Crítica | Em Busca de Vingança – O Schwarzenegger mais dramático do cinema

Crítica | Em Busca de Vingança – O Schwarzenegger mais dramático do cinema

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Tragédia Anunciada

Pessoas de minha geração possuem um carinho especial por Arnold Schwarzenegger. Ele, obviamente, ajudou a moldar o perfil cinéfilo de vários como eu, despertando em milhões de crianças pelo mundo (ao longo das décadas de 1980 e 1990) o prazer pelo cinema. Honestamente, sinto uma imensa pena de quem não guarda qualquer valor nostálgico do cinema da infância e mais ainda de quem não os tem (será que existe tal filho de chocadeira?).

Schwarzenegger, é claro também, sempre foi conhecido pela figura de herói de ação. Nada de errado nisso, afinal lendas como John Wayne e Clint Eastwood igualmente cimentaram suas carreiras no biotipo, e a figura de Arnold pedia exatamente por isso. Depois de uma temporada afastado do cinema, na qual desempenhou o papel de governador da Califórnia (2003 – 2010), o ator retornou de forma tímida, em participações na franquia Os Mercenários (2010, 2012 e 2014), do amigo Stallone, e em veículos de ação que já não mostravam o mesmo gás nas bilheterias por ter um sessentão desempenhando suas proezas – vide O Último Desafio (2013) e Sabotagem (2014).

A solução agora é a reinvenção. Os novos projetos de Arnold pedem por outros tipos de roupagem que não sejam a ação. Mesmo que estivesse em seu auge, fazer frente a blockbusters de super-heróis e a franquias inesgotáveis (Velozes e Furiosos, Transformers e Piratas do Caribe) não seria tarefa fácil. É, meu velho, os tempos mudaram. A nova opção é pelo drama, onde o veterano vem recebendo elogios por seus desempenhos. O primeiro foi Contágio – Epidemia Mortal (Maggie), 2015, e agora chega Em Busca de Vingança (Aftermath).

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Na trama, Schwarzenegger é o empreiteiro Ronan, eficiente construtor que aos 70 anos imaginaríamos estar aposentado e pai de família amoroso. Sua esposa e filha estão voltando de viagem e ele além de decorar a casa para o retorno delas, corre com flores para busca-las no aeroporto. Uma vez lá, se depara com a devastadora notícia da queda de seu avião, acidente que deixou nenhum sobrevivente. O vazio toma conta da vida do protagonista, que imerge numa espiral de depressão, perpassando todas as suas fases: isolamento, falta de apetite, entusiasmo e leve insanidade.

Em Busca de Vingança é uma obra interessante, pois funciona em duas linhas narrativas. Esta é tanto a história da vítima, o sujeito que ficou sem família, quanto a do algoz involuntário. Scoot McNairy (Garota Exemplar) interpreta Jake, o operador na sala de controle do aeroporto, igualmente um pai de família amoroso. É ele que, devido a um descuido por excesso de tarefas (já que foi deixado sozinho alguns minutos pelo colega de serviço), causa a grande tragédia da trama. Acompanhamos também a vida de Jake sendo despedaçada pelo evento, em especial pela culpa que o consome. Após vir à tona seu envolvimento, a pressão aumenta e a solução é começar vida nova, com outra identidade, em uma nova cidade.

Depois de uma carreira pautada em filmes de ação, esta é a produção mais diferente no currículo de Schwarzenegger. O longa funciona em sua dramaticidade e ambos os jogadores convencem sofrendo com seus carmas. Muitos irão dizer que Arnold ainda não é um ator, bom, ao menos é o mais perto que já chegou. O roteiro de Em Busca de Vingança reserva algumas surpresas, o que é muito bem vindo e refrescante (você não imagina aonde está história chegará), e fora das telas, uma delas é a produção de Darren Aronofsky (mãe!) – o protagonista também produz.

A direção de Elliott Lester, do ótimo filme da HBO Nightingale – Peter e Sua Mãe (2014) – um tour de force de David Oyelowo – é segura e conduz a narrativa de forma eficiente. Mas, novamente, um dos maiores chamarizes é o texto de Javier Gullón (O Homem Duplicado), que discorre sobre eventos que podem mudar para sempre nossas vidas, então tidas como perfeitas, e desencadear inúmeras outras perdas, em especial em nossas almas.


Cenas Pós-Créditos de Liga da Justiça


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