‘E Então Não Sobrou Nenhum’ é a adaptação de Agatha Christie mais incrível já feita

‘E Então Não Sobrou Nenhum’ é a adaptação de Agatha Christie mais incrível já feita

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Muitos novelistas e roteiristas de filmes e séries têm nos surpreendido com roteiros cheios de suspense e que, no final, trazem aquele famoso plot twist, aquele breve momento que muda tudo que a gente achava e dá à produção um desfecho (quase sempre) memorável.

A BBC poderia ter procurado qualquer pessoa para produzir uma série nessa linha, mas ela foi imensamente inteligente na hora de trazer uma especialista no assunto para contar uma história incrível com um plot twist sensacional.

E Então Não Sobrou Nenhum‘ (And Then There Were None) é uma adaptação de um dos livros mais aclamados da rainha dos crimes, no bom sentido, Agatha Christie. A história que foi inicialmente publicada como ‘O Caso dos Dez Negrinhos‘ teve seu título alterado e acabou ganhando um novo título que, particularmente, não me agrada muito. Mas esse não é o ponto da crítica, vamos falar sobre a sensação de assistir essa série incrível!




Os primeiros créditos dessa produção tem que ser dados à BBC, que sempre entrega produtos de altíssima qualidade e oferece um verdadeiro deleite visual em cada série que apresenta. A ambientação e a fotografia da série são um presente para os olhos. Os enquadramentos meio fora do padrão escondem elementos que passam despercebidos a um primeiro instante, mas se revelam importantíssimos com o passar da série.

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A condução da história, logicamente, não será uma novidade para quem já leu o livro ou viu alguma de suas adaptações, mas é aí que a qualidade da produção ataca novamente. Saber ou não o que vai acontecer vira algo muito pequeno quando somos inseridos no contexto geral. A linha do suspense é forte e frequente, sempre deixando o coração da gente pulando com um som inesperado ou algo do tipo.

Os enquadramentos da série são um trunfo a mais para nos deixar constantemente tensos, com aquela sensação de que alguém está espionando e observando o ator em cena. Em português Brasileiro, posso dizer que sempre temos aquela impressão de que “eita, vai dar merda”, e isso é lindo.




Falando da história, para quem ainda não conhece, a série tem apenas 3 episódios com cerca de menos de uma hora cada. No primeiro, acompanhamos alguns flashs da história de Vera Claythorne, para quem é oferecida uma vaga de secretária para um casal que ela não conhece e que é nos apresentado apenas como Sr. e Sra. Owen.

Bastante relutante, Vera acaba aceitando o emprego para o qual foi enfaticamente solicitada, e recebe uma generosa entrada financeira como um estímulo para dizer sim. Após isso, vemos várias cartas sendo digitadas e enviadas para personagens diversos. Algumas palavras nos permitem saber algumas coisas sobre eles. Cada uma dessas pessoas, além de Vera, são convidados para passar um fim de semana na ilha do soldado, na mansão do casal Owen.

Ainda no episódio inicial, vemos a chegada deles à mansão que tem 2 funcionários um tanto quanto esquisitos. São eles que recebem os convidados, cozinham, servem e interagem com os convidados que, já no primeiro jantar, reparam a ausência de duas pessoas, justamente os anfitriões do fim de semana todo.

Mas, já que tamo aí, vamos aproveitar o jantar né… Mesmo com aquele clima meio estranho, considerando que os convidados não se conheciam pessoalmente. Alguns sabem história dos outros por suas áreas de atuação, isso por alguns serem médicos, detetives ou até juízes.

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Em todos os ambientes da casa, vemos um quadro pendurado na parede, com um conto relacionado ao nome da ilha, mas nunca conseguimos ler completamente o que está lá, mas vemos que se trata de uma narrativa do ‘Conto dos 10 Soldados‘. Sim, esse é exatamente o número de pessoas que está na casa.

Depois do jantar a galera continua conversando e, de repente, um som alto se espalha pela casa. Ele anuncia que as pessoas que estão lá dentro estão sendo julgadas por algum assassinato, em seguida o nome de cada um deles é citado, assim como os crimes que eles são acusados de cometer.

Durante uma discussão sobre esse esquema todo, um dos convidados engasga e cai durinho, mortinho da Silva, fato que nos faz lembrar daquele conto na parede que nos permitia ler palavras como “ten”, “dine” e “nine”, ou seja, um jantar começou com 10, mas sobrariam apenas nove.

Lembram lá atrás quando eu falei que não gostei do nome da adaptação após eles barrarem ‘Conto dos 10 Negrinhos‘? Dali pra frente você fica pensando que ou vai morrer todo mundo ou a gente vai ver a geral lutando pela sobrevivência e alguém vai se safar da parada toda.

Não leva muito tempo para a espertinha da Vera perceber que os acontecimentos que vão decorrendo na mansão são diretamente ligados com aquele conto fixado na parede. Mesmo assim o pessoal dorme na mansão, determinado a ir embora no dia seguinte. Acontece que eles estão em uma ilha, um local totalmente isolado, e o cara que transporta eles pela imensidão de água não aparece nunca, o que deixa o pessoal literalmente ilhado e sem ter para onde fugir.

A partir do segundo episódio, que vai aumentando o grau de tensão da série, vamos descobrindo mais sobre a personalidade de cada uma daquelas pessoas e, consequentemente, sabendo mais sobre os crimes que elas são acusadas de cometer. Todas as pessoas que estão lá dentro são constantemente assombradas pelos fantasmas das suas próprias mentes, mesmo que queiram recusar isso.

Os anfitriões nunca aparecem, ao menos não para os olhos dos convidados, o que vai deixando tudo cada vez mais suspeito. Mas ao irem se conhecendo melhor, fica claro para os 9 restantes que, muito provavelmente, o assassino está entre eles. É assim que vamos acompanhando o número de pessoas vivas na mansão diminuindo cada vez mais e mais, enquanto teorias sobre os que ainda estão lá aumentam constantemente.

Em uma série mal feita, o fato de sabermos que algo está para acontecer poderia ser um grande quebrador de clima, mas estamos falando de uma série sensacional com um elenco divino que sustenta com perfeição todo o clima de suspense e desconfiança.

A parte disso, seguimos acompanhando toda a história em volta de Vera e constantemente tentando entender o caso da acusação dela, que é a única que se estende do primeiro ao último episódio.

Mesmo dentro de um único ambiente, onde ficamos ilhados com os personagens, somos inseridos em vários cenários, temos a visão de tudo que acontece por diversos ângulos, vivendo uma série dentro da mente de cada um, assim como observando tudo por fora, assim como os vê o assassino.

As cenas de corte em momentos tão pontuais vão fazendo com que a gente vá criando teorias e suspeitas. O episódio final é uma pancada de acontecimentos atrás de outra, até que você posiciona o mouse em cima do episódio pra ver quanto tempo falta para o episódio terminar, achando que finalmente entendeu os acontecimentos e agora vai, enfim, saber a razão daquela pessoa ter feito aquilo.

Mas, meus caros, estamos falando da rainha Agatha Christie e de uma série impressionante que literalmente só acaba quando termina.

Relevando uma certa lentidão no primeiro episódio, que passa por um período muito mais visual do que em função de narrar a história (admito que, nesse caso, gostei disso), a série é envolvente e sufocante, valendo cada segundo.

A não ser que alguém nos surpreenda no futuro, foi a melhor adaptação de um livro da Agatha para qualquer formato que tire a história do literário. É curta, bem produzida e faz você voltar o final algumas vezes para absorver palavra por palavra e querendo voltar tudo de novo para saber como será a experiência de ver a série com outros olhos, sabendo do final, tentando ver se foi você que perdeu alguma pista ou se a série é simplesmente surpreendente mesmo.

Pela velocidade que eu vi a série e pelo impacto que ela me causou, não há como não dar um 10 para mais uma produção impecável da BBC.

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