Crítica | Evangelion: 3.0 + 1.01 Thrice Upon a Time – Capítulo final é um catártico filme épico pensado nos fãs

Adaptado pela primeira vez pelos estúdios Gainax e Tatsunoko em meados dos anos 1990 no formato de série animada em 26 episódios, o mangáNeon Genesis: Evangelion’, criado por Yoshiyuki Sadamoto, fez um enorme sucesso desde o seu lançamento por misturar um ambiente futurista e apocalíptico com um lado espiritual inspirado no Evangelho da Bíblia. Quase trinta anos depois, o sucesso permanece, agora já na sua terceira geração de fãs, que acolhem os novos lançamentos com igual fervor que os primeiros leitores do mangá. É nessa vibe que estreia essa semana na Amazon Prime ‘Evangelion: 3.0 + 1.01 Thrice Upon a Time’, a última parte de uma emocionante saga de amadurecimento dos personagens.

Enquanto tentam restaurar uma cidade a seu estado anterior, a equipe de Maya Ibuki (Miki Nagasawa) é atacada por forças da NERV. Ao mesmo tempo, Asuka (Yûko Miyamura), Rei (Megumi Hayashibara) e Shinji (Ryûnosuke Kamiki) perambulam por Tóquio-3 até encontrar um assentamento de sobreviventes, onde se instalam com Toji, Hikari e Kensuke, agora mais velhos. Desde a morte de Kaworu (Akira Nagisa) Shinji perdeu completamente a vontade de viver, enquanto Rei tenta aprender novas habilidades e os moradores locais tentam seguir com suas vidas apesar das inúmeras dificuldades. Porém, quando o Projeto de Instrumentalidade Humana de Gendo (Fumihiko Tachiki) é colocado em prática, Shinji terá que aprender o que é ter esperança e resgatar a força de vontade através do amor que seus companheiros depositam nele para lutar a derradeira batalha final para salvar os humanos.

Se você chegou até aqui e não faz ideia do que se trata ‘Neon Genesis: Evangelion’, fica o alerta: ‘Evangelion: 3.0 + 1.01 Thrice Upon a Time’ não é um filme para novatos. É uma produção pensada exclusivamente nos fãs que acompanham os mangás e produtos audiovisuais da franquia, que vem seguindo o fio dessa história desde sempre e que, portanto, ao se deparar com este capítulo, entenderá tudo. Do contrário, a história certamente causará confusão naqueles que se aventurarem a começar por aqui o mergulho no universo de Shinji.

Feita esta ressalva, em suas duas horas e meia de duração ‘Evangelion: 3.0 + 1.01 Thrice Upon a Time’ pode ser dividido em três arcos: o primeiro versa sobre a reconstrução da cidade e o ataque da NERV; o segundo, bem mais longo do que os outros, traz Shinji excessivamente melancólico, beirando a chatice de tão apático, embora consigamos nos solidarizar por sua tristeza; por fim, a grande batalha dos EVAs gigantes. Esta última parte, que é um dos principais chamarizes da franquia, infelizmente tem um espaço menor que os demais, ainda que construída de maneira um bocado complexa. Apesar disso, é nesta última parte que os efeitos visuais são carregados, misturando estilos diferentes de animação em gráficos luminosos estroboscópicos que potencializam o aumento da tensão da batalha final.

Evangelion: 3.0 + 1.01 Thrice Upon a Time’ é um catártico último capítulo para esta que é uma das histórias mais famosas de mangá e animes do mundo. Tão belo, que faz uma conexão com o mundo real: na última cena, os personagens se transformam em gente, criando uma emocionante passagem da ficção para o nosso mundo, aproximando-nos ainda mais do universo de Evangelion. Presentão para os fãs!

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Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.