Crítica | It: A Coisa – Drama com toques de terror que diverte mais do que assusta!

É inacreditável o poder que as tramas do mestre Stephen King possuem em mexer com nosso imaginário e psicológico. Seus livros se tornam fenômenos logo que são lançados, alcançado uma legião cada vez mais crescente de fãs e seguidores.

Porém, suas obras dificilmente são adaptadas decentemente, sempre gerando um conteúdo muito aquém dos livros.
Este que vos escreve é um grande fã das obras do escritor, e também de suas adaptações. Sou fã de filmes bem sucedidos, como ‘Carrie – A Estranha’, ‘Um Sonho de Liberdade’, ‘O Iluminado’, ‘Conta Comigo’, e também de suas adaptações mais furrecas, como ‘Sonâmbulos’, ‘Fenda no Tempo (que vinha em duas fitas VHS e era mega comprido) e ‘A Maldição de Carrie’.

Após as adaptações medianas de ‘A Torre Negra’ e ‘O Nevoeiro’, finalmente chega aos cinemas ‘It – A Coisa’ – e posso te garantir: trata-se se uma das melhores adaptações da carreira de King, um drama com toques de terror que diverte muito mais do que assusta.

A história tem início nas férias escolares de 1958, em Derry, pacata cidadezinha do Maine, Bill, Richie, Stan, Mike, Eddie, Ben e Beverly formam o Clube dos Perdedores – jovens que não são populares e sofrem bullying. Naquele verão, eles enfrentaram pela primeira vez a Coisa, um ser sobrenatural e maligno que deixou terríveis marcas de sangue em Derry e aprenderam o real sentido da amizade, do amor, da confiança e… do medo. O mais profundo e tenebroso medo.

Fiel ao livro, a nova adaptação de ‘It – A Coisa’ promete se tornar um clássico do cinema moderno. Sua história lembra muito o clássico ‘Conta Comigo’, também de King, mas adiciona elementos de terror.

Cada uma das crianças protagonistas possuem seus próprios demônios: temos casos de pedofilia, famílias abusivas, racismo, entre outras tramas bastante pesadas que dão um tom meio oitentista para a produção. O diretor foi bastante audacioso em criar uma história bastante obscura, mesmo usando crianças como protagonistas. Esses demônios que assustam cada uma das crianças protagonistas são mais aterrorizantes que o Pennywise em si, tirando a força do palhaço diabólico.

O maior problema nas cenas que tentam assustador é a trilha sonora: sempre que algo amedrontador está para acontecer, a música começa a aumentar seu volume preparando o espectador para o susto e tirando um pouco da surpresa – algo que já havia acontecido com ‘Annabelle 2 – A Origem do Mal’.

Apesar de não ser tão assustador quanto o palhaço vivido por Tim Curry na versão de 1990, Bill Skarsgård entrega um Pennywise extremamente sinistro e realista – mesmo que algumas vezes seja estragado pelo CGI excessivo.

O jovem elenco é sensacional, e apesar de pouco conhecidos, os atores dão um show em cena. Os principais destaques são: a maravilhosa Sophia Lillis, que interpreta a única garota do grupo; Finn Wolfhard, recém saído do sucesso ‘Stranger Things’ que serve como alívio cômico; o garotinho sobrepeso vivido por Jeremy Ray Taylor, o mais interessante personagem do filme; e o protagonista gago, interpretado brilhantemente pelo fofo Jaeden Lieberher.

Entregando mais drama do que terror, ‘It – A Coisa’ é um blockbuster bem realizado e dirigido que consegue nos apresentar protagonistas aprofundados e interessantes, que nos manterão presos na cadeira durante toda a sua jornada pelo medo. É um filme que utiliza uma figura macabra para traçar uma metáfora sobre a passagem da infância para a vida adulta, algo muito explorado nos livros do Stephen King.

E no final, quando vem aquele gostinho de quero mais, descobrimos que esse é apenas o Capítulo 1 dessa história incrível. Voltaremos a ver esses personagens queridos novamente no Capítulo 2, que promete mostrar o que aconteceu com cada um deles 27 anos depois, quando Pennywise retorna do mundo dos mortos ainda mais macabro e assustador. Pelo menos é o que esperamos.

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Renato Marafon
Renato Marafon
Criador do CinePOP em 1999 e apaixonado por cinema.