E a família mais amarela do mundo completa 22 anos de histórias. Nem consigo imaginar quantas horas da minha vida passei assistindo à família mais famosa dos Estados Unidos. São mais de 450 episódios, um filme, centenas de participações inesquecíveis e uma cidade completa.

Já houve ameaças de fim da série, com o protesto dos fãs; já tiveram prêmios, polêmicas, tudo que um seriado histórico merece.

Bart foi culpado pela violência dos adolescentes da América. Marge posou nua. Até oD’ho do Homer foi parar no dicionário. Não há quem questione a importância da série.


Já sua vitalidade…

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É inegável que os episódios, ao menos desde a 18ª temporada, são menos mordazes, irônicos, provocativos. Menos inteligente não! Apesar de alguns acharem os atuais episódios fracos, é difícil não reconhecer inteligência. Talvez todos concordem que o seriado é uma visão privilegiada da sociedade (não só da norte-americana). Mesmo assim, quando assisto episódios constrangedores de tão ruins, me pergunto, o porquê sento para ver essa família amarela?

Meus primeiro episódios foram na Globo. Depois, inventaram TV por assinatura na minha casa e Os Simpsons se tornaram diários. Houve épocas que todo dia assistia; em outras, só aos fins de semana; mais adiante, apenas os inéditos aos domingos; rola mais o calendário, eles voltavam a me acompanhar todos os dias. Atualmente, assisto mais aos fins de semana. E foi acompanhando a estréia da 22ª temporada, em meio a piadas fraquinhas e alguns lances geniais, me perguntei: por que continuo na frente da TV?

Nas listas de melhores episódios, a maioria, ou todos, foram produzidos até idos da 12ª temporada, e já estou sendo generoso. Clássicos como a viagem de Homer ao espaço, a tentativa de Bart de saltar a Garganta de Springfield, o Moe Flamegante, a prisão de Krusty, o assassinato de Burns pela Meggie (por favor, isso não é mais spoiler!). Para mim, um dos incríveis é a história do nascimento da Meggie, que termina com a frase “faça isso por ela”. Obras-primas do humor e da animação, mistura perfeita de ironia e emoção.


Também podemos fazer com tranquilidade a lista dos 10 episódios esquecíveis, como aquele no qual o Diretor Skinner revela não ser o verdadeiro Direito Skinner. Tão ruim que no fim do episódio o juiz decretou que ele era o verdadeiro Diretor Skinner!
As últimas 5 temporadas não tem vulgaridades como essas. O que se vê são enredos ora absurdos, ora simplórios, a mesma estrutura dos episódios e histórias menos ácidas e mais sentimentais. Há episódios com uma profundidade que não se via no começo do programa. Ao invés dos finais irônicos, são recorrentes os fechos sentimentais, com exaltação da família e do amor/carinho. Não há pieguice. Parece que estamos diante daquela pessoa de meia idade que na juventude foi radical e hoje olha as coisas com serenidade. É isso! “Os Simpsons” se tornaram aquele tio de meia idade que adoramos conversar!

Mas não é só por isso que continuo a assisti-los.

Por pior que sejam as histórias, elas continuam a serem inteligentes, com texto bem escrito, animação impecável e sempre com uma perola de humor e ironia para nós. Em temporada recente, Homer pergunta à Marge“mas, por que não posso julgar as pessoas pela sua religião?!?!?!”


A evolução das personagens é um bom motivo para sintonizar no programa. É incrível como até o mais secundário morador de Springfield ganhou complexidade. Caso a parte é da Lisa: de perfeitinha, tornou-se ambiciosa, com fobia do fracasso e capaz de fazer coisas erradas, sem deixar de bancar a chata voz moral da família.

Mas será que ainda acompanhamos os Simpsons por hábito? Eles são exibidos todos os dias e aos domingos têm novidade. Não podemos deixar de fora a última máxima deHomer. E os especiais do Dia das Bruxas são aquela porção extra de morango. Ou será a capacidade de, mesmo os piores enredos, ficarem acima da média? Ou, porque mesmo após 22 temporadas, eles ainda nos surpreendem?

Duas décadas e a criação de Matt Groening é símbolo de uma época na qual as bandeiras são tecidas com deboche e sem-vergonhice, mas nunca sem sentimentalidade. “Os Simpsons” criaram um gênero, lançaram moda e foram absorvidos pelo imaginário popular. Basta dizer que, mesmo sem terem visto um único programa, meus pais sabem quem é Homer!


E vocês, por que insistem em assisti-los???

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