Crítica Netflix | O Culpado: Jake Gyllenhaal brilha em poderoso remake de thriller policial polonês

Filme assistido durante o Festival de Toronto 2021

Atormentado por seu passado e cumprindo uma punição como operador de chamadas de emergência, Joe é como um vulcão em erupção. De temperamento explosivo e cercado por uma sucessão de acontecimentos caóticos e efervescentes, ele consome suas horas entre seus próprios dilemas familiares e casos repentinos que exigem um nível de autocontrole emocional surpreendente. E entre uma ocorrência emergencial e outra, o policial em detenção acabará envolto em uma espiral de redenção, ao receber uma desesperada chamada que vai levá-lo a uma poderosa e catártica jornada de traumas e cura, no avassalador O Culpado, remake do aclamado polonês, Culpa.

THE GUILTY: JAKE GYLLENHAAL as JOE BAYLER. CR: NETFLIX © 2021.

Antoine Fuqua sabe como elevar o nível de suas narrativas com sua direção sempre precisa e tantas vezes intimista. E ele faz de O Culpado uma experiência profundamente sinestésica e inquietante, tomando a audiência de forma abrupta e repentina para dentro de uma epifania onde traumas e dilemas éticos, morais, pessoais e psicológicos entram em um grande colapso. Aqui, o filme centra-se em Jake Gyllenhaal e em sua performance arrebatadora, que só fortalece o talento do ator, bem como a preciosidade de sua parceria profissional com Fuqua.

E com uma direção focada na linguagem corporal e expressividade de Gyllenhaal, vivemos os mesmos tremores e a angústia de seu personagem, que tenta administrar suas próprias inseguranças de um futuro profissional incerto, à medida em que tenta ser o lado mais forte de um mesmo espectro onde parece existir apenas dor, sofrimento e tensão constantes. Com sua narrativa centrada praticamente em um único ambiente, o filme sufoca a audiência e o protagonista, tornando a experiência cinematográfica uma pulsante descarga de adrenalina.

THE GUILTY: JAKE GYLLENHAAL as JOE BAYLER. CR: GLEN WILSON/NETFLIX © 2021.

Com pouquíssimos respiros, O Culpado não nos dá tempo de relaxar e vai exigir da audiência o mesmo que o original assim o fez: Um bom coração disposto a suportar a intensidade de uma trama que não quer descansar e que vai desafiar os sentidos, com reviravoltas que desafiam o psicológico. Como um filme de ação que opera única e exclusivamente no imaginário do público e do protagonista, o longa consegue ser categórico em todos os elementos que apresenta. Visceral e conflitante, ele beira a um relato documental que desafia os nossos sentidos a cada instante.

Fortalecendo o seu nome como um cineasta preciso e cirúrgico quando se trata de filmes de ação e suspense, Fuqua faz desse remake de Culpa uma experiência válida e deliciosa e ainda consegue colocar sua própria assinatura. Dirigindo Gyllenhaal com maestria e trazendo um elenco de vozes poderosas, formado por Peter Sarsgaard, Ethan Hawke, Paul Dano e Riley Keough, o cineasta responsável pelo aclamado Dia de Treinamento explora os ângulos a seu favor, sempre posicionando o astro como um elemento pequeno diante de uma enorme engrenagem, deslocando para o centro e extremidades do quadro,
fazendo contrastes entre ele e o ambiente que o cerca. Uma catarse sobre saúde mental, O Culpado entrega um final revigorante, que honrando a audiência, honra também o seu original.

Notícias

As MELHORES Animações do Ano (Até Agora)

Estamos nos aproximando do fim da primeira metade de...

‘Barbie’ vai ganhar um NOVO filme!

Chris Meledandri, CEO da Illumination, comentou recentemente sobre os...