O que se deve fazer da vida e do amor? Buscando por perguntas sobre a existência e entregando respostas em forma de diálogos e situações do cotidiano, o longa-metragem japonês e provável indicado ao Oscar 2022 na Categoria Melhor Filme Estrangeiro Drive my Car flerta com a metalinguagem em sua narrativa de pausas e longos diálogos,  principalmente quando colocamos o sujeito sob a ótica de estarmos presenciando uma adaptação de um famoso conto do mais famoso médico e escritor que rompeu as barreiras do drama no universo teatral, Anton Tchekhov. Um trabalho fabuloso de Ryûsuke Hamaguchi, um cineasta que sempre precisamos estar de olho.

Ao longo de quase três horas de projeção, com alguns avanços na sua linha temporal, acompanhamos a história de Yûsuke (Hidetoshi Nishijima) um ator e diretor teatral que já passou por muitas dificuldades na sua trajetória, como o entender o porquê da traição da esposa Oto (Reika Kirishima). O tempo passa e Oto falece, vítima de uma hemorragia cerebral. Mais tarde, Yûsuke é chamado para dirigir a peça Tio Vânia de Anton Tchekhov, e assim se muda durante um período para a cidade de Hiroshima onde precisa escolher o elenco, ensaiar. Assim, acaba conhecendo Misaki (Tôko Miura), sua motorista na cidade. Enfrentando suas dúvidas e a incrível analogia que há entre a arte que ama e seus pensares ele busca retornar a enxergar algum sentido sobre a vida que o trouxe até esse momento.



Nomeado à Palma de Ouro em Cannes (2021) e vencedor do prêmio de melhor roteiro no mesmo festival, o projeto nos proporciona gamas de reflexões sobre o existencial, sobre como podemos seguir em frente e vencer as dores de um passado que com muita dificuldade conseguimos acessar. O protagonista é um homem triste, amargurado, um sujeito frustrado com a própria história pois após uma tragédia nunca mais soube como lidar de forma positiva a todos os lados em sua relação com a esposa, o medo de desempenhar o próprio eu o afastava de alguma forma das interpretações de Tchekhov, por exemplo. Tudo muda em sua vida quando o destino trás a sua história personagens que navegam em linhas distantes mas nem tanto assim.

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O inusitado uso dos créditos inicia ao 40 minutos de projeção pode ser uma forma que o que acompanhamos até ali é um prólogo bem construído, como se precisássemos daqueles sequencias anteriores para chegar num entendimento sobre as dores e obstáculos do protagonista. O roteiro tem uma primorosa sensibilidade em conseguir aproximar a arte da realidade, os paralelos com o clássico do médico e escritor russo Anton Tchekhov, Tio Vânia, acaba sendo um pano de fundo para ao longo dos maravilhosos minutos de projeção (que nem sentimos passar) nos façam, sim nós mesmos os espectadores, refletir sobre uma história que poderia ser muito bem vista do lado de cá da tela.

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