Quando falamos em continuações famosas de clássicos adorados da década de 1980, inúmeras sequências vêm imediatamente à cabeça: filmes como De Volta para o Futuro – Parte 2, O Império Contra-Ataca, Karatê Kid 2, Rambo 2 e em menor escala até mesmo Loucademia de Polícia 2. Porém, existem aqueles que renderam continuações tão obscuras, que terminaram varridas para debaixo do tapete, sem que grande parte do público sequer tenha tomado conhecimento de sua existência. Bem, e em alguns casos esse era o desejo dos realizadores e produtores – com vergonha do que de fato criaram.

O curioso é que para gerar uma continuação, um filme deve ter feito sucesso suficiente (ou até mesmo moderado) para gerar interesse por parte dos fãs, e para os realizadores se darem ao trabalho. E nessa categoria se encaixam os filmes cult – obras de sucesso inesperado, que não chegam a se enquadrar na categoria de blockbusters, mas que despertaram uma legião de seguidores, justificando assim a sequência de sua história – muitas vezes não tendo nada, ou bem pouco, a ver com a obra original querida que todos amam. Confira abaixo as continuações de sucessos da década de 1980 que você não sabia que tinham sido lançadas. E não esqueça de comentar.

A Hora do Espanto 2 (1988)

Quando falamos do clássico dos anos 80 sobre um vizinho vampiro, A Hora do Espanto, lembramos logo da produção original de 1985, presente atualmente no acervo da Netflix. Os mais novos podem inclusive pensar antes até no remake lançado em 2011, protagonizado por Colin Farrell e o saudoso Anton Yelchin – presente no acervo do Star+. Mas o que poucos podem saber ou lembrar é que o longa original de fato gerou uma sequência imediata, lançada três anos depois. A Hora do Espanto 2 (1988) trouxe de volta os mesmos protagonistas do original (William Ragsdale e Roddy McDowall) reprisando a parceria entre o jovem Charley e o veterano Peter Vincent. Desta vez a ameaça vem na forma da irmã de Jerry Dandrige, Regine (Julie Carmen) e seus asseclas, mais voltados para um terror de lobisomens do que de vampiros.



Arthur – O Milionário Arruinado (1988)

Até mesmo o sucesso indicado ao Oscar Arthur – O Milionário Irresistível (1981) gerou uma continuação nos fanfarrões anos 80. Aqui temos um caso parecido com o item acima. Muitos saudosistas lembram da produção clássica de 1981 com Dudley Moore e Liza Minnelli – uma comédia atemporal. E na pior das hipóteses, trinta anos depois em 2011, os mais novos podem até lembrar do remake protagonizado por Russell Brand, Greta Gerwig, Helen Mirren e Jennifer Garner. Mas dificilmente alguém lembrará que o Arthur original teve uma continuação, lançada sete anos depois, em 1988. Arthur – O Milionário Arruinado dá sequência direta aos eventos do filme de 1981, mostrando como está a vida do ex-ricaço Arthur agora que abriu mão de sua fortuna para ficar com sua amada, papel de Minnelli. Tudo e mais um pouco acontece nesse segundo filme, o casal pretende adotar uma criança e Arthur planeja uma forma de recuperar sua fortuna, mas para isso terá que ficar sóbrio e arrumar um emprego de verdade. Moore e Minnelli retornaram.

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Splash 2 – Madison, a Sereia (1988)

Parece que o ano de 1988 gerou todo tipo de sequência “deserdada”. Podemos dizer que os anos 80 viveram uma revitalização do mito da sereia, trazendo essas figuras das lendas para as telas de cinema. O exemplo mais famoso que todos lembram sem dúvida é a animação da Disney, A Pequena Sereia (1989), que em breve ganhará versão em live-action, e que permanece como divisor de águas do estúdio rumo a uma nova era de sucessos. Mas antes desta icônica animação, outro produto permeou a imaginação de todos que cresceram na época.



Trata-se de um dos primeiros sucessos da carreira do astro Tom Hanks, Splash – Uma Sereia em minha Vida (1984), filme no qual o ator se apaixona por uma jovem irresistível (Daryl Hannah), somente para descobrir que ela tinha algo mais – neste caso, um rabo de peixe. O filme fez sucesso moderado e se tornou cult – emplacando nas reprises por aqui no Brasil. Foi esse sucesso que gerou uma continuação. Você sabia? Mas neste caso, infelizmente sem os atores originais reprisando seus papeis. Todd Waring viveu o protagonista que fora de Hanks e Amy Yasbeck foi a sereia outrora de Hannah. Fora isso, o longa teve um lançamento para a TV e não para os cinemas.

O Garoto do Futuro 2 (1987)

Seguindo por essa linha de produções cult de sucesso moderado, temos um filme protagonizado por Michael J. Fox e lançado no mesmo ano do fenômeno estrondoso De Volta para Futuro: 1985. Justamente por isso aqui no Brasil o Teen Wolf original (algo como Lobo Adolescente) se tornava O Garoto do Futuro – pegando uma carona descarada no sucesso sobre viagem no tempo. O que lobisomens tem a ver com futuro não me pergunte.

O impacto de tal longa cômico, subvertendo o que esperamos de um filme sobre um jovem que descobre uma “maldição” em sua família, ao se transformar num lobo à lua cheia, foi o suficiente para gerar uma série animada logo no ano seguinte, que durou duas temporadas até 1988 – olha o fatídico ano aí de novo. Mas não foi apenas isso, já que no ano seguinte do cartoon, outro adolescente se descobriria um ser peludo nas noites de lua cheia. Desta vez Fox não esteve envolvido, e coube a Jason Bateman ainda na adolescência viver o protagonista, um novo membro de tal clã com um problema similar. Em 2011, mais no estilo “Crepúsculo“, uma série se apropriou de tal título e fez muito sucesso.

Grease 2 – Os Tempos da Brilhantina Voltaram (1982)

Não é todo dia que podemos falar de um filme que foi um dos primeiros papeis de destaque na carreira da musa veterana Michelle Pfeiffer. E essa continuação de um filme que fez muito sucesso em seu tempo é justamente isso. Grease – Nos Tempos da Brilhantina não foi lançado nos anos 80, mas sim em 1978. O clássico imortal é muito conhecido por todos os fãs de cinema por ser um dos melhores e mais queridos musicais da história da sétima arte – além de apresentar a química perfeita (que inclui canto e dança) entre os astros John Travolta e Olivia Newton-John. Um filme perfeito e redondinho, com começo, meio e fim, que não pedia qualquer continuação.

Mas foi justamente tal sucesso que encheu os olhos dos produtores – que viram possibilidade na trama continuar. Assim, Grease 2 chegava com a missão suicida de se tornar minimamente relevante, tendo o querido original para “substituir”. Bem, uma coisa podemos dizer, o filme se adequa bem a esses tempos de empoderamento feminino, subvertendo a narrativa do original. Desta vez é um rapaz britânico, recém-chegado no colégio, que se vê alvo de uma gangue de meninas populares, encabeçada por Pfeiffer, precisando se provar para elas, enquanto se envolvem amorosamente.



Os Embalos de Sábado Continuam (1983)

Novamente temos um querido musical protagonizado por John Travolta como tópico de um item da lista. O ator se tornou um dos maiores astros de Hollywood ainda no fim da década de 1970, ao ter seu nome associado a dois dos maiores sucessos de anos consecutivos. E se Grease se tornava uma febre em 1978, um ano antes Travolta já havia escrito seu nome nas estrelas ao protagonizar o mais dramático Os Embalos de Sábado à Noite (1977), com seu papel icônico do fútil e sem aspirações Tony Manero, um jovem que se contenta com seu “subemprego” desde que possa sair nos fins de semana à noite (em especial sábado) para dançar e curtir com os amigos, se tornando o rei da cena noturna. Um coming of age cru e bem centrado em Nova York.

Quem viu o filme e se tornou um dos maiores fãs foi ninguém menos que o brucutu Sylvester Stallone, que na época também lançava seu drama de superação Rocky – Um Lutador. Assim, Stallone entrou em contato com Travolta, e juntos tiraram do papel a continuação do filme, no original intitulada Staying Alive. Como não podia deixar de ser, Manero agora estava todo “sarado”, com os músculos “rasgados”, para tentar uma vaga num musical da Broadway. Ah sim, no início do filme Manero esbarra em Stallone, o diretor, numa breve cena de abertura.

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