Quando amamos filmes de verdade, começamos a prestar atenção em que está em seu comando. Acertar uma vez na direção de um filme é uma tarefa louvável, já que uma produção cinematográfica é algo dificílimo de ser alcançado. Agora, imagina acertar duas, três, quatro, cinco vezes (e por aí vai), até escrever seu nome entre os grandes cineastas da sétima arte. Na verdade, alguns conseguem deixar sua marca logo no primeiro trabalho ou no segundo. É o caso, por exemplo, de Quentin Tarantino, um dos diretores mais cultuados do público desde sua explosão na década de 1990.

Por falar em Tarantino, ano passado o cineasta entregou sua mais recente obra-prima, Era uma Vez em Hollywood. Outros diretores de prestígio que marcaram presença engrandecendo 2019 foram Martin Scorsese (O Irlandês), Sam Mendes (1917), J.J. Abrams (A Ascensão Skywalker), James Gray (Ad Astra), Jordan Peele (Nós), Clint Eastwood (Richard Jewel), Ang Lee (Projeto Gemini) e o nosso Fernando Meirelles (Dois Papas), só para citar alguns. É claro que nem todos os filmes de grandes diretores terminam agradando, mas o fato é, são importantes o suficiente para despertar a atenção do grande público e cinéfilos, muito em especial devido ao que foi conquistado ao longo de uma carreira sólida por seu diretor.

E como todo ano é sempre a mesma coisa, em 2020 igualmente seremos servidos por projetos de grandes realizadores. Tarefa difícil mesmo é separar somente alguns. Mas sem delongas, vamos conhecer a nova lista que o CinePOP separou para você, com os 10 Filmes de Grandes Diretores ainda para 2020. Vamos lá.

Christopher Nolan | Tenet



O jovem Robert Pattinson está com tudo mesmo. Depois de ter deixado para trás a má reputação gerada pela franquia Crepúsculo, o sujeito foi eleito o novo Batman do cinema, e inclusive já apareceu vestido no traje em fotos e vídeos. Antes disso, porém, dando mais credibilidade ainda à sua reinvenção, ele será um dos protagonistas do novo trabalho de ninguém menos que Christopher Nolan.

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A frase “In Nolan We Trust” tem motivo de ser, já que o diretor britânico de 49 anos se consolidou como um dos maiores e melhores contadores de história do cinema atual, agradando gregos e troianos (deixando de fora só os chatos de plantão mesmo). Com uma filmografia invejável de obras como Amnésia (2000), a trilogia do Cavaleiro das Trevas (2005, 2008 e 2012), A Origem (2010), Interestelar (2014) e Dunkirk (2017), além de 5 indicações ao Oscar, Nolan se tornou um destes cineastas que despertam atenção até no comando de comerciais de margarina.

Com uma sinopse completamente nebulosa até o momento, assim como a maioria de seus filmes antes da estreia, Tenet é uma ambiciosa ficção científica de ação nos moldes revolucionários de A Origem. Justamente por isso, muitos especulam se tratar de algo dentro do mesmo universo – ou talvez até mesmo uma sequência ou pré-sequência. O que foi revelado até agora é que envolve o mundo da espionagem, evolução e viagem no tempo, com os protagonistas possivelmente tentando impedir a Terceira Guerra Mundial. Além de Pattinson, o elenco traz ainda John David Washington, de Infiltrado na Klan (2018). A estreia é no dia 16 de julho.

Denis Villeneuve | Duna

Por falar em projeto ambicioso, assim como Nolan, o franco-canadense Denis Villeneuve conseguiu reunir em sua filmografia o melhor dos dois mundos, ou seja, produções extremamente elogiadas pela crítica e filmes que podem ser consumidos pelo grande público – longas de entretenimento com conteúdo. Na carreira do cineasta, produções como Incêndios (2010), Os Suspeitos (2013), Sicário (2015), A Chegada (2016) e Blade Runner 2049 (2017). Além da indicação ao Oscar como diretor por A Chegada.



Pelos últimos dois filmes de Villeneuve podemos perceber que o artistas tem se especializado na ficção científica, caminho por onde seguirá em seu mais novo trabalho a ser lançado este ano. Villeneuve decidiu dar um tempo de projetos originais, e depois de continuar uma das ficções mais enaltecidas da sétima arte, com a sequência de Blade Runner, ele agora investe numa reimaginação do clássico Duna (1984), de David Lynch.

Igualmente baseado no livro quase intranscritível de Frank Herbert, a história espacial no clima de Star Wars fala sobre um herdeiro de uma linhagem confiado com a proteção do bem mais precioso e vital para a preservação da galáxia. Com um elenco verdadeiramente estelar, encabeçado por Timothée Chalamet e nomes como Zendaya, Jason Momoa, Javier Bardem, Oscar Isaac, Josh Brolin, Dave Bautista e muitos outros, a estreia ocorre no dia 18 de dezembro nos EUA.

Steven Spielberg | West Side Story

Este dispensa apresentações. Provavelmente o diretor mais famoso na face da Terra, Steven Spielberg é o nome por trás de grandes sucessos do cinema como E.T. – O Extraterrestre (1982), Tubarão (1975) e os filmes de Indiana Jones (1981, 1984, 1989 e 2008). E é claro, 17 indicações ao Oscar, e quatro estatuetas: duas por A Lista de Schindler (melhor diretor e filme), uma como diretor por O Resgate do Soldado Ryan e um honorário.



O novo trabalho de Spielberg também é uma reimaginação, esta de um clássico de 1961, baseado no livro de Arthur Laurents, intitulado por aqui como Amor, Sublime Amor. A história é uma espécie de Romeu e Julieta, passada num bairro latino de Nova York na década de 1960. Ah, sim, trata-se de um musical. O original ganhou nada menos que 10 Oscar, incluindo melhor filme. A estreia do novo West Side Story está programada igualmente para o dia 18 de dezembro nos EUA, onde irá colidir diretamente com Duna. E aí, em qual você coloca seu dinheiro?

David Fincher | Mank

Fincher é outro diretor extremante celebrado devido a seus filmes de suspense sempre estilosos, donos de grandes atuações e conteúdo. Em seu currículo, obras como Seven (1995), Clube da Luta (1999), Zodíaco (2007) e Garota Exemplar (2014), seu último trabalho até então – se não contarmos a série Mindhunter (2017 e 2019).

Assim como os colegas acima, Fincher já foi indicado duas vezes ao Oscar, como diretor por O Curioso Caso de Benjamin Button (2008) e A Rede Social (2010). E como novo trabalho do meticuloso cineasta, um filme que fala sobre filmes. E sobre uma das produções considerada a melhor de todos os tempos por muitos: Cidadão Kane (1941). A ambiciosa obra de Orson Wells vira foco do novo projeto de Fincher, escrito por ninguém menos do que seu falecido pai Jack Fincher – ou seja, o longa não poderia ser mais pessoal para ele. A trama narra o tumultuado desenvolvimento do roteiro do filme, criado por Herman J. Mankiewicz, daí o título da obra. A estreia de Mank para 2020 ainda não foi definida, mas devemos ver o filme preparado para disputar prêmios.



Anthony e Joe Russo | Cherry

Os irmãos Russo escreveram seu nome na história a se tornarem os homens de confiança do mega empresário Kevin Feige e da Marvel Studios. Podemos afirmar com certeza que, após a saída de Joss Whedon, os Russo foram responsáveis por construir o que temos hoje em matéria do MCU. Saídos do comando de filmes cômicos dispensáveis (vide Dois é Bom, Três é Demais, 2006), e séries humorísticas como Arrested Development e Comunity, os cineastas se reinventaram como diretores de blockbusters de ação e viraram queridos dos jovens e nerds de plantão por causa de filmes como Capitão América: O Soldado Invernal (2014), Guerra Civil (2016), Guerra Infinita (2018) e Vingadores: Ultimato (2019).

Depois de concluírem a mais recente fase na Marvel e ainda sem confirmação de um retorno a qualquer projeto da casa, os Russo lançam sua primeira obra original longe do MCU. Isto é, original no cinema, já que Cherry é baseado no livro de Nico Walker e narra uma história dramática recheada de adrenalina, sobre um médico do exército que se torna ladrão de banco a fim de acertar uma conta devido a seu vício de drogas desenvolvido. E quem vocês perguntam irá protagonizar o filme para os irmãos? Acertou quem disse o menino de ouro da casa, Tom ‘Homem-Aranha’ Holland. A data de estreia ainda não foi definida.



Spike Lee | Da 5 Bloods

Um dos maiores representantes do cinema racial negro nos EUA, Spike Lee se tornou uma verdadeira lenda incômoda do cinema de Hollywood, ainda no começo da década de 1980. No último ano de tal década, ele já entregava sua obra-prima, Faça a Coisa Certa (1989), dona de um grande fervor implícito em seu conteúdo. Polêmicos, Faça a Coisa Certa e Lee foram marginalizados e subestimados, trilha que o diretor seguiu por toda a sua carreira. Depois de alguns projetos pessoais no início, e de se envolver em certos escândalos em sua vida privada, Lee viu muitos de seus trabalhos recentes passarem longe dos radares – no Brasil muitos sequer chegando, ou sendo lançados direto em vídeo.

Mesmo assim, Spike Lee coleciona quatro indicações ao Oscar, e duas estatuetas, uma delas honorária. A outra o diretor ganhou ano passado, quando lançou o que é provavelmente o maior sucesso de carreira, misturando bem elogios da crítica e uma boa bilheteria. É claro que falamos de Infiltrado na Klan (2018), obra indicada para 6 Oscar, incluindo melhor filme, diretor, e vencedor de melhor roteiro adaptado, também para Lee. Este ano, o cineasta aposta numa guerra diferente, voltando no tempo para a época do Vietnã em Da 5 Bloods, que tem roteiro do próprio. Na trama, um grupo de veteranos de tal conflito volta para a floresta tentando recuperar a inocência que perderam. Chadwick Boseman, o Pantera Negra, é quem protagoniza. O filme ainda não definiu sua data de estreia, mas deve ser exibido antes em festivais pelo mundo.

Sofia Coppola | On the Rocks

Sofia Coppola é importante para a história do cinema pois é uma das únicas 5 mulheres do mundo a ter sido indicada na categoria de diretora no Oscar. Na verdade a terceira da história. Ou seja, um verdadeiro marco da sétima arte. Se levarmos em conta que ela o fez ainda em seus 33 anos de idade, a coisa fica ainda mais impressionante. Além da indicação como diretora, Coppola ainda tem uma indicação como produtora e a vitória como roteirista, todas pelo cultuado Encontros e Desencontros (2003). Seu último trabalho como diretora até então foi o remake de O Estranho que Nós Amamos (2017) – filme que passou relativamente em branco.


Em 2020, Sofia sai de suas férias de três anos para um novo filme protagonizado por seu “muso” Bill Murray. Na trama, escrita por ela mesmo, uma jovem mãe decide se reaproximar de seu pai, um playboy extravagante em uma aventura através de Nova York. Os melhores filmes de Sofia são os mais pessoais para ela. Assim, suas experiências reais em Encontros e Desencontros e Um Lugar Qualquer retratavam sua alienação na infância e juventude, sendo criada em quartos de hotéis e países estranhos a fim de acompanhar seu pai, o diretor Francis Ford Coppola. Aqui, como podemos perceber, ela volta a focar no relacionamento com o pai, agora em nova fase da vida para ambos. On the Rocks também ainda não possui data de estreia.

Edgar Wright | Last Night in Soho

Diretor inglês, o jovem de 45 anos se tornou um favorito dos fãs do cinema cult graças à chamada trilogia do Cornetto: Todo Mundo Quase Morto (2004), Chumbo Grosso (2007) e Heróis de Ressaca (2013) – filmes de terror/ficção/comédia/ação protagonizados por Simon Pegg e Nick Frost. Fora estes três famosos trabalhos, Wright ganharia um público mais abrangente com a adaptação dos quadrinhos Scott Pilgrim Contra o Mundo (2010) e o que é provavelmente seu filme mais lucrativo e celebrado, Em Ritmo de Fuga (Baby Driver, 2017).

Este ano, o cineasta irá apostar num gênero inédito em sua carreira, seu primeiro terror dramático declarado. Aparentemente, nada de gracinhas por aqui. Será? Protagonizado por Anya Taylor-Joy (A Bruxa) na pele de uma jovem apaixonada por moda e alta costura, a trama envolve viagem no tempo, quando ela se vê capaz de retornar para a Londres da década de 1960, onde conhece um ídolo. No entanto, esse período se mostrará pouco convidativo, e ela começará a presenciar estranhos eventos interligados com sua “dobra no tempo”. O filme está programado para o dia 24 de setembro no Brasil.

Jason Reitman | Ghostbusters: Mais Além

Filho de peixe…, Jason Reitman, filho do veterano Ivan Reitman, é um dos mais celebrados jovens diretores a ter surgido na última década, e com 42 anos de idade apenas e já 8 filmes de prestígio no currículo – além de 4 indicações ao Oscar – podemos afirmar que o sujeito é um verdadeiro prodígio. Em seu acervo cinematográfico, obras como Obrigado por Fumar (2005), Juno (2007), Amor Sem Escalas (2009), Jovens Adultos (2011) e o recente Tully (2018).

Os Caça-Fantasmas (1984) é um dos filmes mais queridos saídos da década de 1980, e da história do cinema entretenimento de forma geral. Até mesmo sua continuação bem abaixo do original, lançada em 1989, desenvolveu seguidores e fama de cult. Infelizmente, a tão sonhada terceira parte ficou décadas no limbo até a Sony desenvolver um projeto protagonizado por um quarteto de mulheres – o que é uma ideia ótima, porém, o resultado ficou muito aquém. Para tentar colocar a franquia nos eixos, ninguém melhor do que o filho talentoso do diretor original. Assim, Reitman tentará fazer direito, entregando uma digna passagem de bastão, dos antigos Caça-Fantasmas para uma nova geração. Ghostbusters: Mais Além estreia no dia 20 de agosto.

Ridley Scott | The Last Duel

Com uma carreira mais que sólida no cinema, iniciada ainda na década de 1970, o veterano Ridley Scott coleciona diversos hits em sua filmografia. Só no terreno da ficção, possui ícones como Alien e Blade Runner. Em matéria de filme adorado por todos os gostos, temos Gladiador (2000), por exemplo, seu longa mais famoso e prestigiado, vencedor de 5 Oscar incluindo melhor filme. Scott já foi indicado para 4 Oscar como diretor, mas o que falta na carreira deste monstro da sétima arte, de 82 anos, é uma estatueta da Academia para coroar sua obra.

Se sentindo nostálgico nos últimos anos, Scott retornou à suas obras celebradas de início de carreira. Primeiro, revisitou Alien (1979), seu segundo filme, duas vezes, com Prometheus (2012) e Alien Covenant (2017). Depois foi a vez de retornar ao universo de Replicantes e Caçadores de Androides em Blade Runner 2049 (2017), como produtor. Além destes, a continuação de Gladiador (?!) é anunciada. Particularmente, gostaria de ver o retorno de Tom Cruise ao mundo mágico de A Lenda (1985). Enquanto este dia não chega, ficamos com uma espécie de volta ao primeiro filme do diretor, Os Duelistas (1977) – sobre duelos de nobres na França de 1800.

Este ano, Scott finaliza The Last Duel, filme de tema idêntico – embora não uma refilmagem. Baseado no livro de Eric Jager, a obra tem adaptação de ninguém menos que a dupla Matt Damon e Ben Affleck, o primeiro que criam em colaboração desde o premiado Gênio Indomável. E assim como o filme Oscarizado de Gus Van Sant, Damon e Affleck também protagonizam aqui – num elenco que conta ainda com Adam Driver. Nem precisa dizer que é imperdível, certo? A estreia é no dia 25 de dezembro nos EUA, devendo chegar no resto do mundo em 2021.

Bônus:

Marco Dutra | Todos os Mortos

Não podíamos terminar a lista sem um diretor brasileiro, por isso resolvemos incluir um dos cineastas mais interessantes de nosso país em atividade. Dramas sociais, comédias românticas e escrachadas, e Favela Movies são ótimos, mas é preciso que invistamos em outros gêneros cinematográficos para abrir porta a uma produção mais heterogênea em nosso cinema. E Dutra pega geralmente este filão, se tornando um de nossos mais fortes representantes. Seus trabalhos são contundentes e não esquecem o conteúdo de crítica.

Em sua filmografia (geralmente em parceira com a amiga Juliana Rojas), o cineasta coleciona trabalhos exemplares como Quando Eu Era Vivo (2014), O Silêncio do Céu (2016) e o recente As Boas Maneiras (2017). Este ano, Dutra investe num drama sobre um tema que tem sido assunto de algumas produções nacionais de gênero, como o terror e o suspense: a hereditariedade da escravidão. Obras recentes como O Nó do Diabo (2018), de Ian Abé, e O Juízo (2019), escrito por Fernanda Torres e dirigido por Andrucha Waddington, abordaram o tema. Agora, é a vez de Dutra dar sua visão única, numa história passada em 1899, sobre a relação de duas famílias, uma negra e outra escravista. A data de estreia ainda não foi definida.

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