Revisionismo é a nova palavra de ordem no mundo. E no cinema não é diferente. Obras clássicas começam a ser “canceladas” por apresentarem uma visão inadequada aos padrões atuais do politicamente correto – leia-se uma visão racista, preconceituosa, machista e por aí vai. No entanto, o revisionismo pode fazer bem para tantas outras produções igualmente. Explico. Filmes execrados pela crítica da época, que passaram em branco pelos cinemas amargando fracassos homéricos, a cada nova década (e geração) recebem nova chance, podendo emergir como clássicos cult subestimados.

E aqui no CinePOP somos totalmente a favor de segundas, terceiras e até quartas chances para produções cinematográficas incompreendidas em seu tempo. No entanto, na coluna dos Grandes Flops apresentamos somente os fatos (que não podem ser mudados ou apagados) sobre o custo x bilheteria e opinião crítica de tais longas. A ideia é celebrar estes fiascos em sua totalidade, visando uma nova oportunidade a estas produções – que nem todos podem conhecer. Desta forma, vem com a gente lembrar destas obras ambiciosas, cujo resultado, ao menos na época, deixou a desejar. Estes são os Grandes Flops do Cinema que Completam 40 Anos em 2020.

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Popeye

Sim, meus amigos, o marinheiro comedor de espinafre mais famoso da cultura pop já ganhou um longa-metragem em live action para chamar de seu. E isso há 40 anos, muito antes de qualquer animação da Disney pensar em ser reimaginada com atores de carne e osso. Com o filme do Popeye aconteceu algo curioso. O maior problema aqui foram os bastidores, orçamento estourado de US$20 milhões (O Império Contra-Ataca, lançado no mesmo ano, custou menos) e um verdadeiro pesadelo concretizado para o diretor Robert Altman, que depois não quis mais saber de superproduções.

O musical, sim, um musical, foi recebido com avaliações mistas da imprensa, com detratores como o crítico Leonard Maltin o definindo como uma “bomba”, e o Stinkers Bad Movie Awards (o primo pobre do Framboesa) o elegendo como o pior do ano. Apesar disso tudo, Popeye não foi um fiasco total de bilheteria, arrecadando US$49 milhões mundiais. Porém, esperava-se muito mais, ficando bem longe de ser um sucesso arrebatador (superproduções do tipo já ultrapassavam a marca de US$100 milhões).



O fato fez com que a Paramount não mexesse mais neste universo durante todo esse tempo (já está na hora do personagem ganhar sobrevida em live action nas telonas). Popeye foi o primeiro filme da carreira do saudoso Robin Williams, que deu vida ao protagonista, e contava ainda com Shelley Duvall como Olivia Palito – que no mesmo ano lançava a obra-prima do terror, O Iluminado, de Stanley Kubrick.

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Flash Gordon

Cinco anos antes do fracasso de Duna (1984), de David Lynch, o produtor italiano Dino De Laurentiis já havia investido em uma grande aventura operática espacial, dona de um resultado semelhante. E se o filme de Lynch era baseado no livro clássico de ficção científica de Frank Herbert, Flash Gordon, óbviamente, tem como matriz o icônico personagem das tirinhas pulp criado por Alex Raymond ainda na década de 1930, e seu universo de aventuras intergalácticas de matinê.

O personagem já havia sido adaptado em forma de seriado para o cinema e TV, mas esta foi sua primeira (e última) superprodução em live action nas telonas. Satirizado/homenageado na comédia Ted (2012), Flash Gordon ressurgiu como filme cult, e tem sua legião de fãs – conseguindo até restaurações em mídias de Alta Definição e 4k Ultra HD. De Laurentiis investiu US$20 milhões na produção de Flash Gordon, mas viu o retorno de apenas US$27 milhões em bilheteria. A banda Queen criou a trilha sonora para o longa. E Sam J. Jones, que interpreta o protagonista, foi indicado ao Framboesa de Ouro como pior ator do ano.



O Portal do Paraíso

Não é todo dia que um filme tem a “honra” de falir um estúdio. Mas este foi o caso com O Portal do Paraíso, western ambicioso escrito e dirigido por Michael Cimino (do vencedor do Oscar O Franco Atirador). Com 3h40min de duração, o longa (e bota longa nisso) recebeu críticas duríssimas dos principais especialistas do país em seu lançamento. O Portal do Paraíso conta a história real da Guerra de Johnson County, ocorrida em 1890 no Wyoming, quando um xerife lutou para proteger imigrantes, que tentavam a vida como fazendeiros, de ricos criadores de gado.

O Portal do Paraíso custou absurdos US$44 milhões aos cofres da United Artists e viu o retorno de apenas US$3 milhões, obrigando assim o estúdio a fechar suas portas. A obra é até hoje considerada um dos maiores fracassos financeiros em larga escala de todos os tempos. O filme conta com um grande elenco de nomes como Christopher Walken e Jeff Bridges, por exemplo, e curiosamente foi o primeiro grande trabalho da musa francesa Isabelle Huppert (que vive a protagonista feminina) nos EUA. O Portal do Paraíso foi indicado ao Oscar de direção de arte, mas levou o Framboesa de Ouro de pior diretor e as indicações de pior filme, roteiro e trilha. Hoje o filme é item cult.

Xanadu

A australiana Olivia Newton-John havia ganhado o mundo com o musical Grease – Nos Tempos da Brilhantina dois anos antes, se tornando uma estrela de renome, conhecida nos quatro cantos. Para seu trabalho seguinte, nada mais natural que a musa estrelasse como protagonista em seu próprio veículo. Assim nascia Xanadu, fantasia musical que apresenta Newton-John como “a garota capaz de realizar sonhos” – ou seja, literalmente uma figura mística, uma Entidade chamada Kira, surgida para inspirar o artista aspirante Sonny (Michael Beck, o protagonista de Warriors – Os Selvagens da Noite – lançado no ano anterior).



Tudo é uma desculpa para elaborados e caros números musicais, que de quebra contam com a presença do lendário Gene Kelly (Cantando na Chuva). Bancado pela Universal, Xanadu custou US$20 milhões e viu retorno de apenas US$22 milhões aos cofres do estúdio. Fora isso, “venceu” o Framboesa de Ouro de pior diretor para Robert Greenwald e recebeu indicações de pior filme, roteiro, canção e atores para Beck e Newton-John. Em 2005, o filme cult foi eleito o pior musical dos últimos 25 anos.

A Maçã

Seguindo pelo tema de musicais ambiciosos que deram com os burros n’água, A Maçã foi uma das primeiras grandes investidas da picareta Cannon Films, estúdio que marcou os anos 1980 com seus filmes de baixo orçamento e quase sempre bom resultado financeiro. Os donos da empresa, os primos israelenses Yoram Globus e Menahem Golan, dois apaixonados pelo que faziam, continuamente vendiam sonhos maiores do que os que podiam de fato concretizar. Eles foram os responsáveis por Superman IV (1987) e o filme do He-Man, Os Mestres do Universo (1987), por exemplo, dois fiascos monumentais.

Aqui, no começo de sua trajetória nos EUA, a aposta foi por um musical passado no “futuro” de 1994, no qual o principal tópico era a crítica direcionada à indústria da música e à fábrica de fazer ídolos. Protagonizado por Catherine Mary Stuart, que marcaria os 80’s com os cult A Primeira Transa de Jonathan, A Noite do Cometa e O Último Guerreiro das Estrelas, em seu primeiro papel de destaque, o filme amargou críticas severas, fazendo Golan, também o diretor do longa, cogitar o suicídio. A Maçã (um nome pra lá de estranho para a obra) custou US$5 milhões e não se sabe o valor exato de sua arrecadação.

O Dia em que o Mundo Acabou


A década de 1970 ficou marcada, entre outras coisas, pelos filmes catástrofe nos cinemas. Aeroporto (1970) e Inferno na Torre (1974) são dois dos mais famosos exemplares. A tendência deu novamente as caras nos anos 90, com filmes sobre tornados, vulcões e meteoros em colisão com a Terra. Atualmente, Dwayne Johnson tem revivido o subgênero em grande estilo, com obras como Terremoto: A Falha de San Andreas (2015) e Arranha-Céu (2018). Na década de 1980, no entanto, após tantos exemplares nos anos 1970, o gênero ficava desgastado, precisando respirar um pouco antes do novo fôlego.

Assim, já sem qualquer gás, estreava O Dia em que o Mundo Acabou, baseado num livro, e estrelado por ninguém menos que os astros Paul Newman e William Holden, dois veteranos do citado Inferno na Torre. Produzido pela Warner, o tópico desta vez era um vulcão voltando a ficar ativo e colocando em risco os hóspedes em um resort numa ilha do Caribe. O filme custou US$20 milhões – lado a lado com os mais caros do ano, muitos presentes nesta lista – e viu o retorno de somente US$3 milhões, garantindo assim seu fracasso e seu rápido esquecimento. E você, já tinha ouvido falar deste longa, que conta ainda com a presença da britânica Jacqueline Bisset?

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