O Oscar é considerado o maior prêmio da sétima arte por vários motivos, entre eles está a sua importância social sempre se alinhando aos novos tempos. E se muita coisa ainda precisa mudar, precisamos reconhecer igualmente os grandes avanços feitos e a mente cada vez mais aberta dos membros da Academia de Artes de Ciências Cinematográficas. Os membros da Academia deixaram de ser um bando de velhos brancos e conservadores (bem, eles ainda existem) e acolheram votantes que tem se mostrado antenados aos tempos pelos quais passamos. Em anos recentes tivemos a animação brasileira O Menino e o Mundo indicado, Moonlight tripudiando sobre La La Land, Pantera Negra nomeado a melhor filme, e Parasita levando para a Coreia de forma inédita a estatueta principal da noite.

E é justamente por esta quebra constante de paradigmas, que tanto amamos, que resolvemos criar esta nova matéria colocando em foco a edição 2021 do prêmio – que por si só é bem especial e única. Além dos costumeiros indicados e vencedores da noite, a edição 2021 já quebrou algumas barreiras e traz muito ineditismo em sua cerimônia – para o bem e para o mal. Confira abaixo as novidades que a edição deste ano do Oscar, que ocorre no dia 25 de abril, trará e se prepare.

Pandemia, Atrasos e Streaming

O primeiro item começa triste, mas depois as coisas melhoram, prometemos. Os três itens do subtítulo estão interligados e dizem respeito à pandemia do coronavírus. Mundo parado. Cinemas fechados por basicamente um ano. Grande parte dos lançamentos adiados para 2021. A fim de esperar alguma melhora, a cerimônia do Oscar passou do costumeiro segundo mês do ano (vulgo fevereiro) para abril. As coisas não melhoraram, portanto, seguindo a tradição de todas as premiações que a antecedem, espera-se um evento virtual este ano.



Outro tópico a ser comentado é a abertura de portas total (ou seria o escancaramento) para produções exibidas em streaming. A maioria recebeu um lançamento simultâneo (cinema e streaming), isso quando não foram apenas exibidas no segundo item. E pensar que há alguns anos ainda existia barreira de obras produzidas pela Netflix entrarem na disputa (quem recorda do caso com Beasts of No Nation?).

Duas Mulheres no Oscar de Direção

Veja só isso: na história do Oscar, em 92 anos, apenas cinco mulheres haviam sido indicadas ao prêmio como diretoras, sendo a primeira a italiana Lina Wertmüller, pelo filme Pasqualino Sete Belezas (1977). Depois seguiram Jane Campion (O Piano, 1994), Sofia Coppola (Encontros e Desencontros, 2004), Kathryn Bigelow (Guerra ao Terror, 2010) e Greta Gerwig (Lady Bird, 2018). Sendo que apenas Bigelow terminou com o cobiçado prêmio nos braços. Em 2021 temos pela primeira vez duas mulheres disputando na categoria: a chinesa Chloé Zhao (Nomadland) e a britânica Emerald Fennell (Bela Vingança). Ambas disputam também na categoria de roteiro, a primeira adaptado e a segunda original. Quem sabe é hora de fazer história mais uma vez e ter uma delas como vencedora na categoria – a sorte aponta para Zhao.

A Primeira diretora Asiática



Ainda falando do mais novo fenômeno do cinema mundial, Chloé Zhao está no olho do furacão e é o centro das atenções em Hollywood e no mundo. Nomadland definitivamente surge como divisor de águas na carreira da cineasta chinesa. Com o filme, Zhao se torna a primeira cineasta asiática a ser indicada na categoria de melhor direção no Oscar. Agora queremos uma cineasta afrodescendente quem sabe no próximo ano para sacudir ainda mais as coisas. Zhao já foi pescada pela toda poderosa Marvel e este ano lança o blockbuster Os Eternos, protagonizado por Angelina Jolie.

Primeira Equipe de Produção Inteiramente Negra

Judas e o Messias Negro é um dos filmes mais importantes disputando o Oscar na categoria principal. A história fala sobre um “espião” infiltrado numa das células militantes do grupo revolucionário Panteras Negras. Curiosamente, ambos os atores principais do filme (Daniel Kaluuya e LaKeith Stanfield) foram indicados na categoria de coadjuvantes, o que faz o longa órfão de protagonistas – bem, ao menos na visão da Academia. A verdade é que esta manobra não é nova e já foi usada no passado a fim de descolar nomeação e vitória em uma categoria menos disputada. Mas o que chama verdadeiramente atenção é que caso seja eleito o filme do ano no Oscar, esta será a primeira vez em que todos os produtores de uma obra (que são quem leva a estatueta quando um longa ganha) são negros: Shaka King (também o diretor), Ryan Coogler e Charles D. King.

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A Gigante Frances McDormand

Voltando a falar de atrizes empoderadas, Frances McDormand cresceu assombrosamente em sua carreira desde seu ressurgimento em Três Anúncios para um Crime. Tudo bem que muitos irão dizer que a talentosa artista sempre foi esta força, e em meados da década de 90 ela ganhou seu primeiro Oscar por Fargo (ela já havia sido indicada por Mississipi em Chamas, 1989). Depois disso, vieram nomeações por Quase Famosos e Terra Fria, na década de 2000. Mas foi quando ganhou seu segundo Oscar como atriz principal em 2018 pela obra citada no início do parágrafo, que todos voltaram a prestar atenção na atriz como uma grande potência de Hollywood. A disputa esse ano está acirrada, mas mesmo que não leve o prêmio como intérprete, McDormand já quebrou um novo recorde. Acontece que esta é a primeira vez que uma atriz concorre pelo prêmio de atuação e igualmente como produtora no mesmo filme, disputando a estatueta de filme do ano para Nomadland.

De Walking Dead para o mundo e o recorde

Quem é fã do seriado de terror e drama The Walking Dead conhece o ator Steven Yeun muito bem. De origem sul coreana, Yeun personificou por 10 anos o personagem Glenn na série. Mas não fiquem tristes por sua saída, já que o sujeito está agora alçando novos e maiores voos. O jovem ator de 37 anos é o protagonista do drama Minari, indicado na categoria de melhor filme e que conta sobre uma família coreana saindo atrás do sonho americano, vivendo como fazendeiros no Arkansas na década de 80. Mas não foi apenas o filme que recebeu indicação, e Yeun sai da experiência direto para a disputa de melhor ator no Oscar com uma nomeação. O ator se torna o primeiro asiático a ser indicado na categoria na história dos prêmios da Academia.



A Despedida de Chadwick Boseman

Bem, este não é exatamente um recorde, já que alguns atores falecidos já foram lembrados de forma póstuma para indicações no Oscar. Inclusive, devemos lembrar que o saudoso Heath Ledger foi laureado com o prêmio após seu falecimento, pelo papel do vilão Coringa em O Cavaleiro das Trevas (2008). De qualquer forma é sempre bom recordar como forma de homenagem. Chadwick Boseman se tornou um ícone cultural ao dar vida ao herói Pantera Negra no cinema. O ator nos deixou cedo demais, em 2020 aos 43 anos de idade. Este ano, a Academia tem a chance de fazer história novamente e cimentar o nome do astro no panteão dos vencedores por sua interpretação em A Voz Suprema do Blues, obra da Netflix, que marca sua última performance nas telas.

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