A virada do milênio foi uma época de transição difícil, tanto para quem era jovem naquela época quanto para quem ainda era criança e iria se tornar adolescente em um novo milênio totalmente conectado e cheio de possibilidades, diferente de tudo que os pais e os avós disseram que seria. Já em 2020, começamos a colher os frutos do choque social entre as gerações pré e pós-milênio, seus prós e contras e como ninguém – nem mesmo a própria Geração Z, composta pelos nascidos de 2010 pra cá – tem qualquer noção do que está fazendo. É disso que se trata ‘Control Z’, nova série-sensação da Netflix.

Em oito episódios de cerca de quarenta minutos de duração o espectador conhece um grupo de adolescentes riquinhos e vazios, muito interessados em manter as aparências de dia, e curtir seus segredos sórdidos à noite. Um dia, um misterioso hacker invade o wi-fi da Escola Nacional e passa a chantagear a todos, obrigando-os a fazer sua vontade ou, do contrário, teriam seus segredos revelados (dentre os quais a identidade sexual de uns, traições, pais corruptos, desvio de dinheiro, etc). Então Raúl (Yankel Stevan) pede ajuda para Sofía (Ana Valeria Becerril) para descobrir a identidade do hacker, só que no meio disso tudo Sofía ainda tem que lidar com sentimentos que afloram com a chegada de um novo aluno, Javier (Michael Ronda), filho de um famoso jogador de futebol.


Mesclando dramas universais e temas atuais, a série mexicana dialoga com outras produções de sucesso, como ‘Élite’ e ‘Pretty Little Liars’, especialmente por dosar as questões pertinentes do mundo juvenil com gêneros afastados desse universo há até pouco tempo atrás, como o crime e o suspense. Em ‘Control Z’ os adolescentes estão descontrolados, os adultos não têm nenhuma influência sobre os jovens e a internet é a principal ferramenta de exposição e de segurança, para o mal ou para o bem.

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Com esse bom argumento, o roteiro de Adriana Pelusi, Miguel García Moreno e Carlos Quintanilla (que ainda empresta o sobrenome para o personagem diretor da escola) é bem marcado em dois tempos: até o sexto episódio, a história é linear e crescente, apresentando os personagens e seus backgrounds; o sétimo episódios volta no tempo para justificar algumas atitudes e, então, o último episódio joga a coisa toda no ventilador. Especial atenção no final do terceiro capítulo, com um plano tão bem gravado e uma cena tão intensa, que deixa a gente boquiaberto.

Há de se dar os créditos também para a dupla Bernardo de la Rosa e Alejandro Lozano, diretores que conduziram a produção de ‘Control Z’ com bastante atenção ao seu público espectador, seja posicionando a câmera de modo a nos aproximar dos personagens; seja inserindo uma edição descolada com a colocação de emojis e mensagens de texto; seja, ainda, colocando musiquinha da nova queridinha do momento, Billie Eilish. Aliás a protagonista de ‘Control Z’ se parece bastante com a cantora.

Em muitos aspectos, ‘Control Z’ é uma série que entretém, mas que também liga o sinal de alerta sobre o descontrole juvenil diante de um mundo igualmente desgovernado e completamente volúvel. É uma série totalmente maratonável que, oba!, já teve a segunda temporada confirmada.


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