Amanhecer Violento

 

Refilmagem de uma produção cult de 1984 escrita por Kevin Reynolds e John Milius, dirigida por Milus (de “Conan, o Bárbaro”, 1982), e estrelada por jovens promissores do cinema da época como Patrick Swayze, C. Thomas Howell, Charlie Sheen, Jennifer Grey e Lea Thompson. Na trama do original, os russos invadiam os EUA da maneira mais improvável possível, ou seja, caindo literalmente de paraquedas nos quintais dos tranquilos subúrbios, e tomando as ruas com seus tanques.
O latente medo da Guerra Fria ainda era um fator na década de 1980, que influenciavam desde os filmes de James Bond do período, até o retrato da era Reagan, “Rambo”. Além disso, os anos 1980 entraram para a história como década “farofeira”, de gostos duvidosos nos mais variados quesitos, e no cinema não foi diferente. O que talvez torne o “Amanhecer Violento” original perdoável, mesmo que para a época o filme não fosse visto assim. Chegamos até 2012, na verdade 2011, já que o filme foi adiado por um ano (nunca um bom sinal) possuindo inclusive diversos cartazes que estampavam a data original.

Para nós brasileiros o remake aparece no início de 2013 nos cinemas, quando um lançamento para vídeo seria mais adequado. O filme foi ignorado solenemente nos EUA, de forma merecida. O roteiro é de Carl Ellsworth, dos eficientes “Paranoia”, “Voo Noturno” e “A Última Casa”, e a direção ficou com Dan Bradley, diretor de segunda unidade de diversas superproduções, em sua estreia no comando de uma obra.

A essência da trama é a mesma, e no lugar dos atores originais temos Chris Hemsworth (“Thor”), Josh Hutcherson (“Jogos Vorazes”), Adrianne Palicki (“G.I. Joe 2 – Retaliação”), Isabel Lucas (“Imortais”) e o canastrão Josh Peck (o ex-gordinho da série de TV da Nickelodeon, “Drake & Josh”), como os jovens de uma pequena cidade americana, que torcem para o time “Wolverines” (apelido que irão ganhar dos inimigos) e representam toda a resistência quando tropas da Coreia do Norte (e não mais os russos) caem novamente de paraquedas em seu quintal.

Os jovens treinam seu próprio pelotão, já que o personagem de Hemsworth é um militar que serviu na Guerra do Iraque. Dentre os recrutas está o filho adotivo de Tom Cruise e Nicole Kidman, Connor Cruise, numa pequena participação. Obviamente, a única forma em que “Amanhecer Violento” irá funcionar é como escapismo de ação, o tipo de filme em que se deve deixar o cérebro do lado de fora do cinema, se isso é o que se pode chamar de diversão.

E o único quesito em que podemos dizer que é superior ao seu original é justamente nas cenas de ação frenéticas, tiroteios, explosões e perseguições de carro, em que o diretor se sai bem, justamente por seu currículo. De certa forma o novo “Amanhecer Violento” se assemelha ao novo “Duro de Matar”, dois produtos cujos originais datam dos anos 1980, cuja nova roupagem merecia muito mais conteúdo.

 

 

Crítica por: Pablo Bazarello (Blog)

 

 

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Renato Marafon
Renato Marafonhttps://cinepop.com.br/
Editor-chefe e criador do site CinePOP, apaixonado por cinema e filmes.