Top Gun: Maverick é o mais recente fenômeno de 2022. O longa se tornou o mais bem avaliado da carreira do astro Tom Cruise no agregador de críticas Rotten Tomatoes. Além disso, se tornou também a maior bilheteria da carreira do ator – que coleciona sucessos em sua filmografia, vide a franquia Missão: Impossível.

O filme, é claro, é a continuação do sucesso Top Gun: Ases Indomáveis, de 1986, que marcou época e surgiu como divisor de águas na carreira de Tom Cruise, o catapultando ao estrelato – de onde nunca mais sairia. Por anos falou-se sobre uma possível continuação para o adorado produto dos anos 80, e ele finalmente está entre nós. O que Top Gun: Maverick pode mostrar para a indústria de Hollywood é que os fãs estão dispostos a embarcar na nostalgia, e que se as continuações tardias forem realizadas da maneira certa, irá capturar audiências de novas gerações (como é o caso também com a série Cobra Kai).

Pensando em seguir por esta nostalgia, resolvi lembrar com você querido leitor, outras produções queridas ou cult do mesmo ano de lançamento do primeiro Top Gun, ou seja 1986, que também mereciam nova chance de fazer sucesso nos dias atuais. Confira abaixo.

Os Aventureiros do Bairro Proibido



Essa é fácil. Se você perguntar para os cinéfilos da geração dos anos 80 qual filme eles mais gostariam de ter visto a continuação, ao menos cinco entre dez fãs dirão Os Aventureiros do Bairro Proibido (Big Trouble in Little China), de John Carpenter. É dito que o filme de 1986 serviu de inspiração ao game violento Mortal Kombat, por exemplo. Na época não era muito comum, mas alguns filmes dos anos 80 deixavam em seu desfecho a porta não aberta, mas sim escancarada, para uma continuação. Aqui, após derrotar todo o mal, Jack Burton (Kurt Russell) parte com seu caminhão – é então que somos surpreendidos com um monstro escondido debaixo do veículo. Quem fim levou esta situação, os fãs nunca souberam. A verdade é que o filme não foi bem nas bilheterias, e só caiu nas graças do público nas locadoras e nas reprises da TV aberta. Por anos fala-se em um remake com Dwayne Johnson, mas o que gostaríamos de ver mesmo é uma sequência com Russell novamente no papel.

Aproveite para assistir:



Stallone Cobra

Vira e mexe falamos sobre esse filme aqui. Veículo de ação para o astro Sylvester Stallone, Cobra é seu longa de ação mais intenso, com ares de suspense. O curioso mesmo é o título em português. Os responsáveis resolveram pegar o nome do ator, que estava acima do título, e inseri-lo em como o filme ficaria conhecido em nosso país. Assim, Cobra ficaria famoso para a geração dos anos 80 no Brasil como Stallone Cobra. Deliciosamente bizarro. O ator é mestre em continuar com muitas sequências alguns de seus filmes mais badalados, vide Rocky, Rambo e Os Mercenários. Bem que ele poderia fazer uma forcinha e tirar o policial durão Marion Cobretti da aposentadoria – com direito a palitinho de fósforo na boca e tudo. Os fãs agradeceriam muito.

Labirinto: A Magia do Tempo


Outro cult que marcou época, Labirinto segue como um dos grandes favoritos dos anos 80 pertencente aos gêneros da fantasia e aventura juvenil. A fórmula aqui parece ter nascido para ser cult, veja esta mistura: o astro da música pop David Bowie como o vilão cantante e dançante Rei dos Duendes, uma Jennifer Connelly bem novinha aos 16 aninhos protagonizando como a mocinha Sarah, e a cereja do bolo, as criações em animatrônico das criaturas místicas providas pelo mestre Jim Henson, criador dos Muppets e de O Cristal Encantado (1982). Seria muito legal ver Connelly adulta lidando novamente com as criaturas, e quem sabe protegendo seus próprios filhos, da ameaça de um novo cantor pop reinando na maldade – nossa escolha seria Lady Gaga como a nova rainha Duende.

 

Curtindo a Vida Adoidado

Pode parecer heresia para grande parte dos fãs, que acredita que com clássicos não se mexe. Mas pode confessar que sempre deu aquela pontinha de vontade de ter visto novas desventuras com Ferris Buller aprontando ao lado dos amigos. Do jeito que Curtindo a Vida Adoidado narra a “sede pela emoção” de seu protagonista, e na forma como ele fala sobre a vida adulta, seria interessante ver o que de fato o personagem se tornou – agora que os atores estão todos na meia idade. Seria uma injeção de nostalgia na veia, se uma continuação tardia trouxesse Ferris (Matthew Broderick) agora como professor de alunos espertinhos, precisando mostrar quem é o verdadeiro rei da malandragem. Ele estaria casado Sloane (Mia Sara), é claro, e ainda melhor amigo de Cameron (Alan Ruck).

A Garota de Rosa-Shocking


Seguindo pelas produções adolescentes de John Hughes, ao contrário do que muitos possam pensar, esse longa não foi dirigido pelo cineasta, e sim apenas escrito e produzido por ele. Contando com a musa do diretor como protagonista, a ruivinha Molly Ringwald, o filme tem a mesma trama de diversos outros da época, e aborda a questão amorosa de uma jovem humilde dividida entre dois pretendentes. O foco da história, no entanto, é o choque de classes que acontece quando um adolescente rico (Andrew McCarthy) se apaixona por uma jovem vinda de família mais pobre (Ringwald). Talvez uma sequência de A Garota de Rosa-Shocking fosse mais apropriada na forma de uma série de TV, no estilo Cobra Kai, mostrando a vida do trio principal, que ainda conta com o nerd vivido por Jon Cryer, nos dias atuais e fora dos 80’s.

O Rapto do Menino Dourado

Clássico absoluto das reprises da Sessão da Tarde no início dos anos 90, este filme marcou o primeiro filme de fantasia da carreira do astro Eddie Murphy. Curiosamente, assim como Um Tira da Pesada era inicialmente planejado para ter Sylvester Stallone no papel principal, O Rapto do Menino Dourado teria Mel Gibson protagonizando, numa aventura de teor mais sério. Na trama, Murphy é um detetive particular especializado em encontrar crianças desaparecidas, contratado para encontrar o tal menino dourado do título, uma criança mística com poderes sobrenaturais. Logo o sujeito se envolve numa jornada de outro mundo. Este filme é tido como “rival” de Os Aventureiros do Bairro Proibido, por exibirem tramas similares, sendo que este se deu melhor nas bilheterias. Pegando o gancho de Um Príncipe em Nova York 2 e do vindouro Um Tira da Pesada 4, o ator bem que podia tirar essa sequência da gaveta.

Um Robô em Curto Circuito

Falando em comédias cult dos anos 80 que marcaram a época, este longa é o único da lista que de fato gerou uma continuação na mesma década, lançada dois anos depois. Os anos 80 foram a década dos animatrônicos – grande parte dos filmes que capturavam a imaginação das crianças e adolescentes utilizavam os famosos bonecos que se movimentavam por controle remoto. Era a ascensão dos efeitos visuais, afinal Hollywood sempre foi a fábrica de sonhos. Usando esse mote, era apresentado ao público o personagem Número 5, um simpático robozinho, desenvolvido pelo governo americano para ser uma arma de combate e guerra. Provido de inteligência artificial, uma destas criações, o de número 5, resolve fugir e viver sua própria vida. No elenco de humanos, Steve Guttenberg (o Mahoney da Loucademia de Polícia) vive o criador dos robôs, e Ally Sheedy (Clube dos Cinco) é a mulher que abriga o ser mecânico em sua casa e faz amizade com ele. Na continuação, a dupla não está mais e o robozinho agora se chama Johnny 5. Como trata-se de uma produção da Columbia (hoje Sony), seria interessante ver o estúdio tirando a premissa da gaveta, com o uso de efeitos visuais melhores, para um terceiro filme.


Três Amigos!

A trama desta comédia fala sobre três atores de um famoso programa de faroeste, que são demitidos e o programa cancelado. Assim, eles aceitam emprego encenando seus personagens num evento. Pelo menos é o que eles pensam, já que na verdade se trata de uma situação real no México, onde enfrentam bandidos que dominam um vilarejo. O grande chamariz aqui é a união de três ícones da comédia protagonizando: Steve Martin, Chevy Chase e Martin Short. Recentemente, Martin e Short voltaram aos holofotes graças ao sucesso da série Only Murders in the Building. Quem roteiriza tal programa é o próprio Steve Martin, responsável também pelo roteiro de Três Amigos! Assim, temos meio caminho andado, só precisando trazer Chase de volta para formar o trio, que agora estaria mais velho e envolvidos em outros “micos” da vida artística.

Noite de Arrepios

Primeiro filme de terror da lista, Noite de Arrepios não fez o sucesso esperado nas bilheterias há 36 anos. Mas assim como tantos outros filmes, se tornou sucesso nas vídeo locadoras e nas exibições da TV aberta – o “Netflix” da época. E assim como Os Aventureiros do Bairro Proibido, este filme de terror cult deixava uma porta não aberta, mas escancarada para uma possível continuação, que nunca viria. Com produção da TriStar Pictures (Sony), o filme mostrava adolescentes de uma universidade as voltas com lesmas espaciais que transformam seus hospedeiros em zumbis. Ajudando no caso, um policial linha-dura que teve sua namorada de juventude assassinada por um serial killer. O estúdio bem que poderia resgatar essa ideia muito criativa para os dias de hoje, mesmo que não contasse com o mesmo elenco protagonizando, apenas em participações especiais.

Aliens: O Resgate


Tudo bem, sabemos que a franquia Alien gerou nada menos que mais duas sequências diretas depois deste Aliens: O Resgate, dois derivados (Alien vs Predador) e duas pré-sequências (Prometheus e Alien Covenant). Tudo isso só nos cinemas. Sabemos também que a franquia ganhará sua própria série, ambientada antes dos eventos do filme original, além de outra produção na forma de um longa-metragem a ser dirigido por Fede Alvarez. Sabemos de tudo isso. Mas o que gostaríamos de ter visto mesmo era a anunciada sequência direta de Aliens: O Resgate na qual o diretor sul-africano Neill Blomkamp estava trabalhando. Cada novidade, cada arte conceitual trazida pelo cineasta nos enchia de animação pelo filme – que continuaria diretamente após os eventos do segundo filme e traria ao elenco Sigourney Weaver como Ripley e Michael Biehn como Hicks. O projeto foi varrido para debaixo do tapete, em prol do decepcionante Alien Covenant, de Ridley Scott. Seria bom se a Disney, dona dos direitos da produção da Fox, tirasse esse mesmo argumento da gaveta e o fizesse virar realidade.

Não deixe de assistir: