Paramount e Warner Bros. terão que produzir 30 filmes por ano ou serão obrigadas a vender a Miramax

A aguardada união entre a Paramount e a Warner Bros. Discovery pode acarretar um tenebroso prejuízo, caso um dos principais pontos do acordo não seja cumprido. Segundo o site Deadline, a empresa resultante da fusão poderá ser obrigada a se desfazer da Miramax se não cumprir as metas de produção estabelecidas no documento firmado com as autoridades norte-americanas.

A cláusula faz parte do acordo negociado por procuradores-gerais de quatro estados dos Estados Unidos e determina que a companhia combinada produza pelo menos 30 filmes por ano durante os dois primeiros anos. Nos três anos seguintes, a meta sobe para 32 longas anuais.

Caso exista um déficit, a nova empresa terá um período de seis meses para compensar os filmes que deixaram de ser produzidos. Se a pendência não for resolvida dentro desse prazo, a companhia deverá vender toda a sua participação direta e indireta na Miramax para um comprador aprovado pelo comitê formado pelas autoridades estaduais.

Rob Bonya, procurador-geral da Califórnia comentou a respeito do acordo durante uma coletiva de imprensa. Na ocasião, ele reiterou que “uma das penalidades é estrutural: a venda de um ativo corporativo, no caso, a Miramax”.

A negociação também prevê uma multa de US$ 30 milhões para cada filme que deixar de ser produzido dentro da meta anual. O valor será dividido entre três partes, com 90% destinados aos trabalhadores da indústria cinematográfica.

Além da quantidade de lançamentos, o acordo estabelece exigências sobre o perfil dos filmes. Pelo menos quatro produções por ano deverão ser consideradas independentes, enquanto 20% do catálogo deverá ser formado por grandes blockbusters.

Para Bonta, a medida pretende evitar que a fusão provoque uma redução na produção de filmes, como teria acontecido após a união entre Disney e Fox. “Isso não apenas protege contra o lado negativo, mas garante um crescimento significativo”, afirmou o procurador-geral, ainda segundo o Deadline.

Embora não seja um dos maiores braços da Paramount, a Miramax continua sendo um ativo relevante. O estúdio foi responsável, em parceria, pelo novo filme da franquia ‘Todo Mundo em Pânico‘, que se tornou a maior bilheteria da Paramount no ano, arrecadando US$ 231,9 milhões mundialmente, sendo US$ 108,2 milhões apenas nos Estados Unidos. A empresa também produz a série ‘Magnatas do Crime‘, um dos maiores sucessos globais da Netflix.

A Miramax, contudo, não trabalha exclusivamente com a Paramount. O estúdio costuma levantar recursos por meio de vendas internacionais e financiamentos independentes, além de negociar os direitos de distribuição de seus projetos com diferentes companhias. Entre os títulos distribuídos por outros estúdios estão ‘Beekeeper: Rede de Vingança‘, lançado pela Amazon MGM, e ‘Os Rejeitados‘, que chegou aos cinemas pela Focus Features.

A Paramount possui 49% da Miramax desde 2020, enquanto os outros 51% pertencem ao grupo catariano beIN Media Group. Na época, a então ViacomCBS pagou US$ 150 milhões de um negócio avaliado em US$ 375 milhões e se comprometeu a investir outros US$ 225 milhões em novas produções e capital de operação.

Se a fusão entre Paramount e Warner Bros. for concluída e as metas não forem cumpridas, a Miramax poderá acabar sendo a primeira grande baixa do novo conglomerado — transformando uma das cláusulas do acordo em uma verdadeira bomba-relógio para Hollywood.

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