O auge da “McConaissance” 

Este ano o Brasil está de parabéns e conseguiu trazer todos os principais filmes do Oscar antes da premiação no início de março. Em anos recentes precisávamos esperar por alguns filmes indicados e até mesmo premiados, depois da cerimônia ter ocorrido. Neste fim de semana chegam os últimos dois, Clube de Compras Dallas e 12 Anos de Escravidão. Quando foi lançado nos Estados Unidos, Clube de Compras Dallas não chamou muito a atenção, a não ser, é claro, pelo desempenho assombroso dos protagonistas.

Para quem não conhece a história por trás da obra que fala sobre a assolação inicial da Aids nos EUA, nos anos 1980, os atores principais Matthew McConaughey e Jared Leto perderam uma considerável quantidade de peso para encarnarem seus personagens vítimas do vírus HIV. McConaughey vem desde 2011 com O Poder e a Lei, tratando de reeditar sua carreira como galã de comédias românticas rasas. Na chamada “McConaissance”, o ator entregou alguns de seus melhores trabalhos da carreira, como em Killer Joe – Matador de Aluguel e Amor Bandido.

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O auge, no entanto, ocorre aqui, na pele de Ron Woodroof. O ator se destaca de vez e usando do “método” tira qualquer dúvida de possíveis detratores do seu talento. A perda de peso de McConaughey é significativa para o projeto (além de ter entrado de gaiata em outros papéis do ator – como em O Lobo de Wall Street e na série True Detective), mas não serviria de nada sem uma atuação à altura. O ator desempenha um verdadeiro tour de force na pele do típico cowboy texano moderno, que na década de 1980 soma a cocaína ao seu repertório de entorpecentes, mas que sofre as consequências das conquistas de mulheres (às vezes dupla).

Woodroof vive seus dias de forma desregrada e acelerada. Quando o destino intervém, ele se descobre soropositivo e aí sim, será verdadeiramente testado por seu valor. Baseado em fatos reais, Clube de Compras Dallas, assim como outros indicados deste ano, tem uma história rica e digna de ser contada. É apenas a forma como é contada que talvez possa não agradar totalmente os mais minuciosos especialistas. O relativamente inexpressivo cineasta canadense Jean-Marc Vallée (que tem no currículo o satisfatório drama de época A Jovem Rainha Victoria – um dos melhores desempenhos da bela Emily Blunt) dirige a obra quase no automático e deixa para os atores a missão de impulsionar o filme.

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Escrito por Craig Borten e Melissa Wallack (responsável pelos horrendos Bill – filme com Aaron Eckhart e Jessica Alba – e Espelho, Espelho Meu), o roteiro é simples e por vezes cai na pieguice (principalmente nas cenas entre McConaughey e Jennifer Garner), não dando grande espaço para os atores brilharem (como cenas memoráveis e diálogos que entrarão para a história). E este é mais um motivo para tirarmos o chapéu para os atores indicados ao Oscar, que forçam vida e desempenhos fantásticos mesmo sem terem muito em troca.

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Além de McConaughey, Jared Leto se sobressai na pele do transexual Rayon, vindo de berço de ouro e renegado pela família. As escolhas do jovem ator e músico (que não trabalhava em um filme desde 2009) são certeiras, sempre evitando a caricatura e encontrando em diversas cenas o núcleo de humanidade do personagem. Já o desfalque fica por conta da limitada Sra. Ben Affleck. A atriz Jennifer Garner (A Estranha Vida de Timothy Green) bem que tenta, mas suas atuações na maioria se resumem a caretas, giros rápidos de cabeça (talvez trejeitos pegos na fase de TV) e um semblante que parece sempre esconder um sorriso iminente.


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