Bling Ring – A Gangue de Hollywood (2)

Bling Ring – A Gangue de Hollywood (2)

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SOFIA COPPOLA JOGA OS HOLOFOTES NA CULTURA TRÁGICA DAS SUB-CELEBRIDADES

Apesar de ser o novo trabalho de uma das cineastas americanas mais talentosas da atualidade, não devo ter sido o único que recebeu “Bling Ring – A Gangue de Hollywood” com certa incredulidade. A grande barreira aqui é que o filme aborda um tema, digamos, sem muito valor substancial. Isso acontece quando o assunto escolhido para uma produção cinematográfica é muito recente (coisa que temos presenciado cada vez com mais frequência), gerando comparações imediatas e deixando pouco espaço para as liberdades poéticas.

Afinal, muitos acompanharam o ocorrido real através da mídia, e sabem exatamente o que se passou. Transformar o fato em filme é uma missão difícil. Fico imaginando Sofia Coppola como o personagem de Nicolas Cage no filme “Adaptação”, com o encargo de adaptar para o cinema um livro sobre plantas. É quase isso o que ocorre com o novo trabalho de Coppola, baseado num artigo da revista Vanity Fair, escrito por Nancy Jo Sales, que tratava dos crimes reais de um grupo de jovens da classe alta de Beverly Hills.

2.5

Os adolescentes obcecados por celebridades (com quem a maioria dos adultos e pessoas inteligentes não se importam), decidem entrar sem cerimônias em suas mansões ao descobrirem que os mesmos não se encontram nos locais, e fazer a “limpa” em seus closets. E lá se vão tours pelas casas de personalidades como Paris Hilton, Orlando Bloom e sua namorada modelo, e Lindsay Lohan. Em sua maioria jovens problemáticos e perdidos, eles mesmos. Duvido que algum deles se interessaria em descobrir aonde mora a diretora Sofia Coppola, e talvez essa seja grande parte da graça.

     

Com um tema desses não é de se espantar a falta de interesse de muita gente. No entanto, o ditado não julgue um livro pela capa entra em jogada, quando temos no comando de uma obra Sofia Coppola, filha mais nova do consagrado Francis Ford Coppola, e primeira mulher americana a ser indicada ao Oscar de melhor diretora (pela obra-prima “Encontros e Desencontros”).

3

Alguns fatores contrabalanceiam o tema, como a presença da talentosa Emma Watson, que ano passado se desvencilhou da imagem de sua personagem em “Harry Potter”, no excelente “As Vantagens de Ser Invisível”, e que logo em breve mostrará muito mais. Embora Watson não seja a protagonista aqui, ela ganha destaque e consegue roubar muitos dos momentos nos quais aparece.

Mesmo levando em conta que a sátira de Coppola planeja apontar o quão ridículo é o comportamento desse tipo de jovem, fazer uma sátira não é fácil, e muitas não conseguem atingir seu objetivo terminando por deixar seu alvo ileso. O filme da cineasta, como era de se esperar, é extremamente bem feito. Desde a escolha da trilha sonora (coisa que a diretora acerta em todos os seus filmes), como a montagem mesclando cenas quase documentais, com entrevistas, e estéticas curiosas.

4

Em um momento, Coppola nos mostra de longe dois jovens andando por uma mansão envidraçada na colina, com a câmera fixa de longe, e vemos os atores passarem de um cômodo para o outro. Os textos iniciais explicando o que a obra será, é uma decisão acertadíssima, e de certa forma isenta e se distancia desde o início dos fatos apresentados. A diretora diz que não condena e tampouco aplaude o ocorrido.

Mas fica óbvio ao vermos algumas caricaturas, como a mãe de duas das jovens interpretada por Leslie Mann, que tenta passar ensinamentos pertinentes para suas filhas através do livro “O Segredo”, e até mesmo a maioria das cenas de Emma Watson (feitas quase todas para arrancar o riso), que Coppola está rindo de toda uma geração que busca a fama sem realmente ter feito nada para merecê-la.


Após ‘Mãe!’, Darren Aronofsky gostaria de comandar ‘O Homem de Aço 2’!


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