Depois de transformar ‘Barbie’ em um fenômeno mundial e quebrar recordes de bilheteria, Greta Gerwig está pronta para encarar seu projeto mais ambicioso até agora. A cineasta vai comandar a nova adaptação de ‘As Crônicas de Nárnia’, de C.S. Lewis, e já deixou bastante claro que não pretende simplesmente repetir aquilo que Hollywood fez com a franquia no passado. Sua versão de ‘Nárnia: O Sobrinho do Mago’ promete ser gigantesca, visualmente ousada e profundamente influenciada por uma fonte bastante inesperada: o rock britânico dos anos 1960 e 1970.
Em entrevista à Empire, Gerwig abriu o jogo sobre a abordagem escolhida para o aguardado filme da Netflix e revelou que, quando começou a imaginar sua versão de Nárnia, pensou em algo praticamente operístico. ‘Eu tive a mesma ideia com Nárnia. Eu queria uma ópera rock. Queria que fosse grandiosa e arrebatadora’, afirmou a diretora. Antes que alguém espere ver Aslan soltando a voz em um musical, porém, vale esclarecer: ‘O Sobrinho do Mago’ não será uma ópera rock de verdade e tampouco um musical tradicional. A ideia está muito mais ligada à energia, à criatividade e à sensação de liberdade provocadas pelo rock daquela época.
E as referências escolhidas por Gerwig não poderiam ser maiores. A diretora citou nomes como David Bowie, Paul McCartney, David Gilmour, Pete Townshend, Jimmy Page e Robert Plant como artistas fundamentais para sua formação e para a maneira como passou a enxergar o universo criado por C.S. Lewis. ‘David Bowie salvou minha vida. Paul McCartney salvou minha vida. David Gilmour salvou minha vida. Pete Townshend salvou minha vida. Jimmy Page, Robert Plant…’, declarou. Segundo ela, ouvir aqueles artistas despertava uma poderosa sensação de esperança:
‘Quando ouvi a música deles, tive uma profunda sensação de pensar: “Você vai ficar bem”‘.
A ligação entre o rock e Nárnia pode parecer estranha em um primeiro momento, mas faz muito sentido quando lembramos como o universo fantástico nasce nos livros de C.S. Lewis. Gerwig destacou justamente um dos elementos mais belos da mitologia da saga: Nárnia é criada através da música de Aslan. ‘Nárnia é literalmente um mundo feito de música’, explicou.
‘É um mundo que ganha vida cantado por Aslan, e o rock ‘n’ roll, para mim, parecia um mundo feito de música’.
Ou seja: mais do que colocar guitarras em uma história de fantasia, a diretora pretende utilizar a sensação provocada pelo rock como parte da identidade emocional e visual de seu novo universo.
Mas essa não será a única grande mudança. Gerwig também decidiu transportar ‘O Sobrinho do Mago’ para um contexto diferente daquele encontrado originalmente no livro. A história de C.S. Lewis se passa no início do século XX, enquanto a nova adaptação levará os jovens Digory e Polly para a Grã-Bretanha do pós-guerra dos anos 1950. Os personagens serão interpretados por David McKenna e Beatrice Campbell, respectivamente.
A mudança de época não é apenas estética. Para Gerwig, existe uma ligação poderosa entre aquelas crianças crescendo em uma Inglaterra ainda marcada pelas cicatrizes da Segunda Guerra Mundial e a geração que, anos depois, ajudaria a transformar completamente a música, a moda e a cultura popular. É justamente desse ambiente cinzento que surgiriam algumas das figuras mais coloridas e inventivas da história do rock britânico.
‘Eles tinham essa relação com a dor e a perda, e com algo tão inóspito quanto um terreno bombardeado, e construíram um castelo’, explicou Gerwig ao falar daquela geração.
‘Eles criaram um universo. Criaram algo onde se podia viver.’
É exatamente essa transformação — sair de um mundo marcado pela destruição e descobrir um universo onde praticamente tudo é possível — que parece estar no coração da nova adaptação.
A escolha de ‘O Sobrinho do Mago’ também representa uma mudança gigantesca em relação às adaptações anteriores de ‘As Crônicas de Nárnia’. Em vez de começar novamente por ‘O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa’, provavelmente o livro mais famoso da saga e aquele que apresentou Nárnia ao grande público nos cinemas, Gerwig decidiu voltar às origens daquele universo. A história acompanha Digory Kirke e Polly Plummer em uma aventura que acaba levando os dois a diferentes mundos e, finalmente, ao nascimento de Nárnia.
É justamente nesse livro que acompanhamos alguns dos acontecimentos fundamentais da mitologia criada por C.S. Lewis, incluindo a criação de Nárnia por Aslan e acontecimentos ligados à origem da Feiticeira Branca. Isso dá a Gerwig uma oportunidade rara: em vez de reconstruir imediatamente imagens que milhões de espectadores já conhecem das adaptações anteriores, ela poderá apresentar uma Nárnia ainda nascendo diante dos nossos olhos.
E talvez seja aí que a influência de David Bowie fique ainda mais interessante. Ao explicar como enxerga aquela geração de músicos britânicos que transformou completamente sua realidade através da arte, Gerwig brincou com a própria metamorfose de Bowie: ‘Não sei como alguém passou de David Jones para David Bowie a menos que tenha ido a Nárnia e visto alguma coisa’.
A declaração resume perfeitamente o tamanho da ambição do projeto. Greta Gerwig aparentemente não quer apenas fazer mais um filme de fantasia. A diretora parece interessada justamente naquilo que tornou Nárnia tão fascinante para diferentes gerações: a possibilidade de atravessar uma porta e descobrir um mundo capaz de mudar para sempre a maneira como enxergamos o nosso próprio mundo.
E, considerando sua trajetória recente, não surpreende que Gerwig tenha escolhido um caminho tão pouco óbvio. Depois de ‘Lady Bird’, ‘Adoráveis Mulheres’ e principalmente do fenômeno ‘Barbie’, a cineasta poderia simplesmente apostar em uma adaptação segura e nostálgica da obra de C.S. Lewis. Em vez disso, está buscando no glam rock, no rock progressivo, na Inglaterra pós-guerra e na própria história da música britânica os ingredientes para reinventar uma das sagas de fantasia mais famosas de todos os tempos.
Se a promessa realmente chegar às telas como Gerwig está imaginando, ‘Nárnia: O Sobrinho do Mago’ pode acabar sendo muito diferente das aventuras que os fãs conheceram nos cinemas nos anos 2000. E essa parece ser exatamente a intenção: não reproduzir a antiga Nárnia, mas fazer o público sentir novamente aquela sensação de estar atravessando o guarda-roupa pela primeira vez.
Confira as primeiras imagens:


A Sony Pictures Brasil vai lançar o filme nos cinemas do Brasil.
Saiba Mais » As Crônicas de Nárnia: O Sobrinho do Mago
A superprodução tem estreia nas telonas brasileiras marcada para o dia 11 de fevereiro de 2027 (com exibições inclusive em IMAX), ficando em cartaz com exclusividade antes de chegar ao catálogo do streaming em 2 de abril de 2027.
É a Sony que lança as produções da MGM Amazon Studios no país também, como o recente ‘Mestres do Universo‘ e o vindouro ‘Verity‘.
Segundo o Observer, o streaming vai desembolsar mais de US$ 200 milhões na produção do filme.
Em ‘As Crônicas de Nárnia: O Sobrinho do Mago‘, Digory Kirke e sua amiga Polly Plummer têm suas vidas transformadas quando o excêntrico tio do garoto, Andrew, os envia através de anéis mágicos para outros mundos. Durante a jornada, os dois acabam despertando a poderosa e cruel Jadis, a futura Feiticeira Branca, e acidentalmente a levam para Londres. Na tentativa de reparar o erro, Digory e Polly embarcam em uma nova viagem e testemunham um acontecimento extraordinário: o nascimento de Nárnia, criada pela voz e pelo poder do majestoso leão Aslan. Enquanto o mal começa a lançar suas primeiras raízes naquele mundo recém-nascido, Digory recebe uma missão capaz de definir o futuro de Nárnia — e que também poderá mudar para sempre sua própria vida.
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Os novatos David McKenna e Beatrice Campbell estrelam ao lado de Emma Mackey, Carey Mulligan, Kobna Holdbrook-Smith, Daniel Craig e Meryl Streep.
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