O Oscar está se aproximando. A maior festa do cinema mundial ocorre no dia 9 de fevereiro, quando serão revelados os vencedores de sua 92ª edição. Antes disso, no entanto, fazendo valer a máxima de que recordar é viver, o CinePOP resolve realizar mais uma volta no tempo, trinta anos no passado, para homenagear estas produções aniversariantes.

Voltando para a 63ª edição, temos Kevin Costner sentado no topo do mundo como maior astro de Hollywood na época; além dos nomes de gente como Martin Scorsese, Robert De Niro, Julia Roberts, Whoopi Goldberg, Al Pacino e Kathy Bates – que também marcavam presença. Assim, podemos perceber muitas semelhanças com alguns  dos indicados atuais, e personalidades que seguem relevantes até hoje.

Sem mais delongas, vamos lembrar o que estava bombando há trinta anos e não esqueça de conferir a matéria dos filmes indicados ao Oscar que completam quarenta anos, clicando no link.

Dança com Lobos

O épico de três horas de duração, baseado no livro de Michael Blake (com roteiro adaptado pelo próprio), foi o grande vencedor da noite, levando para casa a estatueta de melhor filme e mais seis, das doze às quais estava indicado. Produzido, estrelado e dirigido (em sua estreia na função) por Kevin Costner, Dança com Lobos revitalizou os westerns, humanizando como nunca anteriormente os nativo-americanos – constantemente apresentados como vilões deste tipo de produção.

Na trama, John Dumbar (Costner), um tenente designado a um forte no Oeste americano pós-Guerra Civil, vai contra seus colegas e superiores militares ao fazer amizade com índios. O longa saiu vencedor nas categorias de melhor filme, diretor, roteiro adaptado, fotografia, som, edição e trilha sonora, e ainda recebeu indicações para melhor ator Costner, ator coadjuvante Graham Greene (o líder dos índios), atriz coadjuvante Mary McDonnell (a branca criada pelos índios), direção de arte e figurino.

Aproveite para assistir:

SE INSCREVA NO NOSSO CANAL DO YOUTUBE

Os Bons Companheiros

Um novo Scorsese injustiçado pela Academia a cada edição do Oscar. De todos os filmes da lista na categoria principal, apenas Os Bons Companheiros se encontra dentre os 250 melhores de todos os tempos na opinião do grande público – e em 17ª posição! Assim como já havia ocorrido há 40 anos com Touro Indomável, a história se repete aqui com outra grande produção do diretor esnobada pelos votantes da Academia. Os Bons Companheiros é listado por muitos (ou quem sabe a maioria) dos cinéfilos como “o melhor filme” da carreira de Martin Scorsese. Além, é claro, de um dos melhores de todos os tempos.

Entretanto, o filme recebeu “apenas” seis indicações ao Oscar, e levou somente uma estatueta para casa. Baseada no livro de Nicholas Pileggi (que igualmente assinou o roteiro), a obra narra a jornada de Henry Hill (Ray Liotta) e seus laços com a máfia, desde a infância até a vida adulta. Os usuais companheiros do diretor, Robert De Niro e Joe Pesci, também retornam. A obra recebeu as indicações de melhor filme, melhor diretor para Scorsese, melhor atriz coadjuvante para Lorraine Bracco (que vive a esposa do protagonista), melhor roteiro adaptado (para Pileggi e o próprio diretor) e edição (para a lendária Thelma Schoonmaker). Joe Pesci, que interpretou o esquentadinho Tommy DeVito, e tem algumas das melhores cenas do filme, levou para casa o Oscar de melhor coadjuvante pelo papel.

O Poderoso Chefão III

Mesmo os mais ardorosos fãs do cinema de máfia e da trilogia de Mario Puzzo e Francis Ford Coppola reconhecem que a terceira e tardia parte da saga da família Corleone é a mais fraca das três. Mas isso não quer dizer que seja ruim, afinal os outros dois estão entre os três melhores filmes de todos os tempos na opinião do grande público. E assim, O Poderoso Chefão III, lançado quase duas décadas depois dos anteriores, foi reconhecido com uma indicação ao Oscar de melhor filme, e mais seis outras – mas no fim das contas, saiu de mãos completamente vazias da noite.

O desfecho da jornada dos Corleone no cinema possui gosto agridoce, com Michael (Al Pacino) assumindo o posto que foi de Marlon Brando no filme original – agora com idade e realmente portando a aparência do “Poderoso Chefão”. Robert Duvall não aceitou voltar (seu personagem foi “morto” off-screen) e Winona Ryder, planejada como a Mary Corleone original (filha do protagonista) não pôde aceitar o papel por motivos de agenda. Numa manobra polêmica, o diretor resolveu escalar sua própria filha, Sofia Coppola (hoje uma diretora prestigiada), para a personagem – que instantaneamente se tornou o elo fraco desta engrenagem, ganhando a antipatia de críticos e público. Tanto que recebeu a indicação como pior estreante e pior atriz no Framboesa de Ouro.

O Poderoso Chefão III foi indicado para melhor filme, melhor diretor Francis Ford Coppola, melhor ator coadjuvante Andy Garcia (que vive o sobrinho do protagonista), fotografia, direção de arte, edição e canção para “Promise me You’ll Remember”.

Ghost – Do Outro Lado da Vida

Único roteiro original da lista, Ghost é um romance sobrenatural, com doses de suspense, comédia (e até terror), e que fala sobre a vida após a morte. O saudoso Patrick Swayze vive um homem assassinado, cujo espírito permanece em nosso mundo para avisar sua jovem esposa (papel de Demi Moore) sobre os reais motivos por trás de sua morte. Para isso, ele recorre a uma vigarista, que realmente possui dons mediúnicos, papel de uma Whoopi Goldberg em estado de graça – que não por menos levou para casa o Oscar de melhor coadjuvante. Mas, principalmente, Ghost é um belo drama, que aborda questões espirituais e tenta esclarecer (para algumas religiões que acreditam no tema) o que de fato ocorre conosco depois da morte.

Ghost conquistou o mundo com seu clima leve e romântico, suas cenas icônicas (e muito repetidas) e seus efeitos revolucionários para a época. O longa levou para casa, além do prêmio de coadjuvante, o de roteiro original, e as indicações de melhor filme, edição e trilha sonora. Ghost tem direção de Jerry Zucker, anteriormente conhecido por comédias escrachadas como Apertem os Cintos, o Piloto Sumiu (1980) e Top Secret! Superconfidencial (1984); o que faz dele uma espécie de Peter Farrelly, e Ghost, o Green Book da época.

Tempo de Despertar

O filme menos popular da lista principal desta edição do Oscar, é novamente baseado em um livro – desta vez, do médico Oliver Sacks. Ao contrário dos temas de máfia e faroeste histórico, Tempo de Despertar tem mais em comum com Ghost, ao tratar do assunto de vida e morte. Este, no entanto, é um longa mais dramático, sem os alívios da obra sobrenatural acima. O filme narra as descobertas reais e avanços no terreno da medicina em relação a uma rara doença que faz de seus portadores catatônicos. Através de novos medicamentos, tais doentes foram capazes de retornar do estado vegetativo para uma nova vida. Robert De Niro (ele de novo!) vive um paciente recuperado, e o saudoso Robin Williams, em trabalho totalmente dramático, interpreta o médico responsável pela descoberta.

O filme foi dirigido pela cineasta Penny Marshall, que não recebeu uma indicação por seus esforços – nesta época, apenas uma mulher havia sido indicada na categoria: a italiana Lina Wertmüller, pelo filme Pasqualino Sete Belezas (1976). Hoje, pouca coisa mudou, com apenas cinco mulheres na lista da categoria: Jane Campion (O Piano), Sofia Coppola (Encontros e Desencontros) – toma essa O Poderoso Chefão III -, Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror) – a única a vencedora – e Greta Gerwig (Lady Bird).

Voltando para Tempo de Despertar, o filme recebeu três indicações ao Oscar, se tornando assim o indicado na categoria principal com menos nomeações desta edição e um dos menos indicados da história. Foram elas: melhor filme, roteiro adaptado e ator para Robert De Niro (que foi lembrado aqui e não em Os Bons Companheiros).

Filmes Populares

Alguns filmes de prestígio em épocas de premiações terminam apagados anos depois, sem que as pessoas lembrem deles, ou até mesmo podem perder sua relevância com o revisionismo. Outros, no entanto, marcam seu lugar na história, continuando com sua popularidade. E alguns sequer precisariam do Oscar para isso. Nesta categoria se encaixa Uma Linda Mulher, afinal quem poderia esquecer deste conto de fadas subversivo, que ainda ressoa como uma das melhores comédias românticas de todos os tempos. Apesar de seus predicados, o filme que traz a musa Julia Roberts como uma prostituta de bom coração (e serviu para transformá-la numa estrela) só recebeu uma indicação ao Oscar: de melhor atriz para Roberts – que já havia sido indicada como coadjuvante no ano anterior, pelo filme Flores de Aço.

E quem tirou o prêmio das mãos de Julia Roberts, você pergunta? Foi a ótima Kathy Bates, no papel da enfermeira desequilibrada Annie Wilkes de Louca Obsessão, filmaço de suspense baseado no livro de Stephen King. Outro que causou estardalhaço foi Dick Tracy, adaptação dos famosos quadrinhos criados por Chester Gould, considerado a resposta da Disney para Batman (1989), da Warner. Levando em conta que Batman recebeu apenas a indicação de direção de arte (a qual levou), e Dick Tracy levou 3 Oscar, além de outras 4 indicações, pelo menos com a Academia o filme do policial esteve melhor na fita. Dirigido, produzido e protagonizado por Warren Beatty, Dick Tracy foi nomeado para ator coadjuvante Al Pacino (na pele do vilão Big Boy Caprice), fotografia, figurino e som; e levou para casa as estatuetas de melhor direção de arte, maquiagem e canção por “Sooner or Later”, cantada por Madonna (que no filme vive a femme fatale Breathless Mahoney).

David Lynch, sucesso no Oscar de 40 anos atrás com O Homem Elefante, volta a dar as caras dez anos depois de forma mais modesta. Aqui, o filme do diretor, Coração Selvagem, só foi lembrado para a indicação de melhor coadjuvante para Diane Ladd. Quem apareceu de forma pontual também foi Woody Allen, outro cineasta de bastante renome. Seu Simplesmente Alice (uma das últimas parcerias com a esposa traída Mia Farrow) foi indicado para melhor roteiro original, coisa que Allen sabe fazer bem. O italiano Franco Zeffirelli, falecido ano passado, emplacou sua versão de Hamlet, protagonizada por Mel Gibson, em duas categorias, com indicações a melhor direção de arte e figurino.

Sucesso mesmo fez o cult Os Imorais, do diretor Stephen Frears, sobre um trio de golpistas: um homem (John Cusack), sua mãe (Anjelica Huston) e sua namorada (Annette Bening, revelada pelo filme). O longa obteve 4 indicações importantes: diretor para Frears, atriz para Huston, coadjuvante para Bening e roteiro adaptado. E não seria uma edição do Oscar sem Meryl Streep, certo? A deusa apareceu com uma indicação na categoria de atriz principal pelo filme Lembranças de Hollywood. Dirigido por Mike Nichols, o filme é baseado no livro de memórias de Carrie Fisher (a eterna Princesa Leia) e suas experiências com a mãe Debbie Reynolds – no filme Streep é a persona de Fisher, e a veterana Shirley MacLaine faz as vezes de Reynolds.

E se há 40 anos, O Império Contra-Ataca recebia um Oscar especial por suas conquistas no terreno técnico (uma prévia dos melhores efeitos visuais), tal honraria recaiu para a ficção O Vingador do Futuro, dirigida por Paul Verhoeven e protagonizada por Arnold Schwarzenegger, dez anos depois. Além do prêmio especial, o filme também foi indicado para melhor som e efeitos sonoros. Outros blockbusters indicados ao Oscar foram: Esqueceram de Mim (indicado para melhor trilha sonora e canção por “Somewhere in My Memory”), Edward Mãos de Tesoura (indicado para melhor maquiagem), Linha Mortal (indicado para melhor edição de som) e Caçada ao Outubro Vermelho (indicado para edição e som, e vencedor de edição sonora).

SE INSCREVA NO NOSSO CANAL DO YOUTUBE

Não deixe de assistir: