007Sem Tempo para Morrer estreou recentemente nos cinemas mundiais e se tornou sucesso de crítica e bilheteria. Uma das partes mais importantes em todos os filmes da franquia são as personagens femininas que adornam a trama. Conhecidas como Bondgirls, o termo não é pejorativo, muito pelo contrário. Se refere às mulheres fortes que encaram a aventura ao lado do espião mais famoso do cinema, sejam elas agentes treinadas igualmente, ou donas de qualquer outra ocupação. Temos também as personagens que encaram 007 de igual para igual, algumas inclusive aliadas do vilão.

Continuando nosso especial comemorativo da despedida de Daniel Craig do papel e o fim de uma era, daremos uma olhada nestas personagens femininas inesquecíveis que abrilhantaram a franquia e definitivamente são grande parte de seu sucesso. Aqui, selecionamos as nossas dez Bondgirls preferidas. Confira abaixo e como sempre deixe nos comentários a lista com as suas favoritas.

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10 – Paloma (Ana de Armas)



Começamos a lista com um item novíssimo. A cubana Ana de Armas está no elenco do mais recente filme de 007, Sem Tempo para Morrer. E sua participação é marcante o suficiente para garantir um lugar em nossa lista. Ela interpreta uma agente secreta cubana chamada Paloma, contato de James Bond em uma missão em Cuba, apresentada por Felix Leiter, o usual colega da CIA de 007. Paloma é uma espiã novata e se mostra extremamente nervosa em campo. Porém, contradizendo as expectativas, ela se sai maravilhosamente bem, chutando muitos traseiros. Além, é claro, de ser bela num nível estonteante. Seu lugar na lista só não é mais alto porque a personagem faz apenas uma participação especial, aparecendo rapidinho numa única cena.

09 – Melina Havelock (Carole Bouquet)

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Chegando em nona posição temos a francesa Carole Bouquet como a jovem trágica Melina Havelock. Como de costume na franquia, quando as personagens femininas não são agentes, elas geralmente são figuras de história trágica buscando vingança. E Melina recai nesta segunda categoria. Sua história se cruza com a dos vilões de Somente para Seus Olhos (1981), quando sua família de aventureiros se depara com um artefato raro visado por criminosos e terminam sendo alvos dos mesmos, sendo inteiramente assassinada. Apenas Melina sobrevive e começa arquitetar sua vingança. Munida de uma arma que dispara uma flecha, conhecida como besta, a bela morena de cabelos lisos escorridos, termina encontrando um ponto em comum: o espião 007. Juntos eles irão colaborar para o mesmo objetivo e também se apaixonar. Somente para Seus Olhos é conhecido como o episódio mais sóbrio da era Roger Moore na franquia.

08 – Pussy Galore (Honor Blackman)



Interpretada pela loira de aparência sisuda Honor Blackman, a rebelde Pussy Galore tem todos os atrativos que constituiriam as personagens conhecidas como Bondgirls. Para começar possui um nome para lá de provocativo. Segundo, podemos dizer que foi a Bondgirl que ganhou mais destaque logo no início da franquia, depois da original Honey Ryder. Isso porque a Bondgirl do segundo filme não foi tão marcante assim. Blackman, saída do seriado de espionagem Os Vingadores, teve a sorte de participar no que é considerado o melhor episódio da era de Sean Connery, e um dos melhores da franquia: Goldfinger. Pussy Galore é o braço direito do vilão Auric Goldfinger, e sua chefe de segurança, que comanda um “exército” formado só de mulheres. Dura na queda, aos poucos ela vai deixando seu lado mais doce aflorar uma vez que entende melhor quem é quem no jogo que está jogando, e se envolve com Bond.

07 – Jinx (Halle Berry)

Presente em Um Novo Dia para Morrer (2002), foi uma surpresa para todos ver uma atriz do porte de Halle Berry (que havia acabado de ganhar um Oscar) embarcar como Bondgirl num filme de 007. Mas sua personagem tem atrativos o suficiente e fez por merecer. Agente americana da CIA, a Jinx de Berry é a primeira Bondgirl principal negra da franquia. Fora isso, como o filme marcava o vigésimo longa da franquia e comemorava os 40 anos dos filmes de James Bond, uma homenagem era feita com a personagem trajando um biquíni que remetia à primeira Bondgirl Honey Ryder. A personagem de Halle Berry foi uma de três agentes que se mostraram à altura de 007, realizando façanhas tão inacreditáveis quanto as dele, e a segunda para a qual foi prometido um filme solo. O seu inclusive chegou muito perto de acontecer, contratando diretor e roteiro. Uma pena não ter rolado.

06 – Wai Lin (Michelle Yeoh)

Por falar em Bondgirls que quase ganharam um derivado solo… Michelle Yeoh fazia uma ótima transição de seus filmes de ação asiáticos para Hollywood numa das maiores franquias do mundo. Sua participação ocorreu em O Amanhã Nunca Morre (1997), o segundo filme da era Pierce Brosnan. No filme, Yeoh viveu Wai Lin, uma espiã chinesa (nacionalidade da atriz), enviada para investigar os planos de Elliot Carver, um magnata da mídia que pretende jogar a China contra a Inglaterra. Do lado oposto temos James Bond investigando pelo MI6. Em muitos sentidos, Wai Lin rouba os holofotes de 007 neste filme, sendo uma versão mais preparada e uma verdadeira às das artes marciais. O sucesso da personagem foi tanto, que alguns anos antes de Halle Berry e Jinx quase ganharem um derivado, o mesmo havia sido prometido a Yeoh. Infelizmente, algo que também não vingou.

05 – Octopussy (Maud Adams)

Embora muitos considerem 007 Contra Octopussy (1983) um dos episódios mais fracos da franquia, particularmente tenho um apresso por este longa e o destaco como um dos mais interessantes da fase Roger Moore. Tudo bem que o filme pega “carona” no sucesso das aventuras de matinê revividas em grande estilo por Indiana Jones (1981), mas o penúltimo filme protagonizado por Moore guarda em sua manga alguns marcos interessantes para a franquia. Primeiro, desbancou nas bilheterias o todo poderoso Sean Connery no ano que ficou conhecido como o “duelo dos Bonds” nas telonas. Connery retornava fora da cronologia oficial numa produção da Warner intitulada Nunca Mais Outra Vez, mas quem se deu melhor financeiramente foi o filme de Roger Moore. Segundo, que pela primeira vez na série de James Bond um filme recebia como título o nome de uma personagem feminina: a Bondgirl Octopussy. A contrabandista com fortes laços com a cultura indiana vivida pela bela Maud Adams é uma das personagens mais ambíguas da franquia; um misto de vilã principal e depois aliada de respeito. Uma das mulheres mais poderosas da franquia.



04 – Teresa ‘Tracy’ di Vincenzo (Diana Rigg)

A condessa Tracy di Vincenzo é provavelmente a personagem que possui o maior legado nas páginas dos livros de Ian Fleming. Ela é simplesmente o grande amor da vida de James Bond, conquistando o coração do agente secreto 007 ao ponto de se casarem. Provando definitivamente assim que Tracy estava longe de ser apenas mais uma conquista para o agente da Rainha. Na versão cinematográfica, Tracy foi vivida pela ruivinha Diana Rigg, assim como Honor Blackman antes dela, outra atriz saída do seriado de espionagem britânico Os Vingadores. Uma curiosidade é que uma personagem tão marcante como Tracy não ganhou o James Bond original e sim seu substituto. Tracy aparece em A Serviço Secreto de Sua Majestade (1969), justamente o filme que Sean Connery não topou fazer, sendo substituído por George Lazenby. Como sabemos, após o casamento, Tracy é assassinada por Blofeld, fato que ecoa na franquia por filmes que viriam depois.

03 – Honey Ryder (Ursula Andress)

Se Sean Connery foi o primeiríssimo James Bond do cinema, a beldade suíça Ursula Andress pode se gabar de igualmente ter inaugurado a franquia como a primeira Bondgirl principal dos filmes de 007. A atriz marcaria com inúmeros atributos do que viriam a ser tais personagens dentro da franquia: em especial a característica aventureira e a parceria ao lado do espião enfrentando os perigos. Tais personagens também iriam evoluir, enquanto a Honey Ryder de Ursula Andress pode ser definida como a “mulher errada, no lugar errado e na hora errada”. Uma caçadora de conchas marinhas, a loira aparece em cena trajando apenas um biquíni e sua faca (figurino homenageado por Halle Berry em Um Novo Dia para Morrer). Andress compôs Ryder como uma jovem mulher ingênua em O Satânico Dr. No (1962), que se vê no meio de uma intriga internacional de espionagem entre potências do mundo, precisando lutar por sua vida.

02 – Major Anya Amasova (Barbara Bach)


Também conhecida como a agente Triplo X (bem mais afável aos olhos do que o careca brucutu Vin Diesel), a Major Amasova é uma versão feminina de 007 saída da União Soviética bem na época da Guerra Fria. E se mais para a frente na franquia enaltecemos personagens como a chinesa Wai Lin e a americana Jinx – que quase ganharam seus filmes solo derivados – podemos agradecer à personagem de Barbara Bach por esta projeção feminina. Tudo começou com ela, e Amasova foi a primeira personagem criada nestes moldes de igualdade com o protagonista. Até já havíamos tido antes na franquia personagens femininas de muita atitude, porém, a major Amasova era uma agente secreta servindo seu país, realizando missões cujo resultado definiriam o destino do mundo; justamente assim como o herói James Bond. Ou seja, era uma personagem à altura. O interessante de O Espião que me Amava (1977) é colocar agentes de países rivais em um conflito, precisando colaborar, apesar de à contragosto, e terminarem se apaixonando. Essa temática do “amor vence a guerra” foi o que fez o terceiro filme de Roger Moore como 007 emplacar no gosto geral.

01 – Vesper Lynd (Eva Green)

Primeiras posições de listas serão sempre polêmicas. Afinal, são quase como o desfecho de um filme. E como é difícil um “The End” satisfatório. Aqui, seguindo de perto as escolhas de Cassino Royale (2006) como o melhor filme da franquia, e Daniel Craig como o melhor James Bond de todos, temos uma Bondgirl saída do mesmo filme. Sim, 007 já havia se apaixonado e até se casado anteriormente. Ele também já havia encontrado personagens femininas à altura de seu talento como espião. Porém, aqui ocorre algo inédito com a personagem da francesa Eva Green: ela consegue pegar o coração de um agente ainda sem muita experiência, em seus primeiros anos de atividade, amassá-lo e jogá-lo no lixo. É a subversão perfeita para um protagonista que pulava de cama em cama, trocando de parceiras como quem troca de roupa. É impossível não pensar em 007 como um machista mulherengo ao longo de suas encarnações no passado. Então, numa espécie de castigo divino ou ironia máxima, uma personagem como Vesper Lynd foi tão bem-vinda. Aquela história de que gostamos de quem não gosta da gente. Mas Vesper não era uma bruxa cruel, ela apenas seguiu seu coração. E se precisou trair e manipular no caminho, foram apenas ossos do ofício. Uma coisa é certa, marcou toda a era Craig, até o desfecho em Sem Tempo para Morrer.

Bônus: Nomi / 007 (Lashana Lynch)

A esta altura talvez não seja mais segredo para ninguém que o último filme da era Daniel Craig da franquia realizou o sonho de muita gente de ver uma mulher como agente 007. E isso marcou não apenas uma forma de empoderamento feminino, como também muita representatividade racial, afinal temos uma mulher negra como a nova 007. Na época, tal possibilidade criou muita controvérsia entre os fãs mais puristas. Mas ao invés de lançar um filme protagonizado por uma 007 mulher, os produtores foram sábios em continuar mantendo Craig como o 007 principal, e testar aos poucos a popularidade de Nomi, a possível 007 substituta. Na trama de Sem Tempo para Morrer, James Bond se aposenta do serviço secreto, como já havia feito em filmes anteriores. O espião termina substituído por Nomi, uma agente durona, que se mostra igualmente habilidosa, e embora haja inicialmente uma rivalidade entre os dois pelo título do número, Nomi abre mão da famosa designação. A pergunta é: será que veremos Nomi novamente na franquia?

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