Os últimos anos tem sido de grande oferta de produtos relacionados à cultura nórdica

No dia 10 de novembro foi lançado o mais novo capítulo da famosa franquia de games Assassin’s Creed; com o subtítulo de Valhalla o novo jogo promete intensificar a mecânica de RPG que a série vem trabalhando desde Origins além de, como já é padrão em jogos de mundo aberto da Ubisoft, trazer um mapa visualmente imersivo e bastante fiel ao que de fato foi o estilo de vida viking.

Porém essa não foi, em absoluto, a primeira incursão da cultura dos vikings no terreno da cultura pop moderna. Tem-se ainda muito fresco no imaginário coletivo a série Vikings (2013- ), que foi não só um sucesso de público e crítica por si mesma mas também um produto que competiu, em termos de engajamento do público, com o imbatível Game of Thrones (2011-2019). Muito do que é creditado para o sucesso da série é a fidelidade histórica para com o estilo de vida difícil dos nórdicos, geralmente retratados apenas como guerreiros, e tendo esquecido o seu modo de sobrevivência agrário.

Essa pegada mais histórica com o que foram de fato os vikings também foi bem sucedida em afastar um pouco a obrigatoriedade de vincular esse tipo de narrativa ao misticismo de seu panteão de Deuses (Odin, Thor, Loki etc); Uma característica que também é muito recorrente em adaptações da Grécia antiga. 



A série Vikings é um fenômeno cultural inegável

Filmes como Thor e Beowulf ou jogos como God of War e Skyrim (que mesmo não tendo copiado 100% da cultura viking, pegou muitos elementos visuais dessa sociedade como arquitetura e estética) sempre penderam aos aspectos mais fantásticos deles para potencializar suas próprias narrativas. 

Mais um exemplo é que recentemente no meio televisivo houve o lançamento de Ragnarok, uma série adolescente produzida pela Netflix que mescla uma ambientação na Noruega atual (com problemas atuais como aquecimento global e poluição) com elementos fantásticos, como as já mencionadas divindades e monstros da mitologia nórdica. 

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No artigo The Viking Revival o professor Andrew Wawn aponta quando a atual imagem dos vikings se estabeleceu no imaginário popular: “Até o reinado de Vitória, os vikings eram retratados como sanguinários e violentos. Porém, durante o século XIX a percepção do público mudou, com eles passando a serem vistos como mais civilizados e ainda até como exemplos dos valores vitorianos”. 

God of War 2018 é um dos porta-bandeiras dos vikings nos games

A releitura da imagem dos povos escandinavos não se limitou apenas aos meios audiovisuais. Livros, músicas e até tiras de jornais tiveram um papel a desempenhar neste trabalho. O mais antigo deles talvez seja as óperas escritas pelo compositor alemão Richard Wagner sobre alguns elementos dos mais fantásticos da mitologia nórdica. 



Ainda durante o século XIX, Wagner utilizou dessas histórias para construir narrativas nacionalistas e que de certa forma recuperassem um passado mítico do povo germânico (cujas provas de sua existência, de fato, não podem ser achadas). Seu trabalho como um todo influenciou em muito o pensamento de “raça superior” imaginada por Adolf Hitler.

Personagens Vikings também fizeram parte da infância de muitas crianças através de publicações em tirinhas de jornais, não podendo falar de outro senão Hagar, o Horrível. O rechonchudo viking fez sua estreia em 1973 e se mantém presente até hoje por protagonizar histórias curtinhas, mas com tramas afiadas e um senso de ironia bastante sutil para um material majoritariamente infantil. No Brasil suas histórias em algum momento entraram na vida de muitas pessoas por serem material recorrente em avaliações de língua portuguesa e por serem o pesadelo de muitos.

O tema possui materiais até mesmo no oriente, mais especificamente no Japão. A série de mangás escritos por Makoto Yukimura intitulada Vinland Saga integra o gênero seinen (histórias com temas mais adultos e violentas) além de ser um dos representantes do mesmo, ao lado de Berserk

Por fim, os Vikings são um tema que veio para ficar e já estão com tudo há certo tempo. Sua construção ao longo dos séculos passou de alusões aos pontos mais fantásticos de suas histórias até chegar na maturidade atual de tratá-los como uma sociedade que, apesar de fortemente marcada pelo pensamento religioso, não foi mais mística do que os povos nativos das Américas. Ter produções que não se deslumbram com figuras como Odin e Thor é importante para mostrar a vida difícil que eles levavam e que em muito motivava suas expedições, e consequentes embates, além mar. 

 

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