A monogamia é um conceito incentivado por boa parte das sociedades contemporâneas, e é um dos pilares da maior parte das relações amorosas adultas no mundo. Por definição do Dicionário Oxford, é o regime ou costume em que se tem apenas um cônjuge. Esse conceito propõe uma estabilidade emocional e sexual partilhada somente entre duas pessoas, o que, em muitos casos, pode levar ao tédio e à rotina. E leva também ao mote de ‘Dois + Dois’, nova comédia brasileira que entra em circuito essa semana nos cinemas.

Emília (Carol Castro) é a garota do tempo em um jornal televisivo. Embora reconhecida pelo seu trabalho, sente que seu casamento com Diogo (Marcelo Serrado) caiu numa monotonia sem graça. Quer dizer, ela não achava isso até que sua melhor amiga, Bettina (Roberta Rodrigues) lhe confidencia que ela e o marido, Ricardo (Marcelo Laham), decidiram diversificar na cama, e começaram a participar de experiências de trocas de casais. A ideia passa a povoar a cabeça de Emília, até que ela decide abrir o jogo com Diogo. A partir daí, os dois passam a só pensar… naquilo. E, para se sentirem mais à vontade, decidem começar a experiência com o casal de melhor amigos, afinal, é só sexo, né?



Inspirado na comédia homônima argentina que fez muito sucesso em 2012 (foi o longa mais visto naquele ano no país vizinho), ‘Dois + Dois’ conseguiu transpor o mesmo conceito para a realidade brasileira, afinal, não há muita diferença quando os protagonistas são dois casais de classe média. A versão nacional, entretanto, destaca a luz que é Roberta Rodrigues, que toda vez que entra em cena rouba a direção de nosso olhar. A atriz está completamente segura no papel, corroborada pelo casal protagonista que desenvolve um crush por ela.

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Escrito e dirigido por Marcelo Saback, a comédia propõe algumas situações cômicas, mas que não necessariamente inspiram a gargalhada. Rimos pelo constrangimento que os protagonistas sentem no esforço de se libertarem das amarras sociais que enlaçam o matrimônio convencional, porém, a insegurança que passam em suas decisões não convence muito a gente de que aquilo é realmente o que eles querem, ou que estão à vontade naquela proposta. Dá uma sensaçãozinha de que o esforço está forçando uma barra que nenhum dos dois de fato quer transpor, diante do risco do que poderia acontecer se tudo desse certo. Ao fim, esta problemática faz o argumento do longa voltar ao ponto inicial, contradizendo sua própria proposta.



Em se tratando de uma adaptação, o filme poderia ter reconstruído melhor determinados personagens, como a filha dos protagonistas, que pouco influi na trama, ou na empregada do casal, que, nos debates atuais, parece deslocada da contemporaneidade. Por outro lado, o longa presta homenagens a sucessos do passado que já trabalharam a libertação da libido, como a cena de Roberta Rodrigues inspirada em ‘Beleza Americana’ – foi mesmo uma boa sacada.

Dois + Dois’ é uma comédia provocativa. Pelo caminho do riso, instiga os espectadores a considerar outras formas de amor, para além da normatividade. Em tempos em que as relações interpessoais de afeto estão sendo expandidas, o filme é uma interessante iniciativa para atingir o grande público.

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