O Homem, a mala e a boneca inflável brasileira

Nossa vida útil profissional tem prazo. É assim em todas as carreiras. Com atores não é diferente. A antiga geração sai de cena para uma nova clamar seu lugar sob os holofotes. Esse é o motivo pelo qual vemos grandes atores do passado estrelando em produções verdadeiramente duvidosas. Ora, até mesmo o grande Marlon Brando (considerado um dos maiores astros de todos os tempos) bateu ponto em Loucos por Dinheiro (1998), na terceira idade. Atualmente é o veterano Robert De Niro, ainda possuindo o título de “maior ator vivo”, que parece não dar uma dentro.

Para os verdadeiros amantes da sétima arte, o ator terá para sempre o seu lugar num pedestal, devido aos trabalhos iniciais (vide Taxi Driver e Touro Indomável). Para a nova geração de entusiastas, De Niro é o tio que se mete em bomba atrás de bomba. Profissão de Risco (The Bag Man) não ajuda a modificar a imagem do monstro sagrado junto aos jovens. Se serve de consolo, podemos dizer que aqui De Niro pega um papel de coadjuvante, aparecendo somente em três cenas. Este é um filme que perfeitamente poderia ter sido lançado em vídeo e duvido da longitude de sua carreira nas telonas.

Profissão de Risco 1

Nesta produção B até a alma, John Cusack é o delinquente genérico, Jack. Logo na cena de abertura, o gangster Dragna (De Niro) lhe explica sua missão com pedaços de carne e legumes. Uma simples entrega se transforma num pesadelo alucinógeno, quando Jack, ferido, precisa se hospedar no quarto de número 13 de um motel de beira de estrada. Surgem em seu caminho um bizarro gerente cadeirante (vivido pelo especialista em personagens estranhos, Crispin Glover), uma prostituta, seus dois cafetões (um anão e um caolho) e policiais abusivos.

Filmes B podem ser divertidos, tudo depende da forma como você os vê. No entanto, não há como negar que Profissão de Risco (que faz uso do mesmo título em português de um bom filme de Johnny Depp) é um filme ruim. Sua estranheza não redime sua seriedade. Cusack, que começou a carreira na década de 1980 e ensaiou entrar para o primeiro time de Hollywood na década passada, também encontra-se em baixa, com lançamentos direto para vídeo. Aqui, não são apenas seu personagem e o nome que são mundanos, o ator parece ligado no automático.

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Profissão de Risco 4

Porém, nada se compara com a assustadora performance robótica da brasileira Rebecca da Costa. No filme, interpretando a prostituta Rivka, nossa conterrânea entrega uma das atuações mais bizarras da sétima arte. E algo me diz que não propositalmente. A atriz faz beicinho, diz seus diálogos de forma monotônica, exala uma falta de expressão e sentimentos impressionante. Suas encaradas para o nada são o que mais chamam a atenção. O fato aproxima a atriz de uma boneca inflável ou de um manequim. Numa produção imperceptível, Rebecca chama a atenção de forma inusitada.

Profissão de Risco 3

Sabemos o quanto é ruim depreciar um profissional brasileiro batalhando por uma vaga na competitiva indústria americana. Mas não é ético deixar de apontar a atuação sem vida da recifense. Até mesmo a mexicana naturalizada brasileira, Gisele Itié, se saiu muito melhor em Os Mercenários (2010), de Sylvester Stallone. Mesmo sem a obra exigir tanto dela. De Niro é o melhor em cena, com um personagem mais chamativo, que fisicamente lembra uma mistura do apresentador Larry King com o personagem Brick Top (Alan Ford), do filme Snatch – Porcos e Diamantes (2000). Evite esta exibição pouco inspirada do Supercine.


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