A Mostra de Cinema de Fama está em sua nona edição – e o festival, que ocorre na cidade que empresta seu nome ao evento, é um dos principais quando pensamos em curtas-metragens.
No terceiro dia da Mostra – e o segundo dia oficial de exibições -, fomos convidados a participar das homenagens da Calçada da Fama da cidade, que celebrou, neste último sábado (29), três nomes que ganharam destaque no cenário do entretenimento: o ator Thiago Mendonça, que ganhou destaque ao interpretar o saudoso Cazuza em ‘Somos Tão Jovens’, além de ter participado de produções como ‘Malhação’, ‘O Vendedor de Sonhos’ e ‘A Comédia Divina’; Caio Macedo, que protagonizou o drama LGBTQIA+ ‘Ruas da Glória’, lançado este ano, bem como produções como ‘Pedágio’ e ‘O Cemitério das Almas Perdidas’; e a diretora e roteirista Bárbara Cunha, que se tornou proeminente no cenário cinematográfico após comandar o documentário ‘Flores do Cárcere’.
A tarde continuou com um debate sobre a ideia do curta-metragem como uma arte a ser explorada em meio à dominação dos longas-metragens, em uma mesa que discutiu as políticas e os desafios de difundir esse tipo de produção fílmica – e que, muitas vezes, são menosprezados pelos distribuidores e pelos próprios cinéfilos, reafirmando a necessidade de um festival como a Mostra de Fama para celebrar projetos neste estilo. O ator Werner Schünemann, que nos concedeu uma breve entrevista (e que você pode conferir aqui), também participou de uma mesa especial, em que comentou sobre sua carreira e sobre sua conexão com a cidade – além de ter sido homenageado na noite de abertura.
A noite contou com mais uma seleção de filmes que teve início com a Mostra Mineira: Jackson Farias foi o escolhido para abrir as exibições com a animação ‘A Menina que Queria Ser Pedra’, que narra o encontro entre um inquieto menino e uma serena garota que trazem reflexões surpreendentes e bastante simbólicas sobre a própria existência e que tenta encontrar o sentido do “ser”. Daniel Jaber e Lu Damasceno encantaram com ‘João-de-Barro’, cuja história é centrada em Tereza – uma mulher que, após sofrer um aborto, se vê completamente abalada e reúne forças para enfrentar os constantes abusos do marido (um homem obcecado em construir um casebre de barro no cerne do cerrado mineiro). ‘O Homem para o Tempo’, que arquitetou uma apoteótica narrativa semidocumental e memorialística, e ‘Os Pedais de Pedro’, que apostou fichas na honestidade de uma história sobre conquista e sobre superação de desafios, encerraram a primeira parte do sábado.
A Mostra Fama também contou com uma interessante seleção de produções, incluindo a estreia diretorial de Mayana Neiva, ‘Onde Eu Começo?’, um íntimo documentário que nos leva ao sertão paraibano e que esquadrinha temas como identidade, memória e história – e que inclusive já foi premiado no Beverly Hills Film Festival. Rodrigo França deu continuidade às exibições com ‘O Pai da Rainha de Angola’, que contou a história de uma menina adotada que acredita piamente ser uma rainha angolana chamada Zari – e que é fincada nas raízes identitárias da garota. ‘Alvorada’, de Igor Barradas, e ‘Belezas do Meu Lugar’, uma colaboração a oito mãos assinada por Jaqueline Naiara de Oliveira, Katlen Oliveira da Silva, Vitoria Teodoro Gonçalves e Tulio Gonçalves, concluíram a Mostra Fama e nos prepararam para o terceiro bloco de exibições.
Seguindo os passos do dia anterior, o segundo dia de exibições da Mostra de Fama foi encerrado com a Mostra Internacional, que contou com quatro curtas-metragens. O argentino ‘Meu Primeiro Tango’ deu início ao bloco final do sábado ao trazer o tango como personagem ativo de uma exploração sobre sensibilidade e de que forma essa linguagem dialoga com a ideia do cinema independente, seguido de perto pelo ótimo ‘Enxofre’, uma produção portuguesa dirigido por Karen Akerman e Miguel Seabra Lopes e que chamou a atenção pela amálgama estética de documentário e ficção experimental; e, encerrando de fato o segundo dia, o grego Nikos Kakonos nos presenteou com o bem-vindo ‘Montanha Negra’, enquanto o senegalense Aziz Abdoul nos presenteou com ‘Atémit Sembé’.


