Em 2021, o clássico O Silêncio dos Inocentes completa 30 anos de lançamento. O filme é um dos mais queridos de todos os tempos na opinião dos cinéfilos, e na opinião do grande público se encontra entre os 25 melhores no IMDB. Sucesso de bilheteria rendendo 14 vezes mais o seu orçamento e marcando 96% de aprovação com os críticos no Rotten Tomatoes, O Silêncio dos Inocentes pode ser considerado o filme de suspense com doses de terror mais prestigiado da história do cinema. Não acredita? Que tal lembrar de seu recorde ainda mantido no Oscar.

Em 1992, além da estatueta de melhor filme, O Silêncio dos Inocentes ainda levou para casa o chamado Big Five (somente 3 Filmes possuem tal honraria): os prêmios de melhor direção (para o saudoso Jonathan Demme), melhor atriz (Jodie Foster), melhor ator (o veterano Anthony Hopkins, que este ano recebeu sua segunda estatueta por Meu Pai) e melhor roteiro adaptado – deixando pelo caminho apenas as nomeações de som e edição. O filme, é claro, é a adaptação do romance de Thomas Harris, e apesar de seu status, esta não foi o primeiro capítulo da história planejada pelo autor, ou sequer a primeira aparição do psicopata Hannibal Lecter nas telonas.

Para você que é fã de O Silêncio dos Inocentes e deseja se aprofundar um pouco mais no universo deste carismático e erudito canibal, o Dr. Hannibal Lecter, trazemos para você esta nova matéria, cujo propósito é rastrear as outras aparições da dupla de protagonistas – além de Lecter, também sua contraparte, a agente do FBI Clarice Starling – deste vencedor do Oscar que é um verdadeiro fenômeno do cinema. Confira abaixo.

Caçador de Assassinos



Se o grande O Silêncio dos Inocentes completa 30 anos de lançamento em 2021, o universo criado por Thomas Harris nas páginas comemora outro aniversário cinematográfico este ano. A primeira aparição de Hannibal Lecter no cinema comemora 35 anos de sua estreia. Caçador de Assassinos, ou Manhunter no original, estreou em agosto de 1986 (chegando só em 1988 no Brasil). O filme marcou o terceiro longa para o cinema do diretor Michael Mann (Fogo Contra Fogo, 1995), mas viveu para se tornar um fracasso retumbante de bilheteria, ressurgindo hoje com obra cult.

Nesta produção Hannibal, vivido por Brian Cox, é capturado pelo agente Will Graham (William Petersen). Na prisão, o canibal é alistado para ajuda-lo a capturar outro serial killer conhecido como “a fada dos dentes”. Por essa sinopse deu para perceber que o longa foi refilmado nas formas do bem mais famoso Dragão Vermelho (2002) – além de que a trama é bem similar à de O Silêncio dos Inocentes. Uma curiosidade é que o sobrenome de Hannibal aqui era mencionado como “Lecktor”. Vá entender…

O Silêncio dos Inocentes

O famoso produtor italiano Dino De Laurentiis bancou a adaptação cinematográfica de Caçador de Assassinos e deu com os burros n’água, precisando arcar com o prejuízo da obra. Assim, quando surgiu a oportunidade de levar ao cinema este novo livro de Thomas Harris, De Laurentiis recusou enfaticamente. Bem, podemos dizer que o consagrado empresário não estava em sua melhor fase, já que a segunda investida se tornou tudo o que a primeira deveria ter sido e não foi: sucesso de bilheteria, crítica, recorde no Oscar (dono do chamado Big Five) e um filme atemporal para os fãs.



E tudo o que precisou foi uma mudança completa no time de realizadores. Nas formas de Anthony Hopkins, Hannibal Lecter se tornou um dos personagens mais memoráveis da sétima arte, além de salvar a carreira do ator. Fora isso, tivemos a introdução de Clarice Starling (Jodie Foster), uma protagonista mais humana e carismática – cujos laços do relacionamento com o psicopata são a espinha dorsal do sucesso da obra.

Hannibal

Outro filme da franquia que faz aniversário em 2021. A tão aguardada sequência de O Silêncio dos Inocentes completa 20 anos. Lançado dez anos depois do clássico Oscarizado, alguns elementos se encontraram ausentes para ser uma celebração completa. Jonatham Demme não voltou para dirigir, e foi substituído pelo igualmente talentoso Ridley Scott. Mas a ausência mais sentida foi a da contraparte do psicopata, deixando a dinâmica capenga.

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Anthony Hopkins concordou retornar ao papel que salvou sua carreira, mas Jodie Foster não estava interessada em reprisar Clarice mais velha, optando por ingressar no projeto O Quarto do Pânico (2002), de David Fincher, após a saída de Nicole Kidman devido a um acidente. Assim, convocada para a substituição chegava Julianne Moore, atriz igualmente capaz. Com Hannibal livre para viver a boa vida pela Europa, o que inclui dar continuidade à sua culinária, digamos, peculiar, cabe à Clarice a incumbência de desvendar o paradeiro de seu “velho amigo”. Tudo isso ocorre justamente quando a carreira da promissora agente novata do passado cai em desgraça dez anos depois.

Dragão Vermelho

Quando “perdeu o barco” do sucesso de O Silêncio dos Inocentes, o produtor Dino De Laurentiis resolveu correr atrás do prejuízo e comprou os direitos das outras adaptações dos livros de Thomas Harris. Assim, dez anos depois do vencedor do Oscar, lançava o item acima, Hannibal – embora sem conseguir com que Jodie Foster, a atriz protagonista, retornasse. Fazendo valer seu investimento, o empresário italiano confeccionava logo no ano seguinte de Hannibal um remake de Caçador de Assassinos, flop do passado, agora com a presença de Anthony Hopkins como o canibal Lecter, e um elenco de primeira à frente da produção. Embora não seja tão original quanto O Silêncio dos Inocentes, Dragão Vermelho foi uma boa investida naquele universo e serviu para que revisitássemos velhos amigos e localidades muito conhecidas dos fãs.

Hannibal – A Origem do Mal



Em Hollywood ou em qualquer outro lugar, quando se investe pesado numa ideia, geralmente é tirada até a última gota dela. Assim, cinco anos após Dragão Vermelho – o remake de Caçador de AssassinosDe Laurentiis resolveu contar a origem do canibal ainda em sua juventude. Precisava? Não. Mas ele faria de qualquer forma. Para isso, exigiu um texto do próprio Thomas Harris para dar embasamento à produção. Quando o autor se recusou, De Laurentiis foi enfático: “Farei mesmo sem você, então é melhor que seja com você”.

Foi só o que bastou para que o criador se mexesse e não deixasse qualquer outro se aventurar pelas histórias e personagens de estimação. Por aqui, nada de Anthony Hopkins, o que fez o longa perder muitos pontos, soando verdadeiramente como um caça-níquel. No papel do protagonista, desta vez Hannibal assumiu as formas do jovem francês Gaspard Ulliel, dando ao personagem um ar mais europeu. O lance por trás destes filmes de origem é que não queremos nem tampouco precisamos ver como os grandes vilões do cinema chegaram aonde os encontramos pela primeira vez. Nossa imaginação dá conta deste recado.

Hannibal – A Série

Em 2010, o grande produtor italiano Dino De Laurentiis faleceu, mas o barco de sua produtora foi tocado pela esposa Martha De Laurentiis, 35 anos mais jovem que ele. Assim, quando uma série focada em Hannibal ambientada antes do que vemos em Caçador de Assassinos e Dragão Vermelho (mas muitos anos depois de A Origem do Mal) saiu do papel em 2013, Dino já não estava mais entre nós – porém seu nome, que intitula sua produtora, continuou dona dos direitos do personagem. Para o imenso desafio de substituir o monstro Anthony Hopkins no papel (que não havia dado muito certo com Ulliel em 2007) era necessário um ator de renome e prestígio suficientes.

Entra em cena ninguém menos que o dinamarquês Mads Mikkelsen, conhecido pela comunidade cinéfila como um dos melhores intérpretes em atividade e recém-saído então do sucesso A Caça (2012), de Thomas Vinterberg. O programa faz uso de personagens recorrentes no universo do psicopata. Essa porém foi a primeira investida em uma história do personagem sem participação de um texto do criador Thomas Harris. Apesar de seu enorme prestígio, o seriado durou apenas três temporadas, sendo cancelado em 2015. Mesmo assim ainda é enaltecido como uma das melhores séries de todos os tempos na opinião dos fãs e tem média geral de 92% de aprovação da imprensa especializada. Vai entender o que se passa na cabeça destes canais de TV.


Clarice

Mais recente investida no universo dos personagens criados pelo autor Thomas Harris na literatura. E se Hannibal – A Série deixava de fora o criador (que não tinha qualquer envolvimento com o projeto pela primeira vez nas adaptações), este novo programa exclui também a produção dos De Laurentiis – pela primeira vez desde 2001. Ao contrário de todas as outras adaptações deste universo, onde o carro-chefe era sempre a presença de Hannibal Lecter como principal atrativo, pela primeira vez uma adaptação resolve investir em sua contraparte, a agente do FBI Clarice Starling, que ganha inclusive o nome do programa.

Antes de Clarice, com quem Hannibal possui um relacionamento de respeito e certa paixão platônica, o agente Will Graham foi o adversário à altura do grande vilão, inclusive sendo o responsável por sua captura. Graham foi vivido por William Petersen em Caçador de Assassinos e por Edward Norton no remake Dragão Vermelho. O personagem voltou a dar as caras como um dos protagonistas da série Hannibal nas formas de Hugh Dancy. Já Clarice, em sua primeira aparição em tela ganhou as formas de Jodie Foster, que conquistou o Oscar de melhor atriz pelo papel.

Dez anos depois, a estrela se recusava a retornar, precisando ser substituída pela igualmente talentosa Julianne Moore, firme ao dar vida a uma Clarice mais madura em Hannibal (2001). Agora, quem assume a responsabilidade é a jovem Rebecca Breeds (da série Os Originais). A opção aqui é pelo retorno ao passado, centrando a trama apenas um ano depois dos eventos vistos em O Silêncio dos Inocentes – o que promete deixar os nostálgicos ainda mais interessados pela proximidade com o querido filme. A primeira temporada está no ar pela rede CBS e já exibiu 7 de um total de 12 episódios.

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