As histórias de faroeste e sobre a corrida pelo ouro na América do Norte permearam a fundação do cinema estadunidense, que por décadas se dedicou a produzir filmes cujas histórias focavam nos homens brancos desbravando as terras ainda inexploradas do oeste daquele país, quase sempre subjugando os indígenas através de uma narrativa romantizada que sempre os colocava como heróis. Com uma proposta completamente diferente disso tudo chega agora aos cinemas brasileiros o aclamado ‘First Cow: A Primeira Vaca da América’.

Cookie (John Magaro) é um homem que faz parte de uma campanha pela região de Nevada junto com uma companhia de homens brutos e grosseiros. Cookie, ao contrário, é mais empático, além de ser o responsável pela alimentação do grupo – e, portanto, tem que procurar suprimentos na floresta. É em uma dessas incursões que ele conhece o chinês King-Lu (Orion Lee), um fugitivo que está sendo caçado pelos russos. Cookie decide ajudar o homem e, anos depois, seus destinos voltam a se cruzar e os dois decidem empreender um negócio juntos, na feitura de bolinhos fritos para vender na cidade portuária da campanha após a chegada da primeira vaca no território.

O conceito de ‘First Cow: A Primeira Vaca da América’ é no mínimo inusitado, e faz a gente refletir como às vezes pequenas coisas impactam enormemente na dinâmica de uma comunidade. A simples chegada de uma vaca – um animal não americano, trazido da Europa pelos primeiros colonizadores – em uma região bruta e isolada desequilibra e gera ambição nos homens daquela localidade, e toda uma história é construída em torno da chegada desse animal.



Baseado no livro de Jonathan Raymond – que escreveu o roteiro junto com Kelly Reichardt –, o longa parte do momento presente para voltar ao passado e contar a história por trás de dois esqueletos encontrados aleatoriamente por uma moça. A partir daí, o roteiro se desenrola primeiramente apresentando o tímido personagem Cookie e como ele e King-Lu se conhecem, para depois mostrar como uma boa ação do passado tem retorno na vida – e como, com o passar do tempo, as pessoas vão mostrando suas verdadeiras intenções.

A sensibilidade e a empatia com que a diretora Kelly Reichardt costura seu ‘First Cow: A Primeira Vaca da América’ justifica a razão pelo qual o filme foi indicado e recebeu tantos prêmios em festivais do mundo inteiro. Entretanto, o acanhamento do personagem principal torna o longa simplesmente comum, sem proporcionar o crescimento ou a volta por cima de seu protagonista. A produção ainda conta com a participação especial de Toby Jones no papel do chefe, emprestando ao longa sua experiência dramatúrgica.

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First Cow: A Primeira Vaca da América’ é um filme peculiar que oferece um novo e sensível olhar sobre um período já bastante explorada por Hollywood cem anos atrás, mas que retorna agora através de uma narrativa mais humanizada sobre outros tipos de homens que também participaram da corrida pelo ouro.

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