Não Vamos Pagar Nada, comédia protagonizada por Samantha Schmütz (Vai que Cola) e Edmilson Filho (Cine Holliúdy), se tornou um dos primeiros grandes exemplos de produção nacional que precisou ser readaptada para o “novo normal”, trazido pela pandemia. Planejado para estrear nas telonas – os filmes de comédia são os que mais arrastam o público para as salas de cinema no Brasil -, a solução encontrada foi um lançamento direto no mercado de vídeo (streaming) em diversas plataformas digitais – incluindo no Telecine, um dos patrocinadores – no início do mês de outubro.

O filme é a adaptação da peça italiana Non Si Paga! Non Si Paga!, de 1974, escrita Dario Fo, ganhador do prêmio Nobel de Literatura. Na trama Schmütz vive Antônia, uma mulher desempregada e sem dinheiro que chega ao seu limite. Indignada pelo aumento do preço dos alimentos no mercado, ela promove que o local seja saqueado, ao lado de outras donas de casa. Após o feito, ela precisa esconder o ato e os mantimentos do marido, papel de Edmilson Filho, que apesar das dificuldades jamais concordaria com a ação da mulher.

O CinePOP visitou o set de filmagens do longa e conversou com a protagonista Samantha Schmütz nos bastidores. A entrevista foi realizada no dia 18 de março de 2019. Leia abaixo.

CinePOP: Fale um pouquinho sobre o filme e a sua personagem.



Samantha Schmütz: “Bom, o filme é uma adaptação de uma peça italiana escrita pelo Dario Fo. E por mais que a peça se passe na Itália, ela é muito universal, acho que ela poderia ser passada no Brasil ou em qualquer lugar do mundo. Ela trata de um assunto que, infelizmente, é universal, que é a fome. Então essas famílias, esses dois casais, eles estão vivendo esse momento de dificuldade financeira, demissão, falta de grana para pagar luz, aluguel, e até que acaba o dinheiro para comprar comida. E nesse momento, quando o dinheiro acaba para comprar até comida, realmente o desespero é muito grande. Isso causa uma revolta na Antônia, minha personagem, que chega no supermercado e vê que os preços estão aumentando, ela começa a ficar indignada e acaba passando um pouco este sentimento, “contaminando” com este sentimento as outras pessoas que estão no mercado. Acaba rolando uma revolta, uma revolução, as mulheres começam a saquear tudo e saem sem pagar nada. Daí o título Não Vamos Pagar Nada.

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A Antônia não é uma mulher que pensou em fazer isso, acho que a situação a levou a esse desespero. Ela passa o filme inteiro tentando esconder do marido as compras que ela “roubou”, porque ele é um cara todo certinho e para ele é inadmissível, ele prefere ver ela presa do que ter uma mulher que roubou comida. Uma ladra de comida. Tem até uma frase dessa no filme. Então a Antônia é uma sobrevivente.”

CinePOP: Você falou um pouco sobre a adaptação da peça. Qual liberdade vocês tiveram de adicionar também na mistura, improvisos, coisas próprias dos atores no texto?

Samantha Schmütz: “O João Fonseca (o diretor) deu muita liberdade para a gente colocar as palavras de forma confortável na nossa boca e que ficasse de maneira mais orgânica. A gente mudou poucas coisas só para adaptar mesmo. Para a coisa ficar bem verdadeira, bem realista. Por mais que a gente esteja fazendo uma farsa, a gente tem que passar muita verdade nessa loucura, nesse surrealismo que é a peça. Então a gente adaptou coisas, o João dá muita liberdade para a gente, e tenta encontrar a maneira mais confortável para nós atores, porque isso se reverbera para o público.”

CinePOP: Se você pudesse levar um dos seus personagens para o cinema, qual você levaria?



Samantha Schmütz: Um dos meus personagens pessoais? Juninho Play.

Alguém da produção chega chamando Schmütz para voltar a gravar, interrompendo a última pergunta. Mas a atriz pede mais um tempinho para que terminemos a entrevista, demonstrando grande profissionalismo e respeito com nossa equipe.

CinePOP: Para terminar, fale um pouquinho sobre seus próximos projetos.

Samantha Schmütz: “Eu vou filmar agora o Vai que Cola. O segundo. Tenho também a série do Vai que Cola. No final do ano tem o projeto de fazer um filme do Juninho Play também. E… muitos filmes. Eu estou, graças a Deus, muito feliz de ter entrado nesse mercado do cinema. Tem o Cine Holliúdy que vai estrear agora dia 21 de março (a entrevista foi realizada em 2019, três dias antes da estreia de Cine Holliúdy 2 – A Chibata Sideral). Então eu acho que o cinema me abraçou, e eu espero que vocês continuem abraçando nossos filmes, porque a gente faz com muito prazer e muita dedicação.”



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