É inegável como os seriados televisivos evoluíram e se transformaram de um mero entretenimento de consumo fácil e rápido, para obras realmente ressonantes dentro de nossa cultura popular. Antes era meramente escapismo, mas aos poucos os seriados começaram a demonstrar que as produções cinematográficas precisariam se esforçar mais se quisessem reinar absolutas como antes. De fato, grande parte dos espectadores são adeptos dos programas televisivos e privilegiam esta forma de arte acima do conteúdo cada vez mais voltado ao público juvenil que “entope” grande parte dos complexos de salas de cinema.

Existe o ditado popular de que “o teatro é o meio do ator, o cinema é o meio do diretor, e a TV é o meio dos roteiristas”. Mesmo que isso já tenha mudado, com séries que possuem um verdadeiro escopo cinematográfico, vide Game of Thrones, Westworld e o recente Round 6, os seriados seguem sendo o melhor lugar para mentes criativas trabalharem todo o potencial de sua originalidade, com roteiros únicos e repletos de imaginação. Para cada membro da audiência, uma série específica serve como ponto divisor de águas para simbolizar essa mudança para a chamada “nova fase dos programas de TV”. Embora muitos possam citar Lost como referência, para este amigo que vos fala, o interesse havia sido criado um pouco antes, com o eletrizante 24 Horas.

Pensando em como as séries de TV dominam o mercado do entretenimento audiovisual como nunca anteriormente, e o gosto dos fãs, resolvemos lembrar nesta nova matéria os programas que completam 10 anos de sua estreia em 2021 e continuam extremamente populares, nas bocas e mentes do público. Confira abaixo e não esqueça de comentar.

10) Lobo Adolescente



Intitulado originalmente Teen Wolf, o programa é a adaptação para a TV do filme O Garoto do Futuro, de 1985. A comédia estrelada por Michael J. Fox falava sobre um rapaz descobrindo ser um lobisomem através de uma “maldição” de família, mas as situações são todas levadas de forma humorística. O filme se tornou uma obra cult, gerou um desenho animado e uma continuação ainda na década de 80. Pulamos para 2011, numa época em que seres mitológicos associados com o terror, como lobisomens e vampiros, tinham como espelho o bem sucedido financeiramente, porém, igualmente muito repudiado Crepúsculo, cuja franquia estava a pleno vapor. Desta forma, a história criada por Matthew Weisman (que também escreveu Comando para Matar no mesmo ano) sofria uma “repaginada” a la Crepúsculo, transformando a narrativa num drama adolescente – não por menos tendo a MTV como produtora. A série bem sucedida durou 6 temporadas até 2017.

09) Pessoa de Interesse

Aproveite para assistir:

Indo ao ar pela rede americana CBS, com produção da Warner, aqui temos um verdadeiro time de pesos pesados. Produzido por J.J. Abrams e criado por Jonathan Nolan, irmão e parceiro criativo de Christopher Nolan, a série de ação e suspense usa a alta tecnologia – como é bem típico dos irmãos Nolan – como carro-chefe de seu enredo. Na trama, um milionário (papel de Michael Emerson, de Lost) desenvolve uma tecnologia para o governo norte-americano capaz de prever ataques terroristas e crimes de forma geral ao monitorar os telefones celulares do mundo inteiro. Por essa sinopse podemos ver que Nolan talvez tenham se inspirado em elementos de O Cavaleiro das Trevas (2008) e Minority Report (2002) para compor seu thriller. Jim Caviezel e Taraji P. Henson completam o elenco principal. A série durou 5 temporadas até 2016.

08) New Girl



Primeira comédia da lista. A série criada por Elizabeth Meriwether, que no mesmo ano escreveria e produziria o romance Sexo sem Compromisso, visava capitalizar em cima da imagem de pixie girl criada pela atriz Zooey Deschanel, então recém-saída do queridíssimo sucesso 500 Dias com Ela. Não por menos, Deschanel além de estrelar, é também uma das produtoras do programa. A ideia era ter a atriz num papel que tinha muito de sua personalidade excêntrica-engraçadinha. Ela pega a traição do namorado e se vê sem lugar para morar, precisando dividir um apartamento com três rapazes solteiros. Vira e mexe a protagonista solta a voz em canções, adicionando elementos leves de surrealismo. O programa da Fox Television ficou no ar por 7 Temporadas até 2018.

07) Once Upon na Time

Já imaginou uma história onde diversos personagens de contos de fadas de fato fossem reais, vivendo em uma terra de magia? Essa era a proposta da criação de Adam Horowitz e Edward Kitsis, ambos produtores de Lost. Bruxas, piratas, fadas, princesas e os mais conhecidos personagens da mitologia infantil, como o Capitão Gancho, a Bela (de A Bela e a Fera) e Robin Hood desfilavam em tela, se mostrando tão reais e humanos quanto qualquer um de nós. Na trama, uma mãe (Jennifer Morrison) e seu pequeno filho embarcam numa viagem para uma terra mágica, após descobrirem que ela é na verdade a filha de Branca de Neve com o Príncipe Encantando, iniciando assim uma aventura que duraria 7 temporadas até 2018. O programa foi ao ar pela rede ABC.

06) Shameless

O programa do canal a cabo Showtime, com produção da Warner, tem como atrativo a presença do veterano William H. Macy. O ator consagrado vive um pai de família irlandesa, que devido ao seu alcoolismo deixa a criação de seus cinco filhos, para sua sexta filha mais velha, Fiona, papel da graciosa Emmy Rossum. Enquanto lida com os problemas do pai irresponsável e precisa tomar as rédeas da família na criação dos irmãos, a protagonista ainda equilibra trabalho e sua vida sexual – onde o programa capricha em cenas mais picantes da nudez da bela atriz. Uma das garantias de uma exibição em um canal a cabo. Baseado num programa britânico de 2004 de mesmo nome, Shameless foi adaptado para os EUA pelos próprios criadores do original, Paul Abbott e John Wells, e durou 11 temporadas, chegando ao fim em abril deste ano. O programa mantém o recorde para o canal Showtime como o seriado mais duradouro de sua história.

05) American Horror Story

Ao contrário de todos os itens acima que completam 10 anos de sua estreia, mas já encerraram suas exibições de episódios inéditos – com Shameless chegando ao fim este ano -, AHS (como é conhecida pelos íntimos) exibe atualmente sua décima temporada, e já renovou com o canal FX para mais três temporadas. Isso que é sucesso. Criada pelo midas da TV norte-americana Ryan Murphy, o segredo por trás do programa de terror é se tratar de uma antologia, onde a cada temporada temos uma história contendo começo, meio e fim; sem muita ligação com a temporada seguinte. Muitos dos atores da trupe inclusive interpretam personagens diferentes a cada novo ano. Os temas usados como premissa para as temporadas muitas vezes refletem parte do folclore macabro dos EUA.



04) Homeland

Dez anos após o maior ataque terrorista de todos os tempos, ocorrido em solo norte-americano, o fatídico 11/9, este programa de muito sucesso aborda justamente as feridas deixadas ainda muito abertas e como as agências dos EUA tratam a prevenção de qualquer ameaça de forma extremamente paranoica – e não tinha como ser de outra forma. O seriado é na verdade uma adaptação do israelense Prisoners of War (Prisioneiros de Guerra), criada por Gideon Raff. O mesmo Raff serve de produtor na versão americana – trazida para o país por Alex Gansa e Howard Gordon, produtores bem sucedidos tendo no currículo séries como Arquivo X e 24 Horas. Na trama, Claire Danes é a agente da CIA Carrie Mathison. Ela está decidida e começa a juntar provas de que um militar americano capturado atrás das linhas inimigas, papel de Damian Lewis, tendo passado anos como prisioneiro, sofreu lavagem cerebral do grupo terrorista al-Qaeda e agora se tornou um traidor em solo americano. O problema é que a protagonista foi diagnosticada como bipolar e sua desconfiança pode ser apenas sua doença a atacando e a fazendo extremamente paranoica. O programa chegou ao fim após 8 temporadas no ano passado.

03) Suits

Séries sobre advogados sempre fizeram muito sucesso com o público, e sua popularidade é equivalente aos seriados de medicina e hospitais, sendo produzidos aos montes. Aqui, a sacada por trás do programa criado por Aaron Korsh é que traz a trapaça de seu protagonista Mike Ross (Patrick J. Adams), que abandonou a faculdade de direito, e mentiu em seu currículo para poder arranjar emprego na renomada firma de advocacia de Harvey Specter (Gabriel Match). Outra curiosidade aqui é a presença de Meghan Markle no elenco, atriz divorciada que viria a ser tornar a duquesa de Sussex ao ser casar com o príncipe Harry da Inglaterra – depois ambos optaram por abandonar as obrigações e ligações com a família real. Suits ficou no ar por 9 temporadas até 2019.

02) Black Mirror


“Isso é tão Black Mirror”. O bordão pegou, mas por motivo da qualidade extrema da série. Fenômeno entre todas as gerações hoje, é indiscutível que o programa de antologia que usa como tema os “malefícios” da tecnologia em seus mais variados âmbitos se beneficiou bastante após a compra da Netflix, que produziu as novas temporadas a partir da terceira. Acontece que originalmente o programa criado por Charlie Brooker era uma produção britânica da rede Channel 4, onde exibiu suas duas primeiras temporadas, em 2011 e 2013. Descendente direto de Além da Imaginação (Twilight Zone), com episódios que são histórias próprias contidas com começo, meio e fim, o diferencial de Black Mirror, como dito, é centrar suas subtramas em um futuro próximo onde a tecnologia faz parte direta de nosso dia a dia, muitas vezes trazendo tantos malefícios quanto benefícios. A partir da terceira temporada, nas mãos da Netflix, foi quando a série realmente decolou e atingiu um novo patamar de popularidade. Com 5 temporadas lançadas até 2019, e um filme interativo em 2018, a série está atualmente na geladeira devido a um “atrito” envolvendo os criadores terem deixado a produtora do programa e saído para criar uma nova empresa – o que está criando uma certa disputa legal pelos direitos. Enquanto isso não for resolvido, nada de sexta temporada.

01) Game of Thrones

Não tinha como ser de outra forma. Embora Black Mirror seja uma série muito cultuada, nenhuma outra se compara ao sucesso de popularidade que foi Game of Thrones. A criação de George R.R. Martin, autor de uma série de livros, de certa forma pegou carona no sucesso de aventura e fantasia que foi a trilogia Senhor dos Anéis na década anterior – adicionando, é claro, elementos mais sombrios, crus e violentos. Aqui, o sangue escorria de verdade, além do programa ser pontuado com inúmeros momentos quentíssimos de sexo e nudez. Ou seja, é Senhor dos Anéis bem mais rock n roll. A Guerra dos Tronos é uma história de disputa, repleta de traições, mortes inesperadas e reviravoltas capazes de chocar até mesmo o espectador mais experiente. Uma verdadeira obra-prima. Bem, digamos, a não ser pelo desfecho, que terminou desagradando muita gente. Mas nada que tire o brilho e o investimento de um seriado que foi uma verdadeira comoção. Como há muito não se via.

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