bem memoráveis e que marcaram uma época. E finalizando, o “ano do terror” não poderia esquecer o subgênero do sobrenatural, onde forças ocultas e satânicas eram a ameaça. Desta forma, comemorando um novo lote de obras de enorme prestígio, resolvi trazer em minha nova matéria os filmes de terror mais famosos e ainda queridos do grande público que se tornam quarentões este ano. Confira abaixo.

A Morte do Demônio

Primeiro filme do cineasta Sam Raimi (do vindouro Doutor Estranho no Multiverso da Loucura), o longa foi feito à preço de banana e com seus amigos atuando de favor. O sucesso foi tanto, graças ao estilo único do diretor, que, além de render mais duas continuações, a produção serviu para escrever o nome de Raimi no panteão de Hollywood como um dos fortes representantes do gênero. Uma refilmagem foi lançada em 2013 e uma série resgatando o amado protagonista Ash (Bruce Campbell) foi ao ar por 3 temporadas (de 2015 a 2018). Uma curiosidade é que duas continuações são planejadas para a franquia: a sequência do remake e um quarto filme da trilogia original (essa com produção de Raimi).



Um Lobisomem Americano em Londres

Quando falamos em filmes de Lobisomem, nove entre dez fãs de terror irá apontar este longa como um dos mais memoráveis e influentes. O curioso é que na direção temos John Landis, cineasta mais associado a comédias – e tal senso de humor pode ser encontrado em Um Lobisomem Americano em Londres. Foi por causa do filme que o cineasta foi convidado por Michael Jackson em pessoa para dirigir seu clipe Thriller, o mais icônico de sua carreira. Na trama, dois americanos mochileiros pelo interior da Inglaterra são atacados por uma besta feroz. Um deles morre (e volta como espírito se deteriorando) e o outro aos poucos vai se tornando a tal criatura. Os efeitos da transformação impressionam até hoje e, criados por Rick Baker, levaram para casa o Oscar de maquiagem.

Halloween II – O Pesadelo Continua



Como dito, o ano de 1981 ficou conhecido como o auge do cinema slasher, justamente por isso não estaria completo sem um exemplar do responsável por mudar este jogo. Halloween – A Noite do Terror (1978), de John Carpenter, não foi o primeiro filme slasher da história, mas foi o primeiro a ter grande fama e sucesso. Logo, todos queriam seu próprio Halloween, e até mesmo os produtores do original se coçaram para tirar da cartola uma continuação. Carpenter recebeu uma bolada para escrever a sequência e entrou como produtor também, mas deixou a cadeira de diretor para o colega Rick Rosenthal. A trama continua exatamente de onde o anterior parou, na mesma noite, com Laurie (Jamie Lee Curtis) sendo levada ao hospital, Michael Myers a seguindo e o Dr. Loomis (Donald Pleasence) caçando o psicopata. A ação se desenrola praticamente toda dentro da localidade citada.

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Sexta-Feira 13 – Parte 2

Como dito, na época todos queriam uma “cópia” de Halloween para chamar de sua, e a “xérox” mais famosa atende pelo título Sexta-Feira 13. Criada por Sean S. Cunninghan, comprada pela Paramount, esta propriedade foi ainda mais longe e se tornou uma franquia ainda mais cultuada e confiável do que a que visava imitar. Mesmo após o assassino do original ter sido decapitado, os produtores estavam dispostos a continuar essa história – e quem seria louco do contrário com tanto dinheiro rolando? Assim, a opção foi por trazer pela primeira vez o maníaco Jason, agora adulto, como antagonista. Sim, vocês leram certo, Sexta-Feira 13 – Parte 2, e não o primeiro, é onde Jason mata suas primeiras vítimas, ainda usando um saco de pano na cabeça – visual “emprestado” do terror The Town That Dreaded Sundown (1976).

Scanners – Sua Mente Pode Destruir



Outro diretor bem conhecido no gênero e tratado como mestre, David Cronenberg já havia lançado pelo menos quatro filmes até estrear esse que se tornaria seu maior sucesso até então. Escrito e dirigido pelo cineasta, Scanners marcaria Cronenberg por seus apelidos “carinhosos” que enfatizavam a especialidade no gore e no horror corpóreo/venéreo. Depois, é claro, o cineasta alçaria voos ainda maiores, como A Mosca (1986). Em Scanners, indivíduos com fortíssimos poderes de controle mental são uma realidade e uma ameaça. Desta forma, um sujeito dono de tais dons é recrutado para encontrar outros iguais a ele, mas nem todos possuem boa índole e estão dispostos a usar esta capacidade da forma mais sombria possível, como o vilão Darryl Revok (Michael Ironside). E quem poderia esquecer a icônica cena da cabeça de um pobre coitada sendo explodida numa batalha mental com o antagonista.

Grito de Horror

Chegamos ao segundo filme de Lobisomem mais famoso de 1981. Mas calma, ele não será o último. Grito de Horror é um rival direto para Um Lobisomem Americano em Londres e suas ligações começam atrás das câmeras, nos bastidores. Acontece que o maquiador Rick Baker estava contratado inicialmente para trabalhar neste filme, mas acabou desistindo e se bandeando para a produção do “rival” citado. Dirigido por Joe Dante antes de Gremlins (1984), o próprio cineasta afirma que seu objetivo era fazer um filme de Lobisomem nos moldes de um slasher, onde o espectador não descobrisse o verdadeiro conteúdo da história até quase sua metade. Os efeitos da transformação, embora não tenham sido sequer indicados ao Oscar, impressionam igualmente. Dee Wallace é quem protagoniza, e no ano seguinte seria a mãe no filme E.T. – O Extraterrestre, de Steven Spielberg.

Possessão

Escrito e dirigido pelo polonês Andrzej Zulawski, este longa é uma viagem pra lá de perturbadora pelo psicológico humano. Focado num casamento aparentemente feliz, Mark (Sam Neill) percebe sua esposa Anna cada vez mais distante, se afastando dele até culminar em seu pedido de divórcio. Mas esta é só a ponta do comportamento errático, bizarro e completamente alucinado de sua companheira, aos poucos dando indício de envolvimento com algo sobrenatural. Possessão se tornou uma obra cult extremamente enigmática e celebrada, especialmente pelo tour de force que é o desempenho da protagonista, a francesa Isabelle Adjani, no papel de Anna.



A Profecia III

Falando em Sam Neill, há 40 anos o ator mergulhava com força no gênero do terror sobrenatural. Depois de Possessão, o ator chegava como reforço na franquia A Profecia, que se iniciou em 1976 contando a história de um casal rico adotando um menino “endiabrado” chamado Damien. Neste terceiro filme, que curiosamente não leva o título A Profecia no original (nos EUA conhecido como The Final Conflict, ou O Conflito Final – seu subtítulo por aqui no Brasil), Damien é um adulto, um político visando chegar na Casa Branca e se tornar o presidente norte-americano. O Diabo na Casa Branca? Insira sua piada aqui. Neill é quem interpreta Damien na fase adulta.

O Dia dos Namorados Macabro

Voltando para o território dos filmes slasher, já tivemos os dois mais famosos do ano, que não por acaso deram origem a duas das maiores franquias do terror: Halloween e Sexta-Feira 13. O terceiro mais famoso de 40 anos atrás é este slasher canadense que pega para si outra data comemorativa bem conhecida, o dia dos namorados. Chamado de “slasher proletário”, a trama apresenta um grupo de funcionários de uma mina de carvão numa cidadezinha, que começa a ser atormentada por assassinatos grotescos bem na época da data romântica. Tudo pode estar relacionado a um maníaco do passado que pensavam estar no hospício. O longa recebeu uma refilmagem em 2009, um exemplar bem interessante e original por si só.

Chamas da Morte


Vocês querem slasher? Então tomem. Também conhecido como A Vingança de Cropsy, o longa pega carona no sucesso de Sexta-Feira 13 para criar seu próprio slasher de acampamento. No entanto, alguns afirmam que o roteiro já estava pronto antes da obra citada ser lançada no ano anterior. Seja como for, a ideia para Chamas da Morte saiu de uma lenda americana sobre a figura de Cropsy, um folclore contado em volta de fogueiras em acampamentos. O que é verdade, porém, é que o especialista em efeitos práticos, maquiagem e gore Tom Savini desistiu de trabalhar em Sexta-Feira 13 – Parte 2 para cuidar da parte técnica deste filme. Na trama, uma brincadeira sai errado e o zelador Cropsy termina torrado. Anos depois, o sujeito queimado retorna ao acampamento de férias para destilar sua vingança. Esta foi a primeira produção dos irmãos Harvey e Bob Weinstein.

Pague para Entrar, Reze para Sair

Acharam que os slasher famosos de 40 anos atrás acabaram, pense de novo. Aqui, o título em português para The Funhouse (no original) é um dos chamarizes, e até mesmo quem não viveu no período é bem capaz de já ter ouvido esta frase. Na cadeira de direção, ninguém menos que Tobe Hooper, famoso então pelo celebrado O Massacre da Serra Elétrica (1974) e em vias de entrar no time A de Hollywood devido à parceira com Spielberg em Poltergeist (1982). Aqui, um grupo de jovens resolve passar a noite dentro do trem fantasma de um parque de diversões. No local, terminam por testemunhar o assassinato de uma prostituta e se tornam alvo do assassino: um doente mental extremamente deformado que trabalha na atração e usa uma fantasia de Frankenstein – que é mais simpática do que seu rosto de verdade por debaixo da máscara.

Lobos

Terceiro filme com criaturas peludas e de dentes afiados na lista. Mas ao invés de lobisomens, este thriller investe em um ponto de vista mais real para o tópico. Violentos assassinatos começam a ocorrer na cidade de Nova York e o detetive Dewey Wilson é designado para o caso – o protagonista é interpretado pelo saudoso Albert Finney (indicado a 5 Oscar). A obra é tratada de forma séria e possui um cunho ambientalista, abordando a forma como a construção de uma cidade pode ser nociva ao meio ambiente e aos antigos residentes de um local como uma floresta. O longa ainda inclui em sua narrativa os nativo-americanos e uma raça de lobos ancestrais e inteligentes.

Piranhas 2: Assassinas Voadoras

Primeiro trabalho do prestigiado James Cameron como realizador, o filme é a continuação do cult Piranha (1978), de Joe Dante – cineasta que igualmente já apareceu aqui na lista. Por sua vez, Piranha pegou carona descarada no sucesso de Tubarão (1975) e resolveu tirar da manga seu próprio peixe assassino. Esta continuação eleva as criaturas na escala evolutiva lhes dando asas para voar da água e atacar suas vítimas. E o que o filme ganha também é bem mais humor, se tornando um exemplar do “terrir”. Cameron disse que o saldo positivo de trabalhar neste filme foi ficar com febre, ter um pesadelo e escrever o roteiro de O Exterminador do Futuro (1984) com o conteúdo de seu delírio. Piranha receberia uma refilmagem em 2010 e uma sequência para ela em 2012.

Jogos de Estrada

Após o sucesso de Halloween, Jamie Lee Curtis, então com 20 aninhos, foi alçada ao posto de musa e logo todo produtor a queria para estrelar sua própria obra de terror. Assim seguiram só em 1980: Baile de Formatura, Trem do Terror e Fog – A Bruma Assassina, no qual voltou a trabalhar com John Carpenter. E no mesmo ano de Halloween II, há 40 anos, a estrela era o chamariz desta produção australiana. A trama funciona quase como um remake do clássico de Spielberg, Encurralado (1971), tendo Stacy Keach como um caminhoneiro desconfiado de que o motorista de uma van verde esteja cometendo assassinatos na sua rota, iniciando com ele um jogo de gato e rato. Curtis interpreta uma caronista.

Benção Mortal

Passando de uma musa do cinema para outra, quem estrela este longa é Sharon Stone, muitos anos antes de se tornar famosa com Instinto Selvagem (1992). Entre os dois filmes, Stone participou de projetos mais chamativos como As Minas do Rei Salomão (1985), Loucademia de Polícia 4 (1987) e O Vingador do Futuro (1990). Aqui temos a direção do mestre Wes Craven (A Hora do Pesadelo e Pânico) em um de seus trabalhos menos falados, neste que era apenas seu terceiro longa para o cinema. Na história, Craven resolve abordar o fanatismo religioso, focando numa seita que possui fortes paralelos com casos reais que ocorriam nos EUA no fim da década anterior. A trama mostra uma mulher precisando lidar com a morte misteriosa de seu marido. Ela começa a suspeitar que os vizinhos, uma comunidade religiosa, possa ter envolvimento e planos nefastos para ela também.

O Domínio do Olhar

Escrito e dirigido pelo romancista Michael Crichton (Jurassic Park e Westworld), este filme possui doses de ficção científica, suspense e terror, gêneros nos quais o autor gostava de trabalhar. Albert Finney volta à lista, desta vez no papel de um cirurgião plástico, médico de atrizes de comercial e modelos em busca da perfeição estética. Suas últimas pacientes começam a ser assassinadas uma a uma, e ele resolve proteger uma delas antes que o destino da moça seja o mesmo das outras. Mas, algo maior e mais conspiratório pode estar por trás, envolvendo alta tecnologia e a busca pela perfeição feminina.

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