Hollywood é uma fábrica de astros, como todos sabemos bem. Isso porque um nome de peso se traduz em sucesso de bilheteria, vide lucro financeiro. Bem, na maioria dos casos sim, mas isso pode nem sempre se mostrar uma regra. Afinal, muitas vezes nem mesmo um grande ator estampando o cartaz de um filme é garantia de sua popularidade. Embora este jogo tenha muitos analistas e especuladores, ele é certamente imprevisível, por isso se torna tão gostoso.

O fato é: filmes protagonizados pelos maiores astros de Hollywood podem sim passar em branco, com grande parte do público e até mesmo os cinéfilos sequer ouvindo falar de sua existência. Seja por salas reduzidas, fracasso de crítica ou público, o que resulta num lançamento direto em vídeo no Brasil, às vezes nem mesmo o prestígio de prêmios pode ser o suficiente para salvar uma obra da total apatia. Pensando nisso, o CinePOP dá continuidade à sua matéria dos Filmes Recentes com Grandes Astros que Passaram sem Você Ver, com a Parte 2 da coluna. Vem conhecer, você não vai se arrepender.

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Denzel Washington | Roman J. Israel (2017)

O que dizer da lenda Denzel Washington que você já não saiba. Considerado um dos melhores intérpretes da atualidade, o verdadeiro monstro sagrado possui em seu currículo nada menos do que 9 indicações ao Oscar – com duas vitórias decorando a filmografia. Assim, pensaríamos que seus filmes têm lugar cativo nos cinemas pelo mundo. Bem, ao menos no Brasil as coisas não são exatamente assim. A verdade é que este drama da Sony, apesar de ter rendido ao astro sua última (até então) nomeação ao Oscar, passou em branco em grande parte do mundo, inclusive nos EUA, chegando direto em vídeo em nosso país – deixando muitos incapazes de conferir um desempenho que concorria ao prêmio máximo do cinema. E um incorporado por um grande ator. Na trama, Washington vive um advogado idealista ganhando a maior oportunidade de sua carreira. E você, conhecia o filme?

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Josh Brolin | Homens de Coragem (2017)

Por falar em filmes lançados direto em vídeo no Brasil, produzidos pela Sony, temos um caso semelhante com este Homens de Coragem. Este é um drama baseado em uma história real sobre bombeiros florestais, homens que arriscam suas vidas para apagar incêndios naturais que sempre castigam os EUA. Uma obra edificante, repleta de atores renomados e com um diretor famoso. À frente do elenco temos nenhum outro senão Josh Brolin, indicado ao Oscar por Milk (2008), e que no ano seguinte ganharia os holofotes máximos com trabalhos como Deadpool 2, Vingadores: Guerra Infinita e Sicário: Dia do Soldado. Homens de Coragem é dirigido por Joseph Kosinski (Tron: O Legado), e no elenco, Miles Teller, Jeff Bridges, Jennifer Connelly, Taylor Kitsch e Andie MacDowell. Um filme verdadeiramente subestimado.

Chris Hemsworth | Hacker (2015)

Por falar em blockbusters da Marvel, Chris Hemsworth é um dos pilares do MCU e o intérprete do Deus do Trovão, Thor. Parte importante dos filmes dos Vingadores, tais superproduções fizeram do carismático loirão um verdadeiro astro do cinema. Daí vieram obras mais sérias, intercaladas com seus sucessos absolutos, vide Rush (2013) e No Coração do Mar (2015). No mesmo ano, Hemsworth, que já havia feito dois filmes do Thor, se consolidava como protagonista e topou este thriller da Universal dirigido pelo talentoso Michael Mann (Fogo Contra Fogo e Colateral). Ótima manobra. Bem, quase, porque ninguém viu Hacker, e muitos sequer sabiam que ele havia sido lançado, mesmo com a presença de uma coadjuvante luxuosa do nível da Oscarizada Viola Davis no elenco. Como resultado, Hacker foi lançado direto em vídeo no Brasil – marcando até o momento o último trabalho de Mann.


Chris Evans | Um Laço de Amor (2017)

Pulando de um super-herói da Marvel para outro, aqui temos o outro Chris, Chris Evans, o Capitão América em pessoa, protagonizando este drama da FOX que, você acertou, passou em branco e foi lançado direto em vídeo no Brasil. Na trama, Evans interpreta um jovem solteiro, obrigado a criar sua sobrinha – uma menina prodígio interpretada pela carismática atriz mirim Mckenna Grace (A Maldição da Residência Hill). No elenco, nomes como Octavia Spencer (vencedora do Oscar por Histórias Cruzadas), Lindsay Duncan (Birdman) e Jenny Slate (Venom) chamam atenção. Mas um dos maiores chamarizes aqui é a direção de Marc Webb, que após 500 Dias Com Ela (2009) retorna aos filmes sobre relacionamentos humanos complicados.

Eddie Murphy | Mr. Church (2016)

Muito se falou sobre a volta do astro da comédia Eddie Murphy aos holofotes ano passado com o ótimo Meu Nome é Dolemite (2019). Uma indicação para o humorista era praticamente exigida por todos (que possuem olhos), mas demonstrando preconceito com comediantes, ou quem sabe superexposição da Netflix na premiação, Murphy terminou de fora. A verdade é que ele já possui sua indicação, saída em 2007 por Dreamgirls. E antes de Dolemite ensaiou um retorno com Mr. Church – drama de Bruce Beresford (Conduzindo Miss Daisy), que igualmente gerou falatório de indicações para o ator. Ao contrário de Dolemite e Dreamgirls, no entanto, o caminho de Mr. Church foi dificultado pelo fato de que ninguém viu e o longa mal chegou ao Brasil. No filme, Murphy interpreta um cozinheiro que serve como laço unindo uma família.


Robert De Niro | O Comediante (2016)

O veterano Robert De Niro interpretando um comediante? Não, esta não é uma sequência tardia de O Rei da Comédia (1982), cult de Martin Scorsese – embora muitos o classifiquem como uma continuação “espiritual”, tenho certeza. Assim como Mr. Church, O Comediante voou tão fora dos radares que nem nós temos certeza se o filme já aportou por aqui em vídeo ou se segue em algum limbo cinematográfico. O que sabemos é que o desempenho do vencedor do Oscar De Niro foi elogiadíssimo, gerando falatório de possíveis novas indicações. Dirigido por Taylor Hackford (A Força do Destino e Ray), o filme traz o ator como um comediante envelhecido, perdendo seu lugar no mundo e na área em que atua. Leslie Mann interpreta sua filha e o elenco conta ainda com nomes como Harvey Keitel e Danny DeVito.

Michael Fassbender | Oeste Sem Lei (2015)

Os fãs podem se perguntar o que diabos aconteceu com Michael Fassbender. Uma vez no topo do mundo, com uma crescente de atuações em filmes elogiados, chegando até mesmo a duas indicações ao Oscar, o ator se viu repentinamente numa descida espiral vestiginosa, que já dura quatro anos e seus últimos sete trabalhos consecutivos – todos decepções de crítica ou público, que ficaram abaixo do esperado. É mais que hora de repensar a carreira e decisões de projetos. Numa época em que ainda era “o cara”, Fassbender lançou de forma tímida este faroeste no qual interpreta o impetuoso vilão, em mais um desempenho acima da média. Fazendo sua estreia no Festival de Sundance, esta produção independente terminou lançada direto em vídeo no Brasil e viveu para se tornar um dos filmes mais obscuros da carreira do ator.


Ewan McGregor | Pastoral Americana (2016)

Ao contrário do colega alemão acima, o escocês Ewan McGregor vem conseguindo se manter no topo do jogo trabalho após trabalho – mesmo quando seus filmes não se mostram sucessos arrebatadores, McGregor é sempre um elemento a ser louvado nesta engrenagem. Ano passado ele viveu a versão adulta de Danny Torrence no eficiente Doutor Sono, a continuação de O Iluminado, e no início de 2020 enfrentou a Arlequina de Margot Robbie em Aves de Rapina, no papel do vilão gay Máscara Negra. Fora isso, já foi confirmado como Obi Wan mais uma vez, numa série vindoura de Star Wars. Aqui, no entanto, se arriscou pela primeira vez na direção de um longa, com o drama criminal Pastoral Americana, o qual igualmente protagoniza. No filme, passado nos anos 1960, McGregor e Jennifer Connelly são um casal de conservadores devotos a Deus, que enfrentam uma crise familiar quando sua filha, papel de Dakota Fanning, começa a se tornar uma ativista política na época revolucionária. Você já tinha ouvido falar deste?

Matt Damon | Suburbicon – Bem-Vindos ao Paraíso (2017)


Continuando no tema dos atores-diretores, aqui temos o último trabalho lançado do astro George Clooney atrás das câmeras (ao menos nas telonas). Diferente de alguns de seus projetos, desta vez Clooney não participa como ator. Quem protagoniza é seu colega de Onze Homens e um Segredo (e suas continuações) e Syriana, Matt Damon. Espécie de reimaginação do clássico Pacto de Sangue (1944), de Billy Wilder, aqui temos um sujeito comum (Damon) contratando assassinos para eliminar sua esposa (Julianne Moore) – a fim de embolsar seu seguro de vida e viver com sua amante, a irmã gêmea dela (também Moore). O caso chama atenção de um investigador de fraudes (Oscar Isaac) ao mesmo tempo em que explode uma panela de pressão racial na vizinhança. Diferente de todos os itens na lista até agora, Suburbicon, que ainda guarda muita inspiração nas obras dos irmãos Coen, chegou a ser exibido nos cinemas brasileiros, mas de forma relâmpago, terminando rapidamente esquecido.

Liam Neeson | Mark Felt – O Homem que Derrubou a Casa Branca (2017)

Liam Neeson se reinventou aos 60 anos como herói em filmes de ação – e assim ficou conhecido para toda uma geração mais nova. Mas o que eles podem não saber é que o astro irlandês possui no currículo uma indicação ao Oscar por A Lista de Schnidler (1993), de Spielberg, e trabalhos elogiados em dramas como Rob Roy (1995), Michael Collins (1996) e Kinsey (2004) – sempre interpretando homens revolucionários e importantes historicamente. Sua última investida em um drama do tipo (longe da ação) foi neste filme baseado numa história real, dirigido por Peter Landesman (Um Homem Entre Gigantes), sobre o diretor assistente do FBI tido como a verdadeira identidade do informante conhecido como “garganta profunda”, que ajudou a derrubar o governo do presidente Richard Nixon, após suas falcatruas, durante a década de 1970. Assim como Suburbicon, Mark Felt passou correndo pelos cinemas do mundo, sem que o público tivesse tempo de notar sua presença.

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