O escritor Luiz Alfredo Garcia-Roza, falecido ano passado, construiu uma bela carreira na literatura escrevendo romances policiais cujo personagem principal, Espinosa, era um detetive de uma delegacia policial no bairro de Copacabana, no Rio de Janeiro, e se envolvia em desvendar os crimes da classe média carioca. Adaptado primeiramente para a teledramaturgia com Domingos Montagner no papel principal da série de temporada única, uma nova aventura do famoso delegado chega agora aos cinemas brasileiros em formato de longa-metragem, com o filme ‘Silêncio da Chuva’.

Em uma noite especialmente chuvosa na cidade do Rio de Janeiro, Espinosa (Lázaro Ramos) e Daia (Thalita Carauta) são chamados para a cena de um crime no bairro da Urca: um famoso empresário, Ricardo (Guilherme Fontes), é encontrado morto em seu carro estacionado, com três tiros no corpo e sem sua maleta de trabalho. Durante a investigação os policiais descobrem a aproximação de uma bicicleta ao local do crime, e, ao interrogar a esposa do falecido, Bia (Cláudia Abreu), e a secretária dele, Rose (Mayana Neiva), os investigadores descobrem que Ricardo adquiriu um seguro de vida milionário um pouco antes de falecer. Agora Espinosa e Daia precisam descobrir como todos esses elementos se conectam para desvendar a intrigante morte do empresário.



Dois pontos se destacam positivamente logo nas primeiras cenas de ‘Silêncio da Chuva’: a escolha de Lázaro Ramos, um ator negro, para viver o protagonista Espinosa (que nos livros de Garcia-Roza é descrito como um personagem branco de meia idade) e a mudança na localização do centro das ações, que foi deslocada de Copacabana para o bairro do Catete. Ambas as escolhas do diretor Daniel Filho são bem acertadas, afinal, o personagem Espinosa pode ser vivido por qualquer ator competente – como Lázaro o faz tão bem, recebendo a herança de Domingos –, e, a bem da verdade, social e financeiramente o Catete é a nova Copacabana.

O filme constrói uma envolvente atmosfera de suspense policial, no qual os elementos vão sendo inseridos para o deleite ou descarte do espectador. O roteiro de Peu Barbalho e Renata Corrêa faz uma justa adaptação do romance, mantendo o tom típico da escrita de Garcia-Roza. As cenas externas têm ares de grande produção, cujas locações, escolhidas a dedo, colaboram diretamente na construção do thriller.

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Mas quem rouba a cena em ‘Silêncio da Chuva’ é de longe Thalita Carauta, que imprime muita personalidade e humor à investigadora Daia. Todas as suas falas são carregadas de acidez e ironia, que, combinadas a uma interpretação completamente expressiva da atriz, literalmente faz com que os olhos do espectador se dirijam a ela toda vez que entra em cena.



Silêncio da Chuva’ é um suspense envolvente, com uma pitada de filme noir e possui todos os elementos que um bom romance policial precisa ter. Entretanto, há algumas cenas fortes que causam desconforto, incluindo a resolução da trama. Fica o alerta para os espectadores mais intolerantes à violência gráfica.

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