A escritora estadunidense Sarah Dessen faz muito sucesso no meio literário, embora talvez o espectador padrão da Netflix não a conheça de nome. Figurinha frequente nos eventos literários internacionais, sua linha de livros é voltada para o público jovem, quase sempre trazendo histórias de romance de verão. Apesar de ser autora de dezenas de livros, apenas ‘Meu Novo Amor’ foi adaptado para o audiovisual, e em 2003! Quase vinte anos depois e no caminho de consertar essa falha, a Netflix traz agora para os fãs da autora o longa ‘A Caminho do Verão’, que, desde sua estreia, pulou rapidamente para o Top 10 da plataforma.

Auden (Emma Pasarow) não é uma jovem comum: às vésperas de se formar na escola, ela não tem interesse por bailes, ritos de passagem ou qualquer tipo de diversão. Sempre falando a coisa errada na hora errada, Auden não tem amigos, e passa o tempo livre com os conhecidos de sua mãe (Andie MacDowell, de ‘Feitiço do Tempo’). Porém, no verão antes de entrar para a faculdade, ela decide passar um tempo com o pai (Dermot Mulroney, de ‘O Casamento do Meu Melhor Amigo’) e a nova esposa dele, Heidi (Kate Bosworth), que lhe arranjou um emprego temporário na sua butique de biquínis. Já na nova e pequena cidade praiana, Auden busca possibilitar uma nova versão de si mesma, quem sabe com novos amigos e novos interesses, mas, quando conhece Eli (Belmont Cameli) ela percebe que talvez haja algo de bom na forma como é.

Construído para ser um romance adolescente de verão estilo bem-estar, o que falta em ‘A Caminho do Verão’ é química, tempero. Não só entre o casal principal, mas especialmente da protagonista, sem sal, sem carisma, sem nada que desperte o interesse do espectador. Isso traz um problema para a direção de Sofia Alvarez, pois se absolutamente qualquer outro personagem secundário é mais legal do que aquele que conduz a história, então, como engajar a atenção do espectador? Todo o núcleo de Auden é enfadonho: ela, incapaz de gestos básicos, como sorrir; a mãe, invasiva e cheia de soberba injustificável; o pai, infantil e irresponsável, bem mal trabalhado.



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A sensação é de que o roteiro de Sofia Alvarez privilegia as jornadas dos novos personagens que cruzam o caminho de Auden, ao ponto de nos questionarmos como alguém se prontificaria a fazer amizade com uma pessoa tão chatinha. Na tentativa de adaptar o romance, o roteiro acaba partindo do princípio de que muitas coisas ficam subentendidas e/ou que o espectador terá lido o livro e, portanto, entenderá determinadas atitudes dos personagens. Mas, em se tratando de longa-metragem, não é recomendável se valer de outras mídias para que o espectador compreenda o todo da produção, e, portanto, o roteiro dá saltos sem explicação e corre em determinados desenvolvimentos que ele mesmo dá muita importância no enredo, mas, no final das contas, nem era tão importante assim, como o segredinho de Auden.

Aos solavancos, ‘A Caminho do Verão’ entrega uma historinha de amor razoável, situada em uma cidadezinha praiana charmosinha e com uma mensagem legal para os jovens (tá tudo bem mudar, você não precisa ser o mesmo pra sempre). Ainda não é a melhor adaptação de Sarah Dessen, mas proporciona uma Sessão da Tarde água com açúcar para passar o tempo.



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