Círculo de Fogo (3)

Círculo de Fogo (3)

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MATANDO SAUDADES DE JASPION!

Quem via na juventude filmes do Godzilla ou é mais novo e acompanhava as séries de heróis japoneses na televisão, deve se deleitar com o último trabalho de Guillermo del Toro. Em Círculo de Fogo, monstros gigantescos saem de fendas no Oceano Pacífico e começam a destruir as cidades. São os chamados Kaijus. Os governos de todo o planeta se unem e criam o projeto Jaeger. ­Robôs tão grandes quanto os Kaijus, os Jaegers começam a ganhar as batalhas, até que criaturas ainda maiores aparecem.

E quando se fala em grandes, pensem em gigantes. Se falarmos em gigantes, pensem em hipergigantes. Enfim, para sermos moderninhos, são ubergigantes! Os que assistiam aos seriados e filmes de heróis/monstros japoneses vão se lembrar que, para criar a ideia de gigantismo, os cenários eram formados por prédios ou montanhas em miniatura que malmente ultrapassavam os pés dos monstros.

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Del Toro foi profundamente influenciado por esses filmes. E Círculo de Fogo carrega as características básicas daqueles velhos japoneses: brigas elaboradas, criaturas incríveis, robôs poderosos. Del Toro é um cineasta com visão plástica sofisticada. Em seus filmes predominam enquadramentos de qualidades, uma câmera leve – mesmo em cenas de ação – e, uma marca, a incrível capacidade de criar criaturas fantásticas. Quem assistiu ao Labirinto do Fauno tem marcado na memória criaturas como aquele com os olhos nas mãos.




Del Toro usa essa potência visual para modernizar os velhos monstros japoneses. A proximidade estética com os originais foi mantido, tanto que, se não existissem efeitos visuais, poderiam ser feitas fantasias para atores vestirem. Claro, teriam que criar uma Hong Kong em miniatura!

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O apuro estético se revela também na direção de câmera e na edição. Nada de cortes rápidos, como imagens trocando a cada segundo. Del Toro opta por demorar a fazer o corte. Comparando com Transformers, no qual a rapidez das imagens pode desnortear o espectador, em Círculo de Fogo conseguimos apreciar detalhes de cada criatura, de cada luta.

Outra marca da direção de del Toro é a capacidade de conciliar entretenimento popular com qualidade. Em outras palavras, ele fala com o grande público sem tratá-lo como um bando de idiotas. É fácil ouvir alguém falando que para apreciar certo filme é preciso desligar o cérebro. Aqui não tem disso!

Círculo de Fogo respeito a inteligência do seu público. São 131 mins. de narrativa ágil, com união sequências de ação com uma história emocionante. A direção não foco apenas nas lutas. Há uma dimensão humana no filme. A saída encontrada é a forma como os Jaegers são controlados. Duas pessoas com suas memórias entrelaçadas. Um sente o que o outro sente. Claro que os protagonistas Raleigh Becket (Charlie Hunnam) e Mako Mori (Rinko Kikuchi) são as figuras mais aprofundadas. Contudo, a narrativa é tão equilibrada que sobra espaço para nos envolvermos com outras pessoas, como Herc Hansen (Max Martini) e seu filho Chuck Hansen (Robert Kazinsky). Não há emoção barata. Não temos personagens-carcaças, todos conseguem ter alguma personalidade.

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Claro que não estamos falando de personagens de profundezas abissais. Mas não são apenas figuras. Há humanização nesses sujeitos. E isso é moeda rara em certo cinema de ação. E tudo embrulhado em pura nostalgia. Nossa! Matei saudades do Jaspion!





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