Os episódios foram assistidos durante o Festival de Toronto

Apresentada como uma produção experimental no Festival de Toronto 2020, The Third Day já se torna uma experiência única em sua primeira instância. Aqui, o princípio de duas partes – aparentemente – distintas se conecta como uma espécie de filme, proporcionando uma percepção ainda mais peculiar e diferenciada desse misterioso projeto assinado por Dennis Kelly. E diferente do que a audiência em geral testemunhará na nova minissérie, quando ela estrear na HBO, a sua linearidade narrativa foi substituída aqui por uma imersão nos capítulos 01 e 04, o que nos levou a uma jornada repleta de perguntas, com direito a pouquíssimas respostas.


E talvez seja esse sabor do intangível que faça de The Third Day uma série na qual o público precisa ficar de olho. Como um “filme” parte da seleção oficial do Festival, ele é uma rápida aventura onde somos introduzidos a uma estranha ilha britânica, cercada por um povo repleto de tradições e até mesmo rituais macabros. Com poucos detalhes em mãos, passeamos por essa bizarra e silenciosa atmosfera absorvendo tudo pela ótica dos personagens de Jude Law e Naomie Harris. Já como uma minissérie dividida em duas partes e que entrelaça três subtramas para formar uma só, a produção promete surpreender os amantes do suspense, que não dispensam também uma excepcional qualidade técnica.

E essa nova minissérie faz do seu fator experimental um prato cheio para entregar uma trama que por hora segue bem articulada. Versátil para ser vista como um filme e complexa para ser desdobrada em seis episódios, a produção já supera algumas expectativas por permitir esta exata experiência única, à medida que nos cativa a querer descobrir a mitologia que carrega toda a essência dessa hipnotizante e sombria ilha. Com uma estética que faz contrastes entre as sombras dos tons preto e branco e as cores quentes de uma natureza ora bucólica, ora desarranjada, The Third Day ainda é revigorante pelos seus próprios protagonistas, que desafiam o misticismo deste roteiro – que tem ares de cinema alternativo – em atuações surpreendentes.

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Enquanto Law se despe de suas feições de galã e encara um papel mais centrado e penoso, Harris é uma mãe “solteira” voraz ao proteger suas filhas, em virtude de um trauma familiar que ainda assombra sua vida. Exalando personalidades bem distintas e roubando a cena a cada instante, ambos os atores mostram a que vieram em uma trama que se desenvolve de forma bela em seu design de produção e fotografia, à medida que parece explorar um universo mais folclórico dos cenários rurais britânicos.

Ainda é incerto dizer o que The Third Day nos resguarda em sua totalidade, mas seguindo uma abordagem que nos remete ao padrão criativo de Stephen King, a nova minissérie da HBO tem um forte e desafiador potencial. Com características autorais em sua direção e roteiro, ela nos intriga e instiga a querer correr o mesmos riscos que levaram os personagens de Law e Harris para essa ilha, onde não parece haver uma saída.

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