Crítica | Hereditário – Terror sem jump scares e EXTREMAMENTE perturbador



O gênero terror está em constante mutação, e dentre todos os gêneros é o com maior poder de transformação. Cada década reflete um subgênero diferente: tivemos os slashers nos anos 90 com ‘Pânico‘ e seus derivados, os filmes “found footage” nos anos 2000 com ‘A Bruxa de Blair‘ e ‘Atividade Paranormal‘, e adentramos recentemente na onda dos filmes de assombração após o sucesso de ‘Invocação do Mal‘ e seu universo compartilhado.

O terror nunca esteve tão em alta, para a alegria dos fãs, e atualmente temos duas produtoras competentíssimas trazendo produções assustadoras de baixo orçamento: a Blumhouse, que aposta em ótimos filmes para as massas, e a A24, que nos brinda com filmes tenebrosos realizados para um público menor.

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De qualquer maneira, quem está saindo ganhando são os fãs do gênero. Após nos apresentar ao polêmico ‘A Bruxa‘ em 2015, a A24 nos surpreende novamente com ‘Hereditário‘ – filme que tem sido considerado o novo ‘O Exorcista‘ pelos críticos norte-americanos.

Antes de começar essa crítica, já adianto: se você não gostou de ‘A Bruxa‘, provavelmente não curtirá ‘Hereditário‘. Ambos os filmes possuem a mesma estrutura: constroem uma atmosfera satânica e sufocante lentamente, sem apelar para jump scares em momento algum.

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Em ‘Hereditário‘, a família Graham começa a se revelar após a morte de sua avó reclusa. Mesmo após sua partida, a matriarca ainda exerce um mal sobre todos, especialmente em sua neta adolescente e solitária, Charlie, com quem ela sempre teve um fascínio incomum. À medida que um terror esmagador toma conta de sua casa, sua existência pacífica é desfeita, forçando sua mãe a explorar um reino mais obscuro para escapar do destino infeliz que eles herdaram.

O roteirista e diretor Ari Aster não tem pressa para assustar ao público, e vai apresentando as peculiaridades de cada membro da família de maneira lenta e profundo, a ponto de nos identificarmos com cada um e seus sofrimentos. E este é o principal acerto do filme. Conforme a trama vai avançando, o espectador começa a se sufocar com a iminência de uma revelação devastadora, que provavelmente vai te dar pesadelos por alguns dias.

O elenco do filme é extraordinário, encabeçado pela melhor atuação da carreira de Toni Collette (‘O Sexto Sentido’), que constrói uma personagem perturbada e consegue transparecer toda a sua agonia e insanidade, chegando a nos assustar apenas com suas expressões faciais. Arrisco a dizer que ela merece uma indicação ao Oscar, mesmo sabendo que a Academia sempre torce o nariz para filmes do gênero.

Mas quem rouba a cena é a garotinha Milly Shapiro, que constrói sua personagem em torno de uma irritante mania com o estralar de sua língua, que provavelmente vai te dar pesadelo por dias… ou por anos. Indicada a um Grammy pela peça na Broadway ‘Matilda‘, a jovem atriz entrega uma atuação espetacular que vai deixar o espectador boquiaberto.

Alex Wolff entrega uma atuação aterrorizante, e consegue segurar muito bem o difícil papel que é lhe dado.

Hereditário‘ é um filme aterrorizante em vários níveis, e consegue construir um clima de horror com poucos elementos e deixar o espectador sufocando na cadeira com tantas situações assustadoras que te levam para um final que provavelmente te deixar chocado e em pânico. É um filme de terror para ser apreciado com paciência, e ser degustado aos poucos. No fim, a sensação de ter participado de algo demoníaco pode deixar algumas pessoas passando mal. Quem gosta de terror hardcore, vai se apaixonar por esse filme.

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Renato Marafon Editor-Chefe
Apaixonado por cinema, filmes, TERROR, e criador do site CinePOP aos 13 anos em 1999.

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