Quando pensamos nos maiores fiascos da telona de dez anos atrás, ou seja, 2011, produções pouco apreciadas como Lanterna Verde, Sucker Punch, Motoqueiro Fantasma – Espírito de Vingança, Noite de Ano Novo, O Besouro Verde, Os Três Mosqueteiros, A Garota da Capa Vermelha e o remake de A Hora do Espanto (só para citar alguns) vem logo à mente.

No entanto, por mais que estes longas citados acima tenham sido fracasso de crítica e público, falhando em atingir seu suposto potencial, aqui na coluna Os Maiores Fracassos do Cinema temos uma abordagem diferente. Para todos os propósitos, nossa coluna concentra-se unicamente no que diz respeito à parte comercial das produções. Ou seja, quanto foi usado em seu orçamento e o quanto o filme de fato rendeu nas bilheterias em sua exibição no circuito. É desta forma que chegamos ao fundo da lista, aos verdadeiros flops do cinema. Sem mais delongas, confira abaixo a “lista do lixo”, os filmes que sequer conseguiram retornar o valor gasto para produzi-los. Vem conhecer.

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Conan – O Bárbaro

Hoje, Jason Momoa é um astro graças ao sucesso assombroso de Aquaman (2018) – que entrou para o seleto grupo dos filmes que ultrapassaram a barreira de US$1 bilhão em bilheteria. Tal prestígio o fez assinar com a Netflix para o thriller de ação Sweet Girl, que será lançado este ano. Voltando no tempo dez anos, Momoa já era um ator famoso devido ao papel de Khal Drogo no fenômeno Game of Thrones. Justamente por isso acharam que o ator cairia como uma luva na pele de outro bárbaro bem conhecido da cultura pop, Conan. Esta foi a tentativa de recomeçar as aventuras do personagem clássico dos quadrinhos, imortalizado por Arnold Schwarzenegger na década de 1980. No entanto, com um orçamento de US$90 milhões, o reboot arrecadou míseros US$21 milhões nas bilheterias americanas, e um total de US$63 milhões ao redor do mundo. Agora, o veterano Arnold planeja ele mesmo protagonizar um terceiro filme, com Conan velho.

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A Coisa

O Enigma de Outro Mundo (1982), de John Carpenter, não só é um dos filmes de terror/ficção científica mais cultuados da história do cinema, como também a prova do argumento de que refilmagens podem ser melhores que seus originais – já que se trata de uma reimaginação do clássico O Monstro do Ártico (1951). Por anos, produtores tentaram sem sucesso colocar as mãos nesse material para lá de suculento. Ideias para uma continuação terminaram morrendo n’água, e a solução foi por uma pré-sequência – o que poderia ter rendido algo interessante. Porém, o que os realizadores fazem aqui é justamente o que Carpenter evitou em sua obra-prima: repetir o antecessor. Mary Elizabeth Winstead (a Caçadora de Aves de Rapina) deu vida à protagonista durona – que é o Kurt Russell da vez – neste longa que emula os temas sem a mesma criatividade. A Coisa custou US$38 milhões e fez apenas US$16 milhões nos EUA, somando no mundo US$31 milhões e ficando abaixo de seu valor de produção.

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Sua Alteza?

Talvez muitos sequer lembrem ou talvez nem conheçam essa comédia medieval escrachada e maconheira. De fato, seu fracasso a fez ser lançada diretamente em vídeo no Brasil. Mas a produção tem seu prestígio e conta com nomes como o da estrela Natalie Portman protagonizando – e no mesmo ano de sua vitória no Oscar por Cisne Negro. Na direção, o reinventado David Gordon Green, que hoje é sinônimo de sucesso no terror por causa de Halloween (2018) – esse ano sai a continuação Halloween Kills. Mas há dez anos, o cineasta não vivia sua melhor fase, já que Sua Alteza? custou à Universal US$49 milhões e viu de retorno nos EUA somente US$21 milhões. Pelo mundo a coisa não melhorou muito e o filme terminou sua carreira com US$28 milhões.

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Diário de um Jornalista Bêbado



O relacionamento de Johnny Depp e Amber Heard foi um verdadeiro trem desgovernado – um dos momentos mais tristes e feios envolvendo astros de Hollywood. E podemos citar este filme como marco zero desse “apocalipse”. Foi aqui que o casal se conheceu e contracenou pela primeira vez. O sucesso cult Medo e Delírio (1998) trazia Depp personificando o amigo e ídolo Hunter S. Thompson, um jornalista pra lá de entorpecido. Assim, treze anos depois, Depp e os produtores acharam que seria uma boa ideia um novo filme onde o ator viveria Thompson, porém, muito mais novo em início de carreira. Um dos problemas: Depp já tinha quase 50 anos. O filme custou US$45 milhões e rendeu US$13 milhões nos EUA. Pelo mundo, chegou até a marca de US$30 milhões, mas não conseguiu se pagar. Os atores deveriam ter visto o episódio como premonitório.

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A Casa dos Sonhos

Sim, temos filmes de terror na lista. Ou quem sabe uma tentativa de terror. É difícil tirar alguma coesão ou sentido da obra, nesta trama que tenta emular sem sucesso a fórmula de Amityville e de casas mal assombradas. Todos, inclusive os protagonistas, brincam que a única coisa boa a se tirar do longa foi o relacionamento da vida real, que dura desde a produção da obra, entre os atores Daniel Craig e Rachel Weisz. A indicada ao Oscar Naomi Watts completa o trio principal. Definitivamente 007 já viu dias “mais ensolarados”. A Casa dos Sonhos custou para a Warner a “bagatela” de US$50 milhões e rendeu nos EUA US$21 milhões. Ao redor do mundo, não conseguiu equivaler o valor de produção com US$39 milhões.

A Inquilina

Seguimos pelo terreno dos filmes assustadores com este thriller mequetrefe. Uma das maiores incógnitas de Hollywood e do cinema em geral é a carreira da estrela Hilary Swank – que deveria ser caso de estudo para eruditos. Quando não está ganhando Oscar – e a atriz já tem dois (ambos como intérprete principal num intervalo de cinco anos) -, está encabeçando verdadeiras bombas homéricas. Para ela, parece não haver meio termo. Aqui, ela vive uma jovem médica, virando objeto de obsessão de seu problemático senhorio. A “grande sacada” do título original The Resident, está na ambiguidade entre uma residente de medicina e a de um apartamento novo. Toque de “jênio”. A Inquilina custou US$20 milhões (do qual uma boa parcela teve ter ido parar no bolso de Swank) e viu retorno de apenas US$6,7 milhões mundiais.



Margaret

Chegando na lista, um verdadeiro drama cult. Ao contrário dos demais itens até o momento, Margaret tem prestígio e elogio da crítica. Protagonizado por Anna Paquin, o longa conta ainda com as presenças de gente como Matt Damon e Mark Ruffalo no elenco. Na trama, após um acidente de ônibus, a vida de todos os envolvidos passa por um turbilhão – Paquin vive a testemunha do ocorrido. A produção do filme foi uma das mais conturbadas de anos recentes. Sabe o caso de Chatô (2105), de Guilherme Fontes, aqui no Brasil? Pois bem, Margaret é o Chatô americano. O longa era planejado para o lançamento em 2007, mas viu uma epopeia que o adiou ao ponto de quase ser engavetado definitivamente. Até mesmo Martin Scorsese teve envolvimento na edição para que o filme pudesse ser lançado. Com um orçamento de US$14 milhões, Margaret fez apenas US$46 mil nos cinemas dos EUA, e US$564 mil mundiais, resultando assim num dos maiores fracassos financeiros da história do cinema. Felizmente, o diretor Kenneth Lonergan se recuperaria e lançaria o Oscarizado Manchester à Beira-Mar (2016).

O Dilema

O diretor Ron Howard tem produções prestigiadas e que chegaram até o Oscar em seu currículo, vide Apollo 13 (1995) e Uma Mente Brilhante (2001), e até mesmo obras divertidas dos anos 80 – como Cocoon (1985) e Willow (1988). Mas é seguro dizer que o talentoso artista não se encontra na melhor das fases, com os resultados recentes de seus dois últimos filmes: Han Solo (2018) e Era uma Vez um Sonho (2020), da Netflix. Aqui, ao voltamos dez anos no passado, percebemos que Howard já cambaleava pela década anterior também, e um dos exemplos é esta comédia dramática capenga, que nem chegou a ser lançada nos cinemas daqui. Veja só esta premissa pífia: Vince Vaughn e Kevin James são melhores amigos. O primeiro descobre que a mulher do amigo (Winona Ryder) está tendo um caso. O tal dilema do título é: se ele conta ou não conta. Dá para acreditar? Jennifer Connelly e Channing Tatum completam o elenco principal. O Dilema custou US$70 milhões aos cofres da Universal, e rendeu apenas US$48 milhões nos EUA, e US$69 milhões pelo mundo – nem ao menos igualando o valor de sua produção.

Redenção


O escocês Gerard Butler teve a oportunidade de se tornar um astro do time A em Hollywood com 300 (2006), mas após uma série de escolhas em projetos duvidosos, sua carreira ficou relegada ao time B. Ele é um ator confiável para determinados tipos de filmes – geralmente thriller de ação B – daqueles que assistimos sem prestar muita atenção no SuperCine. É justamente onde se enquadra este Machine Gun Preacher (no original), biografia até interessante de Sam Childers, motoqueiro durão e ex-traficante que descobriu Deus e se tornou pregador. Sua nova missão envolve o salvamento de crianças sudanesas transformadas em soldados. O filme tem um bom diretor (Marc Forster) e bom elenco (Michael Shannon e Michelle Monaghan), mas por alguma razão falhou em atrair os espectadores. Com um orçamento de US$30 milhões, Redenção fez apenas US$538 mil nos EUA, e US$3,3 milhões no mundo – entrando para a seleta lista dos fracassos mais retumbantes de todos os tempos.

Reféns

O saudoso diretor Joel Schumacher, infelizmente, será sempre lembrado pelo grande público por sua visão, digamos, controversa do ícone Batman na cultura pop (Batman Eternamente e Batman & Robin). Mas Schumacher é muito mais do que isso, e possui filmes muito adorados em seu currículo. É dele por exemplo a assinatura em obras como Os Garotos Perdidos, Um Dia de Fúria, Tempo de Matar, O Cliente, O Primeiro Ano do Resto de Nossas Vidas, 8mm, Por um Fio e Linha Mortal, por exemplo. Porém, talvez pior (ou tão ruim quanto) que suas citadas incursões pelo universo do Homem Morcego seja este pseudo thriller que, infelizmente, encerrou sua carreira como a última produção para o cinema lançada por ele (os últimos trabalhos foram a direção em episódios da série House of Cards). Do lado positivo, o cineasta tinha Nicole Kidman a seu dispor. Do lado negativo, Nicolas Cage já em decadência. A dupla vive marido e mulher, sendo sequestrado em casa. O verdadeiro terror, no entanto, é imposto a nós, espectadores, que precisamos experimentar o filme. Reféns custou US$35 milhões, mas fez irrisórios US$24 mil nos EUA – um dos maiores fiascos na terra do Tio Sam. No mundo, o filme se saiu um pouco melhor, mas não muito, com US$10 milhões em bilheteria.

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