Percy Jackson e os Olimpianos | Quem é Equidna, a Mãe dos Monstros, na mitologia grega?

O quarto episódio de Percy Jackson e os Olimpianos’ foi ar ao recentemente no Disney+ e apresentou mais uma personagem inédita dentro do panteão mitológico arquitetado por Rick Riordan: Equidna.

Interpretada por Suzanne Cryer, Equidna aparece logo no começo do mais recente capítulo ao invadir o trem em que Percy (Walker Scobell), Annabeth (Leah Sava Jeffries) e Grover (Aryan Simhadri) estão – e procurando vingança após o trio destruir inúmeras criaturas perigosas que, na verdade, eram suas filhas. Munida de uma perigosa Quimera, um dos seres mais perigosos de toda a mitologia greco-romana, Equidna tinha como único objetivo destruir o filho de Poseidon e seus companheiros, impedindo que eles pudessem cumprir com a missão de recuperar o raio de Zeus e salvar o mundo de um destino catastrófico.

Mas quem é Equidna?

No episódio em questão, Grover a chama de “Mãe dos Monstros”, uma expressão perifrástica que acompanha a personagem desde sempre. Equidna é originalmente uma drakaina, isto é, uma mulher-dragão com a cabeça e o busto de uma mulher e o corpo de uma serpente escamada. No imaginário grego antigo, ela representava as corrupções do planeta, como as águas fétidas, a terra podre, a doença e a morte. A personagem, por vezes, pode ser enxergada como uma variação de Píton, um dragão que nasceu do lodo deixado pelo grande Dilúvio, enquanto outros a caracterizam como uma lampreia do Tártaro, colocando-o no centro da escuridão que habita o submundo. O poeta Hesíodo, entretanto, a configura como filha dos monstruosos deuses dos mares, Fórcis e Ceto, enquanto Apolodoro a coloca como filha de Tártaro e Gaia.

Equidna era consorte de Tífon, um gigante de várias cabeças que controlava as tempestades e que desafio Zeus pelo trono do Olimpo. Juntos, eles deram origem a uma quantidade imensurável de criaturas terríveis que avassalariam a Terra, incluindo Ladon, o dragão que protegia os Pomos Dourados do Jardim das Hespérides; a Hidra, um monstro de sete cabeças que guardava o Velocino de Ouro; os cães infernais Órtros e Cérbero; a Esfinge, que apareceu na famosa história de Édipo; o Leão de Nemeia, que foi enfrentado por Hércules ao longo de seus doze trabalhos; e a Quimera, que dá as caras no episódio supracitado e tem cabeça de leão, corpo de cabra e cauda de serpente.

Na Teogonia de Hesíodo, Equidna é descrita como um “monstro incontrolável, como nada humano, nem como os deuses imortais, em uma caverna oca. Esta era a divina e arrogante Equidna, e metade dela é uma Ninfa com um lindo rosto e olhos brilhantes, mas a outra metade é uma serpente monstruosa, terrível, enorme, contorcida e voraz, lá nos lugares secretos da Terra”.

Já no clássico épico Ilíada, de Homero, a personagem é citada indiretamente e através do submundo de qual Equidna veio: “Zeus, que se deleita com o trovão, ficou irado, como quando bate na terra por causa de Tifão, na terra dos Arimoi, onde dizem que ele jaz prostado”. Arimoi, para aqueles que não conhecem, é uma tribo semi-mítica que também é conhecida como Arimaspoi ou Kimmaroi, que habitava os confins do planeta na escuridão eterna – que é conhecido por seu nome mais famoso, o Tártaro.

Lembrando que o próximo episódio de Percy Jackson e os Olimpianos’ vai ao ar em 09 de janeiro.

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Thiago Nolla
Em contato com as artes em geral desde muito cedo, Thiago Nolla é jornalista, escritor e drag queen nas horas vagas. Trabalha com cultura pop desde 2015 e é uma enciclopédia ambulante sobre divas pop (principalmente sobre suas musas, Lady Gaga e Beyoncé). Ele também é apaixonado por vinho, literatura e jogar conversa fora.

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