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3 Anos de ‘Pânico 5’! Por que o original e seu “requel” são tão aclamados?

Já sabemos, ao menos aqueles que conhecem a franquia ou possuem o mínimo de conhecimento cinematográfico contemporâneo: quando lançado em 1996, ‘Pânico‘ foi um estrondo, fenomenal ao ganhar a crítica e o público aos poucos.

O subgênero slasher que na época, passava por um período de decadência, tendo em O Mistério de Candyman e O Novo Pesadelo: O Retorno de Freddy Krueger (também de Wes Craven), dois dos raros bons momentos do Slasher Tardio (etapa de continuações frias, posteriores ao advento do boom slasher dos anos 1980).

O roteirista Kevin Williamson, um profundo e confesso admirador Halloween: A Noite do Terror, conseguiu que seu texto chegasse ao criador de Freddy Krueger e um novo ícone do terror se estabeleceu: Ghostface. Assim começou uma rentável história. Pânico foi sagaz, diferenciado da maioria dos filmes deste segmento, numerosas referências típicas da cultura pop de sua década, com uma já clássica passagem de abertura com Drew Barrymore a responder questionamentos sobre Sexta-Feira 13, Halloween, A Hora do Pesadelo, dentre outros, um prazeroso feixe de diálogos que reverenciavam os fãs de filmes do tipo, geralmente destratados pela crítica especializadas, quase sempre a considerá-los “cinema menor”.

Interessante observar que a metalinguagem, nesta época, já tinha sido discutida no âmbito slasher não apenas no empolgante retorno de Freddy Krueger e suas reflexões sobre o filme dentro dos filmes e o impacto do cinema na sociedade, mas também no mediano Popcorn: O Pesadelo Está de Volta, de 1991, uma narrativa divertida e inteligente, mas sem a execução estilosa de alguém do calibre de Wes Craven. A trama apresentava ao público um grupo de personagens inseridos num cinema que decide exibir filmes para um festival de horror, organizado por jovens estudantes de cinema que aos poucos, se tornam vítimas de um assassino impiedoso, influenciado por obscuros segredos do passado.

Wes e Kevin, uma dupla que podemos chamar de dinâmica, alguns anos depois, retomaram com uma proposta metalinguística com um tom mais audacioso. Como resultado, entregaram um espetacular filme de horror com diálogos inteligentes, muitas referências e desempenhos dramáticos muito acima do que geralmente tínhamos no subgênero slasher.

Parte deste sucesso também se deu por conta do trio protagonista, composto por Sidney Prescott, Gale Weathers e Dewey Riley, interpretados por Neve Campbell, Courteney Cox e David Arquette, respectivamente, personagens que estão de volta na trama de 2022, grandes responsáveis pela coerência, coesão e respeitabilidade do renascimento da onda de crimes sangrentos em Woodsboro. Sem o trio, creio, este novo Pânico seria apenas mais um bom filme de terror com ressonâncias do legado da franquia, não excelente como acabou se apresentando.

Agora, caro leitor, depois deste breve, mas acredito, elucidativo panorama, sigamos com o retorno de Ghostface no quinto filme – que completa DOIS ANOS hoje (14 de Janeiro).

Logo em sua já esperada cena de abertura, Tara Carpenter (Jenna Ortega) é a primeira vítima do psicopata. Ela atende ao chamado pelo telefone, mas percebe que as suas chances de sobreviver são remotas, pois desconhece as regras dos filmes questionados, afinal, a sua preferência é por narrativas como os superestimados A Bruxa, Hereditário, dentre outros, filmes que compõem a linha do que um determinado feixe de crítica contemporânea chama de pós-horror. Sua sobrevivência é incerta, afinal, o padrão é que as primeiras mortes sejam o aviso para o que pode vir em direção aos demais personagens. É uma passagem forte, violenta, talvez o ataque mais insano de todas as aberturas da franquia, ao menos no quesito deterioração do corpo alheio.

Os envolvidos no projeto, no entanto, preparam o público para uma surpresa. A jovem não morreu. Bastante debilitada, mas internada no hospital, o seu grupo de amigos logo arruma um jeito de avisar para a sua irmã, Sam Carpenter (Melissa Barrera), sobre o impiedoso ataque e, em seu deslocamento para Woodsboro. Pronto: o palco de tragédias está montado e a tenebrosa montanha-russa de emoções começa a ter os seus trilhos a se movimentar. Em sua estrutura inteligente, dinâmica, mordaz e ousada, a narrativa nos apresenta ao novo grupo de possíveis vítimas: Richie (Jack Quaid), Wes (Dylan Minnette), Mindy (Jasmin Savoy), Liv (Sonia Ammar), Amber (Mikey Madison) e Chad (Mason Gooding). Um deles (ou mais) pode ser o novo mascarado. Nós saberemos, ao passo que a trilha de corpos é estabelecida.

Assim, aqueles que morrem deixam de habitar a lista de suspeitos para se direcionarem ao necrotério, alvos dos já mencionados ataques impiedosos do assassino, assertivos graças aos efeitos de maquiagem supervisionados pelo eficiente Jeff Goodwin. Um deles, Vince (Kyle Gallner), um stalker valentão e perseguidor de uma das jovens do tal grupo, também figura como um potencial suspeito, mas ao passo que a narrativa deslancha, por seu vínculo com alguém da memória trágica de Woodsboro, logo pode deixar a mencionada lista de possível algoz para fazer parte da coleção de vidas ceifadas pelo psicopata. Como habitual, muitas reviravoltas conduzem o roteiro, tudo em prol do último ato, momento que atinge um nível elevado de insanidade (e qualidade), um dos melhores de toda a franquia com finais sempre ótimos.

Depois dos primeiros ataques, com a sensação de insegurança no auge, Sam procura Dewey e clama por um mentor. Isolado num trailer e ainda entristecido após a separação com Gale, o ex-policial da cidade faz o mesmo que Laurie Strode no começo de Halloween (2018): se nega diante do pedido de ajuda dos jovens, mas não demora, abre mão e decide ser um colaborador. Ele contata Sidney e manda mensagens de texto para a ex-esposa. Assustada e angustiada, a final girl logo aparece em Woodsboro, pois conforme a sua justificativa para o retorno, não conseguirá dormir enquanto não aniquilar o novo mascarado. Gale, sempre conectada com seus interesses profissionais, midiática, mas contida, agora âncora de um programa televisivo novaiorquino, também retorna para a cobertura dos assassinatos, sem deixar de se preocupar, claro, com o policial, um homem por quem ainda nutre sentimentos.

É com a chegada do trio que Pânico deixa de ser bom e se torna ótimo. Os veteranos exalam credibilidade ao tecido narrativo, pois nos conectam com o legado estabelecido por Wes Craven e Kevin Williamson em 1996, continuado em 1997, 1999 e 2011. Todos se propõem a travar uma intensa luta pela sobrevivência até o desfecho apoteótico, na mesma casa onde ocorreu o sangrento desfecho do primeiro filme, a residência de Stu, um dos psicopatas que ao lado de Billy Loomis, estabeleceu o horror em Woodsboro. O ex-namorado “monstro” de Sidney, por sinal, é uma figura que aqui ganha um retorno inesperado, por meio das alucinações de uma das personagens. Ele, cabe ressaltar, é parte sólida das motivações para o retorno dos crimes hediondos em Woodsboro. É o que o roteiro quer nos fazer acreditar. Será?

Judy (Marley Shelton), de Pânico 4, agora delegada, ressurge em alguns ótimos momentos da trama, com referências aos seus quadradinhos de limão, guloseimas que levava para Dewey no antecessor, alvo dos ciúmes da inquieta Gale Weathers. A proximidade estética e os demais aparatos de estruturação da narrativa, em especial, a montagem, conseguem se manter bastante próximos dos quatro filmes anteriores, acredito, por trazer de volta Marianne Maddalena, na posição de produtora executiva, cargo que divide com Kevin Williamson, membros que garantem uma nova versão para Pânico, ousada e irreverente, mas com ligações estéticas e dramáticas que estabelecem a devida correspondência com toda a franquia.

Martin Bettinelli-Olpin e Tyler Gillet, na posição de diretores, conseguem, com talento esbanjado, dar conta da função que assumiram. Eles possuem como guia, o roteiro de James Vanderbilt e Guy Busick, dramaturgos inspirados nos personagens e argumentos de Kevin Williamson.

Pânico traz uma nova equipe de realizadores, todos com suas próprias assinaturas, donos de um estilo peculiar, mas respeitosos com o legado audiovisual da franquia, também algo já mencionado. Na direção de fotografia de Brett Jutkiewicz, a grande diferença da vez é a estratégia de movimentação da câmera, com deslocamentos conseguem emular o sadismo e a ironia de Ghostface em seus movimentos atrevidos e sarcásticos. Para as mortes se tornarem mais impactantes, o design de som do Formosa Group faz questão de delinear cada golpe desferido diante dos ataques sangrentos.

O compositor Brian Tyler também entrega um bom trabalho, mesmo que não alcance a coesão sonora de Marco Beltrami, produzindo um som mais genérico, parecido com muitos outros filmes de terror, com seus metais e instrumentos de sopro em justaposição para criação de sons estarrecedores, conforme os violentos ataques de Ghostface. No design de produção de Chad Keith gerencia uma direção de arte preocupada com peculiaridades e uma cenografia envidraçada, própria para o estabelecimento da sensação de insegurança dos personagens.

Por fim, o filme ganhou uma sequência que ficou aquém do esperado e o sétimo filme passou por uma reestruturação após a demissão de Melissa Barrera. Espero, no entanto, que continuem honrando o patrimônio que é legado de Wes Craven, não é mesmo, leitores?

Você gostou de ‘Pânico 5‘?

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10 filmes com ÓTIMAS premissas, mas que naufragam

A ideia que se parte uma história é um elemento fundamental para o total interesse do público. Mas nem sempre esse gancho torna o projeto interessante por conta de outros fatores que compõem uma obra cinematográfica. Pensando nisso, resolvemos criar uma lista de 10 filmes com ótimas premissas mas que naufragam:

 

Não se Mexa

Na trama acompanhamos Iris (Kelsey Asbille) uma mulher entregue ao luto permanente após a perda do filho pequeno de maneira trágica e com fortes marcas no seu casamento. Certo dia resolve ir até o local onde ocorreu o acidente e acaba tendo seu destino cruzado com o de Richard (Finn Wittrock), que logo se apresenta como um alguém disposto a despejar sua sede de sangue. Lutando pela vida após ter sido injetada com uma substância paralisante, Iris correrá contra o tempo para sobreviver.

 

Grandes Hits

Na trama, conhecemos Harriet (Lucy Boynton), uma jovem que vive seu presente em constante sofrimento desde que perdeu seu namorado Max (David Corenswet) em um terrível acidente de trânsito anos atrás. Paralisando sua vida por completo, prolongando a dor e o luto, certo dia percebe que consegue viajar ao passado através de algumas músicas que escutou quando estava na presença de Max. Embarcando em uma jornada para tentar mudar o fato mais traumático de sua vida, um dia acaba conhecendo David (Justin H.Min) que a deixará confusa sobre tudo que havia pensando sobre sua maneira de viver.

 

Jogo Perigoso

Na trama, acompanhamos Dodge (Liam Hemsworth) um esforçado marido e futuro pai de família que passa por um terrível momento financeiro já que investiu tudo que tinha em um enorme edifício inacabado no coração de uma grande cidade. Ele mora com a esposa Val (Sarah Gadon) que está grávida do primeiro filho do casal. Um dia, ele conhece Miles (Christoph Waltz), um enigmático articulador, e recebe uma inusitada proposta de ser o protagonista de um jogo ao estilo Caçada Humana onde ele tem 24 horas para fugir de impiedosos jogadores que tem um objetivo apenas: o matar. Se ele participar a cada hora uma gorda recompensa em dinheiro é depositada em sua conta. Sem saber o que fazer e analisando todo o contexto de sua vida ele precisará enfrentar grandes desafios pela sobrevivência.

 

Esquema de Risco: Operação Fortune

Na trama, conhecemos o competente (e cheio de regalias) agente secreto Orson (Jason Statham) que embarca em mais uma missão perigosa pelo mundo designado para tal pelo seu chefe Nathan (Cary Elwes). Ele precisa usar como bode expiatório o astro do cinema Danny (Josh Hartnett) para fisgar a atenção do bilionário Greg (Hugh Grant). Para essa nova batalha, Orson contará com a ajuda de uma nova equipe, formada pelo exímio atirador JJ (Bugzy Malone) e a especialista em tecnologia Sarah (Aubrey Plaza).

 

O Som do Caos

Na trama conhecemos Matthias (Ward Kerremans) um empreendedor digital que parece a todo instante forçar uma rotina em torno de ser um super pai para ganhar likes no seu instagram. O pai dele, um ex-administrador e dono de uma fábrica química, mora em um asilo próximo do lugar que o protagonista volta a morar (e que não visitava desde a infância), dessa vez com a esposa Liv (Sallie Harmsen) e o filho recém-nascido. Aos poucos, algumas informações sobre essa tal fábrica começam a aparecer na frente de Matthias e o mesmo acaba embarcando em uma investigação solo que o leva à uma obsessão profunda. Nesse caminho, acompanhamos um pouco da visão da esposa em relação a tudo isso, em uma luta para trazer de volta à realidade seu companheiro.

A Guerra do Amanhã

Dirigido pelo cineasta Chris McKay e com roteiro assinado por Zach Dean, A Guerra do Amanhã conta a história de Dan (Chris Pratt), um ex-militar do exército dos Estados Unidos que atualmente (no presente do filme) é professor de biologia do ensino médio. Ele vive com sua esposa e filha. Certo dia, durante uma comemoração e também uma importante partida da Copa do Mundo de Futebol, algumas pessoas do futuro chegam à terra atual avisando sobre um futuro apocalíptico e para tentar conter o caos mais pra frente, militares e pessoas comuns serão selecionados, treinadas e enviadas para proteger a Terra. Dan acaba sendo selecionado e embarca numa viagem temporal que trará muitas surpresas.

 

A Queda

Na trama, conhecemos as amigas Becky (Grace Caroline Currey) e Hunter (Virginia Gardner), duas aventureiras que adoram praticar o alpinismo que em uma dessas aventuras acabam presenciando uma fatalidade com o namorado de uma delas. Um ano se passa e a dupla de amigas volta a se reunir, dessa vez para um novo desafio: subir até uma antena de transmissão que fica a mais de 600 metros do chão localizada em um deserto na Califórnia. Algo de inesperado acontece e as amigas precisarão se unirem ainda mais para buscar soluções nas alturas.

 

A Verdade

Na trama, conhecemos mais profundamente Fabienne (Catherine Deneuve), uma excêntrica estrela do cinema francês que resolve de uma hora pra outra lançar um livro de memórias o que acarreta na ida de sua filha Lumir (Juliette Binoche) que mora nos Estados Unidos e trabalha como roteirista ir até a França para visitá-la junto de seu marido, Hank (Ethan Hawke), um ator de séries da televisão norte-americana. Chegando na casa de sua mãe e voltando para a rotina de set de filmagens e difíceis conversas, o tempo passa mas o passado chega forte com assuntos mal resolvidos dentro de uma profunda amargura nos diálogos de ambos os lados.

 

O Projeto Adam

Na trama, no presente, conhecemos Adam, um jovem de cerca de 10 anos, que perdeu o pai recente, tem dificuldades de se relacionar com sua mãe, sofre com punições no colégio em brigas com outros colegas. Certo dia, um homem misterioso à bordo de uma nave enorme pousa na sua casa e ele estranha em ver que essa pessoa conhece onde tudo fica na casa, assim conhecemos o Adam do Futuro, mais precisamente de 2050, um homem que está lutando para exterminar as viagens no tempo teoria criada pelo pai dos Adams tempos atrás. Assim, os dois precisarão de unir para combater a gananciosa ex-sócia do pai deles.

 

Army of the Dead: Invasão em Las Vegas

Na trama, conhecemos Scott (Dave Bautista) um homem amargurado por marcas pesadas de um passado recente onde perdera tudo após a contaminação Zumbi em Las Vegas. Certo dia, ele agora trabalhando fritando hambúrgueres em uma lanchonete com pouco movimento, recebe o convite de um influente homem para resgatar cerca de 200 milhões de dólares que estão escondidos embaixo de um hotel no meio do caos que se tornou o centro de Las Vegas (que está isolado pelo governo norte-americano e prestes a ser detonado). Sem ter nada a perder, Scott topa a missão e recruta conhecidos para se juntarem a ele nessa jornada de muito sangue, surpresas e milhares de zumbis.

 

Os 10 Melhores Filmes de Tim Burton

Após uma sequência de filmes fracos, o diretor Tim Burton, que completa 60 anos, promete reerguer sua carreira com a adaptação live-action de ‘Dumbo’, clássico da Disney.

Para nos prepararmos para o grande retorno do diretor, selecionamos os 10 melhores (que trabalho árduo!) filmes desse mestre.

Tim Burton – finalmente – ganha estrela na Calçada da Fama 

São eles:

10. Batman

Podemos dizer que foi o responsável pelo atual subgênero de super-heróis no cinema. Se aguardamos ansiosamente por Liga da Justiça, pelo novo Homem-Aranha, ou se ficamos discutindo no Fabebook qual será o próximo herói a invadir as telas, devemos ao sucesso deste filme.

Boa direção, clima sombrio fiel ao cavaleiro das trevas, grandes estrelas e um vilão poderoso. E claro, a visão peculiar de um sujeito problemático oferecida por Burton foram motivos do sucesso deste filme.

9. Batman – O Retorno

Na sequência, Burton foi mais ele. Sinal do sucesso e do respeito que esse tipo de filme iria ganhar ao longo dos anos. Os tons sombrios ficaram mais evidentes. Os cenários entre o infantil e o fantasmagórico ganharam mais destaque. E, sem dúvida, Pinguim foi, dentre os dois filmes, o mais burtoniano das personagens.

8. A Lenda do Cavaleiro Sem Cabeça

Tim Burton faz um cinema fantástico, calcado na fantasia, delírio, entre o sonho infantil e o terror gótico. ‘A Lenda…‘ é dos seus trabalhos mais góticos: florestas com árvores retorcidas mais do que em outros filmes, um fantasma movido por um desejo, fotografia gélida.

A figura de Johnny Depp (sem ele!) é o lado mais explícito do humor do filme. Porém, não dá para considerar a imagem do cavaleiro cortando as cabeças algo assustador.

7. Sweeney Todd – O Barbeiro Demoníaco da Rua Fleet

Ao lado de ‘Planeta dos Macacos’, é o trabalho que mais perto chega do ‘terror’. Mas não se enganem, não é um Terror! Tem lá algumas cenas que podem ferir estômagos mais sensíveis (do tipo daqueles que nunca assistiram a uma novela da Globo). O filme capricha na fotografia em tons escuros.

A força de Depp (tem algum filme que ele não fez) e o mistério dão as cartas no filme. O maior destaque fica com as músicas.

6. A Fantástica Fábrica de Chocolates

O Willy Wonka do primeiro filme era uma personagem sem passado e só sabemos que ele vai morrer apenas no final. Sua figura é bem normalzinha. O que o faz estranho é a falta de explicação sobre seus objetivos.

O Sr. Wonka que Burton criou para Depp (de novo!?!?) tem figurino mais extravagante, sua imagem é andrógena e não sabemos seus objetivos. Essas coisas produzem o mesmo efeito que o primeiro Wonka. Porém, ele é humanizado quando descobrimos o seu passado. Alguns devem pensar que com isso Burton explicou demais. Vá lá, isso tira pontos.

Mas, a visão mais mágica dessa Fantástica Fábrica lhe garante um espaço nesta lista e nos nossos corações. Infelizmente, a música original dos oompa-loompas não foi alterada.

5. Planeta dos Macacos

Burton é um sujeito que gosta de fazer releituras. E não me venha falar em refilmagens. Ele não faz remake. Ele dá sua visão sobre outra obra. Foi assim com a ‘A Fantástica…‘ ou com ‘Alice

De todas as tentativas, a mais bem sucedida foi ‘Planeta dos Macacos‘. É o trabalho mais sombrio de Burton, onde construiu o terror de viver em uma terra de pólos invertidos. Mas, cadê o Depp???

4. Os Fantasmas Se Divertem

O primeiro trabalho de sucesso de Burton é um resumo do humor, dos delírios e da estética que seguiria. É também o mais engraçado desta lista – e de toda sua obra. O filme guarda um frescor de quem esta começando e não possui as amarras do próprio nome. Piadas ágeis, a maquiagem de Michael Keaton e a música da parte final são pontos altos.

3. Peixe Grande e Suas Histórias Maravilhosas

Não sei se vocês vão concordar, mas aqui começam os três trabalhos mais perfeitos de Burton. Obras que unem humor, drama, grandes personagens, equilíbrio no visual. Em ‘Peixe Grande…‘, William busca reconstruir a história de seu pai Edward Bloom. Como não sabe quase nada, completa os espaços vazios com as histórias maravilhosas do título. A ambiguidade entre realidade e fantasia alcançam a química perfeita.

No visual, o filme é fantástico sem extravagâncias. Em poucos filmes Burton conseguiu tanto sendo tão comportado, além de ser onde melhor tratou da relação pai e filho.

2. Edward Mãos de Tesoura

Se em ‘Peixe Grande…Burton teve a melhor síntese de seu talento, a maior personagem que ele criou foi Edward (Pelos céus, tirem do Depp desta matéria!). Neste que é dos mais populares trabalhos, encontramos uma figura atormentada simbolizando e causando medo, depois gerando encantamento.

No fim, a figura volta a causar medo entre os moradores da cidade colorida. Entre o público, ficamos tristes. Poética a explicação sobre a neve no final da fita, aumentando a mitologia entorno do homem com mãos de tesoura.

1. A Noiva-Cadáver

Uma verdade sobre as listas: elas não são mais do que o gosto de um sujeitinho atrás do computador! O critério de desempate foi: é o mais emocionante (ou o que mais me emocionei). Esta animação em stop-motion tornou-se clássico repete a fórmula do sujeito que não se adapta à sociedade.

O casal principal é formado por uma noiva-cadáver e um sujeitinho estranho (preciso falar quem fez a voz???) é ícone da obra do diretor. O filme tem visual delirante e o recurso às massinhas dá o toque diferencial: Burton alcança emoções profundas em uma animação!

10 ótimos filmes com James Bond disponíveis na Prime Video!

Ian Fleming lançou em 1953 uma obra chamada Cassino Royale que traria ao mundo um dos mais queridos personagens de todos os tempos, não só da literatura mas logo depois também do cinema. Quem nunca ouviu falar de James Bond? O agente secreto mais famoso do planeta rendeu livros maravilhosos e filmes eletrizantes com vários artistas interpretando o personagem ao longo de todos esses anos.

Pensando no 007 e pra você que adora histórias de espionagem e ação, separamos abaixo uma lista bem legal: 10 ótimos filmes com James Bond disponíveis na Prime Video!

 

007- Operação Skyfall

Na trama, acompanhamos logo no início uma missão que não dá certo e onde ‘M’ precisa tomar uma decisão que influencia sua lealdade perante à Bond. Mas quando um passado escondido da chefe da agência vem à tona, o agente 007 precisa se entender com ‘M’ e combater um vilão excêntrico, especialista em computação.

 

007 – Contra Goldfinger

Um dos mais conhecidos filmes protagonizado pela famoso personagem criado por Ian Fleming, 007 – Contra Goldfinger nos mostra 007 em uma missão para proteger a economia norte-americana quando um criminoso impiedoso quer roubar a reserva de ouro do país mais poderoso do mundo.

 

007 – Cassino Royale

Na primeira aparição de Daniel Craig como James Bond, 007 – Cassino Royale é até hoje considerado uma das melhores filmes da franquia. Na trama acompanhamos o agente secreto britânico em sua primeira missão contra um poderoso criminoso que financia organizações terroristas pelo planeta.

 

007 – Sem Tempo para Morrer

Na trama, novamente nos encontramos com James Bond (Daniel Craig), um homem que mesmo querendo descansar, ou até mesmo se aposentar, não consegue, pois sempre tem algum fanático, louco, terrorista querendo destruir o mundo e assim o agente secreto é chamado de volta para a ação. Em 007 – Sem Tempo para Morrer Bond precisa lidar com mais uma revelação surpreendente, fruto de seu relacionamento com a psicóloga Madeleine (Léa Seydoux). Em meio a todas as emoções que encontra pelo caminho, um rival complexo de lidar, Lyutsifer Safin (Rami Malek) quer destruir o mundo com um novo vírus seletivo e mortal.

 

007 – Contra o Satânico Dr. No

Lançado no início da década de 1960 e tendo como intérprete do famoso protagonista o lendário Sean Connery, nessa aventura do agente secreto mais famoso do planeta acompanhamos James Bond enfrentando um cientista que deseja destruir o programa espacial norte-americano.

 

007 contra GoldenEye

Nesse filme que marcou a carreira de Pierce Brosnan em sua primeira aparição como James Bond, acompanhamos o agente 007 em uma aventura eletrizante contra criminosos poderosos na busca por um artefato tecnológico que tem o poder de controlar qualquer sistema eletrônico.

 

Moscou contra 007

Um dos primeiros filmes tendo James Bond como protagonista, tendo Sean Connery no papel, Moscou contra 007 nos mostra o herói enfrentando uma tentativa de vingança de uma temida organização criminosa.

 

007 – Permissão para Matar

Segunda aparição do ator Timothy Dalton nos cinemas como James Bond, 007 – Permissão para Matar, lançado no final da década de 1980, nos mostra o protagonista em uma jornada de vingança após a esposa de um grande amigo ser morta.

 

007 – O Espião Que Me Amava

Lançado em 1977, marcando a terceira parição de Roger Moore como o famoso agente secreto, em 007 – O Espião Que Me Amava acompanhamos uma aventura de James Bond que tenta impedir um homem muito rico de causar um conflito nuclear de proporções catastróficas.

 

007 contra o Homem com a Pistola de Ouro

Dirigido por Guy Hamilton, perto do natal de 1974 chegava mais um filme da franquia 007 aos cinemas. Em 007 contra o Homem com a Pistola de Ouro, Bond precisará recuperar um mecanismo que pode se tornar uma arma impiedosa. Para isso precisa enfrentar um assassino meticuloso que usa balas de ouro.

 

 

 

 

 

 

Bates Motel – Temp. 01 – Eps. 05 e 06

Pra cima e além!

Bates Motel fica melhor a cada ep. Quando lerem este texto, a série já estará no ep. 07 no Canal Universal. Mas, vamos manter nosso ritmo de dois eps. por crítica.

Começamos com Norma (Vera Farmiga) na cadeia. A prova foram os fiapos do carpete do Motel encontrados na mão de Keith Summers. Os irmãos Bates dividem-se. Dylan (Max Thieriot) tenta conseguir dinheiro para alugar uma casa e afastar o irmão do raio de influência materna. Norman (Freiddie Highmore) faz de tudo para conseguir retirar a mãe da cadeia.

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Fato que Norman tira Norma da cadeia. Mas, resta a denúncia. Cheguei a pensar que isso ira se arrastar durante a temporada. Que nada! No mesmo ep., Zack Shelby (Mike Vogel) dá uma prova de amor sumindo com as provas. Vera Farmiga transmite toda a ambiguidade de Norma com a notícia do fim da acusação. Ela estaria realmente apaixonada, ou tudo era um jogo? O gesto de Shelby seria uma prova de amor? O que Norman irá pensar?

Aliás, esses dois! Ela sai da prisão e, ao invés de abrir os braços para o filho, reclama porque ele estava com uma garota no dia da prisão. Uau! Norman tenta reverter a situação. E nada! Definitivamente a série alcança os píncaros com a dupla. Há uma interdependência. Norma necessita do filho, e Norman deseja, mas não tem forças para cortar o cordão.

Pobre do Dylan. Ele pode gastar toda lábia, mas aposto que não conseguirá afastar Norman da mãe. Ao menos não com argumentos racionais. A relação de Norman e Norma é de dependência. Um precisa do outro como uma droga. E, para acabar com um vício é preciso ser radical. Será que Dylan conseguirá? Talvez, ao menos depois do ep. 06. Mas, calma!

Ponto importante do ep. 05 é a descoberta da escrava sexual chinesa (que fala um inglês bem do seu razoável!). De uma vez descobrimos que Shelby realmente é terrível e que Norman não estava enganado (nesse ponto!).

E quero bater palmas para o desfecho do final do ep. 05. Primeiro, a calma. Norma recebendo a notícia de que a acusação foi retirada. Sente um profundo alívio e pensa que nada seria viável sem Shelby. Barulho. Novamente tensão. Procura e chega ao quarto do Motel, onde vê Norman, Emma e a escrava oriental. Norman acusa Shleby. Norma nega e vai buscar uma foto do policial. A confirmação da chinesa destrói Norma. Suas feições mudam mais uma vez. Até seus ombros caem com o peso da notícia.

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O ep. 06 já figura como um dos mais espetaculares da série. Foi tão intenso que parecia um season finale. Foram tantos desfechos e revelações que me perguntava se os roteiristas ainda teriam bala na agulha. Aposto que sim!

Com esse ep., podemos imaginar um padrão interessante para a série. O comum em séries é cada temporada ter alguns grandes temas que começam e se resolve. Em paralelo, o tema central vai se construindo até o final da série. Em Bates Motel, ao que parece, veremos outro padrão. Haverá alguns grandes temas nos primeiros eps. que serão concluídos até o meio da temporada. Eles deixarão, contudo, uma radiação para os eps. seguintes, nos quais veremos outras novidades. Isto dará muita dinâmica para a narrativa.

Quem não quiser saber das revelações do ep. 06, pare aqui!

A narrativa foi condensada. Nos primeiros momentos, chama a atenção Dylan. Depois de ver o companheiro de crime – o capanga Ethan – ser baleado e morto ele sobre na hierarquia do crime de White Pine Bay (isso ainda vai dar muito enredo). No Motel, Norma tenta convencer Emma de ainda não denunciar Shelby. Ela quer ganhar tempo para recuperar o cinto de Keith, a única prova restante. Segue-se um das cenas mais gostosas da série, a família Bates planejando como recuperá-lo!

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Dylan e Norman encontram o cinto no barco de Keith. Enquanto isso, Norma está transnado com Shelby. CALMA! Ela está tentando despistá-lo. É divertidíssimo ver a cara de tédio e nojo dela. Mas, como se diz, shit happens, merdas acontecem!

A escrava sexual chinesa, que provavelmente é bilíngue por falar inglês e escrever mandarim, também se provou muito idiota. Ela decide tomar banho. Claro que Shleby escuta. Norma inventa uma lorota qualquer. Mas, como falei, a escrava sexual chinesa, que provavelmente é bilíngue por falar inglês e escrever mandarim, também se provou muito idiota. Shelby bate na porta e ela abre, na maior tranquilidade, como se estivesse esperando o serviço de quarto. O grito dela completa o quadro. Instante rapidamente cômico.

Desse ponto em diante, basta dizer duas coisas: Dylan mata Shelby. E Norma revela para Dylan que da última vez que Norman entrou em estado de choque, ele matou o pai! CARACOLES! Jurava que a história da morte do patriarca dos Bates iria demorar algumas temporadas. O mistério foi substituído por novas camadas à personalidade do protagonista.

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E os laços e Norma e Norman ficam mais insondáveis. Por que ele entra em estado de transe quando a mãe está ameaçada? É culpa da dependência que Norma sente por ele? Ou essa dependência veio por causa dos atos de Norman? Norman já nasceu um psicopata ou se tornou?

Com essa revelação, os roteiristas sublinham a grande pergunta da série: quem é Norman Bates? Ou melhor, o que é Norman Bates?!

10 Dicas de Filmes sobre inacreditáveis VINGANÇAS!!

Olho por olho, dente por dente. Um dos sentimentos mais conflituosos que a humanidade já viu é a vingança. Debruçando-se sobre a moral a todo instante, quem é consumido por essa emoção muitas vezes encara a inconsequência como uma saída para se livrar das sensações de angústia. No mundo do cinema, já vimos muitas histórias que exploram essa questão. Para deixar algumas delas para reflexões, segue uma poderosa lista abaixo:

 

Confissões

Vou te contar agora sobre um filme muito, muito tenso que está disponível na MAX. Uma família rica. Um sequestro. Uma noite de revelações surpreendentes. Remake de um filme espanhol lançado em 2017, o longa-metragem mexicano Confissões é tenso, aterrorizante, que através de declarações inesperadas expõe na tela as dores, a vingança e o absurdo de ações feitas no passado. Dirigido por Carlos Carreira, esse é um filme que vai te surpreender principalmente pelo seu final impactante.

 

Éramos Crianças

Toda ação gera reação. Girando em torno de um dos sentimentos sem volta que desestabiliza o comportamento humano, a vingança, o longa-metragem Éramos Crianças e sua narrativa que navega em um ping pong na linha temporal busca prolongar um suspense que envolve um forte trauma na infância acoplados em questões familiares. Dirigido por Marco Martani, o projeto é um dos selecionados para a ótima seleção do Festival de Cinema Italiano 2024.

 

Death Sentence

Quando o caos é tudo que existe. Dirigido pelo excelente cineasta James Wan, conhecido pelos filmes de terror do seu currículo, em 2008 chegou aos cinemas um filme de ação brutal com alta doses dramáticas que coloca em evidência uma imersão às consequências de uma vingança. Protagonizado por Kevin Bacon, Death Sentence é sobre o estopim de uma guerra, a destruição de uma família, e as tentativas em vão do equilíbrio de uma equação que não deveria existir.

 

Alma de Caçador

Na trama, conhecemos Zuko (Bonko Khoza), um homem que encontrou a felicidade ao lado de sua família após anos de intensa ação e sofrimento. Filho de pais adotivos, teve os pais seriamente feridos em uma blitz da polícia de segurança do Apartheid. Quando o passado bate à sua porta, ele, que pertence a um grupo que tem como objetivo atual expor os absurdos cometido por Mtima (Sisanda Henna), um forte candidato para as próximas eleições na África do Sul, munido de sua adaga precisará reunir todas suas habilidades, contatos, em busca de completar mais uma missão.

 

O Vingador

A justiça selvagem numa estrada de inconsequências. Dois anos depois de estrelar nos cinemas o primeiro filme da vitoriosa franquia Velozes e Furiosos, o ator californiano Vin Diesel chegaria aos cinemas com um filme pulsante que explora a dor da perda, a cegueira da vingança e o nebuloso universo do narcotráfico mundial, tudo isso preenchido por uma narrativa dinâmica repleta de cenas de ação.

 

Um Homem Implacável

Na trama, conhecemos Soo-hyeok (Jung Woo-sung) um homem com um passado tomado pela violência que após passar uma década preso volta à liberdade e logo descobre que é pai de uma menina, fruto de seu relacionamento com uma ex-namorada. Querendo largar a vida de criminoso e se dedicar a ser um bom pai, acaba sendo alvo da fúria de um invejoso ex-colega de gangue e então parte para um acerto final.

 

Gladiador

Um pouco mais de duas décadas atrás chegava aos cinemas pelas mãos do sempre competente Ridley Scott um filme que marcaria gerações de amantes da sétima arte nos trazendo o contexto de sangue e dor de um general romano que traça uma jornada cheia de obstáculos motivado por um espírito de vingança em meio ao caos da ambição na figura de um rei assassino e não declarado. Com uma visão bastante próxima de uma Roma Antiga, todo o circo do entretenimento da época associada à uma luta de vida e morte numa enorme arena, as intrigas políticas, alguns personagens que realmente existiram mas com novas interpretações, Gladiador venceu cinco Oscars e até hoje é lembrado como um dos mais grandiosos e elogiados blockbusters.

 

Sleepers – A Vingança Adormecida

Na trama, após serem condenados ao reformatório por uma ação que deu errado, quatro jovens sofrem bastante nesse período nas mãos dos funcionários do lugar. Anos se passam, eles se reencontram e tem a chance de se vingar.

 

Oldboy

Vencedor da Palma de Ouro no Festival de Cannes em 2004, o filme conta a trajetória de Oh Dae-su (Choi Min-sik, em atuação impressionante), um homem que após ser detido totalmente embriagado, é sequestrado e mantido assim por 15 longos anos. Quando enfim é libertado, aparentemente sem saber o motivo, tem alguns dias para ir atrás da verdade de seu encarceramento, embarcando assim em uma jornada de chocantes descobertas.

 

Vingança Redentora

Na trama, conhecemos Richard (Paddy Considine) um homem que teve que servir ao exército britânico e assim deixou para trás sua família. Quem mais sentiu sua falta foi seu irmão Anthony (Toby Kebbell), um jovem autista que acabou em seguida se envolvendo com uma inconsequente gangue de outros rapazes que moravam na região. Uma trauma acontece e quando Richard volta para casa resolve se vingar de tudo e todos.

37ª Mostra de Cinema de São Paulo: Confissão de Assassinato

UMA PERGUNTA SOBRE O CINEMA SUL-COREANO

 

Alguns dos filmes mais instigantes da atualidade vêm da Ásia. Japão, China, Hong Kong, Cingapura, Coréia do Sul. Ah, os sul-coreanos… Eles estão conseguindo conciliar blockbuster com filmes mais artísticos mantendo uma média de alta qualidade. Confissão de Assassinato, de 2012, primeiro longa ficcional de Jung Byung-Gil me provocou uma questão sobre o cinema sul-coreano.

No filme, Lee Du-seok publica um livro no qual descreve uma séria de assassinatos ocorridos tempos atrás e se assume como autor dos crimes. Choi, detetive responsável pelo caso, assiste tudo impotente, pois os crimes já prescreveram. O filme se estrutura em dois eixos: a relação entre Choi e Lee e os familiares das vítimas, que desejam matá-lo. Falar mais sobre o enredo pode estragar algumas surpresas. Melhor falar do estilo!

O filme tem edição ágil (no começa tem até câmera na mão, algo não muito recorrente no cinema sul-coreano). As sequências de ação são delirantes, a direção busca enquadramentos inusitados. Há um misto de drama e humor negro. O roteiro é rocambolesco, delirante, fazendo a gente se perguntar se realmente é um bom roteiro.

De maneira geral, Confissão de Assassinato é um filme bom que sintetiza muitas características do cinema sul-coreano. Para quem duvida, faça a dobradinha e assista OLDBOY, um dos melhores filmes da primeira década do século. Contudo, o filme de Byung-Gil não tem a mesma potência, por vezes parece genérico. E aqui surge a pergunta: as semelhanças com outras obras indicam que o cinema sul-coreano está consolidando suas características fundamentais (e poderemos futuramente falar em uma escola) ou seriam clichês se formando?

10 filmes que geram MEDOS, angústias e aflições!

Caminhando pelas infinidades criativas muitas vezes de um suspense psicológico, alguns filmes conseguem gerar enormes angústias através dos dramas de complexos personagens. Pensando em algumas obras que provoca medos, angústias e aflições, separamos abaixo 10 títulos para vocês apreciarem:

 

Jaula

Após dois curtas-metragens como diretor, o cineasta Ignacio Tatay debuta na direção de um longa-metragem em um suspense repleto de variáveis ligados à conflitos emocionais após um casal adotar temporariamente uma jovem que encontram de noite, perdida, no meio da estrada. Algo ligado ao sobrenatural? Um suspense psicológico ou até mesmo uma história que vai nos surpreendendo aos poucos? Nessa gangorra de achismos caminhamos até o ponto onde há uma surpreendente troca de perspectiva onde aprofunda-se um olhar sob determinado ponto de vista em relação ao que vemos, esse detalhe do roteiro acaba sendo a grande sacada dessa produção espanhola chamada Jaula.

 

Mia

Na trama conhecemos Sergio (Edoardo Leo) um bondoso motorista de ambulância que vive com sua esposa Valeria (Milena Mancini) e a filha de 15 anos, Mia (Greta Gasbarri). Exigente e muitas vezes controlador, Sergio está sempre atualizado sobre a vida da filha. Um dia Mia conhece um jovem com quem passa a ter um relacionamento que logo se mostra tóxico. A partir desse ponto, a família passará por uma enorme tempestade que deixam em iminência uma tragédia.

 

A Linha

Um longo caminho para o perdão. Com um slow motion tenso como abre alas, algo que fortifica um importante detalhe do momento de alto clímax ao longo da narrativa, o longa-metragem francês A Linha, indicado ao Urso de Ouro em Berlim em 2022, busca uma profunda análise dentro do que acontece entre quatro paredes de uma família disfuncional onde o antes, o agora e o depois parecem interligados por um reflexo de relações conturbadas. Dirigido pelo cineasta francesa Ursula Meier, o filme, todo rodado todo em Port-Valais, na Suíça, dilacera aos olhos do público a angústia da culpa e do arrependimento por meio de vários personagens em uma narrativa detalhista.

 

A Sociedade da Neve

Comer para viver. Outubro de 1972. Um lugar inóspito. 45 pessoas sofrendo as consequências de uma tragédia podendo contar apenas uns com os outros. Chegou nesse início de janeiro no catálogo da Netflix mais uma obra que busca seu recorte sobre uma dolorosa história já vista em dois longas-metragens de ficção e outros dois documentários, a mais famosa tragédia com um avião na Cordilheira dos Andes. Adaptação de um livro homônimo escrito por Pablo Vierci e dirigido pelo ótimo cineasta espanhol J.A. Bayona, A Sociedade da Neve é uma angustiante jornada onde relações humanas são colocadas em xeque, uma nova sociedade surgindo a partir dos fatos impostos por uma situação desumana onde os métodos de sobrevivência variam em sua forma de pensar.

 

Custódia

A angústia de uma separação. Ainda em cartaz em alguns cinemas brasileiros, o longa-metragem francês Custódia aborda todo um processo de separação, desde o viés jurídico, com um plano em sequência extremamente bem feito logo em seu abre alas, até as consequências dramáticas da decisão. É um filme forte, repleto de tensão, onde aos poucos vamos conhecendo as facetas dos personagens. Destaque para os excelentes Léa Drucker e Denis Ménochet que dão um grande show em cena.

 

Manas

Um dos grandes filmes brasileiros dos últimos anos, um projeto dilacerante, angustiante e que mostra verdades duras. Selecionado para a Mostra de Cinema de Gostoso 2024, depois de passar por outros festivais com grande sucesso, Manas apresenta o recorte de uma família pela visão de uma jovem adolescente que sofre com muitos tipos de violência em seu cotidiano. Dirigido por Marianna Brennand, o projeto dilacera de forma contundente os muitos tipos de abusos dentro e fora de casa.

 

Vulcão

Na trama, conhecemos Hannes (Theodór Júlíusson) um rabugento fumante de idade avançada que leva a vida de maneira triste e sem novos grandes objetivos. Faz questão de ser a pessoa mais inconveniente dos lugares onde passa, sendo assim, visto por todos como um infeliz que não gosta de ninguém. Certo dia, após retornar de uma falha tentativa de suicídio, uma certa conversa que escuta desperta nele um sentimento de mudanças.

 

Marcados para Morrer

Na trama somos jogados em uma espécie de reality show, fruto de um trabalho de pesquisa do oficial Brian Taylor que resolve filmar o dia-a-dia de uma unidade de combate ao crime, assim a história se desenrola ao extremo depois que dois jovens oficiais estão marcados para morrer quando confiscam uma pequena quantia de dinheiro e armas de fogo poderosas pertencentes à membros de um cartel perigoso que domina a região a anos. Entrando em conflito com federais, criminosos locais, conflitos familiares eles precisarão encontrar forças para sobreviver.

 

Uma Família Feliz

Na trama, conhecemos Eva (Grazi Massafera), uma artesã de bonecos de bebês à espera do terceiro filho, o primeiro menino, que vive seus dias felizes ao lado do marido, o advogado Vicente (Reynaldo Gianecchini), e das duas filhas gêmeas em um condomínio de alto padrão numa grande cidade brasileira. Certo dia, já após o nascimento do novo filho, e em meio a uma depressão pós-parto evidente, suas filhas aparecem machucadas e Eva acaba sendo acusada de ter cometido tal ato. Assim, sua vida muda completamente, desencadeando uma série de conflitos que rebatem em acontecimentos estranhos e duvidosos.

 

A Assistente

Na trama, conhecemos Jane (Julia Garner), uma jovem que conseguiu faz poucos meses um trabalho como assistente de um dos mandas-chuvas de uma grande empresa ligada ao audiovisual. Pelo andamento que acompanhamos parece que ela sempre teve esse sonho de trabalhar nessa área. Porém, com o passar dos dias, os egoísmos de outros funcionários e um assédio moral e sexual observado por ela a deixam em estado assustada principalmente quando resolve buscar ajuda e é surpreendida com o tratamento que recebe.

37ª Mostra de Cinema de São Paulo: Lições de Harmonia

LIÇÕES DE UMA TERRA DISTANTE

O franzino Aslan (Timur Aidarbekov) segura uma ovelha e amarra as patas dela. Sua avó lhe traz um punhal, que usa para matar o animal. Em seguida, retira tudo que é útil: a pele, as vísceras, as costelas. Este é umas das sequências iniciais de Lições de Harmonia, filme do Cazaquistão vencedor do Prêmio do Júri – Competição Novos Diretores na categoria melhor filme ficção da 37ª Mostra de São Paulo. Nem todos os seus primeiros minutos são tão indigestos. Seu começo é bastante irregular, sem deixar claro a que veio. Mas, assim como na cena do cordeiro, depois da calmaria, Lições de Harmonia começa a expor suas vísceras.

Apesar de vindo de um lugar, para nós, exótico, típico filme que só assistimos em Mostras, seu enredo é atualíssimo. O bullying que Aslan sofre em sua escola. É um realidade tão próximo da gente, que alguns poderiam até pensar que se trata de uma obra feita sob encomenda para o mercado internacional. Prefiro imaginar que tanto quanto os bons corações, a maldade é artigo comum entre crianças e adolescentes.

Bolat (Aslan Anarbayev), líder da gangue da escola, decide que ninguém deve fala com Aslan. Mirsain (Mukhtar Andrassov), aluno recém-chegado da cidade, ignora o aviso e torna-se amigo de Aslan. Daí em diante, o filme desenha a relação conturbada entre os alunos dessa escola.

Aslan é um garoto muito inteligente e tímido. Ele represa ressentimentos. Paulatinamente, observamos seu lado sádico, como a tortura que impinge a uma barata. Se seus ressentimentos geraram isso ou se lhe é algo natural, o diretor Emir Baigazin dispensa explicações.

Talvez pelo burburinho ao redor do filme, ou porque já o assisti na repescagem, não senti tanto o seu impacto. Quem sabe se tivesse visto antes, ou se revê-lo no futuro, o filme tivesse uma nota melhor. Mas, hoje, aprece não mais do que um bom filme vindo de uma terra distante.

Nota: A Repescagem da 37ª Mostra de Cinema de São Paulo encerrou no último dia 07/11.

Crítica | ‘Jurado Nº 2’ – Se esse for o último trabalho de Eastwood, fecha com CHAVE DE OURO uma carreira grandiosa

Se tem uma pessoa que pode ser chamada de lenda da sétima arte com certeza é Clint Eastwood. Aos 94 anos ele lança seu mais recente trabalho, Jurado Nº 2 um thriller jurídico que abraça as linhas tênues entre a justiça e a moral nos jogando de forma instigante para um vai e vem de dilemas. Cheio de rostos conhecidos, e com roteiro assinado por Jonathan A. Abrams, a trama empurra o expectador para reflexões sobre os valores e o comportamento humano, além de abraçar os detalhes chegando até mesmo em críticas sociais importantes.

Com um forte trauma recente em seu passado e com problemas superados com bebida, o jovem Justin (Nicolau Hoult) está prestes a ser pai pela primeira vez e vive seus dias na expectativa ao lado da esposa Allison (Zoey Deutch). A calmaria muda quando ele é selecionado para o júri de um julgamento midiático e aos poucos percebe que está mais envolvido no caso do que imaginava.

Com referências cinéfilas bem notórias, como 12 Homens e uma Sentença e outros filmes onde o tribunal é um elemento importante, quase um personagem, Jurado Nº 2 caminha para ter sua própria marca e uma de suas forças consiste nos ótimos diálogos que ampliam um contexto de acasos que se encontram. Do ponto de vista do protagonista vamos caminhando para as angústias e dúvidas que logo ganham associações com o caso em julgamento. Em cena, um desfile de ótimos artistas dão luz a um imprevisível tabuleiro de xadrez, onde a próxima peça mexida pode ser vital.

Mais uma vez, Clint dirige um filme onde o centro dos holofotes é o ser humano e suas fraquezas. Não há muito espaço para juridiquês, opção acertada da produção. Nessa linha que logo sentimos muito próxima da realidade, a narrativa atinge seu objetivo, prende a atenção, ficamos atentos para as reviravoltas ou não de um dilema – o desfecho é a maior prova disso. O público possivelmente se colocará a todo instante na pele do personagem em total desconstrução sobre valores e verdades sobre a palavra justiça.

O projeto também tem suas curiosidades por trás das câmeras. Como o reencontro de Toni Collette e Nicholas Hoult em cena depois de duas décadas (no ótimo Um Grande Garoto) e Kiefer Sutherland que conseguiu seu pequeno – mas expressivo – papel na história após enviar uma carta ao lendário diretor.

Jurado Nº 2 entrou direto nos streamings aqui no Brasil, na Max. Se esse for o último trabalho de Eastwood, fecha com chave de ouro uma carreira grandiosa também atrás das câmeras.

Ninfomaníaca – Volumes 1 e 2

NÃO É POSSÍVEL LER OS VOLUMES ISOLADAMENTE

Hesitei em escrever sobre Ninfomaníaca – Vol.1 (Nymphomaniac – Vol. 1). É complicado falar de um filme, realmente, divido em duas partes, como Kill Bill. Temos o começo e metade do meio, o que pode gerar interpretações erradas ou até estúpidas, diferente de filmes como as da série Harry Potter, no qual cada filme tem começo, meio e fim. Entretanto, Ninfomaníaca – Vol.2 (Nymphomaniac – Vol. 2) releva outra impossibilidade de ler o Vol. 1 desligado de sua continuação: o segundo desmente o primeiro. Isto só reforça a tese de muitos críticos, de que a separação dos filmes seria obra do próprio Lars Von Trier, diretor, roteirista e marqueteiro do filme.

Aspecto do Vol. 1 mais discutido do que as cenas de sexo foram as digressões de Seligman (Stellan Skarsgård). Puro exibicionismo de Von Trier ou uma maneira de revelar dimensões escondidas da sexualidade? Os fãs gozaram e os detratores viram redundâncias. Acontece que o Vol. 2 apresenta elementos e uma estrutura que desmonta o primeiro filme. Isto apenas confirma as intenções do diretor de realizar a obra em duas partes – aposto que, se fossem exibidas juntas, Von Trier manteria a organização dos capítulos em volumes.

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Ao revelar que é um homem assexuado, Seligman diz que seu prazer está nos livros, no conhecimento, logo, na razão. Joe (Charlotte Gainsbourg) é puro desejo. Razão e emoção; id e superego; repressão e desejo. A dinâmica dos dois filmes se encontra na personalidade das personagens. O Vol.1 é dominado pelo signo de Seligman; o Vol. 2 é dominado pelo signo de Joe.

No lançamento do primeiro filme, cogitei que o excesso de metáforas (algumas curiosas, outras bastantes rasteiras) seria uma forma da estrutura do filme traduzir o lado enfadonho do vício sexual. A quantidade menor de metáforas no Vol. 2, a crítica que Joe faz a uma digressão de Seligman e o final do filme demonstram outra coisa: as comparações de Seligman eram uma tentativa de racionalizar/domar o desejo.

O Vol. 2 tem poucas metáforas e, a maioria, ligada à mitologia católica. Somado ao diálogo entre os dois sobre o politicamente correto, percebe-se muito das intenções de Von Trier. Seligman enxerga o politicamente correto uma forma de respeito às minorias. Joe o vê como uma nova hipocrisia, uma substituição de palavras como fuga dos problemas.

Bingo! Ninfomaníaca é embate entre os desejos do indivíduo e os mecanismos sociais que os limitam. No Vol. 1, as metáforas tentam limitar o desejo. O Vol. 2 debate as consequências desse confronto. O desfecho do filme é essencial para esse entendimento (caso não queira spoiler, pare aqui).

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Após escutar toda a história de Joe, Seligman constata que se os fatos tivessem ocorridos com um homem, a sociedade não ficaria tão chocada, e resume a angústia e os problemas enfrentados por Joe como frutos do machismo. Ele lembra uma fala de Joe, que dizia exigir do sol mais do que ele poderia dar – ou seja, exigia mais do que a sociedade machista permitiria. Somado aos símbolos católicos desconstruídos no filme, conclui-se que a sexualidade feminina ainda é reprimida pela moral machista cristã-ocidental. Não há dúvidas de que Von Trier condena essa moral. Contudo, isso é a superfície da crítica.

Depois desse “diagnóstico”, Joe entende sua condição e alcança uma legítima serenidade, decidindo que irá domar o seu desejo e enxergando Seligman como um verdadeiro amigo – um dos poucos momentos no qual percebemos Joe, verdadeiramente, serena.

No final, Seligman tenta transar com Joe. Ela nega. Com a tela escura, ele diz não entender a negativa, afinal, ela transou com tantos… Joe mata Seligman e vai embora. Fim. Essas contradições confirmam que estamos diante de um filme que trata sobre o desejo individual versus as limitações sociais.

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Seligman diz ser virgem e assexuado, alguém que passou a vida usando a razão para sufocar seus desejos, agora liberados pela narrativa de Joe. Ele simboliza os mecanismos sociais que limitam os quereres do indivíduo – não só os sexuais e nem só a sexualidade feminina: a moralidade, a religião (de qualquer ordem), o machismo, a família, a psicologia/psiquiatria, as ciências, especialmente as sociais e seus teóricos. Também o politicamente correto, o feminismo e sua busca por moldar um tipo de mulher, os movimentos GLBT que, na busca por direitos legítimos, impõem uma pauta comportamental aos homossexuais, as teorias que tentam moldar e remoldar a sexualidade humana (da heteronormatividade-machista às teorias de gêneros que buscam abolir o binômio masculino-feminino). Seligman representa todas essas forças, que, em ultimo grau, buscam limitar os desejos humanos. Quando ele cede, os limites dessas convenções são expostos.

Com o tiro final, Von Trier exibe seu ceticismo com as convenções sociais. Contudo, o diretor é ainda mais amargo. O que resta se retiradas todas as amarras? Joe é o desejo em estado bruto. Buscá-lo a domina. Ela destrói vidas, fere pessoas, desce ao inferno. O filme inteiro expõe os efeitos nocivos dessa busca sem limites. Quem preferir pode debitar tudo na conta do machismo cristão-ocidental. Mas, uma situação como o do capítulo de Mrs. H (Uma Thurman) seria menos triste se Joe fosse homem? Quando um pai abandona mulher e filhos, estes não sofrem? Para não restarem dúvidas, Seligman morre depois de ceder aos seus impulsos. Não se trata apenas da morte das convenções sociais, mas de expor os efeitos nocivos do desejo sem limites.

O velho moralismo machista cristão-ocidental é condenado por Von Trier. Mas, ele vai além. Condena os novos moralismos (politicamente corretos), e qualquer convenção social, para, amargamente, perceber que o que restaria seria um desejo destrutivo. Entre a busca cega pelo gozo e as velhas e novas morais autoritárias e castradoras, o que fica? Pelos momentos felizes de Joe com seu pai (Christian Slater) e pelo sorriso dela ao ver Seligman como um amigo, o afeto verdadeiro é apontado como única tábua de salvação.

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Ninfomaníaca é um filme sobre nossa época, divida entre um narcisismo cheio de vontades e um conjunto de velhos e novos moralismos castradores. Mas não é o melhor filme da trilogia da depressão, cujo Anticristo lhe é superior (aliás, valeria uma interpretação conjunta dos três filmes). Ninfomaníaca tem suas irregularidade e falhas. Shia LaBeouf interpreta Jerome na fase jovem de Joe, com Stacy Martin, e na fase madura, já com Charlotte; na parte final, contudo, o ator Michael Pas assume Jerome, causando estranheza. Este é um exemplo das dificuldades do Vol. 2 em demarcar a passagem do tempo. Contudo, seus problemas não ofuscam o tema central, o embate entre sociedade e desejo.

Gostou da série ‘Senna’? Temos 10 Dicas de Séries sobre esportistas conhecidos…

O mundo dos esportes tem suas facetas, o lado profissional e o lado por trás das câmeras. Muito documentários estão investindo em mostrar outras variáveis do sucesso de esportistas que tiveram êxito na sua profissão. Pensando nisso, resolvemos criar uma lista que envolve esse assunto:

 

Lakers: Hora de Vencer (MAX)

Buscando resgatar as histórias do início da era vitoriosa de um dos times de basquete mais famosos do mundo, os Los Angeles Lakers, Lakers: Hora de Vencer consegue de forma muito dinâmica nos ambientar em uma época ainda de início da famosa NBA e como essa liga se tornou uma das maiores ligas de esportes norte-americanos de todos os tempos. A fama, as dúvidas, os conflitos, as escolhas, são muitas variáveis que se encontram nesse ótimo seriado disponível na MAX. Vale também o destaque para a atuação impactante do grande ator John C. Reilly.

 

A Dinastia: New England Patriots (Apple Tv Plus)

O período mais vitorioso de uma equipe de futebol americano, a dinastia do New England Patriots comandado por Tom Brady dentro de campo e Bill Belichick fora dele é passado detalhe a detalhe, repleto de polêmicas, do auge até a queda, tendo depoimentos de muitos de seus protagonistas.

 

Arremesso Final (Netflix)

Você até pode não gostar de basquete mas tenho certeza que você já ouviu falar de Michael Jordan! Arremesso Final conta a história da espetacular trajetória de um dos maiores atletas que esse mundo já viu. Nesse projeto sabemos bastidores da vida de Jordan e do time onde mais jogou em toda vida, o Chicago Bulls.

 

A Mente do Assassino: Aaron Hernandez (Netflix)

Por meio de entrevistas e uma enorme pesquisa, esse projeto documental busca explicações para como uma estrela do esporte mais badalado dos Estados Unidos – o Futebol Americano – se tornou um assassino.

 

Ringo: Glória e Morte (Disney Plus)

Dinheiro e medo, nós nunca teremos. Inspirada em fatos reais, a produção argentina Ringo: Glória e Morte nos leva ao ano de 1976 onde um famoso pugilista argentino perderia sua vida de forma trágica num lugar onde estava em busca da volta aos tempos de glória. Ao longo de sete episódios, essa minissérie busca trazer um profundo recorte da vida de um ídolo do boxe argentino, uma figura que chegou até mesmo a lutar de igual para igual contra o mais famoso pugilista da história, Muhammad Ali.

 

Neymar: O Caos Perfeito (Netflix)

Em três episódios o projeto busca mostra um pouco da vida e carreira de um dos atletas, de todo os esportes, mais famosos do planeta.

 

Romário, O Cara (MAX)

Ao longo de seis episódios acompanhamos bastidores da carreira e vida pessoal de um dos maiores atacantes da história do futebol.

 

Aaron Rodgers: Enigma (Netflix)

Em alguns episódios esse projeto disponível na Netflix mostra um pouco dos altos e baixos da carreira de um dos maiores quarterbacks dos últimos tempos, Aaron Rodgers.

 

Brasil vs Dunga – Futebol em Pé de Guerra (Globoplay)

Nesse projeto seriado documental acompanhamos a vida e carreira do capitão do tetra, Dunga. Seus altos e baixos na carreira, seu tempo na seleção brasileira e a conquista da tão sonhada Copa do Mundo de Futebol em 1994.

 

Naomi Osaka: Estrela do Tênis (Netflix)

Uma das mais promissores tenistas dos últimos tempos ganhou uma série documental de três episódios onde conhecemos mais sobre a vida dessa atleta.

 

Game Of Thrones – Temp. 04 – Ep. 07

CONFISSÕES

 

Para os padrões da casa, o ep. 07 foi intimista, com foco em diálogos que revelaram outras dobras nas nossas tão queridas personagens. Sem seguir a cronologia, comecemos pela dupla Arya (Maisie Williams) e Sandor Clegane (Rory McCann).

Primeiro, eles ajudaram um senhor que havia sido esfaqueado. O Cão de Caça cuidou de abreviar a agonia dele com uma punhalada no coração. Sandor explicou para Arya que ela deveria apunhalar direto o coração, lição que ela colocou em prática logo em seguida, ao reencontrou Rorge (Andy Beckwith), um dos prisioneiros em Yoren. Entre a lição e a prática, Sandor foi atacado e descobriu que está sendo perseguido. Na segunda sequência, ele está tentando tratar seu ferimento. Arya lhe sugere fogo para cauterizar a ferida. Após uma recusa ríspida, Sandor conta-lhe de quando seu irmão, Gregor, tocou fogo em seu rosto. Um raro instante no qual O Cão de Caça expôs seu lado humano. Fechando a sequência, um primeiro plano com os rostos dos dois ocupando toda a tela traduziu visualmente a maior cumplicidade das personagens.

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O diálogo entre Melissandra (Carice van Houten) e Selyse Baratheon (Tara Fitsgerald) – esposa de Stannis – foi repleto de intenções obscuras. Os ângulos da câmera – com direito até de uma subjetiva de Selyse observando a bunda de Melissandra – reforçaram o mal-estar de Selyse. A sequência provocou-me muita pena dela, uma alma vagando entre a tristeza e a loucura.

E o trono deve estar tedioso para Khaleesi (Emilia Clarke). Ela decidiu se divertir, um pouco, com Daario Naharis (Michiel Huisman). No dia seguinte, Jorah Mormont (Iain Glen) ficou roxo de ciúmes ao vê-lo sair faceiro do quarto de Daenerys. Momento Contigo à parte, Khaleesi determinou que Daario fosse até Yunkai. Por intervenção de Jorah, ela designou Hizdahr zo Loraq (Joel Fry) como seu emissário. Aguardar para ver. Infelizmente, o ator que interpreta Daario foi substituído. Michiel constrói um Daario dócil e de pouca profundidade. Na temporada passada, Ed Skrein montou um Daario mais ambíguo, além de traduzir melhor o lado cafajeste da personagem.

Tyrion (Peter Dinklage) protagonizou os melhores diálogos deste ep. Começamos com um diálogo afetuoso entre ele e Jaime (Nikolaj Coster-Waldau). Afetuoso na escala Lannister. O seguinte se deu com Bronn (Jerome Flynn): uma conversa cínica e camarada como só os dois poderiam protagonizar. Tyrion não conseguiu convencê-lo a enfrentar a Montanha Gregor Clegane (Hafþór Júlíus Björnsson). Tyrion compreendeu os motivos de Bronn, e o longo aperto de mão entre eles prece simbolizar uma amizade verdadeira.

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O diálogo entre Tyrion e Oberyn Martell (Pedro Pascal) já é um momento antológico de Game Of Thrones – GoT. Oberyn se lembrou de sua primeira visita a Rochedo Casterly, e de sua curiosidade por ver o bebê monstro dos Lannisters. Ele não encontrou um monstro, mas apenas uma criança diferente, de cabeça grande e membros desproporcionais, nada mais. Não havia olhos vermelhos, calda ou garras, apenas um bebê. Oberyn está decidido a buscar justiça, e começou sua busca oferecendo-se para lutar em nome de Tyrion contra Gregor Clegane. A reação que Dinklage imprimiu à sua personagem foi primorosa, combinando emoção e altivez.

A fala de Oberyn revelou que o ódio de Cersei (Lena Headey) por Tyrion é antigo. Ela odeia o irmão desde seu nascimento, culpando-lhe pela morte da mãe. E, também desde o nascimento, Tyrion já era protegido por Jaime.

Na sequência anterior, acompanhamos Brienne (Gwendoline Christie) e Podrick (Daniel Portman). Eles conheceram o Torta Quente/Hot Pie (Ben Hawkey) – para quem não se lembra, um dos companheiros de Arya, lá pela segunda e terceira temporadas. Após seu instante Ana Maria Braga, o Torta contou para Brienne e Podrick sobre Arya. Dainte das novas notícias, eles seguiram para o ninho de Lysa Arryn…

Os momentos finais de GoT passaram-se no Ninho da Águia. Sansa (Sophie Turner) fazia uma réplica de Winterfell quando chega seu primo, Robin (o brasileiro Lino Facioli), perguntando sobre o que era aquilo. Ao explicar, Sansa lembrou-se dos tempos em Winterfell. Foi um breve momento no qual imaginamos uma Westeros de paz e amor. Confesso que desejei um final no qual os remanescentes da família Stark retornariam para Winterfell. Mas Robin é um projeto de Joffrey, e tratou de destruir a Winterfell de neve.

Lord Baelish (Aidan Gillen) dominou o final do ep. Ele declarou seu amor por Catelyn Stark e beijou Sansa. Lyse (Kate Dickie) viu e não gostou. Ela tentou matar a sobrinha, mas acabou sendo morta por Baelish, que a lançou no precipício. Um fim tenso para um ep. confessional.

P.S.: Sinceramente, oh elenco com nomes complicados! Nem o brasileiro escapa. Alguém sabe pronunciar o nome Hafþór Júlíus Björnsson???

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HOT HOT! 10 Filmes PICANTES disponíveis pelos streamings

O profundo de muitas relações também pode ser explicada através da paixão e do desejo. Algumas obras cinematográficas abordam essa camada de forma intensa nos levando para jornadas repletas de dilemas. Pensando em alguns filmes que seguem por esse caminho, segue abaixo uma lista com 10 Filmes PICANTES disponíveis pelos streamings:

 

Rivais (Prime Video)

Nas batidas de tudo que é abstrato. Chegou aos cinemas e depois ao streming uma obra que abraçada com seu ritmo pulsante, mostra um intenso triângulo amoroso que percorre anos, com personalidades conflitantes no centro desse tabuleiro muitas vezes parecendo um vulcão, prestes a entrar em erupção. Sensual, inteligente, reflexivo, Rivais, dirigido pelo cineasta italiano Luca Guadagnino escancara o abstrato, dá um tapa na caretice e mostra uma história com mil e uma possibilidades.

 

O Amante de Lady Chatterley (Netflix)

O fogo da paixão e as descobertas sobre o desejo. Baseado no livro homônimo do escritor britânico D.H. Lawrence, publicado no final da década de 20, O Amante de Lady Chatterley nos mostra uma saga de escolhas de uma mulher que joga para escanteio as frustrações de um relacionamento infeliz para viver de forma muito intensa os prazeres do amor com um funcionário da propriedade rural de seu marido. A descoberta do desejo, dos prazeres, de forma bem detalhista, contornam as linhas do roteiro que é assinado por David Magee. Como protagonista, a atriz Emma Corrin, intérprete da Princesa Diana em The Crown.

 

Infidelidade (Netflix)

Na trama, acompanhamos Connie (Diane Lane), uma bela mulher que vive com seu filho e seu marido Ed (Richard Gere) em uma confortável casa situada no subúrbio de Nova Iorque. Certo dia, após ser surpreendida por uma rajada de ventos, o destino coloca em sua frente o sedutor francês Paul (Olivier Martinez), com quem vive intensos dias se tornando amante dele. O marido de Connie, logo começa a desconfiar e contrata um detetive para investigá-la e situações complexas se tornam iminentes.

 

Submissão (Prime Video)

Na trama conhecemos Nick (Michele Morrone), um pai de família que vive um presente conturbado precisando cuidar dos dois filhos pequenos e com a esposa Maggie (Madeline Zima) precisando de um transplante de coração pra sobreviver. Para ajudá-lo no seu cotidiano, ele compra uma robô, Alice (Megan Fox). Aos poucos vai percebendo que essa escolha pode trazer muitos perigos para sua família quando a inteligência artificial começa a descobrir atualizações em seu sistema.

 

Duck Butter (Netflix)

Na trama, conhecemos Naima (Alia Shawkat), uma jovem atriz que acabara de conseguir uma grande oportunidade em um filme dos irmãos Duplass. Durante uma saída a um bar num noite, de maneira despretensiosa acaba conhecendo Sergio (Laia Costa), uma jovem cantora e compositora por quem logo se interessa. Em certo momento, logo do primeiro dia que se conhecem, as duas combinam algo inusitado: ficarem 24 horas juntas para se conhecerem mais rapidamente e entender os rumos dessa relação. Assim, embarcam em um dia intenso onde ambas vão aprender mais sobre a outra.

 

Secretária (Prime Video)

O prazer, o desejo nos encontros entre a dominação e a submissão. Baseado em uma obra da romancista norte-americana Mary Gaitskill, Secretária, filme lançado 20 anos atrás, é uma jornada intensa, provocante, que mostra os caminhos do prazer de maneira fundamentada em percepções, sentimentos, desejos, em um tour por duas mentes que se encontram a partir de uma relação profissional convencional até chegarem as descobertas íntimas. Dirigido pelo cineasta Steven Shainberg.

 

De Olhos bem Fechados (MAX)

Com quase três horas de duração e dirigido pela lenda do cinema Stanley Kubrick, De Olhos bem Fechados aborda reflexões sobre um relacionamento após uma das partes contar a outra sobre fantasias sexuais e a partir daí novas maneiras de enxergar a situação são colocadas aos olhos do público. Baseado na obra Traumnovelle do autor Arthur Schnitzler.

 

Instinto Selvagem (Cindie)

Na trama, acompanhamos um detetive que se envolve em uma intrigante investigação de assassinato e acaba sendo seduzido pela principal suspeita do caso.

 

A Linha Vermelha do Destino (Disney Plus)

Na trama, conhecemos a aeromoça Abril (Eugenia Suárez) que durante um voo acaba se apaixonando pelo sonhador e empreendedor do ramo dos vinhos Manuel (Benjamín Vicuña). Após um desencontro no desembarque, um longo hiato se passa mas o destino quis que eles voltassem a se encontrar, agora, em outras condições, os dois casados e assim, escolhas precisarão serem tomadas por essas duas almas gêmeas.

 

Os Sonhadores (Telecine)

Na trama, conhecemos um jovem estudante que chega para estudar na França e conhece um casal de irmãos. Dessa amizade, transborda-se aos poucos, um desejo sexual à flor da pele que corre em paralelo aos movimentos estudantis que estão ocorrendo em Paris, na década de 60.

 

 

Crítica | Acima das Nuvens

Combinações Improváveis Em Um Jogo de Espelhos

 

O diretor francês Olivier Assayas já é figura conhecida da Mostra de Cinema de São Paulo. Ele teve grande destaque em 2010 com a minissérie Carlos, que narrava a trajetória do terrorista Carlos, O Chacal. Nesta 38ª Mostra, Assayas tem dois filmes: Horas de Verão, de 2008, reexibido no conjunto da retrospectiva da produtora francesa MK2, e Acima das Nuvens (Clouds Of Sil Maria), sua produção mais recente.

Com previsão de entrar no circuitão alternativo depois da Mostra, Acima das Nuvens reúne três nomes improváveis: Juliette Binoche, Kristen Stewart, Chloë Grace Moretz. Isso mesmo, a garota do Crepúsculo e a Hit-Girl de Kick-Ass. Tá!, a maior estranheza fica na conta de Kristen Stewart, uma vez que Chloë Moretz já é uma queridinha da crítica e do público.

Em Acima das Nuvens, Binoche é Maria Enders, atriz de sucesso que recebe o convite para atuar numa remontagem da peça que a consagrou quando jovem. Assayas aproveita essa premissa simples para explorar questões como identidade, autoimagem, peso da idade, chegando ao patamar de metalinguagem bem interessante.

Na primeira parte, Maria tem dúvidas em aceitar o papel, justificando ter grande identificação com o papel da garota, e na remontagem, ter que fazer o papel da mulher mais velha. Figura importante para convencê-la é sua secretária, Valentine (Kristen Stewart), que irá, por toda a narrativa, confrontar as dúvidas de Maria.

Quando ela hesita em aceitar a proposta, Valentine demonstra a importância da nova montagem seja para sua carreira, como também se empenha em demonstrar que Jo-Ann Ellis (Chloë Moretz) é mais do que um rostinho bonito e barraqueiro.

O melhor do filme vem quando Maria aceita o trabalho e ela e Valentine começam a ensaiar. Várias coisas impressionam nesse ato. A atuação de Kristen Stewart passa credibilidade e carisma para o público. Os questionamentos que a leitura da peça provoca em Maria, colocando em dúvida coisas como, até que ponto, na maturidade, realmente nos conhecemos e as dificuldade de aceitar que o tempo passou.

Ponto alto do filme é o jogo de espelhos em várias camadas. Primeiro, há o jogo de espelhos dentro da narrativa. A peça narra a relação de amor entre duas mulheres, uma madura e uma jovem. Há uma certa tensão afetiva – jamais concretizada – entre Maria e Valentine. E, também, há o choque entre o mundo de Maria, atriz madura, e Jo-Ann, a jovem estrela hollywoodiana.

O segundo jogo de espelho é extranarrativo. Ora, ou não temos em cena o “confronto” entre a veterana Juliette Binoche e as novatas Kristen Stewart e Chloë Grace Moretz? Também temos os contrastes entre o cinema europeu e o cinema hollywoodiano.

Crítica | ‘Terra Indomável’ – Série da Netflix nos transporta até o conturbado velho oeste americano

Trazendo para reflexões assuntos que até hoje estão em alta nas pautas políticas, como: migração e a colonização, a nova série da Netflix Terra Indomável nos transporta até o já conhecido e conturbado velho oeste americano, mais precisamente no ano de 1857, onde nativos, exército americano, milícia mórmon entram em choque para alcançar a liberdade, o poder, pelo que acreditam ou simplesmente pela sobrevivência.

Contado de forma visceral, com cenas de tirar o fôlego e uma narrativa cirúrgica, essa minissérie de seis episódios apresenta recortes profundos sobre as formas de pensar diferente de nômades das indefinições de um país em conflito. As tradições vão de encontro a uma cultura de sobrevivência, com num trajeto de muitos perigos e violência por todos os lados, somos guiados por uma mãe e seu passado misterioso em busca de um refúgio.

Ambientado na região de Utah no século XIX, sob diversos pontos de vistas, conhecemos Sara (Betty Gilpin), uma mãe desesperada para chegar até o oeste com o filho Devin (Preston Mota). Seu caminho acaba se cruzando com o de Isaac Reed (Taylor Kitsch) que a ajuda numa jornada de muita dor, sangue e batalhas pela sobrevivência. Paralelo a isso, uma disputa por poder deixa toda a região selvagem e imprevisível.

Retratar o velho oeste norte-americano sempre foi um enorme desafio para as centenas de produções que assim fizeram. Emboscadas, traições, violência, a distância da lei, sempre tomaram conta dos roteiros. Em Terra Indomável, longe de ser um guia definitivo sobre essa era cheia de questões da história norte-americana, vemos a jornada da heroína muito bem construída e arcos dramáticos junto de conflitos e desenvolvimento bem executados. Uma equação que realmente prende a atenção do público.

Criado pelo roteirista norte-americano Mark L. Smith, o seriado que vem conquistando a atenção do público na mais famosa plataforma de streaming, usa o desejo e objetivo dos personagens para criar um retrato impactante de uma natureza bela e selvagem. Com subtramas muito bem embaralhadas vemos constantes distantes, como a escassez de recursos e a esperança, andarem lado a lado em disputas que não conhecem a paz.

Crítica | Carta Ao Rei: 38ª Mostra de Cinema de SP

UMA AGRADÁVEL SURPRESA

 

Carta Ao Rei (Brev Til Kongen) é um filme pautado na emoção. Um grupo de migrantes curdos, que residem no interior da Noruega, organiza uma viagem para Oslo. Cada uma dessas pessoas tem um objetivo. Um jovem querendo cobrar seu salário atrasado; uma mulher buscando um acerto de contas com o homem que desgraçou sua vida; um homem que tem um encontro marcado com uma mulher. Não há propriamente um protagonista, mas o título do filme é um tributo ao Tio Mirza, que deseja entregar uma carta ao rio da Noruega.

Ao longo do filme, vamos acompanhando a leitura da carta em narração em off feita pelo Tio Mirza. Não vale dizer mais sobre o filme, apenas que cada um das personagens de destaque no filme é profundamente humano, especialmente Mirza; não há como não se emocionar com as razões que lhe levam a escrever a carta ao rei. Destaque para a costura feita pela edição, que permite um claro entendimento da narrativa, sem prejudicar a emoção.

10 filmes que são gratas SURPRESAS no catálogo da Netflix

No vasto catálogo da Netflix sempre encontramos filmes de diversos países que nos mostram recortes variados nos levando do drama ao suspense em narrativas que chamam a atenção. Pensando em alguns bons títulos contidos nessa plataforma, segue abaixo algumas dicas:

 

O Alfaiate

Na trama, conhecemos o britânico Leonard (Mark Rylance), um experiente alfaiate que após uma tragédia se mudou para Chicago em meados da década de 1950. Nesse novo lugar, acabou se envolvendo, mesmo que de forma indireta, com a máfia, inclusive um dos chefões da região é o seu principal cliente. Quando em uma noite, uma série de acasos acontecem, o alfaiate precisará de muita habilidade para se livrar de uma peculiar situação.

 

Rebel Ridge

Na trama, conhecemos Terry (Aaron Pierre), um ex-fuzileiro naval que chega até uma cidadezinha do interior dos Estados Unidos com o objetivo de pagar a fiança de um primo que está sendo transferido para uma penitenciária. Quando chega no lugar, tem o dinheiro da fiança roubado por policiais corruptos. Tendo que improvisar com novas soluções para seu objetivo após uma tragédia, sem nada a perder, acaba travando um explosivo duelo com a gangue da maior autoridade do local, o chefe de polícia Sandy Burnne (Don Johnson).

 

Piano de Família

Na trama, ambientada em uma Pittsburgh (Pensilvânia) em meados dos anos 1930, acompanhamos a chegada de Boy Willie (John David Washington) à casa do tio Doaker (Samuel L. Jackson) onde também mora sua irmã Berniece (Danielle Deadwyler). Quando o motivo da chegada de Boy Willie é revelado, uma briga por um piano antigo desencadeia uma série de lembranças e assim vamos conhecendo toda uma história dessa família.

 

Na Palma da Mão

Na trama, conhecemos Lee Na Mi (Woo-hee Chun) uma jovem super alegre que conseguiu uma oportunidade numa empresa de geleias e ainda ajuda seu pai no bem frequentado café da família. Certo dia, após uma noitada daquelas, ela deixa seu celular cair no ônibus. Uma misteriosa pessoa encontra o aparelho e a partir daí um jogo maquiavélico é imposto por um obsessivo criminoso. Ela precisara lutar com todas as forças quando seu mundo desaba completamente.

 

Caminhos da Sobrevivência

Mais uma página dos horrores de uma guerra. Baseado em um livro chamado Wil do autor belga Jeroen Olyslaegers, o novo longa-metragem disponível no início de 2024 na Netflix, Caminhos da Sobrevivência, explora o caminho dos dilemas para retratar os labirintos das escolhas na visão de um jovem oficial da força policial em uma Bélgica ocupada pelos nazistas no início da década de 40.

 

As Crianças Perdidas

A sobrevivência em meio as leis da selva. Reunindo uma série de detalhes sobre um dos resgates mais emocionantes de toda a história da América do Sul, o excelente documentário As Crianças Perdidas nos leva até uma região conflituosa, onde grupos paramilitares, indígenas e militares entram em embates faz muitos anos e se tornam variáveis de uma busca por crianças que sofreram uma traumática tragédia no coração da Amazônia Colombiana.

 

O Que Tiver que Ser

Na trama conhecemos o casal Stella (Josephine Bornebusch) e Gustav (Pål Sverre Hagen) que estão em um relacionamento de anos, já em ruínas. Ela uma mulher amargurada pelo rumo do seu casamento com uma notícia que esconde da família, ele um psicólogo que deixou faz tempo de ser presente como pai e marido. Juntos embarcam em uma viagem para acompanhar a filha adolescente Anna (Sigrid Johnson) numa competição de pole dance. Durante esse tempo, aprenderão mais uns sobre os outros e dilemas aparecerão, principalmente por conta do segredo que Stella esconde de todos.

 

Assalto Brutal

Na trama, ambientada na época onde os VHS dominavam as prateleiras das milhares de locadoras pelo mundo, um misterioso assalto a banco, com vítimas, deixa Varsóvia em estado de alerta. Com uma proposta para voltar à ativa na forças da lei caso consiga desamarrar a investigação do crime, o policial Tadeusz Gadacz (Olavo Lubaszenko) fará de tudo para chegar as verdades.

 

O Quinto Set

Na trama, conhecemos Thomas Edison (Alex Lutz), um tenista perto dos 40 anos em fim de carreira, decadente na profissão, que sofre pelas oportunidades perdidas, de não ter conseguido o sucesso esperado na carreira. Com 18 anos como profissional, completa a renda mensal de sua família dando aulas particulares no clube de sua mãe Judith (Kristin Scott Thomas). Certo dia consegue a última oportunidade da carreira, disputar as classificatórias para o único Grand Slam jogado no saibro, o torneio francês Roland Garros. Ao mesmo tempo que vai avançando nesse pré-torneio, chegam em sua frente conflitos com a mãe e a esposa, a ex-tenista Eve (Ana Girardot).

 

Um Clímax entre Nós

A importância do diálogo num envolvimento amoroso. Escrito e dirigido pela cineasta de apenas 28 anos Joosje Duk, em seu primeiro longa-metragem na carreira, Um Clímax entre Nós é uma fita holandesa que de forma leve e divertida aborda um assunto que ainda é tabu para algumas pessoas: o sexo. Tenda a consciência como um peculiar narrador, vamos acompanhando os conflitos que se sucedem na vida de uma jovem insatisfeita na sua relação sexual com o namorado, sem conseguir chegar ao orgasmo, que tem a ideia de dar uma apimentada no relacionamento.

 

 

 

Crítica 2 | Birdman Ou (A Inesperada Virtude da Ignorância)

AS VIRTUDES DE UM FILME INESPERADO

 

De tempos em tempos, surgem filmes que chegam a ofender por tantas qualidades. Ousadia formal, elenco com atuações fortes, aspectos técnicos impecáveis, roteiro com diálogos deliciosos e uma história que fala sobre e para o nosso tempo. Assim, Birdman Ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) – Birdman Or (The Unexpected Virtue of Ignorance), Oscar de melhor filme, é bastante ofensivo! Alejandro Gonzáles Iñárritu, diretor e roteirista, construiu um filme que reflete muito sobre o que vivemos hoje.

O enredo é simples: Riggan Thomson (Michael Keaton), velho ator de Hollywood, que no passado interpretou icônico super-herói, tenta montar uma peça para provar suas qualidades dramáticas. Birdman pode ser resumido nisso. Ou: ator decadente, neurado por fantasmas do passado, precisa superar as dificuldades de montar uma peça para provar que seu ego tem razão.

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De uma premissa singela, Iñárritu vai colocando em xeque várias questões não só do mundo do cinema e da criação como do nosso cotidiano. Num primeira camada, aparecem basicamente questões do mundo do cinema (e das artes de forma geral); inclusive a questão mais ostensiva do filme: que tipo de cinema a Hollywood vem produzindo? Hoje, adaptações de quadrinhos, livros Best-sellers e refilmagens dominam a indústria. Em tese, é o que vende. O filme enfia o dedo na ferida e coloca, com humor e sagacidade, o dilema de muitos artistas entre produzir algo “pra vender” ou fazer algo “pela arte”.

O filme questiona a qualidade da produção atual. Na primeira cena em que Birdman aparece, ele indaga a plateia sobre nossas preferências. E no diálogo entre Riggan e a crítica Tabitha (Lindsay Duncan) a questão é colocada novamente. Trata-se de algo essencialmente moderna: o desejo do artista de produzir algo que ele considere relevante e que o público gosto. Estamos acostumados a vincular o gosto do público à vulgaridade e o do artista incompreendido à qualidade. E quando digo estamos, incluo parcela da crítica especializada. Infelizmente, é erro comum achar que tudo que sai de Hollywood é lixo e que qualquer filme obscuro é uma grande obra. Através de seus personagens Iñárritu encena não só essa crise como as consequências delas em seus protagonistas.

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Teria sido só por isso que ele venceu? Seria um prêmio uma autocrítica da indústria? Talvez sim, mas Birdman tem méritos demais. Por de trás dos dramas criativos de Riggan, há um ego inflado implorando por reconhecimento. São nos diálogos entre ele e sua filha Sam (Emma Stone) que é exposto o drama de desejar o reconhecimento – algo que qualquer pessoa sente ao postar uma foto nas redes sociais. E é através de Mike (Edward Nortan) e da crítica Tabitha que o lado over da fama e da popularidade é mostrado.

Revirando mais essa busca pelo reconhecimento, chegamos à questão da solidão. Nesse labirinto de imagens que se torna Birdman, parece que seus personagens estão em busca de uma plateia, ou pelo menos, de alguém que curta seus comentários vulgarmente genais. Nenhuma sequencia sintetiza melhor esse dilema entre reconhecimento e solidão quanto a do voo de Riggan. Da sarjeta ao teatro, a sequência faz uma composição lírica e melancólica da solidão e dos delírios que cada um de nós sonha para nosso futuro.

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Chamará atenção do público a estrutura da obra. Birdman foi concebido para ser montado como se a fosse um único plano-sequência. A regra do cinema é que os filmes sejam a colagem de vários fragmentos que foram filmados de diversos pontos de vista. Cada fragmente entre os cortes é um plano. O corte é justamente a passagem de um plano para outro. No plano-sequência, o que vemos na tela foi filmado de uma única vez, sem desligar a câmera. Raríssimos filmes fizeram essa façanha. O feito de Iñárritu e do diretor de fotografia Emmanuel Lubezki é simular um longo plano-sequência.

Além da questão da forma, este plano-sequência traduz a turbulência da vida de Riggan naquelas semanas até a estreia da peça. E como se o cinema prestasse uma homenagem ao teatro, os cortes se escondem para aproximar o cinema da continuidade teatral.

 

10 Filmes EMOCIONANTES exibidos na ‘Sessão da Tarde’

De um encontro especial ao acaso até um homem congelado que acordou décadas depois em busca de notícias sobre seu grande amor, muitas histórias emocionantes preencheram a grade de programação de um dos programas mais assistidos pelos cinéfilos, a Sessão da Tarde. Para relembrar algumas dessas obras, segue uma lista bem legal:

 

Um Dia Especial

Na emocionante comédia romântica acompanhamos uma arquiteta e um jornalista, pais solteiros, que um dia se encontram e precisam contar um com o outro para cumprir todos os compromissos profissionais e também cuidar dos seus respectivos filhos.

 

Eternamente Jovem

Na trama conhecemos um piloto que lá na década de 1930 resolve fazer parte de um experimento – ficar congelado por um determinado período – para lidar com a dor que o atinge após a sua namorada entrar em grave estado de saúde. Só que situações acontecem e ele acaba só acordando muitas décadas depois buscando assim se entender nesse novo mundo que o aguarda.

 

Lances Inocentes

Dirigido por Steven Zaillian e lançado no brasil em agosto de 1993, o drama Lances Inocentes, baseado no livro Searching for Bobby Fischer, de Fred Waitzkin, nos mostra a história de um jovem talento do xadrez que conforme começa a vencer torneios vê a relação com o pai se deteriorar.

 

A Culpa é das Estrelas

Na trama, conhecemos uma simpática jovem chamada Hazel Grace (Shailene Woodley), uma universitária que tem câncer em estágio avançado. Hazel resolve frequentar um grupo de apoio à doença e nessa reunião de jovens com problemas parecidos, conhece Augustus Waters (Ansel Elgort). O entrosamento logo de cara é maravilhoso, ambos se apaixonam perdidamente e juntos precisam enfrentar as tristezas e armadilhas do destino.

 

A Noviça Rebelde

Um dos maiores clássicos do cinema, o musical A Noviça Rebelde nos leva até a história de Maria, uma noviça que não se adaptando as regras do convento que vive resolve se jogar no mundo e vira governanta de um capitão.

 

Nas Profundezas do mar Sem Fim

Na trama, uma mãe e sua família são completamente afetados por uma tragédia: o desaparecimento de um filho. Anos mais tarde, depois de uma descoberta, precisarão enfrentar novamente esse trauma.

 

Proposta Indecente

Um dos filmes da carreira de Demi Moore mais exibidos na Sessão da tarde e em outros programas televisivos por aqui no Brasil, Proposta Indecente, dirigido por Adrian Lyne, conta a formação de quase um triângulo amoroso sob os pontos de vistas de um casal (Diana e David) que vai mal financeiramente e certo dia um milionário parece oferecendo uma grande quantia de dinheiro para passar uma noite com Diana. O final desse filme é arrebatador.

 

ET – O Extraterrestre

Disponível em diversos streamings, esse é um dos grandes clássicos do cinema. Dirigido pelo genial Steven Spielberg e lançado no início dos anos 80, conta a história de um jovem que encontra um extraterrestre e ao lado dos irmãos embarcam em uma aventura emocionante tendo a amizade como força propulsora.

 

A História sem Fim

Nunca desista e a sorte sempre o encontrará. Dirigido por Wolfgang Petersen com roteiro baseado no livro homônimo escrito por Michael Ende, A História sem Fim é um dos mais queridos filmes infanto-juvenil que estiveram nas últimas décadas numa tela de cinema. A importância dos livros para o nosso sonhar é o combustível para embarcarmos em uma aventura repleta de variáveis, com seres carismáticos, nos mostrando a importância das emoções nas nossas trajetórias.

 

Meu Primeiro Amor

Lançado no início da década de 1990, esse filme nos mostra a sonhadora filha de um agente funerário, que perdeu a mãe muito cedo e entra em conflito quando o pai se apaixona novamente.

 

Game Of Thrones – Temp. 05 – Ep. 03

AINDA FOCADA EM REAPRESENTAR AS PERSONAGENS, GAME OF THRONES TEM SEU MELHOR EPISÓDIO

 

Tenho notado que muitas pessoas estão achando Game Of Thrones – GoT está enchendo linguiça para estender a trama desnecessariamente. O que para muitos parece ser uma barriga de roteiro, parece-me apenas a decisão dos roteiristas de dedicar mais tempo à psicologia das personagens. Os três primeiros episódios – eps. foram menos agitados do que um Casamento Vermelho, mas não podemos negar que esta quinta temporada está acelerando a cada ep. Não sei por quanto tempo os roteiristas irão levar esse compasso mais lento – se arrastarem por muito tempo, vou concordar com as críticas – mas, há grandes chances do ep. 04 ser o melhor até agora, capaz de agradar aos fãs. Por enquanto, mesmo sem ser unanimidade, o título de melhor ep. da temporada fica com o terceiro, mais dinâmico, com muitos núcleos abordados e mais adrenalina.

Não foi como nos seus sonhos, mas Sansa (Sophie Tuerner) retornou para Winterfell. O Norte, agora, é domínio dos Bolton. E Baelish (Aidan Gillen) selou aliança com Lord Bolton (Michael McEhatton) para que Sansa case-se com Ramsay (Iwan Rheon). Três momentos importantes para conhecermos melhor o estado de coisas em que se encontram essas figuras e o Norte.  Numa conversa com Ramsay, Lord Bolton demonstrou ser um conciliador e confirmou seu lado estratégico. Enquanto Ramsay, com suas práticas violentas na cobrança de impostos, continua a provar-se um sádico.

Não faço ideia de como será a relação entre Sansa e Ramsay. Se esta se demonstrar bem menos ingênua, suas atitudes serão muito mais críveis, graças às mudanças que ela vem passando desde a temporada passada; a conversa entre Baelish e Sansa foi como uma coroação de sua mutação. O terceiro momento foi quando uma senhora falou para Sansa que o Norte não esqueceu, uma frase que dá uma dimensão mítica à família Stark.

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Em Porto Real, Tommem (Dean-Charles Chapman) e Margaery (Natalie Dormer) se casaram. Mas, foi o confronto entre esta e Cersei (Lena Headey) o foco, uma disputa para manipular Tommem. Mesmo rindo pelas costas, Margaery está em vantagem. Imaginem, Tommem é um menino novo, envolvido pelos encantos femininos. Dificilmente uma mãe tem força diante de um “pussy power”. Mas, é Cersei a personagem que mais chama a atenção. Lena Headey tem imprimido uma melancolia a uma personagem que, de uma hora para outra, viu-se sem apoio do pai e acosada por inimigos por todos os lados.

Quem também não se encontra em lençóis muito confortáveis é Jon Snow (Kit Harington). Stannis (Stephen Dillane) e Davos Seaworth (Liam Cunningham) tentaram alertá-lo dos riscos de estar cercado de inimigos. Mas, parece que ele tem alguma dificuldade para aprender. Não se governa sozinho, nem com grande oposição. Se a decisão de mandar os inimigos para longe tem uma qualidade questionável, a falta de clemência de Jon por seu companheiro de irmandade pode refletir em maiores dificuldades para seu mandato. Não podemos deixar de registrar a rima visual entre a posição de Jon Snow neste ep. 3 com a de Ned Stark (Sean Bean) no primeiro ep. da série.

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Arya (Maisie Williams) está tentando integrar-se aos membros da irmandade. Todas as suas cenas deixam pistas do futuro dela, mas, foi a tentativa de deixar de ser Arya Stark e tornar-se uma ninguém que emocionou este crítico. Lançar nas águas suas roupas, mas esconder sua espada-agulha foi uma síntese visual do conflito pelo qual a personagem passa.

O diálogo mais comovente deste 3º ep. foi entre Brienne (Gwendoline Christie) e Podrick (Daniel Portman). Ela lhe contou o seu passado e a dificuldade de, sendo fora dos padrões de beleza, se adaptar aos padrões sociais e conhecemos como surgiu seu amor por Renly Baratheon (Gethin Anthony). Nesses momentos, não tenho dúvidas da qualidade dos roteiristas de GoT.

Encerrando o ep., Tyrion (Peter Dinklage) e Lord Varys (Conleth Hill) chegaram à cidade de Volantis. Com a passagem pelo prostíbulo, vimos o quanto Shae (Sibel Kekilli) ainda pesa no coração de Tyrion. O ep. terminou com Jorah Mormont (Iain Glen) prendendo Tyrion.

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Talvez, a lentidão que muitos estão vendo nos eps. pode ser mesmo uma maneira de explorar a psique das personagens, criando um terreno firme para os próximos eventos da temporada. Contudo, não podemos esquecer que os roteiristas e todas as torcidas de futebol do Brasil sabem que George R. R. Martin ainda não concluiu o sexto livro da série. Se as barrigas sumirem nos próximos eps., é sinal que os roteiristas não perderam o pulso da série. Mas, se os eps. ficarem mais obesos, será sinal de que eles fizeram uma triste escolha para aguardar o sexto livro.

10 Filmes dos tempos que existia a famosa Videolocadora Blockbuster

Muito atrás, numa galáxia nem tão distante, existiu um empreendimento muito divertido chamado Locadora de Filmes. E uma delas, teve destaque mundial: a Blockbuster! Ao longo dos seus 25 anos de existência, de 1985 até 2010, vários filmes fizeram enorme sucesso em suas prateleiras. Para relembrar alguns desses, segue uma lista bem legal abaixo:

 

Clube da Luta

Na trama, conhecemos um homem (Edward Norton), especialista em recall de uma montadora, completamente infeliz no seu trabalho, sem propósito, sem lugar, que sofre com insônia. Ele é o nosso narrador. Buscando encontrar alguma solução para seu cotidiano ele começa a frequentar grupos de ajuda variados fingindo estar em condições que não está e nesse momento conhece Marla (Helena Bonham Carter), uma mulher que também usa esses grupos para seu próprio benefício. Em paralelo, o protagonista conhece Tyler Durden (Brad Pitt), um misterioso homem com quem passa a morar e um dia resolve criar um clube de luta clandestino que logo toma proporções que saem do controle.

 

Pulp Fiction – Tempo de Violência

Na trama, conhecemos uma série de personagens ligados de alguma forma ao mundo do crime. Assassinos, traficantes mafiosos, esportista corrompido, psicopatas, assaltantes descontrolados. Acompanhamos por meio de um roteiro longe de qualquer linearidade um desfile macabro e contundente pelo espelho caótico da natureza humana que percorre as linhas da inconsequência. Vincent Vega (John Travolta), Mia (Uma Thurman), Jules (Samuel L. Jackson), Sr.Wallace (Ving Rhames), Butch (Bruce Willis) entraram para a galeria de personagens inesquecíveis do cinema.

 

O Príncipe das Mares

Indicado para sete Oscars, o longa-metragem estrelado e dirigido por Barbra Streisand nos leva até a história de Tom (Nick Nolte) um treinador de futebol americano desempregado que vive com a esposa e as três filhas numa casa de frente pro mar. Quando sua irmã tenta se suicidar, ele embarca para Nova York e lá acaba conhecendo a psiquiatra dela, Susan Lowenstein (Barbra Streisand), com quem descobre mais sobre si mesmo e vive um intenso amor.

 

O Sexto Sentido

Na trama, ambientada no sul da Filadélfia, conhecemos Malcolm (Bruce Willis) um psicólogo infantil que após um trauma com um antigo paciente vê seu casamento entrar em uma crise profunda, sua esposa nem mais o olha sequer. No outono depois, apresentado a um novo paciente, um jovem com diversos conflitos e repleto de medos de algo que não conta a ninguém e por isso tem um cotidiano conflituoso com a mãe. Aos poucos, paciente e psicólogo vão embarcando em uma jornada onde um ajuda o outro quando as surpresas pelo caminho começam a serem reveladas.

 

Os Outros

Na trama, conhecemos Grace (Nicole Kidman), uma mulher que mora com os dois filhos pequenos em uma enorme casa numa região isolada da ilha britânica de Jersey. Apreciadora do silêncio, numa casa sem eletricidade, essa católica fervorosa, cheia de regras muito por conta dos filhos que tem a rara doença da fotosensibilidade, assim, por exemplo, todas as cortinas da casa devem ser fechadas quando eles passam. Seu marido foi para a guerra e nunca mais voltou, ficando ela e as crianças sozinhas. Certo dia, três pessoas batem em sua porta e logo conseguem empregos para ajudá-la na casa. Ao mesmo tempo, mãe e filhos começam a ouvir vozes em aleatórias horas do dia. Será que eles não estão sozinhos? Se sim, quem são os outros?

 

Coração Valente

Ambientado no Século XIII, ao longo de três horas de duração acompanhamos a trajetória de William Wallace (Mel Gibson) um mártir escocês que desde pequeno presenciou os absurdos feitos pelos governantes da Inglaterra contra os escoceses. Após ver seu grande amor, Murron (Catherine McCormack), perder a vida de forma brutal ele se joga na luta armada virando o grande líder da guerra de independência da Escócia.

 

Seven – Os Sete Crimes Capitais

Restando apenas uma semana para entrar na aposentadoria, o experiente detetive Somerset (Morgan Freeman) é designado para um caso macabro que logo se liga em outros tendo os sete pecados capitais como referência. Ao lado do novo parceiro, o impulsivo detetive Mills (Brad Pitt), ambos vão enfrentar dilemas e situações que nunca imaginaram.

 

O Exorcismo de Emily Rose

Quando um padre é levado até o tribunal sob a acusação de negligência na morte de uma jovem universitária que passou por um exorcismo, uma advogada determinada fará de tudo para provar sua inocência.

 

À Espera de um Milagre

Dirigido pelo ótimo cineasta Frank Darabont, com roteiro adaptado da obra homônima de grande Stephen King, o emocionante longa-metragem protagonizado por Tom Hanks e Michael Clarke Duncan nos mostra um curioso recorte de situações que aconteceram quando um agente penitenciário era responsável pelo corredor da morte.

 

Entrevista com o Vampiro

Um dos filmes mais conhecidos dos últimos anos quando pensamos sobre vampiros, dirigido pelo cineasta irlandês Neil Jordan, Entrevista com o Vampiro marcou o encontrou de dois dos grandes astro de Hollywood: Tom Cruise e Brad Pitt. Baseado na obra homônima da  romancista norte-americana Anne Rice, na trama conhecemos um jornalista que conhece um vampiro e o mesmo relembra parte de sua história.

 

 

 

REVIEW Game Of Thrones – Temporada 05 – Ep. 10

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Os roteiristas da série colocaram em pé de igualdade quem leu e quem não leu os livros. Em um ep. que redimiu o começo fraco desta temporada de Game Of Thrones – GoT, eles deixaram um catatau de perguntas:

 

[SPOILER]

Stannis (Stephen Dillane), depois de ter sofrido o calvário de um personagem trágico (confirmando o que escrevemos na resenha do nono ep.), realmente morreu com o golpe desferido pela espada de Brienne (Gwendoline Christie)?

Qual será o tamanho de Ramsay (Iwan Rheon) na casa Bolton depois de seu sucesso militar?

Sansa (Sophie Turner) e Theon (Alfie Allen) morreram, ou não?

Sam (John Bradley) e Gilly (Hannah Murray) viverão em paz?

Quem Melisandre (Carice van Houten) irá infernizar a partir de agora?

O que será de Davos Seaworth (Liam Cunningham)?

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Tyrion (Peter Dinklage), Missandei (Nathalie Emmanuel), Verme Cinzento (Jacob Anderson) e Lord Varys (Conleth Hill) irão conseguir instaurar a paz em Meereen? Tyrion irá se confirmar como um grande governante?

O que acontecerá com Daenerys (Emilia Clarke): Ela será aniquilada pelo imenso exército Dothraki que a cercou? Ou eles serão mais uma força a se unir à Daenerys? Quem encontrará quem primeiro: Jorah e Daario Naharis encontrarão Daenerys, ou Daenerys encontrará Jorah (Iain Glen) e Daario Naharis (Michiel Huisman)?

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Depois de ter matado Meryn Trant (Ian Beattie) e ter ficado cega, Arya (MaisieWilliams) se tornará uma sem rosto? O que ela irá fazer?

O que acontecerá com Ellaria (Indira Varma)? Será que descobrirão que ela envenenou Myrcella (Nell Tiger Free)? Como ficará Jaime (Nikolaj Coster-Waldau) depois do ocorrido com Myrcella, especialmente depois que ela disse saber, de alguma forma, que ele era seu pai? Como ficará a aliança entre os Martell e os Lannister?

Depois de confessar parte de seus pecados, de ter sofrido uma terrível humilhação, andando nua e sendo flagelada pela população nas ruas de Porto Real, o que acontecerá com Cersei (Lena Headey)? Ela irá se vingar do Pardal (Jonathan Pryce)? Ela irá acabar com o Grand Maester Pycelle (Julian Glover)? Ela ainda terá algum poder? Seu flagelo pelas ruas irá fazer dela uma pessoa melhor ou sua sede de vingança só ficou maior? Qual será o papel Gregor Clegane (Hafþór Júlíus Björnsson), o Montanha, agora ressuscitado? Aliás, vale se perguntar também: o que rolou com Tommen (Dean-Charles Chapman), enquanto sua mãe estava presa? E em que pé ficará a família Tyrell?

Depois de ter sido esfaqueado por seus irmãos da Patrulha da Noite – até mesmo pelo pequeno Olly (Brenock O’Connor) – Jon Snow (Kit Harington) morreu?

Afinal, quem NÃO morreu neste episódio????

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Muitas outras perguntas esta 5ª temporada deixou no ar. Algumas ainda podem ser (parcialmente) respondidas com os livros já publicados, outras não, como saber se a sexta temporada conseguirá evitar os erros da atual? Sim, porque mesmo tendo sido um décimo episódio digno de nono, levando em conta os primeiros eps., esta pode ser considerada a temporada mais fraca, ou melhor, a menos impecável de toda a série. Claro, mesmo os primeiros eps. problemáticos ainda são muito superiores à média do mercado.

E encerramos por aqui nossa cobertura desta 5ª temporada de GoT. Espero que vocês tenham curtido. E até a sexta temporada, quando o inverno será mais rigoroso.

Crítica | ‘Tijolo por Tijolo’ – Leve e divertido traça os paralelos entre os sonhos e a realidade difícil [Mostra de Tiradentes 2025]

Selecionado para a Mostra de Cinema de Tiradentes depois de passear – deixando ótimas impressões – em outros festivais de nosso país, o documentário Tijolo por Tijolo caminha pela era das redes sociais e, em consequência, as oportunidades pelo mundo dos influencers sem esquecer de paralelos com os sonhos e a realidade difícil. Nesses versos de imagens e movimentos urbanos com recortes de um cotidiano familiar chegamos de forma animada nas maneiras de como lidar com as dificuldades.

Dirigido por Victória Álvares e Quentin Delaroche, esse filme de 103 minutos nos leva até a história de uma carismática família, moradores do Ibura, na periferia do Recife, com a realidade atravessando o sonhar ainda numa época de pandemia. A reconstrução de uma casa se torna o primeiro passo para abertura de camadas profundas onde descobertas chegam ao mesmo tempo de recortes intimistas de um cotidiano guiados pela figura materna que se lança como influenciadora digital.

Um dos grandes méritos desse projeto é o fato de não deixar de ser interessante nem um minuto. Busca o dinamismo através das camadas que se abrem como pontos de vistas sobre o trabalho, a reconstrução de um lar, a relação familiar. Numa pequena mostra dentro da seleção de Tiradentes, onde há um forte debate sobre temas e formas, Tijolo por Tijolo apresenta sua simplicidade e a riqueza das possibilidades de câmeras em várias mãos.

Muito bem montado, com filmagens que duraram dois anos, consegue fluir numa narrativa onde questões sociais se ampliam para ótimos debates. O empreender, a maternidade, se tornam pontos chaves sempre ligados ao amor, a luta, a solidariedade e ao afeto. Esse é um daqueles documentários que marcam. Tijolo por Tijolo é, sem dúvidas, um dos melhores documentários brasileiros do ano passado.

15 Filmes dos últimos 20 anos que mudaram o Cinema!

Nos últimos 20 anos quais filmes mudaram o cinema? Quais filmes inovaram de tal forma que mudaram a maneira de filmar, produzir e dirigir? Quais criaram uma abordagem diferente sobre um determinado tema? Mas não são só isso! Nos últimos 20  anos, quais filmes influenciaram as pessoas? Quais filmes foram além da tela e criaram moda, mudaram hábitos?

Para esta lista, escolhemos filmes que mudaram o cinema, seja porque lançaram uma nova tecnologia, ou porque influenciaram o surgimento de um gênero. Também entram aqui aqueles filmes que tiveram um apelo especial junto ao público, indo além do cinema e influenciando o comportamento das pessoas. Por diversas vezes, os filmes reúnem essas duas qualidades.

Dos 15 filmes selecionados, 3 filmes foram influentes, mas não os enxergamos como obras artisticamente relevantes. Os demais devem ser considerados como potenciais clássicos modernos. Aliás, já falei que a próxima lista são 15 filmes que têm potencial de serem clássicos da atualidade?!

Obs: Lista em ordem cronológica

 

Trilogia Matrix (1999-2003)

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A revolução tecnológica aconteceu antes do nascimento do CinePOP. Símbolo máximo, o Bullet-time foi uma inovação que há muito não se via. Várias câmeras em torno do ator captavam a cena em 360 graus. O resultado final era de uma câmera dando voltas ao redor do ator. Mas, a revolução de Matrix foi maior. Quando os dois outros filmes foram lançados (Reloaded e Revolutions), os Irmãos Wachowski usaram várias plataformas (curtas-metragens, vídeo games e HQ) para contar a história. Foi a primeira narrativa transmídia a merecer esse nome. Outras obras no passado fizeram coisa parecida (como a Saga Star Wars), mas a forma atual de um mesmo universo sendo desenvolvido em diversas plataformas teve em Matrix um modelo. Não bastasse tudo isso, os filmes são objetos de culto dos fãs, além de ter antecipado, no cinema, nosso mundo hiperconectado.

X-Men: O Filme (2000)

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X-Men: O Filme, dirigido por Bryan Singer, inaugurou o atual nicho dos filmes de super-heróis. Na década de 1990, basicamente tínhamos filmes do Batman e, antes, do Super-Homem. Estes dois filmes foram importantes, mas foi X-Men: O Filme o primeiro da atual geração de filmes de super-heróis. Suas qualidades e, principalmente, a repercussão junto ao público foram determinantes para que o filão se tornasse o que é hoje.

Trilogia O Senhor dos Anéis (2001-2003)

Não seria exagero falar que, nesses últimos 20 anos, poucos filmes foram tão influentes no quesito efeitos especiais quanto à trilogia O Senhor dos Anéis. Peter Jackson e sua equipe traduziram o universo de J. R. R. Tolkien com impressionante realismo, por mais estranho que essa palavra pareça. Uma das peças fundamentais para a importância do filme foi o Sméagol de Andy Serkis, primeiro trabalho de captura de movimento do cinema. A revolução técnica promovida por O Senhor do Anéis pode ser comparada à de Jurassic Park ou mesmo à de Star Wars. Mas, como a maioria desta lista, a trilogia não é somente técnica. Ela é uma grande adaptação de um livro seminal. A obra de Tolkien é a semente das obras de fantasia contemporâneas.

Saga Harry Potter (2001-2011)

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Os livros da Saga Harry Potter foram um fenômeno e acabaram se tornando símbolos da geração de fins dos anos 1990 e início de 2000. O fenômeno já era imenso quando os livros chegaram nos cinemas. Com um faturamento de mais de US$ 7 bilhões, os filmes se tornaram outro fenômeno, marcando o cinema e a cultura pop. Ao lado de O Senhor do Anéis, Harry Potter ajudou a consolidar o gênero de fantasia que existe hoje nos filmes – e de certa forma, essas duas sagas ajudaram a colocar a cultura nerd na vanguarda.

Jogos Mortais (2004)

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Durante esses 20 anos, podemos identificar 3 grandes subgêneros de terror. O found footage é o gênero dos falsos documentários, simulando imagens amadoras. Muito comum ainda hoje, o gênero tem raízes no cinema italiano e viu em A Bruxa de Blair, de 1999, a sua origem mais imediata. O segundo gênero forte foi o filme de espírito/terror japonês. Seja por filmes japoneses que chegaram até os nossos cinemas, seja por refilmagens, o país acabou por designar um subgênero, hoje já sem forças. Sua origem está em O Chamado, em sua versão japonesa de 1997.

Apenas o gênero torture porn pode ter sua origem localizada nesses últimos 20 anos. Mesmo tendo raízes mais antigas, o gênero se estabeleceu nestes anos com o primeiro Jogos Mortais, de 2004. Ele popularizou a estética crua, violenta, na qual a perversão é usada para o gozo e repulsa do público. Altamente criticado, especialmente por conta de filmes como O Albergue e o polêmico A Serbian Film, não podemos negar que o gênero que mexe com zonas obscuras do espectador teve importância no cinema de terror.

Como um gênero puro, o torture porn teve vida curta, logo voltando a ser filme de nicho, como sempre foi. Porém, podemos identificar a ideia do torture porn em filmes mais pretensiosos como O Anticisto e Irreversível. Por tudo isso, e por seus próprios méritos, Jogos Mortais certamente será lembrado pelos fãs do terror como um clássico do cinema de gênero.

Trilogia Batman (2005/2008/2012)

Os Batmans de Christpher Nolan foram o ponto mais alto que os filmes de super-heróis alcançaram. E Batman – O Cavaleiro das Trevas é o melhor filme de super-herói. Se fosse só pela qualidade, eles estariam na próxima lista. Mas, a estética realista empregada por Nolan é uma influência angustiante para o gênero de super-herói. Esta estética pode ser notada até em filmes bem delirantes como o último O Homem de Aço, de 2013.

O Segredo de Brokeback Mountain (2005)

Este filme entra na lista pela repercussão que causou. Com a história de amor entre dois cowboys, Ang Lee colocou a questão do amor homoerótico no centro do debate. Além de tudo, um filme de sensível beleza.

Sr. e Sra. Smith (2005)

Sr e Sra Smith

Primeiro filme da lista que, certamente, não será lembrado no futuro. A mistura de ação, romance e comédia de Sr. e Sra. Smith gerou um filão de comédias românticas bastante visível, embora fugaz. Mesmo sendo um filme agradável de assistir, foi True Lies, de James Cameron, o primeiro a explorar a fusão de comédia romântica com ação, lá em 1994…

V de Vingança (2005)

O grande mérito deste filme está nos quadrinhos de Alan Moore. V. de Vingança, o filme, deu ressonância para o trabalho dele. A máscara de Guy Fawkes é vista em manifestações das mais diversas ordens, é marca do grupo Anonymous e é usado em memes. O filme simplificou a ideia de Moore e a população tratou de retirar do filme apenas uma sombra de seu significado, o que permite que a máscara sirva para qualquer causa. Mesmo sendo mérito inicial de Moore, o filme, produzido pelos Irmãos Wachowski, foi essencial.

Tropa de Elite, 1 e 2 (2007/2010)

 

Tropa de Elite foi um dos maiores sucessos do cinema brasileiro. E Tropa de Elite 2 foi um fenômeno de público, de crítica e de produção. Só por isso, os Tropas já poderiam entrar na lista. Mas, os dois filmes fazem um diagnóstico dos problemas brasileiros. Se Tropa 2 é mais bem acabado, Tropa 1 tem a riqueza da ambiguidade. Neste, a narração do Capitão Nascimento faz com que o público abrace sua visão de mundo. Porém, como toda obra em primeira pessoa, você não pode confiar no narrador. Se as palavras de Nascimento pedem para que o público concorde com ele, outros elementos do filme questionam essa visão de mundo, fazendo com que o espectador repense a sua identificação com o narrador e, por sua vez, todo um discurso vigente.

Avatar (2009)

Avatar tenta falar dos problemas ambientais, mas o maniqueísmo o torna eco-chato. Avatar tenta criar uma mitologia, mas só cria um universo kitsch. Ele tenta criar drama, mas não consegue passar emoção. Enfim, o leitor pode se perguntar, o que uma das mais fracas adaptações de Pocahontas está fazendo na lista? Para o bem e para o mal, James Cameron usou o filme como base para criar uma tecnologia 3-D eficiente que resultou na febre atual. Pessoalmente, não gosto do 3-D, mas é algo que a indústria usa de forma massiva. Ah, Avatar também foi por dez anos a maior bilheteria da história.

A Rede Social (2010)

 

Um filme que ao tentar entender as muitas faces de um dos homens mais conhecidos do nosso tempo, traduz o vazio e a ambiguidade de uma época hiperconectada. Obra-prima de David Fincher com forte repercussão junto ao público, muito pela curiosidade das pessoas em torno de Mark Zuckerberg, do que pelos seus méritos artísticos.

Saga Jogos Vorazes (2012-2015)

Se não foi o primeiro, a saga de Katniss Everdeen mostrou aos produtores de Hollywood que o protagonismo feminino rende nas bilheterias. Se os grandes estúdios ainda tinham algum receio de colocar uma mulher nos cartazes, Jogos Vorazes dissipou esses medos. E, levando em conta o movimento de atrizes como Reese Witherspoon, devem aumentar as grandes produções protagonizadas por mulheres. Estou na torcida para que o próximo público a ser redescoberto seja o público mais velho. Mesmo gostando dos filmes pipoca atuais e tento visto ótimos filmes independentes nesses últimos anos, sinto falta de um tipo de produção como as da Hollywood das décadas de 1960 e 1970, de temática adulta – como os independentes – que dialogue com o grande público – como os filmes pipoca. Hoje, esse público é basicamente atendido pela televisão, por séries como Game Of Thrones e Breaking Bad.

Quanto à Saga Jogos Vorazes, ainda é muito cedo para dizer se ela será ou não um clássico.

Gravidade (2013)

Gravidade, de Alfonso Cuarón, entra nesta lista por dois motivos. Primeiro, desenvolveu tecnologias de filmagem que ainda devem repercutir em outras produções. Segundo, por ser um ótimo representante de uma renovação por que passa a ficção científica. São filmes que trilham uma linha mais dramática e menos fantasiosa, reforçando o aspecto científico e com pretensões metafóricas mais audaciosas. Interestelar também é um bom exemplo. Este deixa a imaginação voar mais do que Gravidade, que segue uma tendência de dar um tom realista para a ficção científica. Ambos, porém, buscam uma maior profundidade. Se a tendência se consolidar, a ficção científica voltará a ser um gênero de destaque.

Filmes da Pixar

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Bom, aqui fui covarde. Como escolher um filme da Pixar?! Seria mais fácil listar os filmes ruins do estúdio. Mais do que um longa, é o estilo Pixar que influenciou a animação, ao menos aquela produzida pelos grandes estúdios. Seus filmes são elogiados pela crítica e amados pelo público, em muitos casos, agradando mais aos pais que aos filhos. Em alguns casos, chegou-se a falar que os filmes da Pixar eram o que de mais maduro o cinemão vinha produzindo – o que não era totalmente mentira. Com uma lista imensa de candidatos à clássicos, o estilo Pixar infiltrou-se nos Estúdios Disney.

Quais filmes faltam nesta lista? Vamos, comente, diga o que achou e curta nossas redes sociais!

Crítica | ‘A Lista’ – Simpática dramédia brasileira apresenta relações de riso e emoção na média CERTA

Baseado numa peça teatral de sucesso escrita pelo dramaturgo Gustavo Pinheiro, o longa-metragem A Lista nos transporta para uma história de lembranças, conflituosas relações familiares, encontros e desencontros tendo como cenário o famoso bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro. Com a essência carioca muito bem captada, um elenco maravilhoso e grande parte experiente, o projeto apresenta relações de riso e emoção na média certa – mesmo com pontas soltas do roteiro – sem esquecer de uma pitada política importante.

A vida da professora aposentada do Estado Laurita (Lilia Cabral) não anda com muito ares de felicidade. Moradora de um prédio em Copacabana, vive seus dias nos embates com outros vizinhos num antes, durante e depois da pandemia. Cheia de medos e aflições, com o estopim gerado pela relação fria e distante com a filha (Letícia Colin), certo dia começa a se aproximar para uma amizade com cantora de música clássica Amanda (Giulia Bertolli), sua vizinha. Assim, entre encontros e desencontros, começa a perceber as oportunidades que a vida sempre colocou à sua frente.

Quinto filme dos Estúdios Globo, o primeiro a ser lançado direto na televisão (dia 17 de fevereiro na Tela Quente), essa dramédia comandada por José Alvarenga Jr. – que assinou a direção de Os Normais e outras comédias – bate na tecla das mudanças no olhar para a vida aos olhos de duas personagens carregadas de decepções no seu campo familiar. As situações do cotidiano – levadas para o lado cômico –  dão um charme ao filme que também cutuca políticas durante a pandemia com um personagem negacionista e até mesmo um pai que não entende o valor do trabalho com as artes.

Ao adaptar uma peça de teatro para o cinema, pode ser comum alguns deslizes. O roteiro junto à narrativa, não consegue criar de forma harmônica o elo para se chegar no epicentro que seria a amizade entre as protagonistas. Há uma certa ingenuidade ao se contar uma história através de uma construção de dois pontos de vistas mas que a interseção fica de escanteio. Por outro lado, ótimos diálogos, uma trilha sonora empolgante, e a relações riso e emoção na média certa dão um certo equilíbrio aos arcos dramáticos, o que faz a narrativa fluir.

Nesse universo de encontros e desencontros, A Lista também joga para destaque a melhor idade. É tão bom assistir novamente em tela nomes como: Rosamaria Murtinho, Zezeh Barbosa, Betty Faria, Reginaldo Faria, Tony Tornado, Anselmo Vasconcelos, Tony Ramos. Um elenco de primeira que ajuda a contar essa história que, mesmo com alguns deslizes, deve agradar a toda família.

Crítica | The Walking Dead – 6ª Temporada

O final desta 6ª temporada de The Walking Dead – TWD foi peculiar. Fazia tempos, não assistíamos a um episódio com tão pouca ação. Ele foi pesado, lento e claustrofóbico, mais focado no suspense do que na ação, como estávamos acostumados. Foi tão fora do tom do que estávamos acostumados no que toca aos finais de temporada da série, que ficamos, com razão, decepcionados.

Apesar de algumas cenas focadas na relação entre Carol (Melissa McBride) e Morgan (Lennie James), a estrela da noite era o vilão Negan (Jeffrey Dean Morgan). Ao longo da viagem do grupo de Rick (Andrew Lincoln) em busca de ajuda para Maggie (Lauren Cohan), todo o tempo interrompida por hordas cada vez maiores de capangas do Negan, criou-se uma tensão que culminou com o aparecimento do vilão. Ver todos os protagonistas de joelhos sob a ameaça de Lucille desmanchou a imagem construída ao longo desta temporada.

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Esta sexta temporada é um ponto de mudança importante na mitologia da série. Até aqui, TWD era a narrativa de um grupo nômade tentando sobreviver em um mundo pós-apocalíptico.  Com esta sexta temporada, TWD passa a ser a narrativa de um grupo tentando estabelecer uma sociedade depois do apocalipse. Mesmo quando Rick e sua trupe estavam na prisão, não era tão forte essa ideia de fixação; sempre havia o risco constante de que tudo aquilo poderia ruir. Já em Alexandria, o desejo de construir algo duradouro é visível.

Essa mudança de eixo é natural. No começo, o mundo dos zumbis era um perigoso enigma para os personagens e um deleite para o público. Com o passar das temporadas, não só o espectador se acostumou com esse universo como também se acostumaram os que nele habitam. Manter TWD na mesma linha seria ilógico, do ponto de vista da evolução do roteiro, e pouco produtivo do ponto de vista da audiência, que logo acharia tudo repetitivo.

Ainda no terceiro episódio da primeira temporada, em uma roda de mulheres que lavavam roupa, uma delas questionou divisão de trabalhos no grupo, ao que uma delas respondeu: “O mundo acabou. Não recebeu o memorando?!” A frase sintetiza o que foi TWD até hoje: o mundo acabou e voltamos para um estágio pré-primitivo. No episódio final desta sexta temporada, Negan explica para Rick como funciona a nova ordem mundial: “Me dê as suas merdas, ou eu vou matar vocês”. Esta será a pedra de toque daqui para frente: o mundo que conhecíamos não voltará, e ao mais forte, as batatas!

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Em meio a essa mudança, Rick tornou-se um lidar capaz de atrocidades para proteger seu grupo, ficando muito parecido com o que era o Governador. A questão deixou de ser a sobrevivência no caos, e passou a ser guerra grupal. Os zumbis passaram a ser um problema menor; o grande desafio passa a ser ganhar território e conseguir estabilidade para reconstruir a sociedade. Essa mudança de eixo foi o grande mérito da temporada, minimizando as falhas.

Na segunda parte desta sexta temporada, Negan surgiu como a nova ameaça da série. A cada episódio, ficava mais claro que os Salvadores estavam por perto. Neste aspecto, o episódio final foi um concentrado dessa ameaça.

Mesmo sendo um episódio coerente e bem feito, o público não gostou muito e eu não morri de amores! As falhas cometidas eclipsaram as qualidades dele. Alguns apontaram o fato de Negan não ser tão surtado quanto nos quadrinhos. Concordo, mas nem tudo que funciona em uma mídia tem bons resultados em outra. Além do mais, o público de TWD aumentou, implicando em concessões e numa linguagem mais amena – não gosto disso, mas assim funcionam as coisas.

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A grande polêmica foram mesmo os últimos instantes do episódio. Negan matou alguém que não sabemos quem! Um clichê desses sempre é arriscado, mas, quando bem feita, funciona. O problema é que esse recurso era usado pela terceira vez na temporada. O penúltimo episódio acabou com a tela suja pelo sangue de Daryl (Norman Reedus), só para vermos ele vivo no episódio final. O grande erro, porém, foi Glenn (Steven Yeun), que terminou o terceiro episódio, aparentemente, sendo devorado por zumbis.

TWD estabeleceu uma mitologia segundo a qual qualquer personagem pode morrer a qualquer momento, sem glórias ou rufar de tambores. A noção de perigo em TWD está fundada na lógica de um mundo caótico. Na temporada passada, quando Beth (Emily Kinney) teve uma das mortes mais patéticas e mal feitas da série até hoje, comecei a ficar preocupado. Nesta sexta temporada, os roteiristas jogaram no lixo a ideia de que todos estão em perigo.

Foram vários episódios com o público discutindo se Glenn tinha morrido ou não. Com base na mitologia da série, defendi que ele tinha ido pro estômago dos zumbis. Contudo, à medida que o tempo passava, ficava mais triste por perceber que os roteiristas iriam apelar para uma lógica deus ex machina. Ao salvar Glenn, os roteiristas fragilizaram a mitologia e baratearam o gancho que encerrou a temporada. Afinal, se grandes nomes, como Glenn e Daryl, não morrerem, certamente a vítima de Negan fora o cinegrafista!

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Sempre disse que TWD é um grande drama moral. Seu maior trunfo são os dramas vividos por cada personagem. Acredito que mesmo nessa nova fase, esse traço seja mantido. Contudo, esta sexta temporada falhou ao tratar certos dilemas morais de forma excessivamente didática e expositiva, mastigando a questão. Em outros casos, certos dramas foram tratados com muita superficialidade, especialmente em relação aos personagens mais recentes. Espero que as próximas temporadas voltem a explorar os grandes dilemas sem maiores concessões – sinto, no fundo do meu peito, que isso é uma ingenuidade.

Exceto pela sua primeira temporada, TWD sempre foi uma gangorra. Seus espectadores fiéis aceitam os episódios ruins porque sabe que vem coisa boa depois. Mesmo com as falhas, gostei desta temporada. A história foi bastante ágil, muitas questões eram postas e resolvidas, os personagens evoluíram, tivemos algumas cenas memoráveis e, o mais relevante, a série mudou de eixo. Bem pesado e bem medido, eu irei aguardar pela sétima temporada, torcendo para não ver o corpo do cinegrafista aos pés de Negan.

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10 Filmes sobre DEPENDÊNCIA emocional

Colocando à frente de tudo uma necessidade mais que excessiva de agradar o outro, fato esse que atrapalha qualquer lapso saudável em um relacionamento, a dependência emocional é um assunto que volta e meia ganha espaço em produções a cada ano. Essa condição psicológica está contida em desenvolvimentos de personagens que muitas vezes se colocam em conflitos constantes. Pensando nesse recorte, e pra você que busca refletir sobre o tema, segue abaixo uma poderosa lista com 10 ótimas produções:

 

Meu Rei

Na trama, acompanhamos a trajetória de Tony (Emmanuelle Bercot) e Giorgio (Vincent Cassel), um casal que briga mais do que faz amor, muito por conta do jeito possessivo de ser do segundo. O filme traça e mostra um paralelo sempre na visão de Tony, onde no primeiro andamento está se recuperando de uma grave lesão ortopédica e paralelamente vamos conhecer sua história e todo o começo da relação conturbada com o futuro marido. O público acompanha de perto todo o trajeto dessa história que emociona e toca profundamente nossos corações.

 

Holiday

Na trama, conhecemos Sascha (Victoria Carmen Sonne), uma jovem que desembarca em um aeroporto na Turquia para passar um tempo na casa de praia do namorado bandido Michael (Lai Yde) e acaba encarando uma normalidade de violência e abusos dentro do universo do namorado. Quando parece que começa a perceber que há algo errado, ou pelo menos que deseja sair daquele universo mesmo que de maneira não convicta, ela conhece um velejador holandês mas Michael não deixará as coisas irem para o rumo que estavam caminhando.

 

Ninguém é de Ninguém

Na trama, conhecemos Gabriela (Carol Castro) e Roberto (Danton Mello), um casal que passa por uma séries de instabilidades na relação após o segundo caminhar por diversos obstáculos e seu empreendimento afundar, ao mesmo tempo que Gabriela, uma advogada em ascensão na empresa onde trabalha, começa a colher os frutos de sua dedicação. A situação piora quando Roberto começa a desconfiar da fidelidade da esposa com o dono da empresa onde ela trabalha, o Dr. Renato (Rocco Pitanga). Esse último também passa por situações complexas no relacionamento com a socialite Gioconda (Paloma Bernardi), também com a motivação do ciúmes no epicentro dos problemas. Ao longo do filme vamos vendo que esses destinos de alguma forma já estavam entrelaçados.

 

O Rio do Desejo

Na trama, conhecemos o capitão da polícia Dalberto (Daniel Oliveira) um homem sério que resolve abandonar a corporação e comprar um barco depois de se apaixonar perdidamente pela bela e alegre Anaíra (Sophie Charlotte). Ainda em fase de mudança de vida, Dalberto resolve levar a amada para morar por um tempo na casa onde vive com os dois irmãos, Dalmo (Rômulo Braga) e Armando (Gabriel Leone), o primeiro um fotógrafo que tem um pequeno empreendimento na cidade, o outro um amante do universo musical que faz apresentações com sua banda. Mas a aparente harmonia é colocada à prova quando Dalberto precisa fazer uma viagem de quase dois meses e Anaíra começa a se aproximar de Dalmo e principalmente Armando.

 

Os Sapos

Ao longo de um dia vamos conhecendo um pouco da chegada de Paula (Thalita Carauta) a uma casa isolada no interior que pertence ao amigo de infância Marcelo (Pierre Santos). Chegando nesse lugar, se depara com as histórias de dois casais, além de sentir na pele o assédio e o machismo descarado conforme o tempo passa.

 

Mia

Na trama conhecemos Sergio (Edoardo Leo) um bondoso motorista de ambulância que vive com sua esposa Valeria (Milena Mancini) e a filha de 15 anos, Mia (Greta Gasbarri). Exigente e muitas vezes controlador, Sergio está sempre atualizado sobre a vida da filha. Um dia Mia conhece um jovem com quem passa a ter um relacionamento que logo se mostra tóxico. A partir desse ponto, a família passará por uma enorme tempestade que deixam em iminência uma tragédia.

 

Sem Pudor

Na trama, conhecemos Renuka (Anasuya Sengupta), uma prostituta com um passado doloroso que após assassinar um comissário da polícia precisa fugir do lugar onde vive e acaba indo para o norte da Índia onde acaba conhecendo uma jovem chamada Devika (Omara). Logo, de uma improvável amizade, a relação se aproxima para um amor intenso que para se manter precisará ultrapassar várias barreiras que se acumulam num frequente enfrentamento de tudo e todos.

 

Tenho Sonhos Elétricos

Na trama, ambientada em São José, conhecemos a Eva (Daniela Marín Navarro), uma jovem de dezesseis anos que mora com sua mãe em uma nova casa que está sendo mobilhada depois da separação dos pais. Eva tem uma relação muito próxima com o pai, Martín (Reinaldo Amien), a quem idolatra, mesmo esse sendo violento, brigão, infeliz na profissional de tradutor. Com a necessidade do pai buscar um novo lugar pra morar, Eva busca se aproximar cada vez mais dele e acaba descobrindo e visitando lugares nunca antes confrontados.

 

Doente de Mim Mesma

Na trama, conhecemos Signe (Kristine Kujath Thorp), uma jovem que está em um relacionamento com o artista Thomas (Eirik Sæther). Os dois vivem juntos faz algum tempo e possuem uma relação estranha, repleta de disputas, competitiva ao extremo. Quando Thomas começa a fazer muito sucesso na sua área, Signe entra em um colapso emocional e começa a fazer de tudo por atenção rumando rapidamente para um show de situações constrangedoras.

 

Azul é a Cor mais Quente

Nesse filme somos apresentados a Adèle (Adèle Exarchopoulos), uma jovem que está passando por uma época de descobertas em sua vida pessoal. Um dia acaba conhecendo Emma, uma jovem artista. As duas logo se apaixonam e enfrentam todos os dramas de um relacionamento conturbado.

 

 

Crítica | ‘Game Of Thrones’ – 6ª Temporada (6º Episódio)

A VOLTA DOS QUE FORAM E DOS QUE NÃO FORAM

 

Vi muita gente achando o episódio 6 de Game Of Thrones – GoT paradão. Pois, eu estou entre aqueles que curtiram o episódio, de roteiro mais trabalhado nas sutilezas. As visões de Bran (Isaac Hempstead Wright) trouxeram imagens sobre eventos históricos de Westeros que nunca tínhamos vistos, como a morte do Rei Louco. A cereja no bolo desse núcleo foi tio Benjen (Joseph Mawle), que salvou Bran e Meera Reed (Ellie Kendrick). Especula-se que tio Benjen seja o Mãos Frias, personagem dos livros que, até o momento, não apareceu na série.

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Eu fiquei muito satisfeito com a Arya (Maisie Williams). Desde que chegou em Braavos, é a primeira vez que ela volta a expor a potência e a fibra que marcaram a personagem. Aquela petulância de cuspir na cara da sociedade parece que vai voltar com tudo! Ao descumprir as ordens de Jaqen H’ghar (Tom Wlaschiha), ela reconhece a incapacidade de negar sua personalidade. Arya volta a ser Arya, agora muito mais forte e decidida, amadurecida e consciente do mundo de violência em que vive.

Temos visto, nos últimos episódios, o renascimento dos Starks. Porém, o caso de Arya é mais emblemático. Foi sua a iniciativa de romper com o passado. Quando, neste último episódio, volta a segurar a sua espada agulha, ela reconhece a força da família, da tradição da sua estirpe. Podemos ler isso como a demonstração do peso do núcleo familiar (pouco importa a modalidade) na formação da personalidade das pessoas.

Por falar em família, conhecemos a de Sam Tarly (John Bradley). Talvez, muitos tenham achado enfadonho. Pessoalmente, achei um muito bom momento sutil que a série produziu. Quando pensamos em GoT, estamos acostumados a lembrar dos instantes mais épicos. Contudo, a série é rica em pequenos instantes nos quais a psique dos personagens é aprofundada e dos quais retiramos muitas reflexões.

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Se Arya e sua espada agulha representou a força do sangue e das tradições familiares se sobrepondo ao mundo, no caso de Sam, vemos o quase oposto: a situação na qual o rompimento com a família é necessário se esta sufoca nossa individualidade e, principalmente, quando viola nossos espaços afetivos. Curiosamente, a série não coloca Sam como aquele estudante recém ingresso em um curso de humanas, que passa a achar que a família é a culpada de todos os males. Pelo contrário! Sam recusa um modelo familiar, mas não a ideia família nem a tradição. Primeiro, ele opta pela sua família, que formou junto com Gilly (Hannah Murray). Segundo, ao pegar a espada do pai, ele exige o que lhe é de direito por tradição.

E finalmente quem disse a que veio foi o Alto Pardal (Jonathan Pryce). Sempre fui crítico desse núcleo por achá-lo mal construído. A aliança dele com Tommen (Dean-Charles Chapman) – aliança aparentemente afiançada pelo tio – junto com a reação da população, de apoio ao religioso, dão uma razão de ser para o personagem. Isto não quer dizer que acho essa trama bem estruturada. Não acho que a influência do Alto Pardal junto à população tenha sido construída ao longo da série – era muito mais algo teorizado do que exposto. Já a aliança com Tommen teve justificativas apressadas. Poderiam ter, já na temporada passada, mostrado alguma interação entre os dois. Espero que, daqui pra frente, esse troço ganhe mais coerência.

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Bem, e o final ficou para a Khaleesi (Emilia Clarke). Seu discurso no lombo do dragão foi mais uma demonstração de força e um mimo aos seus fãs, porque adoramos quando ela faz textão!

E, aí, o que achou do episódio? Gostou da virada estilo Brasília dada pelo Alto Pardal? Também ficou instigado com as visões de Bran? Quer mais textão da Khaleesi ou prefere quando ela banca uma de Twitter? Vamos, comente, compartilhe e curta nossas redes sociais:

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Crítica | ‘Nós derrotamos o Dream Team’ – Documentário na MAX revista uma peculiar história no mundo do basquete

No primeiro ano que os jogadores da NBA puderam disputar as olimpíadas, um verdadeiro time dos sonhos foi enviado até a Espanha para vencer com autoridade o evento no verão de 1992 em Barcelona. Durante os treinamentos, oito jovens astros do basquete universitário foram chamados para um jogo treino. Eles venceram o Dream Team.

Disponível na Max, o documentário Nós derrotamos o Dream Team nos mostra por meio de vídeos e depoimentos, olhares para um detalhe pouco mencionado em meio ao estrondoso impacto que teve a equipe norte-americana, liderados por Magic Johnson, Michael Jordan e Larry Bird, no mundo dos esportes.

Mas para entender por completo essa história, é importante um contexto que o documentário passa como uma flecha. Os Estados Unidos até 1988 enviavam times de jogadores universitários para os eventos mundiais, até que perderam pra união soviética numa semifinal e mais outras derrotas em sequência em eventos pelo mundo. Assim, entrando em acordo com a FIBA (Federação Internacional de Basquete), ficou permitido que os atletas da principal liga de basquete do mundo disputassem pelo seu país eventos internacionais.

Com algumas regras que se diferem da aplicada na NBA, o treinador Chuck Daly resolveu criar um cenário utilizando jogadores fantásticos mas ainda não profissionais que fizeram sucesso em suas faculdades. Assim, um jogo impressionante aconteceu a portas fechadas.

Narrado em grande parte por Grant Hill, ex-atleta de sucesso na NBA e que fez parte dos oito selecionados para treinar com o Dream Team, ao longo do documentário, que conta detalhes sobre a ótica dos envolvidos, percebemos uma mudança de foco na parte final quando nota-se um certo desabafo por conta de um depoimento de um dos assistentes de Daly anos após o ocorrido. Esse fato preenche ainda mais a riqueza dos fatos apresentados, mostrando a importância e pressão que até os maiores nomes do esportes podem sofrer.

Crítica | Sono da Morte

SÓ PELO JACOB TREMBLAY O FILME JÁ VALE!

 

O Sono da Morte (Before I Wake) é uma grata surpresa que o gênero terror/fantástico dá aos fãs. Mas, para que esses mesmos fãs não se decepcionem, e saiam falando que ele não é terror ou não mete tanto medo, é bom irem para as salas de sessão sabendo que o filme está mais próximo de um cinema fantástico com uma pegada de suspense do que um filme de terror puro. Segundo o próprio diretor, o filme é mais uma fábula ou um drama sobrenatural.

É uma obra bastante original desde o argumento: Cody (Jacob Tremblay) é um garoto órfão que tem o dom de fazer seus sonhos se materializarem. O problema é que seus pesadelos também se tornam reais! E o pior deles é o Homem Cancro! Cody já passou por vários lares antes de ser adotado pelo casal Jessie (Kate Bosworth) e Mark (Thomas Jane). Eles perderam o filho pequeno e a adoção foi uma maneira de curar as feridas e recomeçar a vida. Um dos pontos curiosos do roteiro é que, quando percebe o dom do Cody de materializar seus sonhos, Jessie fará de tudo para o menino sonhar com o seu falecido filho.

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Independente de classificações que se queria dar, O Sono da Morte é uma narrativa que surpreende também em seu desenvolvimento. O roteiro sempre busca caminhos pouco convencionais, tomando decisões corajosas e surpreendentes. Essa postura fora da caixinha segue até o desfecho da narrativa. Sem entrar em detalhes sobre o final, fiquei muito satisfeito ao encontrar uma conclusão que não apelava aos clichês e conseguia explicar os acontecimentos com coerência e fornecendo novas camadas interpretativas – camadas tão interessantes que estimulam outras idas às salas de exibição.

Uma questão interessante levantada pelo filme é o abuso afetivo que Jessie pratica em Cody, na tentativa de fazê-lo sonhar, cada vez mais, com o seu filho falecido. Neste ponto, o filme é uma metáfora sobre relações doentias que podem surgir entre pais e filhos adotivos.

Os pontos fracos do filme (como a péssima atuação do antigo pai adotivo de Cody, ou o fato inverossímil de um garoto com os dons de Cody não ser notícias nos jornais) são compensados com a ótima e surpreendente história e a concepção visual dos sonhos do garoto. A cena do natal é de especial beleza. Quanto ao Homem Cancro – grande pesadelo do garoto – no começo, fiquei incomodado por ele ser de computação gráfica. Normalmente, o uso de CGI no terror retira realismo da imagem, diminuindo a sensação do terror. Porém, como se trata dos sonhos de um garoto com cerca de 10 anos de idade, e o filme é mais fábula do que terror, a computação gráfica acaba por contribuir para o lado fantástico da narrativa.

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Um dos pontos mais fortes do filme é Jacob Tremblay. Com sua fofura derrete corações, o jovem ator confirma seu imenso talento. Ele consegue entregar todas as camadas que o personagem Cody exige, sendo um dos elementos essenciais para que o público compre a história do filme. Torço muito para que Tremblay não seja mais uma criança prodígio que vai se perder por Hollywood.

Com este O Sono da Morte, o diretor e roteirista Mike Flanagan confirma-se como um dos nomes mais interessantes da vertente horror/fantástico. É dele também os filmes O Espelho (Oculus) e Hush: A Morte Ouve (Hush).

E, ai, o que achou do filme? Gostou, ou achou ruim? Também achou que o título em português foi uma péssima escolha? Saiu da sessão se derretendo com a fofura e o talento de Jacob Tremblay? Vamos, comente, compartilhe e curta nossas redes sociais:

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Um dos Filmes Mais FORTES e NOJENTOS já feito completa 15 anos!

O olhar para a vingança mesmo após danos irreparáveis.

Chegava aos cinemas no ano de 2010 o remake de um filme do final da década de 1970 que usa o chocar, a intensa violência, para mostrar os rompimentos dos valores, do que o ser humano é capaz e o encontro com a imoralidade.

Dirigido por Steven R. Monroe, Doce Vingança é uma obra perturbadora, sangrenta, angustiante, que ruma para a mão única de uma vingança. Esse longa-metragem, definitivamente, não é um filme fácil de assistir.

Na trama, conhecemos a romancista Jennifer (Sarah Butler) que aluga um chalé isolado numa cidadezinha para começar a escrever sua nova obra. O que ela não esperava era ser atacada covardemente por um grupo de moradores da região. Após horas sofrendo violência sem parar ela consegue se jogar em um rio e desaparece. Poucos dias depois, a vingança se torna o único objetivo dela.

Ao longo do tempo, muitos filmes de vingança chegaram aos cinemas mas poucos tão violentos e chocantes quanto esse. Esse ponto, a vingança, é o elemento central do conceito do roteiro, atravessa reflexões sobre, algo muito debatido pela filosofia e outras áreas de estudo gerais. Os espectadores se colocam no lugar da vítima, e as perguntas do que você faria logo chegam com força.

Mas até chegarmos a essa análise mais profunda sobre o tema, nos é apresentado na primeira parte do filme o machismo descarado, a falta de remorso, a psicopatia, elementos que rumam para imoralidade e o desrespeito com o próximo. Essas questões psicológicas estão implícitas nas apresentações dos cruéis personagens, algo que se soma a tensão das cenas que se seguem. O descontrole e o egoísmo se juntam à covardia de atos inescrupulosos, imperdoáveis.

Com ensaios que duraram apenas duas semanas, e rodado no estado de Louisiana, o longa-metragem tem cenas angustiantes, algo que deve ter sido um enorme desafio para todo o elenco, principalmente para a intérprete da protagonista, Sarah Butler.

A narrativa percorre o olhar para o medo, o desespero de forma bruta, intensa, não há muito respiro para a tensão que toma conta de todos os quase 110 minutos de projeção. Ao assistir ao filme, não fique surpreso se espectadores quererem fechar os olhos em muitas cenas. As sequências causam impacto.

Doce Vingança já tem mais de uma década que foi lançado e ainda gera incômodos quando pensamos sobre a obra. É um projeto complicado até para se rever, pode se gerar gatilhos. Pra quem quiser conferir, o filme está disponível na Prime Video.

Crítica | A Criada

UM FILME DE MUITAS CAMADAS

 

Assistir A Criada (Ah-ga-ssi/The Handmaiden) foi para mim uma alegria especial. Acompanho o trabalho do diretor Chan-wook Park desde seu primeiro sucesso – lembro-me da sessão quase vazia de Oldboy como se fosse hoje. Park alcança em A Criada seu apogeu estético. Todos os traços que caracterizam o seu estilo estão no filme, somado a um maior rigor formal.

A Criada é um filme de camadas. Como aquelas bonecas russas, que uma sai de dentro da outra, a cada hora que passa um outro filme se revela ao público. Sem dar detalhes, fiquemos na trama básica: no período da ocupação da península coreana pelo Japão, na década de 1930, Sook-Hee (Tae-ri Kim) torna-se criada de Lady Hideko (Min-hee Kim). Logo nos primeiros minutos, o filme já faz sua primeira revelação: Sook-Hee é uma falsária que está ajudando o golpista e falso Conde Fujiwara (Jung-woo Ha) a conquistar o coração de Lady Hideko para ficarem com sua fortuna. Além disso, o tio (Jin-woong Jo) de Hideko quer casar com a sobrinha para ficar com o dinheiro.

Isso tudo, descobrimos nos primeiros dez minutos de filme!, o que exige atenção do espectador. E tenha certeza, meu amigo leitor, o roteiro faz muitos outros contorcionismos. E, ao contrário de outros filmes do diretor, o público será sempre o último a saber. Mas, não vou estragar a experiência de vocês. Vamos falar de estilo!

O estilo de Park, notabilizado em Oldboy, está em A Criada: o visual delirante, o roteiro intrincado, as situação bizarras, o cruzamento de gêneros, os movimentos de câmera elaborados, tudo costurado com um rigor formal inédito na sua filmografia. Este rigor formal não é apenas força de expressão de crítico. Especialmente na primeira hora de filme, temos um Park quase classicista: a câmera é mais suave, os enquadramentos mais cuidadosos destacando sentimentos e relações, um andamento mais lento da narrativa. Se não fosse pelo clima de um universo paralelo (algo que o diretor cria tão bem) e pela mistura de gêneros (uma combinação entre suspense gótico e drama erótico), diria que a primeira hora fora dirigida por algum assistente.

Na segunda hora e, especialmente, nos minutos finais (são 2 horas e 24 minutos ao todo), o estilo que notabilizou Park surge com toda a força. E aqui vai uma grande qualidade de A Criada: o estilo se sujeita à narrativa. Assim como a verdadeira história vai se revelar apenas no final, escondida sob diversas reviravoltas, o estilo do Park aparece à medida que o filme vai chegando ao seu final. É como se na primeira hora, víssemos um Park da maturidade, e nos minutos finais, um Park jovial, do começo da carreira, como um Oldboy revivido.

Voltando para o roteiro, as reviravoltas também contribuem para as deficiências do filme. Primeiro, o diretor ainda não consegue criar personagens com os quais tenhamos profunda empatia. Em sua obra, seus personagens são pouco críveis, muito por causa das suas tramas excessivamente mirabolantes. Em A Criada, as muitas viradas impedem uma maior identificação do público com as personagens. Além disso, em uma revisão, a história perde força, pois as tantas reviravoltas criam um clima de vale tudo.

Os fãs do diretor vão se deliciar. Os não-iniciados talvez se assustem com as bizarrices e a longa duração. Por outro lado, eles podem apreciar o tempero diferente. Enfim, mesmo com os problemas, saí recompensado da sessão (vi o filme na Mostra de Cinema de São Paulo do ano passado), com a certeza de que um diretor tão querido ainda vai me proporcionar grandes momentos!

E, aí, o que achou do filme? Vamos, comente, compartilhe e curta nossas redes sociais:

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