sexta-feira, julho 19, 2024

Crítica | ‘As Tartarugas Ninja: Caos Mutante’ é o filme DEFINITIVO das Tartarugas Ninja

A espera acabou! As Tartarugas Ninja: Caos Mutante finalmente chegou aos cinemas de todo o Brasil com aquela que é uma das melhores animações do ano. Marcando um novo início para o universo das Tartarugas favoritas da Cultura Pop, o filme é apenas o pontapé inicial em um projeto de franquia que já conta com uma sequência e uma série animada derivada com pelo menos duas temporadas confirmadas para os próximos anos. E isso costuma ser um bom sinal, porque mostra que o estúdio está confiante no bom desempenho do longa. E nesse caso, em especial, é completamente justificável, porque o filme é simplesmente fantástico.

A cabine de imprensa no Rio de Janeiro foi há algum tempo, mas precisei assisti-lo de novo para chegar a uma conclusão mais honesta e menos embalada pela empolgação inicial. É que falar de Tartarugas Ninja é um tema sensível para mim. Antes dos super-heróis fantasiados dominarem praticamente todas as produções voltadas para o público infanto-juvenil, esses quatro quelônios adolescentes mutantes já faziam a alegria da molecada no final dos anos 80, mas principalmente nos anos 90. Sua origem também vem dos quadrinhos, já que foram criadas como uma paródia do universo do Demolidor de Frank Miller, e quando furaram essa bolha das HQs, ganharam série de TV, brinquedos, animações, um jogo de Nintendinho ridiculamente difícil de vencer e um filme de cinema. Em meio a essa febre, as Tartarugas com nomes de pintores renascentistas me cativaram e viraram os heróis da minha infância. Por isso, precisei ver novamente esse novo filme para entender se meu êxtase inicial era legítimo ou apenas muita emoção por ver meus heróis da infância brilhando em tela.

E após uma segunda assistida, consegui separar melhor as emoções para uma crítica mais justa. As Tartarugas Ninja: Caos Mutante é facilmente a melhor versão das Tartarugas Ninja que já estreou nos cinemas. Isso se dá por um motivo simples, mas fundamental para sucesso do projeto: Leonardo, Rafael, Michelangelo e Donatello são realmente adolescentes dessa vez, não adultos se passando por crianças ou algo do tipo. Ter a molecada interpretando os mutantes ninja deixa todas as situações mais naturais e até mesmo as bobeiras que elas fazem mais críveis e divertidas, porque é possível enxergar as crianças por trás dos cascos e armas. Eles são tartarugas, são mutantes, são ninjas, mas acima de tudo, adolescentes. E a direção faz questão de frisar isso na hora de abordar seus sonhos, medos, inseguranças e anseios. Não pense que é uma animação cheia de drama. De forma alguma! Mas é nos pequenos detalhes que a transição da infância para a adolescência se manifesta nos irmãos ninjas.

O desenvolvimento das respectivas personalidades dos protagonistas é incrível, explorando bem as características que fazem deles figuras únicas na Cultura Pop. Diferentemente da versão live action anterior, que é melhor nem lembrar tanto dela assim, os estereótipos ficam de lado e essas marcas de personalidade não são jogadas em tela com piadas grosseiras. Elas integram a composição dos personagens de forma orgânica. O tradicional conflito de ser ou não um bom líder de Leonardo é mostrado como uma insegurança típica dos jovens, que é a de não corresponder as expectativas dos pais. Já Rafael, o esquentadinho, é o famoso jovem que sonha em desbravar o mundo, mesmo que isso signifique deixar de lado sua base na vida, que é a família. O favorito de 90% dos fãs, Michelangelo, mantém sua personalidade mais boba e engraçadinha, mas é representado com maestria como o jovem que se sente novinho demais para ser adolescente e velho demais para seguir com os hábitos da infância. Em meio a esse conflito, ele usa o humor como ferramenta de escape. E o Donatello é a perfeita representação do nerdzinho fascinado pela Cultura Pop. Usando seus óculos fundo de garrafa, ele é tímido, curioso e doidinho por Animes e K-Pop. É incrível como dá para enxergar algum conhecido ou até você mesmo em cada um deles, tamanha a pureza e inocência com que eles foram escritos. É uma perfeita representação da infância em tela.

E cabe aqui um elogio mais que especial para a equipe de dublagem e tradução do filme. Primeiro porque a escalação de dubladores mirins, respeitando a idade do elenco original, foi fenomenal. Na versão norte-americana, Nicolas Cantu, Brady Noon, Shamon Brown Jr. e Micah Abbey dão vida a Leonardo, Rafael, Michelangelo e Donatello, respectivamente. No Brasil, Rodrigo Ribeiro (Leonardo), Victor Hugo Fernandes (Rafael), Enzo Dannemann (Michelangelo) e Arthur Carneiro (Donatello) entendem com muito êxito as personalidades das Tartarugas e fazem um trabalho espetacular. Eles carregam essa inocência nas vozes e dão um toque único para o filme. Dublaram como gente grande.

Rodrigo, Arthur, Victor Hugo e Enzo foram escolhas certeiras para a versão nacional das Tartarugas Ninja

O segundo elogio é ao time de tradução e adaptação. Quem tiver acompanhado os memes e vídeos virais da internet brasileira entre 2010 e 2023 certamente vai encontrar uma série de piadinhas inseridas com perfeição, que arrancam risos sinceros porque são inesperadas demais. É um trabalho muito perspicaz e divertido.

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Sobre a parte técnica, Caos Mutante vem em uma leva de animações que não buscam mais o fotorrealismo. Isso traz muito mais liberdade para o filme, que investe em uma estética 100% cartum. Misturando traços 2D com a tecnologia 3D, o longa cria uma verdadeira experiência visual que merece ser conferida no cinema. A Nova York desse universo é suja, cheia de neons, compondo o cenário perfeito para as aventuras dos quatro irmãos. E mesmo se tratando de uma produção voltada para o escatológico, afinal as Tartarugas andam pelo lixo e vivem nos esgotos com um rato gigante, é tudo criado com tanto carinho que até mesmo em meio a esse ambiente sujo é possível enxergar um lar para eles. E o próprio visual das Tartarugas é coisa de outro mundo. Apesar de serem da mesma ninhada, eles não são diferenciados exclusivamente por suas máscaras e armas. Cada um tem um formato diferente de corpo, de cabeça, de postura… Tudo isso ajuda a compor suas personalidades.

A direção é um show à parte. Apesar do diretor Jeff Rowe (A Família Mitchell e a Revolta das Máquinas) se empolgar um pouco e derrapar um pouquinho em algumas poucas cenas confusas na luta final, seu trabalho é muito competente. Há uma sequência de luta em que ele alterna os golpes dos irmãos contra diferentes capangas, com cada um completando o movimento do outro em diferentes ataques. É de encher os olhos! Tudo isso embalado por uma trilha musical fora de série. Tem muito rap e eletrônica, acompanhado de temas fortemente baseados na música techno, com muita influência de teclados. É uma trilha que casa perfeitamente com a proposta do filme e seus personagens. E há uma observação que vale a pena ser comentada. Mesmo que o Leo seja o líder, garantindo um leve protagonismo a mais, é bem nítido que o Michelangelo é a tartaruga favorita do diretor. Porém, ele foge daquela armadilha que diversos realizadores já caíram anteriormente que é resumir o filme a suas brincadeiras. Nesta versão, ele está bem mais contido, mas ainda protagoniza cenas de visual belíssimo e participa de momentos importantes com um protagonismo um pouco mais sutil. Não fazer dele “o cara” da produção trouxe uma sensação maior de equilíbrio e irmandade aos personagens, dando esse “destaque sutil” para ele.

Com muita personalidade e sensibilidade, Seth Rogen, Evan Goldberg e Jeff Rowe conseguiram criar uma aventura extraordinária que pode ser considerada o filme definitivo das Tartarugas Ninja. Tudo isso sem perder o bom-humor e os elementos clássicos que conquistaram os fãs ao longo dos anos, incluindo a mim. É uma aventura animada fora de série que vai arrancar sorrisos e deixar o dia mais leve até mesmo do mais carrancudo dos espectadores.

As Tartarugas Ninja: Caos Mutante está em cartaz nos cinemas.

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Pedro Sobreirohttp://cinepop.com.br/
Jornalista apaixonado por entretenimento, com passagens por sites, revistas e emissoras como repórter, crítico e produtor.

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Nota: 10Crítica | 'As Tartarugas Ninja: Caos Mutante' é o filme DEFINITIVO das Tartarugas Ninja