Pelé chega hoje ao catálogo da Netflix buscando atingir um público não tão familiarizado com a história do maior jogador de todos os tempos. A produção é interessante e tem um trabalho bem legal de trazer imagens restauradas e depoimentos de ex-jogadores, familiares e pessoas influentes ligadas ao eterno camisa 10. No entanto, por ser um dos homens mais famosos do mundo, Pelé já ganhou outras adaptações para cinema e TV, tanto em documentário quanto em filme biográfico.

E como o Brasil é um verdadeiro celeiro de craques históricos, não dá para ficar se prendendo a apenas um jogador para sempre. Por isso, o CinePOP separou 10 jogadores cujas vidas mereciam uma adaptação da Netflix, seja em documentário ou filme. Confira!


Barbosa

Foto: Reprodução.

Imagine ser um dos maiores jogadores do século XX, ter diversos títulos em uma carreira vitoriosa, incluindo com a Seleção Brasileira, onde foi considerado titular intocável, além de ser o primeiro goleiro da história a ser campeão continental de clubes? Este é Moacir Barbosa, um goleirão forte e de reflexos rápidos, cujo maior sonho acabou se tornando uma maldição eterna em sua vida. Ídolo do Vasco da Gama, onde foi hexacampeão carioca, campeão invicto do Sul-Americano de 1948 – defendendo pênalti na final contra o River Plate -, e vencedor do Torneio Octogonal Rivadavia Corrêa Meyer, em 1953, Barbosa era o melhor goleiro do Brasil na década de cinquenta. Porém, sua vida acabou ficando marcada pela covardia do racismo na nossa sociedade. Na tão sonhada Copa do Mundo de 1950, disputada no nosso país, Moacir Barbosa foi o goleiro de uma das maiores seleções que o mundo já viu. Só que, como vocês já sabem, a nossa Seleção perdeu pro Uruguai e amargou o vice-campeonato mundial. Barbosa era um dos três jogadores negros do elenco e foi tratado pela imprensa e pelo povo como um grande vilão. Para onde ele ia, as pessoas o xingavam, ameaçavam e humilhavam. E assim foi até o dia de sua morte, em 2000. Em 1993, antes do jogo da Seleção Brasileira contra o Uruguai, que decidiria se o Brasil iria ou não para a Copa de 94, Barbosa foi visitar os jogadores na concentração para desejar sorte, mas foi impedido de entrar para evitar uma possível “zika” ao elenco. Pouco tempo antes de morrer, ele deu uma entrevista na qual declarou: “No Brasil, a pena máxima é de 30 anos, mas pago há 40 por um crime que não cometi“. Essa história de glórias e humilhações infundadas renderia um documentário de mão cheia ou até mesmo um grande drama digno de premiações.


Zagallo



Foto: Reprodução.

Ninguém no planeta Terra tem mais medalhas de campeão de Copa do Mundo do que Mário Jorge Lobo Zagallo. Somando sua carreira como jogador, técnico e auxiliar, o Velho Lobo chegou a nada menos que cinco finais de Copa, saindo vencedor de quatro delas, em 1958, 1962 (jogador), 1970 (técnico) e 1994 (auxiliar). Fascinado pelo número 13, superstição adquirida da esposa – uma fiel devota de Santo Antônio, santo cuja data se comemora em 13 de junho – esse grande personagem do futebol brasileiro acumula ainda passagens vitoriosas por Botafogo e Flamengo, além de diversas histórias de bastidores, controvérsias, polêmicas, momentos simplesmente inesquecíveis, como o clássico “Vocês vão ter que me engolir!” e a misteriosa final da Copa de 1998, na qual o Brasil perdeu para a França. Seja como jogador ou treinador, Zagallo é um ícone do futebol mundial, dono de um conhecimento de técnica e tática como pouquíssimos no planeta e, sem dúvidas, merecia um documentário riquíssimo em detalhes, curiosidades e informações. E a melhor parte disso tudo é que essa lenda está viva até hoje. Ou seja, poderia dar entrevistas e depoimentos contando histórias e casos inéditos. Quem sabe até mesmo um longa com uma visão mais romântica… Enfim, o que não falta é história.


Sócrates

Foto: Reprodução.

Tido por muitos corintianos como ídolo máximo, o Doutor Sócrates foi o rosto da Democracia Corintiana. Idolatrado também na Inglaterra, o camisa 8 foi eleito um dos seis atletas mais inteligentes da história pelo jornal The Guardian. Filho de um pai fascinado pela literatura, Sócrates teve boa educação e ingressou na faculdade de medicina, que foi concluída enquanto ele já se destacava como jogador de futebol. Além de seu desempenho genial dentro de campo, o que o levou a ser titular incontestável da Seleção Brasileira dos anos 1980, ele se destacou por ser politicamente ativo. Sua militância teve início em 1964, quando o então garoto de apenas dez anos de idade, viu seu pai frustrado queimar sua maior paixão, seus livros, por conta do golpe militar. Ele foi um dos “cabeças” por trás da Democracia Corintiana – movimento que visava maior participação dos jogadores em questões administrativas do Corinthians -, e foi voz ativa nas Diretas Já!. Sua voz política foi tão importante, que ele chegou a ser fichado pelos militares. Após o fim de carreira, ele atuou em filmes, novelas, foi comentarista, treinador – chegando até mesmo a receber um convite para treinar a Seleção Cubana em 2011 -, mas nunca deixou de ser ídolo do alvinegro paulista. Sua relação com o clube era tão intensa, que ele disse uma vez desejar falecer em um domingo tranquilo, com o Corinthians campeão. Sócrates morreu num domingo, em 2011, na última rodada do Campeonato Brasileiro que terminou com o pentacampeonato do Corinthians. Tem como essa vida não render um documentário importantíssimo ainda mais para os dias de hoje?

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Ademir de Menezes



Foto: Reprodução.

Considerado o primeiro “astro” do futebol brasileiro, Ademir de Menezes foi um revolucionário. Ídolo eterno de Sport e Vasco, o “Queixada”, como era apelidado, revolucionou o ataque, praticamente inventando a famosa posição do “ponta de lança”. Ele era mais veloz que qualquer outro atacante da década de 1950 e tinha um chute ridiculamente potente. Com essas características e um físico avantajado, ele era imparável. Contemporâneo do goleiro Barbosa, ele venceu praticamente os mesmos títulos do companheiro de time. Porém, seu status de artilheiro matador o levou ao Fluminense em 1946, após o técnico tricolor, Gentil Cardoso, soltar a famosa frase: “Deem-me Ademir que eu lhes darei o campeonato“. A diretoria foi atrás, trouxe o Queixada, e ele foi artilheiro do campeonato vencido pelo próprio Fluminense. No entanto, a passagem pelas Laranjeiras não durou muito e seu amor pelo Vasco o levou “de volta para casa”, onde foi campeão muitas vezes mais e se tornou o maior artilheiro do clube, com 301 gols, até ser ultrapassado por Roberto Dinamite. Tal qual Barbosa, Ademir foi para a Copa de 50 com status de astro. Seu rosto estampava diversos comerciais em revistas e jornais e havia muita expectativa quanto ao seu desempenho no torneio. Ele não decepcionou, marcando 9 gols em uma única edição de Copa do Mundo, coisa que nenhum outro brasileiro foi capaz de fazer – Ronaldo Fenômeno chegou perto em 2002, quando marcou 8 gols. Mas é aquela história, faltou o gol no jogo contra o Uruguai, o que resultou no vice-campeonato brasileiro e ficou eternamente registrado nas lágrimas de um inconsolável Ademir no final da partida. A verdade é que a geração de 50 inteira merecia um filme, mas a dupla Ademir e Barbosa, por tudo o que eles representavam… Documentário ou drama seriam excelentes oportunidades.


Adriano Imperador

Foto: Reprodução.

Carrasco da Argentina, ídolo do Flamengo e da Inter de Milão, apaixonado pela família e pela Vila Cruzeiro, Adriano Imperador foi um atacante histórico que protagonizou jogos eternos pela Seleção Brasileira, pelo Flamengo, pela Inter e pelo Corinthians, sendo ele um dos coringas do título brasileiro de 2011. Tido como o sucessor natural de Ronaldo Fenômeno na vasta linhagem de atacantes matadores no futebol brasileiro. Com as lesões do Fenômeno nos anos 2000, coube ao “Didico” chamar a responsabilidade e se tornar o artilheiro da Copa América de 2004 e da Copa das Confederações de 2005. Dono de muita força física e uma canhota invejável, Adriano foi para a Seleção com apenas 18 anos de vida. E depois de muitos anos acumulando títulos e jogadas magistrais, veio o grande baque de sua vida: a morte do pai, em 2006. Isso afetou sua mente, o que, por consequência, afetou seu corpo e seu futebol. Afetado por uma depressão pesada, o jogador afirmou que teria perdido “a alegria de jogar futebol”, engordou e acumulou passagens polêmicas pelo futebol mundial, muito abaixo daquele Adriano que encantara o mundo anos antes. Ele queria ficar perto da família, ter sua vida na Vila Cruzeiro de novo. Em 2009, com o retorno ao clube do coração, ele recuperou o gosto por jogar bola e conduziu o Flamengo rumo ao campeonato brasileiro daquele ano. Porém, mesmo com essa retomada na carreira, ele não deixou de acumular polêmicas, como as festas e o alcoolismo. Depois de sair do Rubro-negro carioca, ele virou um andarilho do futebol, mas ainda deu tempo de se tornar ídolo do Corinthians, onde ele fez gols importantes para a campanha do penta em 2011. Um filme sobre a vida de Adriano estava sendo produzido há algum tempo, só que nunca mais tivemos notícias sobre ele. A história de vida dele tem tudo que um filmaço de drama ou ação procuram, além, claro de ter bastante material para um documentário.


Garrincha

Foto: Reprodução.

Maior ídolo da história do Botafogo, Garrincha é um daqueles casos que realmente não fazem sentido, mas que deram muitíssimo certo. Principal nome da Seleção no bicampeonato da Copa do Mundo em 1962, quando ele assumiu o protagonismo após a lesão de Pelé, Mané Garrincha tinha seis centímetro de diferença de uma perna para a outra e ambas eram curvadas para a esquerda – daí o apelido “Anjo das Pernas Tortas”, era estrábico, tinha desequilíbrio na pelve, problema nos dois joelhos, passou por uma poliomelite e sofria com o alcoolismo. Pela lógica, este cidadão jamais deveria passar perto de um esporte de alto rendimento, como o futebol. No entanto, ele desafiou todas as estatísticas e se transformou no maior driblador de todos os tempos. Rápido como uma bala, “liso” como sabão e com um chute único, o craque da estrela solitária se mostrou um dos maiores jogadores de todos os tempos. Sua carreira no futebol começou jogando por uma fábrica têxtil, mas foi no Botafogo que ele atingiu sua glória, onde foi tricampeão carioca e venceu diversos torneios internacionais. Sua estreia em Copas do Mundo foi em 1958, junto a Pelé, no jogo contra a União Soviética. Aliás, juntos, Garrincha e Pelé nunca perderam um jogo sequer pela Seleção Brasileira. Se dentro de campo ele era genial, fora dele… A vida pessoal de Mané ficou marcada por polêmicas, como bebedeiras, traições, agressões, 14 filhos – sendo um deles sueco – e o conturbado relacionamento com Elza Soares, naquele que já foi o casal mais famoso do Brasil. É verdade que Garrincha já teve um filme, mas é um trabalho tão ruim, tão podre, que ele merecia tanto um documentário quanto uma história contada nas telas de forma decente, sem poupar as polêmicas e as glórias.




Romário

Romário após marcar o milésimo gol, contra o Sport. Foto: Reprodução.

Único jogador além de Pelé a ultrapassar a marca de mil gols – reconhecidos pela FIFA -, Romário é o ídolo de uma geração inteira de torcedores brasileiros. Revelado pelo Vasco nos anos 1980, ele começou jogando mais pela parte esquerda do campo até se consagrar como o Rei da Pequena Área. Considerado por muitos como o último centroavante clássico, o Baixinho teve anos e anos de brilhantismo, e conseguiu algo dificílimo no mundo da bola, que é ser ídolo de duas torcidas de maior rivalidade do país: Vasco e Flamengo. Seus números e títulos não mentem sobre o gigantismo do eterno camisa 11. Dizem que apenas três jogadores foram capazes de “ganhar uma Copa do Mundo sozinhos”: Garrincha, Maradona e Romário. Isso porque o Baixinho jogou MUITA bola nas eliminatórias para a Copa de 1994, e foi O Cara da campanha do Tetra. Além disso, ele tem média de gols superior a Pelé pela Seleção, apesar de ter marcado menos que o Camisa 10. O faro de gols do artilheiro o levou ao Barcelona, onde também virou ídolo, e alcançou o posto de melhor jogador do mundo. Seus números são absurdos, ostentando 326 gols pelo Vasco, 204 pelo Flamengo, 165 pelo PSV, 55 pela Seleção e 53 pelo Barcelona, fora 32 títulos na carreira. Tendo passado por uma infância difícil no Jacarezinho, Romário lutou muito para chegar ao futebol profissional e logo viu sua marra crescer proporcionalmente ao seu talento. Além das vitórias e conquistas, esse estilo marrento de que “não precisava treinar” para resolver dentro de campo criaram várias histórias que o tornaram uma verdadeira lenda do futebol mundial. Suas rusgas com o rival/ companheiro de clube, Edmundo, renderam momentos antológicos de puro futebol brasileiros dos anos 1990. Sua história é tão fantástica que ele serviu de inspiração para o jogador Carlos Santana, do anime Super Campeões. No mangá, ele é um filho do Deus do Futebol que é enviado para o estádio de São Januário, onde começa no futebol, mas após uma briga com um dirigente gorducho, ele se transfere para o rival. Em outras palavras: urge a necessidade de uma série, filme ou documentário sobre o Baixinho.


Manga

Foto: Reprodução.

Multicampeão, o goleiro Manga tem um história gloriosa no futebol e triste no lado pessoal. Ídolo do Botafogo, Internacional, Nacional do Uruguai e Barcelona de Guayaquil, o brasileiro foi campeão da Taça Brasil de 1968 com o Botafogo, bicampeão brasileiro com o Inter em 1975 e 1976, campeão equatoriano com o Barcelona e tetracampeão consecutivo (1969 a 1972) com o Nacional do Uruguai, clube pelo qual também foi campeão da Libertadores e do Mundial. Após dez anos operando verdadeiros milagres pelo alvinegro carioca, Manga foi para o Uruguai contra sua vontade, mas acabou se tornando um dos maiores ídolos da história da torcida do Nacional, onde foi campeão de tudo. Ele também foi um dos poucos a jogar bem e ser querido pelas torcidas de Internacional e Grêmio. Após o fim de sua carreira, ele passou a morar no Equador, mas entrou em falência e foi diagnosticado com problemas gravíssimos nos rins e com uma forte anemia. Como o sistema de saúde equatoriano passava por dificuldades, Manga não conseguia atendimento. Então, um cônsul uruguaio soube da situação do jogador e, em 2019, acionou um grupo de torcedores do Nacional para ajudá-lo a se transferir para o Uuguai. Com a mobilização da torcida e do clube uruguaio, o ídolo brasileiro passou a receber uma pensão, um auxílio moradia e um auxílio saúde. Com a saúde mais estável, ele veio para o Brasil em 2020, onde vive até hoje no Retiro dos Artistas, localizado na zona oeste do Rio de Janeiro. Caso a história nos gramados não fosse o suficiente para um documentário sobre o goleiro da Seleção Brasileira da Copa de 1966, o amor e a idolatria que Manga foi capaz de despertar em pessoas de tantos países diferentes merecia ser retratado em tela.


Ronaldinho Gaúcho


Foto: Reprodução.

Poucas pessoas no planeta podem dizer que são tão amadas quanto Ronaldinho Gaúcho. O homem que é ídolo de ídolos como Maradona e Lionel Messi. Dono de um carisma inigualável e único jogador da história a ter vencido a Libertadores, a Champions League, a Copa do Mundo e o prêmio de Melhor Jogador do Mundo, Ronaldinho perdeu o pai com apenas oito anos, precisando ajudar a mãe e o irmão a manterem a casa enquanto ainda era criança. Desde pequeno, sua maior alegria era jogar futebol. Ele surgiu no Grêmio, onde surpreendeu a torcida e a imprensa com seu jeito ousado de jogar e driblar. Mas foi mesmo na Copa América de 1999, contra a Venezuela, que Ronaldinho chamou atenção do mundo. Sua carreira decolaria de vez, colocando-o na prateleira dos imortais do futebol, com a camisa do Barcelona, onde exibiu um futebol arte pouquíssimas vezes visto em jogos normais. Ele fez o impossível ser possível, presenteando o mundo com alguns dos lances plásticos mais espetaculares da história. Como se isso não fosse o bastante, ainda foi o mentor de ninguém menos que Lionel Messi. No Atlético Mineiro, ele foi parte fundamental da campanha mais vitoriosa da história do clube e se tornou um ídolo instantâneo. Por muitos anos, Ronaldinho foi sinônimo de futebol. Atualmente, porém, ele é conhecido por seus rolés aleatórios. Foi uma boa saída para contornar as polêmicas de sua badalada vida noturna, que tantas vezes foi manchete nos jornais esportivos. Nunca se sabe o que esperar de Ronaldinho. Um dia ele pode estar gravando uma música com Weslley Safadão, no outro pode estar tirando foto com um barquinho no Peru, então ele aparece na Índia gravando um filme no qual ele é um policial, tudo isso para aparecer amanhã dando uma volta com o Will Smith ou vencendo o torneio de presidiários do Paraguai, cujo prêmio era uma leitoa de 16kg. Fato é que a vida do eterno craque do Barcelona renderia uma série espetacular de sucesso global e já deveria estar sendo feita. Acorda, @Netflix! Vai deixar essa passar?


Carlos Kaiser

Foto: Reprodução.

Ok, seria simplesmente criminoso terminar essa matéria sem falar da história mais fantástica do mundo da bola. Carlos Kaiser, também apelidado de Forrest Gump do Futebol, é o maior mentiroso que já vestiu as camisas de América, Bangu, Botafogo, Flamengo, Fluminense, Vasco da Gama, Puebla do MéxicoEl Paso Patriots, Louletano, e Ajaccio da França. Tudo isso sem saber jogar futebol de verdade. Isso porque ele odiava futebol, mas tinha porte de jogador e se amarrava na vida de bebedeira e sexo desenfreado dos jogadores dos anos 1980. Como ele tinha um físico muito bom e conseguiu amizade com alguns atletas famosos da época, como Renato Gaúcho e Ricardo Rocha, ele chegava com facilidade aos clubes e usava sua lábia para negociar contratos e se manter como jogador das equipes. Ele carregava um celular de brinquedo, com o qual fingia estar recebendo ligações sobre propostas para ele mudar de time. Esperto, ele só atendia as “ligações” na frente dos dirigentes, o que os obrigava a tentar mantê-lo no elenco. Mas como alguém consegue jogar em clubes tão grandes sem jogar? Bem, ele treinava normalmente com os jogadores, fazia amizade com eles, guardava segredos, ajudava a resolver problemas e, na hora do jogo, Carlos sempre se “lesionava” e arrumava uma desculpa ou um atestado falso para evitar que fosse mandado para dentro de campo. Minha história favorita dele é a de quando ele estava no Bangu do contraventor Castor de Andrade e foi mandado a campo por ordem do bicheiro. Não dava para ir contra a maior “força alternativa” do Rio de Janeiro, então, enquanto se aquecia pra entrar, ele arrumou uma briga com a torcida do Bangu e foi expulso. No vestiário, ele explicou ao Castor que o enxergava como um pai e, por isso, não aceitaria que os torcedores proferissem xingamentos a ele. O suposto ato de lealdade – ele inventou a parte dos xingamentos – rendeu a ele um forte abraço e uma renovação de contrato feita por Castor de Andrade. Carlos já foi tema de um documentário britânico divertidíssimo que ainda não foi disponibilizado no Brasil. Seria fantástico se a Netflix adquirisse os direitos de exibição ou investisse em um filme ao melhor estilo Prenda-Me Se For Capaz.

Qual jogador brasileiro você gostaria de ver na Netflix? Diga nos comentários!

Pelé está disponível na Netflix.

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