Crítica | A Grande Aposta

Crítica | A Grande Aposta

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Aula de Economia Divertida

Em 2008, os EUA sofreu um dos maiores impactos em sua economia na história de todo o país. Obviamente tal impacto foi refletido no mundo inteiro. A situação foi tão séria que serviu de tema (um bem suculento, diga-se) para diversas produções cinematográficas e televisivas. Obras como Margin Call – O Dia Antes do Fim (2011), Grande Demais para Quebrar (2011) e o documentário Trabalho Interno (2010), narrado por Matt Damon, abordaram o assunto em níveis variados de profundidade, eficiência e sucesso.

No entanto, nenhum dos filmes mencionados acima utilizava um fator decisivo que deve ser levado em consideração na hora do ensino: o humor, que resulta na acessibilidade. Em qualquer aula, em especial de um tema complexo e de difícil abordagem para leigos (a maior parte do público), é necessário criar identificação. É necessária a proximidade com coisas mundanas, que vivemos no dia a dia. Exemplos aplicáveis. E o humor é a porta de entrada de tudo isso.

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A Grande Aposta, novo filme a abordar a fatídica crise imobiliária norte-americana, que gerou a bolha de um dos maiores problemas na economia do país, produzido pelo astro Brad Pitt e com um dos elencos mais chamativos do ano, vinha anunciado como uma obra densa, mas de pedigree, sobre o tema. A surpresa é justamente o uso intenso do humor, que resultou na classificação de comédia ou musical para o filme no Globo de Ouro. A Grande Aposta é o que toda aula chata deveria ser.

Para explicar vários termos ou situações de economia, por exemplo, o filme utiliza artifícios espertinhos, tornando a linguagem rápida, moderna e jovem. A montagem é dinâmica, e o filme traz a participação de belas como Margot Robbie e Selena Gomez para exemplificar com facilidade como tudo funciona dentro de um assunto que a maioria não domina. O Resultado termina por criar uma ponte de fácil e divertido acesso.

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Fora isso, existe a quebra da quarta parede, termo usado quando personagens no filme falam diretamente com a câmera, ou seja, com você, o público. Um dos exemplos mais famosos disso é o quintessencial da Sessão da Tarde, Curtindo a Vida Adoidado. Além de todos estes “truques” para criar maior proximidade, o texto por si só já é bastante sortido de comicidade. Não deixando mentir, no comando temos um especialista. Adam McKay é o diretor de rasgos humorísticos como O Âncora (2004), Ricky Bobby – A Toda Velocidade (2006), Quase Irmãos (2008), Os Outros Caras (2010) e Tudo por um Furo (2013), ou seja, os melhores filmes de Will Ferrell.




Aqui, McKay aposta em seu primeiro filme “sério”, com um elenco do primeiro escalão, que não por menos inclui o parceiro de comédias Steve Carell (ator que já provou prestígio longe do gênero, como no recente Foxcatcher). Carell é um dos alívios cômicos na pele de Mark Baum, um dos sujeitos que previram a “bolha” e possui um temperamento explosivo.

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A trama e seus personagens, tudo baseado em fatos, é somente uma desculpa para nos contar, pela primeira vez da forma acessível, o terrível mal que assolou o mundo. A Grande Aposta serve também de conto cautelar. Diversos personagens circulam pela tragédia, alguns tentando impedi-la, outros lucrando com ela. No elenco, temos ainda Christian Bale, como Michael Burry, o gênio antissocial e primeiro a subir a bandeira vermelha, Ryan Gosling na pele de Jared Vennett, um almofadinha (e melhor personagem do filme) e Brad Pitt envelhecido e cansado como Ben Rickert, um consultor fora do jogo. Ao término da sessão só podemos desejar que todas as aulas fossem sempre assim.

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